domingo, 3 de março de 2013

Acordei sentindo ciúme do abraço. Acordei morrendo de ciúme do abraço que vem depois e que eu não quero que seja de mais ninguém. Na nossa primeira noite juntos, ele me explicou que estava com dor nas costas e que por isso não dormiria abraçado comigo. Eu achei graça, eu não queria abraçar ninguém. Ele deve ter tomado um remédio milagroso, porque depois disso me abraçou todas as noites até o fim, embora na última não tenha tirado o relógio. Igual ao meu, mas prateado. O meu relógio ficou no criado-mudo. O relógio dele ficou no pulso. Eu não estava contando o tempo. Quando ele me pediu pra acompanhá-lo até a porta, será que sabia que era a última vez? Eu não sabia.


Ele me abraçou todas as noites até o fim, ou foi abraçado por mim, quando puxava meu braço até ele atravessar o seu corpo e minha mão encontrar a dele, do lado dele da cama. Eram noites muito confortáveis, as minhas noites com ele e eu nunca acordava numa posição que não fosse dentro de um abraço, ele afogado no meu cabelo, o queixo encaixado no meu pescoço, a barba no meu ombro.

Eu acordei com saudade e ciúme do abraço dele, que não devia ser de mais ninguém. Se o mundo fosse um lugar menos doloroso, eu teria que abrir mão de qualquer coisa, menos dos abraços.

Uma manhã de domingo, logo depois de uma noite de sábado, eu lembrei. