domingo, 22 de dezembro de 2013

"amor é um cavalo com a perna
quebrada
tentando se levantar
enquanto 45 000 pessoas
observam"

Um dia um eu estava no trabalho, me arrumando pra um encontro na hora do almoço. Olhei pro espelho e pensei que ninguém desiste. De verdade, a gente continua tentando.

Preparando surpresas, mandando mensagens ao longo do dia. Segurando o choro porque nada é como a gente imaginou, como a gente queria. Ou tudo é, mas a gente não quer mais. Eu posso querer outra coisa?

"amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado"

E você senta e conversa sobre livros, sobre cinema, sobre cachorrinhos. Sobre futebol. Sobre comida. Sobre como você não consegue mais virar uma noite sem ficar dois dias arrasada. Sobre seu pai, sua mãe, sua família ou pelo menos o que você pode revelar sem que pareça uma maluca desajustada com um monte de problemas pra resolver.

"amor é o jeito que nós fervemos
como a lagosta"

Você se defende, se protege, discute com os amigos, faz uma lista de prós e contras. Por que não?, você se pergunta, quando no fundo quer saber por que sim, por que ainda.

"amor é o que se arrasta
pelo chão"

Enquanto você engole a seco, sente um nó na garganta, uma pontada no estômago, torcendo para que a próxima sensação seja de frio na barriga.

"those ears those
arms those
elbows those eyes
looking, the fondness and
the wanting I have been
held I have been 
held"


versos do poema "uma definição", última estrofe de "um poema de amor". os dois de charles bukowski, tradução de fernando koproski.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Falando com a Nath sobre como os relacionamentos ficam mais fáceis à medida que a gente envelhece. Não quero dizer "envelhece", mas é isso.

Minha aposta é que na juventude - não quero dizer juventude, mas é isso - a gente tem mais tempo livre, muito tempo livre. Muito tempo pra pensar. Muito tempo pra drama.

Embora, às vezes, eu ainda precise dizer a mim mesma, nãopossoobcecar, nãopossoobcecar, nãopossoobcecar. Às vezes.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma vez eu saí com um cara e ele disse que arte era conteúdo sobre forma e não o contrário e eu soube naquele momento que nunca poderia me apaixonar por ele.

É difícil pensar no momento exato em que você pensa "não é isso, não é assim" e decide não levar a história adiante.

Foi alguma coisa que eu disse? Foi a roupa que eu estava usando? Foram meus amigos, meu esmalte, porque eu fiz uma piada sobre o celular dele? Foi porque eu disse que não quero ter filhos, porque não acredito em deus, porque moro longe? Foi porque eu não aceitei que ele pagasse a conta?

Foi porque ele tinha planos diferentes, porque estava numa fase diferente da vida. Foi porque ele pareceu confuso, porque os amigos pareceram idiotas. Porque ele não conseguia entender que o que define arte é a forma. Foi porque eu vi uma foto dele com um abadá, porque o pai dele tinha um barco e eu achei que ele era rico demais pra mim. Foi porque ele era jovem demais, porque ele não tinha um emprego e eu não conseguia superar que os pais estavam pagando aquela metade da conta.

Foi porque ele não morava nem aqui nem ali, mas por aí e não sabia dizer pra onde ia nem quando voltava. Porque ele me disse que não se entendia, quando, depois de tanto tempo e tanto esforço, eu entendo uma grande parte de mim.

E foi porque eu sei que tudo o que vai pode voltar e tudo o que acaba pode recomeçar num outro momento, quando fizer sentido, se fizer.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

outro dia tive o seguinte diálogo com o meu pai:

-tenho duas notícias. você quer a má ou a boa primeiro?
-ai, pai, nem sei. acho que quero a má.
-não tem má notícia!
-então conta as duas boas.
-meu eletrocardiograma está ótimo.
-ah, que bom. e a outra?
-e o meu cardiologista disse "é isso aí, bola pra frente. vamos comer muito torresminho, costelinha e picanha."

quer dizer, a má notícia é boa e uma das boas notícias ele inventou.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Eu tenho um problema nas digitais, que são muito fraquinhas. Daí, toda vez que quero entrar na academia, que libera a entrada por um leitor de digitais, são várias tentativas até que o computador me libere. Vai se formando uma fila, eu tenho que deixar as pessoas passarem e tal.

Enquanto isso, as recepcionistas ficam lá conversando. Quando eu tô quase chorando ou pedindo pra alguém "deixa eu passar juntinho com você?", elas resolvem me ajudar. Com isso, percebi duas coisas:

1. tô pagando a mensalidade de bobeira, porque elas só chegam e liberam a entrada com a digital delas, sem nem saber se eu estou matriculada de verdade. Calculo que poderia comprar mais 1 1/2 par de sapatos todo mês com esse valor.

2. eu achei que era incompetência elas não perguntarem meu nome ou o número da minha matrícula e me deixarem entrar direto, até que prestei atenção na foto que aparece quando a entrada é liberada: elas têm fotos lindas. Hoje eu vi uma foto que era tipo capa da revista Nova, cabelos ao vento.


Se minha foto fosse assim, eu, que tenho uma foto na ficha da academia tirada após o término de um relacionamento longo, quando eu tava arrasada, abaixo do peso e despenteada, se eu tivesse uma foto daquelas, passava a tarde na porta da academia me oferecendo pra liberar a roleta com a minha digital, só pra minha cara linda aparecer pra todo mundo ver.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Todo ano há anos uso o mesmo cartão de crédito para comprar minha passagem da viagem de férias. Este ano, a operadora do cartão resolveu achar isso estranho e eu tive que ligar pra me explicar.

Fiquei tentando imaginar o que eles estavam achando estranho. Sim, credicard, eu vou ficar aqui no Brasil. Você já viu quanto tá o euro? Sim, eu amo praia, não sei de onde vocês tiraram a ideia de que eu não gosto. Tenho fotos bronzeada, posso mostrar pra vocês.

Daí liguei e tive que confirmar minhas últimas compras. Eu não uso muito o cartão de crédito, então minhas últimas compras eram:
-a passagem das férias
-um app na google play pra fazer colagens
-um pacote de fundos para usar no app

E eu me vi tendo que dizer "sim, paguei dois reais por fundos para fazer colagens nesse app de celular. eu paguei por isso sim."

Me deixa, gente, que eu que sei da minha vida e vou comprar quantos coraçõezinhos e estrelinhas eu quiser pra fazer colagens. Me deixa.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

-Eu quero remover essa tatuagem aqui com laser.
-Ah, por quê? Eu gosto dessas tatuagens.
-Não, só essa aqui, olha. É uma tatuagem de delator. Olha, uma flecha no dedo. Se eu for preso, vai parecer que eu sou um dedo-duro.
-Mas, espera. Isso existe? Delatores têm tatuagem de flecha no dedo indicador?
-Não sei. Mas, olha, parece que eu estou apontando.
[aponta de verdade]
-Se eu for preso e virem essa tatuagem, eu vou me dar muito mal na prisão.

E isso, meus queridos, é o que você ganha ao se apaixonar por um aquariano.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ontem vim no ônibus sentada ao lado de uma pessoa que, com fone de ouvido, cantarolava uma música que tinha o verso "me perdoa, me perdoa, me perdoa" repetido à exaustão (minha, não dela). Eu não sei a quem ela pedia perdão, mas, se era pra mim, eu não dei, não.

Depois, achou uma boa ideia tirar o fone e escutar o jogo do flamengo com narração do garotinho José Carlos Araújo. Afinal, por que não?

Só não vou dar a ela o título de minha arqui-inimiga #2 porque peguei o ônibus num horário diferente do meu horário normal e acho que nossos destinos nunca mais vão se cruzar, amém.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

date #1

Quando ele voltou pra sala eu já tinha aberto as duas cervejas, a minha e a dele. Ele disse "obrigado, eu ia abrir pra você."

Depois que trouxe a segunda cerveja, ele abriu as garrafinhas com o antebraço e disse "não tô tentando ser machão. é mais fácil assim."

Eu não tinha dito nada.

Muitos minutos depois eu vi uma marca vermelha no antebraço, ele viu que eu vi e disse "parece uma marca de mordida, mas é da cerveja. lembra?"

Parecia mesmo uma marca de mordida. Eu já tinha esquecido a cerveja. Eu disse "parece mesmo uma mordida. mas eu não ia dizer nada, ia ser discreta. eu não sou ciumenta."

Ele chegou bem perto de mim. E.


eu menti, é claro. quando disse que não sou ciumenta. mas ele ainda não sabe.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Quando ele tava planejando nosso dia na praia e disse que queria que o dia tivesse 25h pra me conhecer mais, minhas mãos ficaram cheias de suor na mesma hora.

De tão quente que ficou o meu coração.
...
Eu fiquei tão atrapalhada, talvez até apavorada, que não soube direito o que dizer. Eu queria dizer pra ele voltar logo, que eu tava com muita saudade dele, da barba, de cada uma das tatuagens e dos olhos que ficam pequenininhos quando ele sorri.

Eu queria dizer voltalogovoltalogovoltalogo e acabei não dizendo nada que fizesse muito sentido ou diferença.

Mas ele voltou. Logo. Seis dias mais cedo.

E mesmo assim demorou tanto.

you're gonna make me lonesome when you go 1

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

-Estou com todos os ingredientes prontos pra fazer caldo verde.
-E o que falta pra fazer, pai?
-Você não disse se quer.
-Então basta eu dizer que quero e você faz caldo verde?
-Não.
-Então o que é preciso pra você fazer caldo verde?
-Eu ter vontade.

Dentro da cabeça do meu pai, só imagina como deve ser lá dentro.

domingo, 6 de outubro de 2013

À descoberta se seguiu o meu choque, completamente desnecessário, já que eu sabia e você sabia que eu já sabia de tudo. Eu soube de tudo tantas vezes e de tantas maneiras diferentes que o choque foi apenas parte do meu espetáculo, o filme de que todas as pessoas da minha geração acham que participam. Com o choque veio sua exclusão de todas as minhas redes de amigos na Internet e, sentindo que isso não fosse suficiente, o bloqueio do seu perfil para que você não pudesse me ver e eu não pudesse te ver. Nós deixamos de existir um para o outro há algumas horas ou alguns minutos, não lembro bem, e talvez você nem saiba. Isso eu não preciso avisar, não preciso ligar e dizer que não existimos mais um para o outro, se é que já existimos em algum momento desses três anos que você esteve na minha vida sem estar e eu na sua, menos ainda. Você vai perceber que já não existimos um para o outro, se é que já não percebeu. Talvez este seja o momento do café no seu trabalho, você se levante para tomar um café e quando volte abra o Facebook. Talvez você fique curioso e queira ver se eu publiquei uma indireta em forma de vídeo de música para você. Me ame, por favor, pelo menos um pouco. Percorrendo toda a sua tela, você não verá meu nome. Não verá um poema que eu tenha publicado para te convencer de que sou inteligente e sensível, ou uma música, para te convencer de que temos o mesmo gosto musical e por isso devemos ficar juntos, mais juntos do que jamais estivemos. Não verá uma foto de um grafite num muro, um grafite de coração ou um grafite irônico dizendo que não ligo para o amor, para que você se convença de que sou uma mulher moderna e independente e nunca te darei uma dor de cabeça ou um aborrecimento com crises de carência ou ciúme e por isso você deve escolher a mim. Você não me verá nessa tela, então talvez você decida entrar no meu perfil e é neste momento que você perceberá que eu não existo mais. Talvez você ainda não saiba que eu não existo mais só para você ou talvez você se dê conta disso na mesma hora que vê que eu não existo mais. Talvez você só perceba daqui a uns dias, quem sabe semanas. Eu nunca saberei, porque nunca mais falarei com você, estou muito decidida. Nós não existimos mais um para o outro e por isso eu nunca saberei como você descobriu que eu não existia mais, porque eu nunca mais falarei com você, nunca mais.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Outro dia eu tava voltando do pilates, parei na padaria pra tirar dinheiro no caixa 24h pra pagar o almoço que eu tinha pedido pelo telefone no caminho pra casa e na saída tentei passar por uma parede de vidro.

(eu não quebrei o vidro nem nada)


Eu não vi que era uma parede de vidro, é claro, ou eu não teria tentado passar por ela. Enquanto eu batia com a cabeça na parede de vidro, alguém gritou "aí tem um vidro!", mas já era tarde demais.

Desde esse dia, toda vez que eu entro na padaria e as pessoas ficam se olhando, apreensivas. Hoje eu tava saindo, tinha uma pessoa no meu caminho, fiz uma manobrinha pra desviar e acabei indo em direção à parede de vidro, mas era só uma manobrinha mesmo, eu juro, e alguém gritou "cuidado que aí fica o vidro!"

Cara, as pessoas não podem confiar em mim, que eu não vou mais bater com a cara no vidro? Eu prometo? Será que é possível? Apenas um voto de confiança.

domingo, 29 de setembro de 2013

Cheguei enquanto ele tava trabalhando, aí ele disse "você tem um mp3 player aí? põe ali na caixinha pra gente ouvir enquanto eu termino. o que você tem de rock?"

Respondi que ah, várias coisas. Você tem alguma preferência?
-Não, deixa aí pra eu ver o que você ouve.

Tava no modo aleatório. Podia ter tocado Sepultura. Podia ter tocado todos os discos dos anos 1970 dos Stones. Podia ter tocado o Revolver. Podia ter tocado Pavement, Sonic Youth. Podia ter tocado LCD Soundsystem. Podia ter tocado White Stripes.

A segunda música que tocou foi Madonna.

Holiday.
...
Pelo menos eu tinha levado cerveja. :/

terça-feira, 24 de setembro de 2013

De manhã discordei veementemente da minha analista que sugeriu que eu talvez não queira amar, ser amada etc.

De tarde recebi uma mensagem tão fofa* que (quase) chorei e encerrei a conversa porque não sabia como agir.

De noite eu escrevi "coração" quando queria escrever "coragem". E ouvi uma música da Miley Cyrus.


*eu sei que não devia usar a palavra fofa pra falar de um homem ou de qualquer coisa que não seja a hello kitty. mas é meio que mais forte do que eu.

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu pensei em te ligar e dizer alguma coisa, mas nós nunca fomos assim. Eu nem sei o que eu diria depois de alô e você com certeza não saberia o que responder quando eu te perguntasse se era verdade. É claro que era verdade, se eu vi as fotos. A sua mesa de cabeceira, o copo d’água sempre lá. O livro que eu te dei estava lá? Eu não consegui ver pela foto. Ele estava lá? Os livros que eu te dei, você leu? As dedicatórias que eu escrevi, você entendeu? Eles estavam na sua mesa de cabeceira enquanto ela estava lá, tirando fotos dela? Meus livros estavam lá? Seus livros. Você leu os livros que eu te dei? Sua vitrola, ela também tirou uma foto da sua vitrola. Esperta ela, boba eu, que nunca tirei uma foto de nada. Tão legal aquele Mickey na sua mesa e eu nunca tirei uma foto. Sua lâmpada think e eu nunca tirei uma foto. Sua estante, eu nunca tirei uma foto. E sua vitrola. Ela tirou uma foto da sua vitrola. O disco que tocava não era o que eu te dei no seu aniversário do ano retrasado, mas eu me pergunto mesmo assim, será que você tocou esse disco para ela? Um disco nota 10 na Pitchfork. Um disco que veio da Alemanha. Eu sinto vontade de jogar uma coisa pesada em você, só de pensar que ela pode ter escutado o disco que eu te dei, um disco nota 10 na Pitchfork, um disco que veio da Alemanha. Mas eu não quero levantar de onde estou sentada para pegar uma coisa pesada e você nem está aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Aquele momento em que você deixa o cara em casa, se despede, entra no táxi de novo e abre a boca pra dizer:
-Gaaah, eu estou apaixonada!

Daí você olha pro lado e vê que a janela está aberta. O vidro abaixado. E ele ali, na calçada. E você com a boca aberta, pronta pra dizer em voz alta.

Aquele momento em que você fala bem baixinho pro Junior, que estava dirigindo:
-Cara, vamos sair rápido daqui pra eu poder dizer uma coisa.

Aquele momento em que você diz.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O gatinho manda o link de uma banda de death metal e pergunta "curtiu o som?"

Ahan, claro. Muito legal. Não é bem o que eu ouço, mas eu curti [emoticon de piscadinha]

Eu tenho trinta anos.

Melhor death metal do que mandar uma música do Belle and Sebastian, me lembra a Cíntia. Imagina se ele fosse fofo. Não, eu não quero nem imaginar.

Eu digo que ele falou pra gente sair com os amigos dele e que eu tenho a impressão que os amigos são meio malucos. Cíntia diz "you should be fine, then."

Mas assim o blog muda de nome para Cíntia disse, eu sei.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Uma vez um namorado resolveu terminar comigo no meio da madrugada. Os dois prontos pra dormir. Eu tava pronta pra dormir, com certeza. Pronta pra levar um pé na bunda eu garanto que não estava.

Daí ele terminou comigo no meio da madrugada. E chorouchorouchorou. E eu choreichoreichorei.

Eu quis ser legal. Abracei, falei "que isso, garotão. a gente pode ser amigo. imagina, a gente já viveu tanta coisa. vai ficar tudo bem, eu não tô zangada."

Depois de duas horas que passei consolando a pessoa que chorava de soluçar, eu também chorando, ele disse "deixa pra lá, eu estava errado. te amo, não quero terminar. vamos dormir."

Terminamos dois anos depois, por e-mail.


Faz tanto tempo, já contei essa história tantas vezes que já não sei mais qual é a história.

Às vezes a gente só entende o presente quando ele já é passado. Às vezes a gente nunca entende, porque a história muda sem que a gente perceba.

domingo, 25 de agosto de 2013

No dia seguinte:
-Você tava sensualizando com o fulano?
-Tava, claro.
-E com o beltrano?
-Não, tava só sendo simpática.

Trinta anos e ainda tenho que explicar onde está a mira.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Entrei no restaurante já quase passando da hora do almoço. Daí sentei e veio o garçom. Eu vi a mão dele meio levantada, segurei, apertei e disse "oi, tudo bem?"

Foi aí que eu senti o paninho que ele tinha na mão.

Ele não queria nada além de limpar a mesa.

domingo, 18 de agosto de 2013

Pessoas obsessivas nunca deveriam se apaixonar.

Se o mundo fosse justo, nós seríamos incapazes de.




esse vídeo é mais um oferecimento do tumblr da hunnybunny.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Eu trabalho longe de casa. Para ir ao trabalho, pego dois ônibus porque, por mais que pareça inacreditável, é a opção mais confortável pra mim. Um dos ônibus que eu pego é do tipo executivo, então eu vou dormindo e volto lendo na minha poltroninha reclinada.

Quando você entra num ônibus de manhã cedo o que você faz? Silêncio, é claro. Se não faz, é o que você deveria fazer.

Daí que eu pego o ônibus sempre no mesmo horário com as mesmas pessoas. Tenho uma lista mental de passageiros que merecem estar no ônibus e passageiros que mereciam ir correndo atrás dele, porque não sabem se comportar.

Por exemplo, todos sabem que o braço entre os bancos é apenas um braço divisor, ele não deve ser usado para apoiar nenhuma parte do seu corpo. Quem não sabe merece ir correndo atrás do ônibus.

Há umas semanas surgiu uma passageira que rapidamente se transformou na minha arqui-inimiga. Na primeira vez que nós nos vimos, nós duas estávamos na fila, ela comendo um cachorro-quente na minha frente e conversando com a pessoa atrás de mim.
-Eu estou fazendo uma dieta que a minha nutricionista passou e ela funciona assim: eu como tudo o que eu quiser até ficar satisfeita e jogo fora o que sobrar.

Nossa, arqui-inimiga, a sua nutricionista deve ser tão esperta quanto você.

Na segunda vez que nós nos vimos, ela sentou em cima de uma outra passageira. Quando a pessoa reclamou, minha arqui-inimiga disse num tom debochado "ai, desculpa!" e passou o resto da viagem falando sozinha, "nossa, brigar por causa de lugar, era só o que faltava." Ela havia sentado em cima da pessoa.

Foi aí que ela virou minha arqui-inimiga. Bem aí. Um pouco depois que a mãe dela desligou o telefone na cara dela enquanto ela contava essa história do jeito dela. Sim, arqui-inimiga, eu sei que a sua mãe desligou na sua cara, porque você estava falando muito alto e eu ouvi toda a conversa.

Hoje eu peguei ônibus com ela sentada bem atrás de mim. A primeira coisa que ela faz quando o ônibus sai é ligar para alguém. Eu não sei que tipo de pessoa tem o que dizer durante uma hora às 8h, só sei que é um tipo que eu quero bem longe de mim.

Ela estava já na segunda ligação falando as mesmas loucuras que já tinha falado na primeira ligação do dia:
-Aí eu cheguei pra minha chefe e perguntei se tinha alguma coisa pra fazer. Ela disse "isso é uma afirmação ou uma pergunta?" e quando ela disse afirmação, ela queria dizer intimação. Ela tá muito noia, perdeu o controle.

E foi quando aconteceu um momento lindo de união e as pessoas começaram a fazer SSSHHHIIIIUUU. SSHHIIUU. SHHHIIUUU.

Minha arqui-inimiga (agora de todos nós) desligou o celular e conseguimos dormir na segunda metade do caminho.

Só de lembrar eu fico emocionada.

domingo, 11 de agosto de 2013

Aqueles eventos que reúnem um monte de gente que estudou com você e você sai de casa preparada pra passar algumas horas respondendo "e o namorado?" e ver as pessoas agindo como se você não tivesse um emprego e uma vida. Todas as roupas que você experimentou te fizeram parecer infeliz e fracassada. Você não podia ter tentado um vestido? Todo mundo de vestido não parece mais feliz? [não, nem sempre, mas ok] E mesmo assim você escolheu ir de parka.

Um suspiro e vamos.

Mas lá (quase) todo mundo tem assunto. Então a gente fala sobre os nossos empregos. Tem um bebê também e a gente brinca com ele sem que uma diga pra outra "tá treinando?" A gente fala sobre nossos planos de casa nova, sobre comprar uma casa sozinha ou alugar. Sobre financiamento. A gente fala sobre o carro que uma de nós negociou, comprou e pagou sozinha. Menos cinco mil do preço final e tapetes de brinde. A gente pede o currículo uma da outra, porque abriu uma vaga no meu departamento. Cada vez mais parecidas com as nossas mães, de uma maneira estranha. A gente fala sobre nossos fios brancos, o que você tá fazendo pra esconder? E todo mundo tá arrancando por enquanto mesmo, apesar do medo de ficar careca ou de arrancar um e nascerem dois. A gente fala sobre como nosso metabolismo está mudando e a gente pode sentir isso e de como nenhuma de nós pode viver sem uma atividade física. A gente compartilha ali mesmo pelo celular nossa planilha de planejamento financeiro. Pra onde vocês vão nas próximas férias?

Às vezes um abraço não precisa ser um abraço de verdade. Um abraço no meio de um mundo cheio de "mas você sabe que óvulo envelhece, né?" As tias desesperadas. As casadas consoladoras. As grávidas incentivadoras. "Você vai achar alguém." A mãe que não fala disso porque acha que você é do contra e a melhor maneira de fazer com que você tenha filhos é fingindo que a sua decisão de não ter é a sua decisão de não ter e ela acha ok você decidir nunca ter filhos, então ela não fala disso, porque se ela mostrar que acha que você deve ter filhos aí é que você nunca vai querer mesmo e ela nunca terá netos. A mãe, eu poderia ter parado aí. Um mundo de gente esperando, te consolando, torcendo. Ninguém pergunta o que você quer.

E de repente ali, um abraço.

Eu tenho essa mania de escrever mil posts de uma vez e ir publicando aos poucos. Muitos posts só são publicados quando não é nem mais o que eu sinto porque assim eles não vão doer com nenhum comentário. =)

O problema é que o blog sempre acaba chegando numa fase em que ainda estou falando sobre uma coisa que já passou, ao mesmo tempo em que escrevo posts sobre as coisas que estão acontecendo, mas não sei quando serão publicados.

=)

Enfim, nem sempre fica claro, mas o blog às vezes chega a ter um atraso de meses.

um beijo,

:*

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Eu já sabia.

Eu soube quando você bloqueou sua página para comentários.
Eu soube pela sua escolha de restaurantes. E pelo lugar onde você sentava neles.
Eu soube quando você disse que tinha que trabalhar.
Eu soube quando você disse que tinha um almoço em família.
Eu soube quando você disse que ia andar de bicicleta com seus amigos. Haha.
Eu soube quando ouvi a sua voz no meu aniversário. Foi a primeira vez que você acertou o dia. Constrangimento tem voz? Culpa tem voz? Pena tem voz?
Eu soube quando vi as fotos. Eu vi as fotos. Você me deixou ver as fotos.

Eu soube tantas vezes e de tantas formas que acho inacreditável que você tenha pensado que precisava me contar.

domingo, 4 de agosto de 2013

Primeiro a caixa da padaria me devolveu uma moeda que eu entreguei pra pagar o pão. Eu estava comprando dois tipos de pão, entreguei o dinheiro trocadinho, muito orgulhosa de mim mesma por ter dinheiro trocado. Aí a caixa da padaria devolveu a minha moeda.


Eu não entendi nada, entreguei a moeda de volta. Ela me devolveu. Entreguei de volta. Me devolveu, entreguei de volta. Eu quase chorando. Não é possível, 50 centavos, o que eu estou fazendo de errado? Até que ela fez uma cara muito feia e disse "essa moeda não é do Brasil." Daí eu olhei pra moeda e vi que tava tentando usar 50 centavos de euro pra pagar meus dois tipos de pão. Como a moeda foi parar na minha carteira, nem ideia.

Da padaria eu fui ao supermercado e na seção de temperos vi uma coisa que dizia "canja em pó", pensei que não fazia muito sentido. Canja em pó nem existe, não pode ser isso. E então reli e estava escrito "GANJA em pó", fiquei olhando pros lados, tipo, pode isso? Se eu comprar, a polícia vai me prender? Será um disfarce? Mas aí eu li de novo e vi que era "canela em pó". Canela em pó.

Hoje eu vou dormir torcendo pra acordar mais esperta amanhã.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A pessoa furou a fila. Não me incomodei e nem ia falar nada. Sexta-feira à noite. Às vezes as pessoas precisam de pequenas vitórias. Ser a primeira a entrar no ônibus. Deixar a pessoa que fura fila se achar muito malandra. Cada uma de nós com sua pequena vitória numa semana que termina. Eu ia ficar na minha.

Até que ela me chamou de "senhora". Eu estava lendo um livro, caiu um papel de dentro dele no chão. Ela tocou em mim e disse "senhora, caiu uma coisa sua."

Eu não agradeci, mas dei um sorriso.

-Olha, o final da fila não é aqui. Você não pode ficar aqui, não.

"Aproveita e vai lá ver se no fim da fila tem alguma senhora, porque aqui na frente só tem jovem." Mentira, isso eu não disse. Eu só voltei pro meu livro.

Ficamos as duas com nossas batalhas perdidas, então, e não falamos mais disso.

sábado, 27 de julho de 2013

Dez minutos para acabar o dia que eu passei inteiro pensando em você.

E eu espero o relógio como se no próximo dia eu fosse parar de pensar. Como se no dia seguinte nada que eu comer fosse me lembrar você, nada que eu beber, nada que eu falar, nada que eu ouvir. Se o frio me lembra você, a tortinha de cogumelos me lembra você, o shiraz me lembra você, meu casaco novo me lembra você, minhas camisetas de banda me lembram você. Se os poemas que eu leio me lembram você. Se todas as músicas que eu ouço me lembram você, os filmes que eu vejo me lembram você, todos os cigarros me lembram você. Se meus óculos me lembram você, minhas roupas me lembram você, meu cabelo me lembra você, meu perfume, seu perfume. Se tudo me lembra você, basta que mude o dia para nada mais me lembrar você.

Um minuto para acabar o dia que eu passei inteiro pensando em você.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Chegou o creme antirrugas que eu comprei e -

eu comprei porque eu já tenho algumas rugas. Eu não sei bem quando elas surgiram e elas não me incomodam tanto assim, mas tava numa super promoção e eu comprei. Bom, eu fiz 30 anos. Não vou ficar repetindo isso porque parece que eu não tenho assunto e talvez as rugas nem estejam aqui pelos 30 anos que eu acabei de fazer. Bom, já tem quase seis meses que eu fiz 30 anos, mas você entendeu. E vai saber se as rugas não chegaram aqui por todos os segundos e minutos que viraram horas que eu passei em frente ao microondas esperando o brigadeiro ficar pronto. Sim, eu faço brigadeiro no microondas, mas eu não estou falando de brigadeiro.

- o caso é que eu comprei o creme antirrugas com um ótimo desconto, talvez de 70%, não lembro bem e quando ele chegou em casa estava embrulhado num papel verde com letras brancas que formavam a palavra FELICIDADES mil vezes, um milhão de vezes.

Um creme antirrugas FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES.

Eu não sei se foi brincadeira ou se estavam mesmo me desejando felicidade com o meu novo creme antirrugas - pelo menos não desejaram boa sorte, mas eu não posso me preocupar com isso agora porque estou tentando não franzir a testa.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu não gosto de coca-cola. Gosto menos da ideia de coca-cola do que da coca-cola. A coca-cola eu  até bebo, às vezes. Mas eu nuncanuncanunca na vida teria uma peça de roupa da coca-cola. Ou qualquer objeto que me lembrasse coca-cola. Eu não gosto da ideia da coca-cola. É mais ou menos isso.

Mas eu bebo coca-cola às vezes e é sempre muito bom. Não bebo todo dia, então quando eu bebo é sempre muito bom. É uma surpresa na boca, mil coisas acontecendo ao mesmo tempo. Tem o sabor, o gelado, o gás e a garrafinha que é tão bonitinha.

Eu acho que se bebesse coca-cola todo dia ia enjoar, não ia achar a menor graça. A coca-cola ia ser doce demais, eu mal sentiria o gás. Acho que pra mim seria uma coisa bem tanto faz.

Às vezes eu fico me perguntando se foi isso, se eu fui a sua coca-cola. Ou se você foi a minha.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu tava indo pro trabalho, sentada no ônibus de frente pra uma vidraça, lendo meu livro. Levantei os olhos e me vi com 30 anos.

Eu tinha um encontro marcado pra depois do trabalho e estava usando roupas novas, compradas no dia anterior, que não eram roupas minimamente atraentes para um encontro, eram só roupas de ir trabalhar. Fora que quando eu acordei, não tinha luz, então eu saí de casa torcendo pra que a calça tivesse vindo mais ou menos passada da loja e o casaco novo disfarçasse o amassado da minha blusa com estampa de flamingos.

Era assim que eu estava quando olhei o meu reflexo e me vi com 30 anos.

Eu sei que eu tenho 30 anos. Mas eu me olhei e me vi com 30 anos.

domingo, 7 de julho de 2013

de castigo

Minha analista perguntou o que eu fiz com a tela que ele me deu. Eu respondi que ela estava de castigo.
-O que você fez com a tela?

Queimei. Joguei no lixo. Mandei de volta. Desenhei um pênis com as bolinhas e tudo.

-Eu tirei ela de cima da cômoda onde ela ficava.
-E onde está a tela agora?

Na rua. Enterrei. Joguei num rio. Martelei. Anunciei no Mercado Livre.

-No meu armário, virada pra parede. A tela está de castigo.

Usei de banheirinho da Hannah. Dancei frevo em cima. Pisoteei. Vendi por 260 reais.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Publiquei finalmente a mixtape para os meus alunos adolescentes apaixonados.




She turns and says "are you alright?"
I said "I must be fine cause my heart's still beating"

...
Foi incrível ver, enquanto eu tava escolhendo as músicas, o tanto de música de dor de cotovelo que eu amo e quanto gosto pouco de músicas felizinhas.

É aquela velha dúvida: a gente ouve muita música triste porque sofre ou sofre porque ouve muita música triste? A música pop é responsável por todos esses corações partidos?

(a velha dúvida não é minha, é de Alta Fidelidade, o livro, o filme: "What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?")

uma pequena defesa do "não é você, sou eu"

Não é você, sou eu.

Eu acho gentil. Não quero ouvir que sou chata, que uso roupas estranhas. Não quero ouvir que é porque eu engordei ou porque agora quando eu sorrio umas linhas aparecem. Não quero saber se é porque eu sou teimosa ou se é porque eu nunca uso esmalte clarinho. Não quero ouvir que é porque eu não soube me comprometer. Ou porque me comprometi demais. Não quero saber se você me acha meio burra. Ou se é porque eu sou inteligente demais pra você.

Acho gentil. Sou eu, não é você. Eu não quero mais. Eu quero outra coisa.

Eu já vou sofrer, já vou chorar. Não preciso ouvir que o problema fui eu só por ser eu. Se eu não fiz nada errado, se eu não fiz nada que tenha te magoado, se o problema é que você não gosta mais de mim, se o problema é que eu fui eu, então o problema não sou eu, é você que quer outra coisa. Obrigada por dizer isso.

A terapia me ensinou que muito pouco do que acontece dentro de nós tem a ver com o outro, a maior parte tem a ver com como a gente vê e sente as coisas e pessoas.

Tantas vezes eu disse que não é você, sou eu. E tantas vezes eu fui sincera. Eu não quis mais, eu quis outra coisa. Porque você quis me apresentar seus amigos, sim. Porque você não entendia arte da maneira como eu entendo, sim. Porque você era chato quando falava do seu trabalho chato, sim. Porque você queria conhecer minha família, sim. Nada disso está errado em você. Tudo isso sou eu, não é você.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma coisa que me acontece muito, sempre que eu falo do livro que eu estou lendo, é alguém me dizer que quer ler, mas não sabe que livro escolher. E aí me pede uma dica de livro.

Eu entendo muito essa ansiedade pra escolher livros, porque, olha, se eu for contar o que eu faço pra escolher um livro novo tem gente que vai achar uma grande maluquice - e que eu tenho muito tempo livre. Basta dizer que envolve infinitas abas abertas no meu chrome e que eu (quase) não compro livros em livraria de tijolo (só online), porque não consigo ver todas as opções.

Uma coisa que eu faço e que me ajuda a domar a ansiedade é só comprar um livro por vez. Escolho o que quero ler, compro, escolho outro enquanto estou lendo um, compro. Quando acabar, o outro já está me esperando (eu fico nervosa se acabar um livro e não tiver outro pra ler. quando acho que vou terminar um no ônibus voltando pra casa, já levo outro na bolsa), mas só um. Ir escolhendo de um em um me deixa mais tranquila. Existem muitos livros no mundo, isso me deixa ansiosa. Que na minha casa existam poucos não lidos me acalma.

Eu mantenho uma lista de livros que me interessam. Encontro em posts de amigos no Facebook ou no Twitter e no Goodreads. Assim fica mais fácil, quando preciso escolher um livro, começo pela minha lista, não do zero. E, se não tenho livros não lidos em casa, posso comprar um que não estava na lista sem sentir que estou atrasada na leitura, deixando de ler o que eu já comprei.

Mesmo assim, estou num momento um pouco descontrolado. Porque ganhei de presente ou me empolguei e comprei, acabei com vários livros não lidos em casa.

Garota exemplar, Gillian Flynn (a Mari me deu)
What we talk about when we talk about love, Raymond Carver (o Bruno me emprestou)
Os amores difíceis, Ítalo Calvino
Lavoura arcaica, Radun Nassar (pra ler com amigos)
Ensaios de amor, Alain de Botton (a Nath me deu)
O amor acaba: crônicas líricas e existenciais, Paulo Mendes Campos
Ithaca Road, Paulo Scott
Livre, Cheryl Strayed (a Flávia me deu)
o remorso de baltazar serapião, valter hugo mãe (o Júnior me deu)
O filho da mãe, Bernardo Carvalho (o Guilherme me deu)

E aí fico ansiosa, não sei direito por onde começar. Ando dizendo pra mim mesma o que eu sempre digo pra quem me diz que não sabe que livro escolher pra ler: é só um livro.

Escolhe um, escolhe qualquer um. Escolher o livro errado é melhor do que não escolher livro nenhum.

É só um livro.

quero só dizer que gosto de ganhar livros e a confusão causada na minha fila pra ler nunca é mais importante do que ganhar livros dos meus amigos.

Mari me disse, quando eu contei pra ela, assim que descobri tudo, que queria que as amigas só se envolvessem com caras legais e emocionalmente maduros. Uma coisa fofa, a Mari, eu poderia dizer isso todos os dias.

Eu era um fiapinho quando começou. Entendo por que começou e entendo por que acabou.

Ruim é ter que entender também por que continuou.

O que eu desejo pra mim, pra Mari, pras minhas amigas, pra todo mundo, é que a gente seja sempre emocionalmente madura. E que a gente faça escolhas emocionalmente maduras, pra não esperar que elas venham do outro lado.
...
A minha antologia do Cacaso novinha, relançada ano passado, eu não conseguia achar de jeito nenhum. Esgotada há anos, eu não frequento sebo, não compro livro usado. Relançaram, eu comprei na mesma semana. Não sabia onde estava. Embaixo da cama, caída atrás da estante, atrás da escrivaninha, em lugar nenhum. Eu não achava.

Até que eu achei e não podia buscar.

Minha escolha emocionalmente madura do mês foi segurar o choro e comprar outra.

Sina

o amor que não dá certo sempre está por
perto

Cacaso

domingo, 16 de junho de 2013

Foi ele?


Fui eu?

Não importa.

Parece que é a primeira vez que isso acontece. Parece que já aconteceu um milhão de vezes antes.

Estou exausta.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

E aí o professor da academia tá lá, repetindo que eu preciso contrair meu abdome, contrair meu abdome, contrair meu abdome, mil vezes repetindo que eu preciso contrair meu abdome.

E eu no limite de dizer que MEU QUERIDO, EU NÃO TENHO UM ABDOME, EU TENHO UMA BARRIGA E BARRIGA NÃO SE CONTRAI.

Ops, tirei um peso.

Entendeu? Eu tenho bar-ri-ga.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Subi na esteira e vi que alguém tinha esquecido um par daquelas luvinhas pra malhar. Tive a ideia brilhante de pegar e deixar na recepção, pro caso do dono voltar. Quando eu peguei, elas estavam úmidas. Úmidas de suor. Úmidas do suor de um desconhecido.

Foi isso que eu ganhei por tentar ser legal: contato com o suor de um desconhecido.

Eu fui muito forte e não chorei. Faltou pouco, mas eu não chorei. Só que. Todos os meus tiques nervosos foram ativados na mesma hora e eu fiz o treino correndo numa versão bonecão do posto de mim mesma.

Agora estou aqui, testando se consigo escrever com a mão esquerda, porque a direita está condenada, vou ter que arrancar.

Pra me recuperar, eu comprei mais uma sapatilha de glitter e mesmo assim ainda não tô completamente bem e ainda não perdoei o desconhecido por suar.

domingo, 19 de maio de 2013

No sábado, no comecinho da aula, naquela hora de "como foi sua semana?" um dos meu alunos disse que tinha sido ótima, ele tinha tido um encontro e estava se apaixonando. Dezoito anos, um fofo. "Eu nunca me senti assim com ninguém."

Tinha poucos alunos na sala ainda, um deles sugeriu uma trilha sonora pro momento: Accidentally in Love, dos Counting Crows.
Um outro aluno sugeriu o Concerto para piano nº1 de Tchaikovsky. Eu não estou brincando.
Outro sugeriu uma música do Aladdin. O desenho da Disney.

Na volta do intervalo, meu aluno apaixonado voltou cantarolando Djavan.

Eu tive que dar um basta e dizer que tá todo mundo proibido de se apaixonar até a semana que vem, quando eu vou preparar uma mixtape pra eles se apaixonarem com música apropriada pra juventude.

O amor está proibido, mas só até semana que vem.

e até quinta eu aceito sugestões de músicas pra incluir na mixtape! =)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Você acorda, abre os olhos e vê que tá se arrastando. Você acordou no meio de uma poça de tristeza. É claro que você acordou numa poça de tristeza, descuidando dos exercícios, meditando nunca e fingindo que não precisa respirar pelo diafragma. Você acordou no meio de uma poça de tristeza e a culpa é toda sua. Ainda que não fosse ou que não seja, você acordou no meio de uma poça de tristeza e vai ter que lidar com isso. Não tem ninguém que possa consertar isso pra você, nem adianta pedir.

Você se arrasta até o banheiro, toma um banho e leva quatro minutos pra vestir cada peça de roupa, parando no meio do processo pra descansar. Você decide que hoje não tem como faltar à academia e vai lá dar uma corridinha de 20 minutos pra ver se melhora. Você põe o seu short, o seu tênis, a sua camiseta de caveira e vai correr.

Você sobe na esteira, você anda cinco minutos, você corre 90 segundos. Você anda 90 segundos. Você corre 3 minutos. Você anda 3 minutos e você chora. Em cima da esteira.

Você para um pouquinho, respira um pouquinho e começa tudo de novo.

sábado, 11 de maio de 2013

Eu sinto falta de manuais de instruções.

Não sei quando eles se tornaram desnecessários a ponto de não acompanharem mais os produtos que eu compro, mas aconteceu. Eu sinto falta daqueles manuais grossos, cheios de instruções óbvias, que me ensinavam até como ligar meu aparelho novo.

Não se fazia nada sem um manual. Quando meus pais compraram um micro-ondas Sharp fora do Brasil em 1991, minha mãe mandou traduzir o manual. Era muito importante aprender como esquentar a comida no forno novo. O manual traduzido veio encadernado em arame preto e capa fumê. Nada mais é fumê e ninguém mais lê o manual.

Faz só alguns anos eu traduzi o manual de um aquário. E na mesma época me pediram o orçamento de uma tradução do manual de uma máquina de costura. Eu tive que devolver sem traduzir, o manual estava em sueco.

Eu não sabia que a bateria só duraria 30 dias se a wifi estivesse desligada. Eu não sabia que ela duraria pouquíssimos dias se a wifi estivesse ligada. Eu pensei que houvesse alguma coisa errada com o aparelho. Pesquisei no google. bateria+duracao. Eu tinha que desligar a wifi.

Era óbvio.

E foi aí que eu percebi que o aparelho não tinha vindo com um manual. Se tivesse um manual, eu teria lido. Eu saberia que era preciso desligar a wifi. Eu estaria preparada. E foi aí também que eu percebi que os últimos aparelhos eletrônicos que eu comprei não vieram com manual. Vieram com um livreto de poucas páginas, algumas fotos, talvez uma garantia em várias línguas diferentes. Eu senti falta de um manual de instruções, como tenho sentido há algum tempo. Sinto falta das instruções, das óbvias principalmente. Tudo é tão moderno, tão avançado que eu preciso que alguém me explique as coisas mais simples. Renata, liga o aparelho aqui, ó.

Eu preciso desligar a wifi se eu quiser que a bateria dure até 30 dias.

Eu preciso que alguém me diga isso, que alguém me explique pra que serve cada botão do meu novo aparelho, que alguém me diga que buraquinho dele serve pra conectar na tomada, que buraquinho dele serve pra conectar no computador e que buraquinho dele serve pra receber um cartão de memória que vai fazer com que caiba tanta coisa ali quanto eu jamais imaginei que fosse possível.

Eu preciso de uma seção com respostas para as minhas perguntas. Eu tenho muitas perguntas sobre cada novo aparelho que eu compro. A primeira delas é "por que eu comprei mais uma buginganga?" e a segunda sempre é "como fui capaz de viver sem isso até hoje?"

Eu preciso de uma seção que me diga o que fazer pra resolver cada problema que meu aparelho possa ter. Eu quero saber o que está acontecendo se uma luz verde piscar três vezes e se devo me preocupar caso uma luz azul pisque apenas uma vez.

Eu não sei o que aconteceu com os manuais de instruções. Não sei por que eles desapareceram, por que foram tirados de nós. Talvez todo mundo tenha ficado mais esperto, tão esperto que não precisa mais de instruções. Todo mundo, menos eu.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Acho que nunca alguém teve um objetivo são simples e ambições tão humildes nessa academia.

-Qual é o seu objetivo, Renata?
-Só quero que, quando eu sentar, minha coxa não fique esparramada na cadeira.

É só isso que eu quero, mas parece que mesmo isso é pedir muito.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Análise avaliativa dos últimos sapatos que eu comprei

-sapatilha dourada: Super macia e linda. Ter um sapato confortável e lindo ao mesmo tempo é daquelas coisas que faz com que eu sinta que venci na vida. Ela combina com tudo. Sim, ela é dourada e combina com tudo. Sim, eu disse que um sapato dourado combina com tudo. O que não combina com dourado? Essa é a pergunta que você devia estar se fazendo.

-sapatilha peep toe de glitter azul: Não, ela não combina com nada, mas ela é de glitter azul. De glitter. Azul. É um dos sapatos que mais machucaram meu pé, o que pode ser ou pode não ser pelo fato de ser um número menor do que meu pé. A loja pode ter me enviado o número errado ou eu posso ter ou posso não ter pedido um número menor sem querer. Pode ter ou pode não ter sido um ato falho do meu inconsciente que me odeia, apenas me odeia e quer me ver sofrendo, mas não vou falar disso porque estou muito distraída olhando pro meu sapato. De glitter. Azul. Continuarei usando, é claro, porque eu não espero mesmo que a vida seja fácil e band-aid tá aí pra isso.

-botinha: Sim, ela é uma botinha de motoqueira. Sim, ela é uma botinha de caubói. Sim, ela é as duas coisas e é por isso que eu a amo e nós vamos nos casar e ter pequenas botinhas de motoqueira/caubói porque tanta beleza deve ser perpetuada. Pena que nossas botinhas-filhote serão míopes como eu, provavelmente. Ai, o que eu estou dizendo? Botinhas de óculos, você consegue pensar numa coisa mais fofa? Sucesso na próxima estação.

-scarpin preto: Porque eu sou adulta, sou uma jovem profissional, tenho 30 anos, sou madura. E porque, sim, eu tenho o direito de comprar sapatos que eu não vou usar (eu não uso salto), é pra isso que eu trabalho e eu mereço ser feliz.

-sapatilha preta de spikes: Eu não quero ouvir ninguém dizendo "mas, renata, você não tinha dito que não aguentava mais tachas e spikes?" porque eu simplesmente não vou ouvir e ainda vou te dar um chute com a minha sapatilha de spikes e coitadinho de você.

Conclusão da análise avaliativa: as compras foram todas necessárias, os sapatos são lindos e parabéns pra mim.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Robert Pattinson, depois do término da relação com a Kristen Stewart, antes de retomar o namoro, foi ao programa do Jon Stewart e, ao ouvir do apresentador que para os jovens o fim de um relacionamento pode parecer o fim do mundo, confirmou "E é."


É mesmo. É o fim de um mundo. E olha que eu nem estou mais na categoria jovem adulta, sou só adulta mesmo.
...
Eu tenho no meu celular muitas fotos de raposas e ursos polares que eu salvei da Internet pra mandar pra você, numa mensagem boba no meio do dia. Imagina se eu te mandasse agora todas as fotos? Uma enxurrada de fotos de ursos polares e raposinhas. Toma todas, são todas suas, acumulei pra você. Aquela coisa de mandar uma foto por vez. A certeza de que eu ainda ia te mandar algumas raposas.

Talvez você nunca tenha entendido o que eu dizia quando te mandava uma mensagem dessas, agora eu fico pensando. Eu queria dizer que estava pensando em você entre o pilates e a terapia. Que eu saí do trabalho pensando em você e que eu estava pensando em você enquanto tomava um chopp com meus amigos.

Acho tanta coisa pensar em alguém.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Eu não tenho turma de crianças este semestre - todo mundo chorando comigo agora - então aproveito pra ouvir as gracinhas quando tenho que substituir algum professor.

Os minialunos que só foram meus por uma hora estavam falando sobre a fada do dente. Todos eles, numa turma de sete, já tinham ganhado alguma recompensa por um dente que caiu.

-Eu ganhei 10 reais.
-Eu ganhei um dólar.
-Eu ganhei 50 reais.

Eu falei "Nossa, achei que era pra ganhar só uma moedinha. Esses dentes estão muito caros!"

E um deles me explicou: "É que são dentes de boa qualidade."

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Meu vô era padeiro. Mais ou menos. Meu vô foi muitomuito pobre, quando ele tinha 10 anos vendia bala no trem. Ele era de uma família que veio pro Brasil sem nada porque em Portugal não dava mais. Ele foi uma daquelas pessoas que, além de terem tido oportunidade, trabalharam muito. Minha vó contava que ele chegou a ter três empregos ao mesmo tempo e continuou trabalhando mesmo depois de se aposentar. Eu lembro do meu vô saindo pra trabalhar de manhã e voltando lá pras 15h. Ele almoçava a essa hora, depois de todo mundo. Às vezes tomava vinho de mesa português, às vezes uma cachacinha. Ele gostava de melado e de chouriço. Quando ele morreu, ele já tinha conseguido o que queria, que era que ninguém mais precisasse se preocupar com dinheiro. Pra isso, ele trabalhou muito, fazendo muitas coisas e uma dessas coisas era pão.

Meu vô morreu quando eu tinha 10 anos, então eu não me lembro bem do pão que ele fazia, mas todo mundo diz que era o pão mais gostoso do mundo e que ele tinha uma maneira especial de moldar a massa, fazia com uma mão só. Meu pai e minha tia passaram muitos anos tentando fazer o pão do meu avô, pai deles. Meu pai é um ótimo cozinheiro e faz massa de pizza em casa, mas o pão dele nunca saiu bom. Nem o da minha tia. Minha mãe fazia os recheios mais gostosos, as coberturas mais doces, mas o pão do meu pai nunca ficava bom. E não é que não ficava delicioso, ficava ruim mesmo, dava errado, às vezes nem dava pra comer. Mesmo fazendo com as receitas do meu vô, mesmo fazendo com receita de livro, mesmo fazendo com receita inventada. O pão do meu pai nunca dava certo.

Aí ele e minha mãe compraram uma máquina de pão. Durante algum tempo os pães deram certo e ficaram muito gostosos. Toda semana tinha pão fresco em casa. Meu pai fez todas as receitas do livro que veio com a máquina e mais receitas de livros e mais receitas da Internet. O pão da máquina de pão ficava muito gostoso. Mas o tempo passou e meu pai deixou a máquina pra lá, no canto, e parou de fazer pão.

Na semana passada, ele ficou com vontade de comer pão recheado e resolveu usar a máquina de novo. O pão ficou muito gostoso, não sobrou nem um pedacinho. Hoje ele quis comer mais pão e pegou a máquina de novo. Da máquina saiu um cheiro de queimado e nada aconteceu além disso. Ela parou de funcionar.

Meu pai já tinha três recheios preparados, então ele resolveu fazer o pão mesmo assim. Misturou a massa, sovou, moldou os pães e levou pra assar. Quando eles ficaram prontos, que surpresa, estavam tão gostosos que estavam mais gostosos do que os da semana passada ou de qualquer semana em que meu pai usou a máquina de pão.

Quando a minha tia chegou, todo mundo estava feliz, minha mãe foi logo dizendo "você não vai acreditar, mas seu irmão fez pão e ficou bom!"
A minha tia correu pra cozinha e, antes de sentar ou pegar um pedaço, ela perguntou pro meu pai "ficou igual ao do papai?"

Eu não sei se ficou igual ao pão do pai deles, meu avô, nunca vou saber. Eu sei que o pão do meu pai ficou muito bom.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A minha evolução na academia é tão grande ¬¬ que agora, além de eu não ir mais com roupas furadas ou manchadas, eu até passo a roupa antes de ir. Além disso, eu comprei shorts próprios para esporte e leggings novas. Antes disso, uma das minhas leggings preferidas pra usar na academia tinha sido da minha mãe, antes do meu irmão nascer. Este ano meu irmão vai fazer 27 anos. Olha, material bom dura pra sempre. He. ¬¬

Já que eu tinha comprado um tênis mesmo, então o que custa comprar leggings novas? E já que eu vou comprar leggings novas mesmo, então o que custa comprar aquelas leggings brilhantes tipo de aula de aeróbica em 1985? A vida é muito curta pra ser sóbria.

Eu comprei as leggings e hoje estou aqui, vestida com a cinza, parecendo ser feita de puro metal. Certeza que vou fazer dancinha do robô na esteira e vou levar bronca porque "não pode dancinha do robô, assim você pode cair e se machucar." Mas do que adianta estar vestida de robô se eu não posso fazer dancinha do robô? Não pode, mas eu vou fazer mesmo assim, não quero nem saber.
...
Outras coisas que comprovadamente também não são permitidas na esteira da academia, senão você leva uma bronca:
-imitar a Gisele Bündchen desfilando. Sabe um pé atrás do outro? Não pode.
-imitar a Madonna dançando Vogue. Também não pode. E não adianta você explicar que só está dançando com os braços. Não pode imitar a Madonna dançando Vogue. Não pode. Tá proibido strike a pose.

Quer dizer, afinal, o que é permitido nesse mundo saudável?

terça-feira, 2 de abril de 2013

Hoje sonhei que tinha uma foquinha. Era linda a minha foquinha, eu abraçava a foquinha, beijava, ela era super carinhosa também.

Daí acordei e lembrei que não tinha foquinha nenhuma. Eram 4:30 e eu chorei até dormir de novo porque não tinha uma foca.

No meio disso eu percebi que tava chorando às 4:30 porque não tinha uma foquinha, peguei meu celular, abri o bloco de notas e escrevi lá "estou chorando porque sonhei que tinha uma foca, mas não tenho uma foca. 2/4/2013, 4:30."

Não é uma metáfora e eu não tô falando de amor nem de dinheiro. Uma foca é uma foca é uma foca. E eu chorei mesmo porque não tinha uma.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

-Hoje você tá com uma roupa tão chique!


Eu ouvi isso no trabalho, de uma colega. Engasguei e engoli o chiclete que tava mascando.

Eu podia ter morrido.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Eu passei a confundir o seu nome com o do meu primeiro namorado. Isso começou perto do fim e foi assim que eu descobri que ia acabar, confundindo o seu nome com o do meu primeiro namorado quando falava de você, ou o seu com o dele, quando falava dele. Às vezes eu lembro de tudo e fico apavorada, sacudo a cabeça até a lembrança ir embora. Minha analista deve ter feito um trabalho muito bom com a minha autoestima nesses seis anos juntas porque eu não consigo mesmo entender por que não eu. Eu espero que ela grite com você. Que ela grite e que ela chore. Que ela grite, chore e seja ciumenta. Eu espero que ela odeie os seus amigos. Eu espero que vocês viajem juntos e ela queira fazer compras todos os dias. Eu espero que ela coma só salada ou coma hambúrguer de garfo e faca. Eu espero que ela escreva você com cê cedilha e cafezinho com acento. Eu espero que ela tenha uma lista plastificada de aniversários e o seu não esteja nela. Plastificada. Eu espero que ela nunca preste atenção no que você diz e nunca saiba pra onde você vai viajar, mesmo que ela tenha sido uma das primeiras pessoas pra quem você contou, assim que comprou a passagem. Eu espero que ela se apaixone por outro, fique com ele enquanto vê no que vai dar e, quando tiver certeza que ele gosta dela, espero que ela suma e apareça um mês depois pra te contar que ama o outro, mas que, opa!, não quer que você saia da vida dela, não, porque você é tão especial. Você é tão especial. Você é absolutamente especial. Eu espero que ela só te conte depois que você já tenha descoberto tudo de uma maneira bem dolorosa. Eu espero que ela faça isso respondendo a um e-mail seu de amor.

Eu espero que nada disso faça a menor diferença pra mim.

segunda-feira, 18 de março de 2013

No primeiro-primeiro encontro desse recomeço eu:

-bebi mais do que ele, de 1,92 m;
-contei que sou ateia;
-disse que nunca quero ter filhos;
-achei um pão de queijo de pelo menos duas semanas na minha bolsa (vou me defender que achei o pão de queijo velho enquanto procurava o chocolate que eu tinha levado pra ele);

E quando cheguei em casa tinha uma mensagem: "só diz que você quer me ver de novo amanhã."

Tem cara que é bonitinho.


além do chocolate, ele ficou com o pão de queijo.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Estou usando um aplicativo pra monitorar minhas corridas na academia. Daí baixei, vi mais ou menos como usava e subi na esteira. Escolhi que tipo de treino eu queria (treino pra pessoas lerdas) e iniciei.

Eu não uso meu celular pra escutar música, uso um mp3 player mesmo. Coloquei o fone e comecei a caminhar, aí comecei a escutar uma música vinda do meu celular. Tirei o fone pra ouvir o que era.

Eu não sabia, mas o app, quando iniciado, começa a tocar as músicas que você tem no celular. Atenção para a única música que eu tenho no celular: o parabéns da Xuxa.

Eu lá, super séria, tava até com uma blusa de tecido apropriado pra corrida e tudo, e meu celular tocando o parabéns da Xuxa pra todo mundo ouvir.

Como não amar a minha vida?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma mão encostando na minha mão. Carinho mesmo, sem atração sexual, sem interesse. Só uma forma de dizer "bom dia, como vai?"


E eu, que não tenho problema com palavras, que brigo, que digo que amo, que digo que estou com saudade, que adorei, eu, que não tenho problema com palavras, quase derreto e viro uma geleia de gente.

E quase choro.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Você pensa que tá tudo indo bem e que vai dar tudo certo.

Até que recebe a seguinte cantada: "Gostaria de conversar com você para te conhecer e te desejar não só pela beleza e sim pelo que você é."

Dá vontade de passar o resto da vida de pijama em casa vendo Girls e comendo doce de leite.

domingo, 3 de março de 2013

Acordei sentindo ciúme do abraço. Acordei morrendo de ciúme do abraço que vem depois e que eu não quero que seja de mais ninguém. Na nossa primeira noite juntos, ele me explicou que estava com dor nas costas e que por isso não dormiria abraçado comigo. Eu achei graça, eu não queria abraçar ninguém. Ele deve ter tomado um remédio milagroso, porque depois disso me abraçou todas as noites até o fim, embora na última não tenha tirado o relógio. Igual ao meu, mas prateado. O meu relógio ficou no criado-mudo. O relógio dele ficou no pulso. Eu não estava contando o tempo. Quando ele me pediu pra acompanhá-lo até a porta, será que sabia que era a última vez? Eu não sabia.


Ele me abraçou todas as noites até o fim, ou foi abraçado por mim, quando puxava meu braço até ele atravessar o seu corpo e minha mão encontrar a dele, do lado dele da cama. Eram noites muito confortáveis, as minhas noites com ele e eu nunca acordava numa posição que não fosse dentro de um abraço, ele afogado no meu cabelo, o queixo encaixado no meu pescoço, a barba no meu ombro.

Eu acordei com saudade e ciúme do abraço dele, que não devia ser de mais ninguém. Se o mundo fosse um lugar menos doloroso, eu teria que abrir mão de qualquer coisa, menos dos abraços.

Uma manhã de domingo, logo depois de uma noite de sábado, eu lembrei. Me torturei durante uns 20 minutos com esse pensamento e levantei da cama.

Tomei milk-shake de chocolate no café da manhã.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Além de doce de leite, não tem nada melhor pra coração partido do que exercício físico.

Pela endorfina liberada, é claro. A gente fica naturalmente mais feliz. É uma sensação maravilhosa.

Mas também pela barriguinha que fica ótima quando a gente faz abdominais ou corre feito maluca pra tirar a raiva do coração.

O amor engorda. O pé-na-bunda tonifica.

Comprei até tênis novo.
...
Daí eu troquei o pilates pela academia e hoje eu voltei às aulas. Escolhi começar com uma aula só de abdominais. Eu amo abdominais. De verdade, sem nenhum deboche.

Bom, fui pra aula. Num determinado momento, o professor segurou meus joelhos e ficou dizendo "vem, vem até o seu limite."

Pausa aqui, deixa eu perguntar uma coisa: você já viu como pessoas que trabalham em academia são sensuais? Elas são muito sensuais, estão sempre nos seduzindo. Da hora que eu entro até a hora que eu saio, fico de bochechas vermelhas, porque não sei o que fazer com tanta sedução.

Bom, aí o professor tava lá, segurando meus joelhos e dizendo "vem, vem até o seu limite" e eu... dei uma gargalhada de sair lagriminha. Porque tenho uma mente de moleque de 13 anos.
...
Uma aluna pediu pro professor colocar naldo, ele foi e colocou White Stripes.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

1. Como eu te disse no meu aniversário, você não precisava mesmo responder meu e-mail. De ano novo. De amor. Em fevereiro. Pra dizer que tem outra. Sério, não precisava.

2.*

3. Foda-se. Fodam-se. Você, sua namorada, seus amigos, sua família, suas samambaias e todos os seus sapatos. Apenas fodam-se todos vocês.

4. Uma vez eu te contei que minha vó estava em coma. Uma semana depois, quando a gente se encontrou, você não perguntou se ela estava melhor. Minha vó tinha morrido.

5. [um cocô da Hannah dentro de uma caixa de presente]

6. Pra quem não queria ser óbvio, você não foi nada além disso.

8. Freud explica sua atração por mulheres que falam inglês tão mal. Freud explica.

9. Eu espero que você tenha sarna e se coce sem parar.

10. Sim! Estou ansiosa para não sair da sua vida e ver bem de perto toda a sua felicidade, até que ela se desgaste, você se canse ou leve um pé na bunda e daí eu estarei aqui com essa ligação desmensurada que você só conheceu uma vez na vida, comigo, em stand-by. Por que não? Essa é mesmo uma ótima ideia.

11. "It wasn't supposed to get serious between us. I can't see us getting married or nothing and you nodded your head and said you understood. Then we fucked so that we could pretend that nothing hurtful had just happened." **

12. "people so tired
mutilated
either by love or no love"
***

13. "Quem sou eu para perturbar o universo?" ****

14. Eu espero que você caia dentro de um vulcão e/ou que uma água-viva te queime.

Nenhuma dessas respostas virou realidade. Nenhuma delas saiu da minha cabeça. Algumas eu imaginei sofrendo, outras rindo. Eu já não tinha mais nada pra dizer porque faltou te dizer tanta coisa desde o início. Eu acho triste, pra mim foi tão importante e você tão grande na minha vida. Eu acho triste se o seu coração tava tão fechado e se eu desviei tanto de cada muro que você levantou. É triste. Você escolheu minimizar o que houve e o que eu sinto. Eu escolhi não ser dramática ou cruel. Eu quero soltar o rancor no universo, em qualquer lugar que não seja dentro de mim ou contra você.

Se eu fosse desequilibrada de verdade, a vida seria tão mais divertida. Mais constrangedora, é verdade, mas tão mais divertida.
...
* vi no tumblr da hunny.bunny, uma fonte inesgotável de coisas legais na Internet
** "Flaca", uma das histórias de This is How You Lose Her, Junot Díaz
*** "The Crunch", Charles Bukowski
**** Os Enamoramentos, Javier Marías (um intertexto com um verso do poema "The Love Song of J. Alfred Prufrock", "Do I dare disturb the universe?" - essa lembrança do intertexto é também um beijo pra Cíntia)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dando aula pra crianças eu aprendi muitas coisas. Uma delas é que criança também tem mau humor. Acho que eu não me lembrava bem dessa parte da minha infância, mas criança tem mau humor, sim. E tem direito de ter mau humor.

Embora eu prefira sorrisos e gracinhas, na minha aula é permitido ficar de mau humor. Um dia ou outro, todo mundo tem direito.

Daí o Lucas chegou e não tava a fim de estudar. Queria brincar no celular novo. Não pode brincar no celular durante a aula quando se tem oito anos de idade. É uma das coisas que estão fora do seu alcance. Chamei a atenção, disse que era contra as regras de sala de aula que todos nós criamos juntos na primeira semana.

O Lucas ficou emburrado, me olhando de rabo de olho.

Isso foi na semana do Halloween, dia de jogos e outras atividades relacionadas a isso. Eu tinha selecionado alguns jogos infantis de Halloween e preparado umas outras atividades. Todos os jogos estavam na Internet. A Internet não estava funcionando.

Para os alunos, é muito simples, "faz outro jogo!" Mas as coisas não são bem assim. As coisas nunca são bem assim. Fiz um trato: naquela aula a gente ia ver uma outra atividade de Halloween que eu tinha levado e não precisava de computador e uma parte da lição no livro. Na aula seguinte, o restante da lição e os jogos na Internet.

O Lucas gostou menos ainda. Fechou a cara e não quis conversa. Eu deixei ele ficar zangado.

Na aula seguinte, cheguei e já encontrei o Lucas rindo. Puxei assunto, ele estava de bom humor. Entramos na sala, ele escolheu um lugar, sentou e disse "Na aula passada eu tava muito mal humorado. Aí eu quis que desse tudo errado e por isso a Internet não funcionou!"

E naquele dia - pode ou não ter sido pelo bom humor do Lucas, a gente nunca vai saber - a Internet funcionou.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Estou positiva, acreditando no futuro, esperando todas as coisas boas que ainda vão acontecer na vida.

E tenho um vidro de doce de leite Aviação e nenhum medo de usá-lo, caso nada mais dê certo.


meu coração partido e eu também recomendamos o doce de leite Viçosa, que tanto já nos ajudou.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Me pergunto se dá mesmo pra terminar um relacionamento sem passar por aquela fase ESPERO QUE VOCÊ MORRA OU PELO MENOS QUE SEJA INFELIZ PRA SEMPRE. MORRA, MORRA. MORRA.


Mas sigo tentando.

Cada um sabe como foi parar ali. Não foi um sequestro, era um relacionamento. Eu lembro a mim mesma o tempo todo. Eu cheguei aqui porque quis.

Mas confesso que fico um pouco aliviada que meus amigos sintam raiva de você. Eu, sinceramente, não consigo, nem sei se quero sentir. Mas meus amigos sentem a raiva por mim. Meus amigos, que você nunca quis conhecer, mas que sabem tudo sobre você e sobre mim. Eles sabem o seu signo, que você compra várias cuecas da mesma cor de uma vez só e passa um grande período usando só cuecas pretas, depois só cuecas brancas, depois só cuecas cinza, até que elas fiquem velhas e você compre novamente um monte de cuecas da mesma cor.

Seus amigos, a quem eu tinha que me apresentar de novo a cada vez que via - Oi, eu sou a Renata, sou professora de Inglês and I've been fucking this prick for two years, for three years, for I don't remember how long mas não há tempo o bastante pra que ele fale de mim pra vocês - não sentem raiva de mim. Os seus amigos não sentem raiva de mim.

Eu não ganhei esse privilégio, mas dei a você.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Toda vez que eu recolhia meu xampu de menina do banheiro. Homens e a mania de xampu anticaspa. Eu nunca vi caspa naquela cabeça linda em todo esse tempo. Juro que nunca vi. Xampu + condicionador no mesmo frasco? You've got to be kidding me, meu cabelo cai todo na mesma hora.

Recolhia meu xampu de menina, colocava de novo dentro da bolsa. Toda vez eu pensava por dois segundos, e se eu deixasse ele aqui, bem aqui? Será que vai estar na mesma altura quando eu voltar? Quando eu esqueci meu anel, ele estava lá me esperando, na sua mesa de trabalho, e você disse que eu podia esquecer coisas lá. Eu não sei o que você quis dizer e nunca mais esqueci nada, sou boa em arrumar malas.

Eu nunca deixei meu xampu no seu banheiro. Eu nunca publiquei uma foto da sua casa na Internet, pra mostrar onde eu estava. Vocês estavam ouvindo o disco que eu te dei na sua vitrola? Eu dormi em todos os filmes que você tentou me mostrar, até que você desistiu de ver filmes comigo. Seu abraço tão confortável, como eu podia não dormir? Tão melhor do que qualquer filme. Eu nunca tirei uma foto dos nossos pés. Mas eu estive lá mesmo assim, eu estava lá. Eu procurei os seus pés com os meus.

Talvez fosse o que você queria. Você queria que eu desenhasse um coração com meu batom no seu espelho? Era só escolher a sua cor preferida. Talvez fosse o que a gente precisava pra sair daquele lugar de onde a gente não conseguia sair. O nosso platô do amor.

Mas eu nunca quis te invadir. Boba eu, o amor é pura invasão.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

No fundo, é bom que doa, porque quando dói quer dizer que significou alguma coisa, muita coisa. Um mundo de coisas que não existem mais, mas existiram, estiveram ali, foram importantes, fizeram sentido, deram sentido.

E não é só o que a gente quer, que signifique algo? Quem quer mais do que isso? E quem quer menos? Quem quer que seja nada, vazio, sem importância?

Eu quero significado, mesmo que não seja do jeito comum e mesmo que doa depois.


quero a paz, a liberdade, o amor

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

lonerism

Eu comprei, sim, um presente pra você. Entrei na loja, fui direto num que eu achei que você fosse gostar, com seu hipsterismo não-assumido. Uma coisa que você já tinha elogiado, como da outra vez. O dono da loja, um Hugh Grant em Um lugar chamado Notting Hill mais velho embalou bem direitinho pra que não quebrasse no avião.

Depois pensei que podia ter deixado o Hugh Grant mais velho me ajudar. Tinha tantos vinis legais na loja. Eu podia ter pedido uma coisa nova, francesa, desconhecida. Trouxe australianos de Perth, num ataque sutil do meu subconsciente contra você. Eu só percebi já no Brasil.

Eu nunca fui a menina das suas fotos e quando eu penso na definição de stolen hours, eu penso em nós dois, nada muito além disso. Você foi aquele pra quem eu compro vinis mesmo sem saber o que eu estou fazendo e pra quem eu decido não mandar mais presente nenhum.
...
"That's the most we can hope for. Nothing thrown, nothing said that we might remember for years. You watch me while you put a brush through your hair. Each strand that breaks is as long as my arm. You don't want to let go, but don't want to be hurt, eitheir. It's not a great place to be but what can I tell you?"

(de "Flaca", uma das histórias de This is how you lose her, de Junot Díaz. a que mais partiu meu coração)
...
Eu demorei um mês pra chorar de verdade.



This is how you lose her ainda não tem tradução pro português. mas eu recomendo muito a leitura. em inglês ou quando sair a tradução. o livro é muito bom.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Não importa quantos anos você tenha, sempre que você der seu telefone pra alguém e o contato acabar aí, você vai se pegar pensando se não deu o número errado.

Se for e-mail, além de pensar que você deu o endereço errado, você vai se pegar checando a caixa de spam.

este é um post dedicado à C. em Paris :*

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Eu agora tenho 30 anos. Eu nunca me imaginei com 30 anos. Quando eu digo isso, quase sempre ouço "cruzes!" em resposta, porque as pessoas costumam achar que eu estou dizendo que achava que ia morrer antes dos 30. Eu só tô dizendo que nunca consegui me imaginar com essa idade. Eu nunca imaginei onde queria estar aos 30 anos e cheguei aqui tão rápido que o caminho pareceu curto demais.

Eu sei dizer que aos 30 anos eu estou feliz, embora eu sempre olhe de rabo de olho quando uso a palavra felicidade, sempre pronta pra explicar que, veja bem, não estou morando num filme.

Sei dizer que estou satisfeita com tudo o que tenho e tranquila com tudo o que não tenho, mas isso não torna a data mais doce porque, veja bem, eu também estava satisfeita com tudo o que tinha e tranquila com tudo o que não tinha aos 29. E aos 28 também, mais ou menos. E além disso, o número 30 parece tão duro.

Aos 23, 25, 28 ou 30 eu continuo levando tombos em público e chegando no trabalho com batom no dente. A minha saia continua levantando com o vento e eu continuo passando tempo demais na Internet. Eu continuo comendo empadas em horas impróprias e trapaceando na contagem de exercícios no pilates.

Aos 30 anos, eu sou mais ou menos quem eu era há dez anos ou cinco, talvez a diferença seja só que eu gosto de ser essa pessoa e não quero ser mais ninguém além de mim. Estar confortável dentro de mim e onde eu estou é o melhor que eu podia ter.
...
Tive um aniversário lindo, com amigos, e-mails lindos, presentes e bolo de chocolate. Não foi nada mal fazer 30 anos, nada mal mesmo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Amsterdã

Voltei pra casa, cheguei ontem à noite.

Eu sou péssima pra falar sobre viagens, pra dar dicas principalmente. Quando viajo, sempre me perguntam o que eu fiz por lá e eu sempre digo "sei lá, andei, conheci a cidade." Muitas vezes me perguntam se eu visitei a praça tal, a igreja sei lá de quem e eu digo que não. A isso sempre segue uma cara espantada e um comentário do tipo "não acredito que você perdeu isso!"


Olha, eu acredito. Eu acredito que poderia ir ao Rio e não visitar o Cristo Redentor. Aliás, eu nunca fui ao Cristo Redentor. Eu compro um guia, destaco o que gostaria de visitar, pesquiso coisas na Internet, mas acho que uma viagem é cara e rápida demais pra ver coisas só porque alguém me diz que eu tenho que ver. Tem muita coisa que não me interessa. Tem muita coisa que não me interessa na vida, é normal que tenha muitas coisas que não me interessem em viagens. 




Eu posso passar uma tarde sentada num café, lendo ou vendo o movimento, tomando uma cerveja, um chá. Eu sei que são coisas que eu poderia fazer em casa, mas são coisas que eu gosto de fazer em casa, então também gosto de fazer em lugares que não são a minha casa.

Eu tenho a sorte de ter amigos que dão dicas ótimas, tipo "olha os prédios tortos", "come um croquete de máquina" e "vai no café tal, tem uma sopa ótima", coisas desse tipo.


Antes de ir pra Amsterdã, várias pessoas me disseram que uma semana era tempo demais, que em dois dias eu veria a cidade toda, porque é bem pequena. Eu acabei comprando um guia da Bélgica também, pensei que, se eu visse Amsterdã inteira, poderia pegar um trem e passar uns dois ou três dias pela Bélgica e a viagem não estaria perdida. Eu não sei se seria capaz de ver Amsterdã em dois dias ou três. Eu sou meio lenta, eu demoro pra ver as coisas. E eu gosto de ver as coisas mais de uma vez. Eu gosto de repetir restaurantes, se a primeira refeição lá for boa. Eu vou mais de uma vez ao mesmo museu pra ver de novo tudo o que eu vi há dois dias. Eu gosto de parar e comer um sanduíche que não estava nos planos. Eu não sei seguir um roteiro porque eu mudo de ideia toda hora, porque o que eu achava que seria legal acabei achando chato, porque acabo querendo passar mais tempo num lugar pro qual eu só tinha reservado 30 minutos. 

Isso não quer dizer que eu não visite os pontos turísticos, porque, né? eu sou turista. Só que eu não ligo de não visitar todos, se acho que não têm a ver comigo.

No final, eu amei tanto Amsterdã que só fui embora de lá sem dor no coração por não ficar mais porque estava indo pra Paris, que eu já amava.





Em Amsterdã, eu amei os canais, andar pelas ruas me perdendo e me achando depois. O Museu Van Gogh tava em obras, mas uma grande parte das telas estava em outro museu e foi bem emocionante, é um dos meus artistas preferidos. Eu gostei da Heineken Experience, mais até do que achava que ia gostar. Isso pode ter a ver com o fato de pessoas me darem as cervejas grátis que a gente ganha quando compra o ingresso. No final do passeio, tem um bar onde você pode tomar as cervejas. Não sei se foi porque eu estava sozinha e ficaram com pena de mim, mas duas pessoas me deram cerveja grátis. Bom, não tem como não gostar. Eu adorei o Solo, na rua do meu hotel. O risoto de abóbora com cogumelos, uau, uau. O cheeseburger do Café Wildschut, o club sandwich. O clima é super legal. Visitar a casa de Anne Frank foi bem emocionante. Amei o museu Stedelijk, amei. Mas essas são coisas que estão em todos os guias. Amei que tem wifi grátis em qualquer lugar. Viajando sozinha, eu dou muito valor a wifi. Hehe, eu dou valor a wifi sempre, deixa eu ser sincera. Todo mundo falava inglês, a maioria falava muito bem.


Eu não vi várias coisas em Amsterdã, mesmo ficando uma semana. Não comi vários pratos, não visitei vários lugares. Mas eu fui tão feliz durante meu tempo lá, eu vi tantas coisas lindas, senti tantas coisas que não vejo a hora de voltar!


Eu não sou boa pra falar de viagens, mas sou muito boa em lembrar de tudo e já ficar com saudade. =)

tava frio, tava bem frio. a sensação térmica era de -17 em alguns dias. teve gente que me perguntou por que ir a amsterdã no inverno. a resposta é bem simples: se não for no inverno eu não vou, porque só tenho férias em janeiro. adoraria ter ido na primavera e ter visto as tulipas, mas eu não tenho essa opção. you can't always get what you want. e eu acho ok viajar no inverno. temperatura é uma coisa que não me incomoda. frio ou calor, acho que eu sou autorregulável, nada me incomoda muito. são 10 horas num avião, eu não reclamo em viagem. mas não recomendo mesmo viajar no inverno se temperaturas extremas te incomodam, se o frio te faz sofrer fisicamente (eu durmo com bepantol nos lábios, mãos e pés pra minha pele não rachar e sangrar) e se você não tem nem está disposto a comprar um bom casaco.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Na rua do meu hotel tem uma loja de vinis. Eu vi hoje. Quis na mesma hora comprar um pra você. Interromper meus planos pra tarde, desviar do meu caminho, entrar na loja e escolher um disco pra você. Antes de almoçar, antes de ver o Dalí no Pompidou. Voltar no tempo, te dar um presente.

Mas eu não saberia o que escolher. Eu não entendo nada.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

No chat com a minha mãe:


-Filha, o que você quer comer quando chegar? Pastel de camarão? Você é a papa-pastel da mamãe.
-Isso, quero pastel. Sim!
-O que mais você quer?
-Hmmm, preciso pensar. Não quero desperdiçar essa oportunidade maravilhosa de escolher o que eu quiser.
-Mentira, tudo o que vocês pedem eu faço.
-Só faz o que o Rafael pede.
-Mentira, mentira! Faço para agradar os dois. O Rafael não gosta de camarão na moranga e eu faço pra você.
-Ah, mãe. Você faz pra se exibir.
-Hahahaha, que ingrata. Mas é verdade. Tá certo, eu arrebento nos meus quitutes mesmo.
-Convencida.
-Ah, isso também é verdade.
...
Estou em Paris! \o/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013



A cama do hotel é ótima. O edredom, os travesseiros, tudo. A cama é bem macia, daquelas que me daria dor nas costas se eu dormisse nela todos os dias, mas é exatamente onde eu quero cair depois de passar um dia andando por aí.

Não tenho a intenção de acordar muito cedo porque às 8 ainda está meio escuro. Então fico enrolando, com muita preguiça de levantar da cama, que é toda tão macia. Mas aí penso que tudo bem. Não vim pra passar dois dias, não vim de excursão. Tenho tempo de ver tudo. Vim sozinha e estou de férias, descansando de um ano inteiro de trabalho. Começo a trabalhar dois dias depois de voltar de viagem. Tudo bem descansar agora.

Não tenho muita programação. Hoje quero ir à casa de Anne Frank. Nem sei quantas vezes eu li o diário dela dos meus 13 aos 20 anos, várias. Talvez tenha sido o primeiro livro que eu comprei sozinha numa livraria, não me lembro. De lá vou andar um pouco, pegar o tram, ir parar em outro lugar, andar mais um pouco. Até cansar e voltar pro hotel pra descansar antes do jantar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


Estou em Amsterdã.

Fiquei esperando o ônibus em frente ao aeroporto de Schiphol e o frio estava bem tranquilo. Não precisei fechar meu casaco, colocar luvas, chapéu e nem amarrar meu cachecol. Fiquei alguns minutos esperando o ônibus porque não consegui entrar no primeiro que passou, eu sou meio tonta. Estava achando o frio ótimo. Quando percebi, meus dedos estavam vermelhos e em formato de garras. He.

Quando cheguei ao centro de Amsterdã fui pegar um táxi para o meu hotel e só aí senti o frio. Acho que frio assim eu só senti quando fui esquiar. Todo o corpo está coberto e protegido, mas o rosto...

A primeira coisa que eu comi foi sopa. Quando entrei no restaurante, não conseguia pensar em mais nada, só sopa. Depois eu comi hambúrguer também. He.
...
Quando eu entrei no avião e a comissária disse "Welcome", eu respondi "Gracias". Depois, eu no ônibus com a minha mala, só conseguia falar "Pardon" para as pessoas. Meu cérebro enlouqueceu.

Estou tentando pensar que deve existir um mecanismo no meu cérebro dizendo a ele que estou num lugar onde falam uma língua que eu não sei falar, então ele corre e procura línguas que eu não sei falar mas nas quais sei ser educada. Eu estou tentando a aprender a ser educada em holandês, mas, veja bem, obrigada por favor ;) é alstublieft, então a coisa fica um pouco mais complicada.

lembrei que quando fui atropelada por uma bicicleta em santiago, assim que eu vi que não tinha me machucado, comecei a falar em inglês, dizendo que estava bem, que não tinha problema. por que eu não falei em português eu também não sei. meu cérebro enlouquece.


isso foi o que eu vi quando abri a janela do quarto =)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Eu já tive bolos de aniversário em formato de:

-cabeça da Margarida, namorada do Pato Donald - 1 ano
-carrossel - 2 anos
-pessoas se divertindo num parquinho - 3 anos
-bruxa numa vassoura - 4 anos
-pandeiro - 5 anos
-beijo da Xuxa - 6 anos
-borboleta - 7 anos
-flores cor-de-rosa - 9 anos
-bandeira dos Estados Unidos (vou me justificar! a gente tinha acabado de voltar da disney e quando chegou em casa, minha tia tinha enfeitado o prédio inteiro de azul, vermelho e branco, da porta da rua à porta do apartamento. por que ela não enfeitou de verde e amarelo é uma coisa que eu nunca entenderei. bom, o caso é que meu aniversário era uns dias depois e minha mãe quis aproveitar a decoração. acho que ela tava cansada de aniversário temático. foi meu último, o de 12 anos)

Há anos eu não como bolo de aniversário. Não posso ver glacê na minha frente.

faltam três bolos na lista, não consigo lembrar. meu irmão já teve bolo do batman (claro!), de pipa, de tambor (parece que instrumentos de percussão eram dos favoritos da minha mãe), tartaruga ninja, cara de palhaço. nenhum de nós nunca teve bolo surpresa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Quando eu tinha seis anos, dancei na escola a música Uma barata chamada Kafka dos Inimigos do Rei. Eu dancei vestida de barata, um vestidinho marrom. Meu par, o J., dançou de macacão azul, no papel de dedetizador.


Meu par, o dedetizador de macacão azul, me matava durante a coreografia da música, fazendo movimentos com os braços que imitavam uma bombinha de inseticida. Bombinha de inseticida é uma coisa que nem se usa mais, todo mundo usa spray.

Eu gostei tanto da minha roupinha de barata, o vestidinho marrom, que quis repetir a roupa no meu aniversário de sete anos. O tema do meu aniversário foi escolhido por mim: natureza. E o bolo era em formato de borboleta, feito pela minha vó.

Eu não sei de que forma isso pode marcar um ser humano, mas certeza que ninguém escapa do destino de ter morrido como barata aos seis anos de idade.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mando um e-mail maluco. Chega a resposta.

Clico em "marcar como lida" pelo celular, sem nem abrir a mensagem pra não ver o tamanho do estrago, mas na verdade queria clicar em "fingir que nada aconteceu".

não adiantou muito. dá pra ler o começo da mensagem e a resposta tinha só uma linha. fucking fuck.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Sonhei que estava numa perfumaria com a Cíntia. Eu gastava 250 reais lá. Daí a Cíntia saía pra tomar sorvete enquanto eu ia fazer sexo com um cara que estudou comigo na escola. Eu não falo nada com ele além de "oi, tudo bem?" há pelo menos 15 anos, embora eu fale sempre com a mãe dele quando passo por ela na rua e pergunto se ela quer ajuda pra carregar as compras e ela me pergunta se estou solteira. Sempre respondo que sim, ela às vezes me diz que o filho também.

A Cíntia não voltava nunca mais, demorou muito e quando finalmente chegou, disse que a sorveteria estava fechada, que tinha ido jantar e assistir ao novo filme do Ang Lee (aquele que é inspirado num livro plagiado do Moacyr Scliar).

Eu perdia o ônibus e tinha que pegar o metrô, onde eu fazia uma sopa de ervilha.
...
Sonhei que eu tinha herdado uma fortuna e uma mansão. Eu estava na minha mansão, cuidando da minha riqueza, mas eu não era eu, eu era um homem bem parecido com o Ricky Gervais. Eu tava de robe verde.

De repente, eu chamava alguém pra falar sobre a situação dos meus empregados. Eu dizia, em inglês: "Acabei de descobrir que a gente só dá salada pras pessoas comerem. Salada de penas!"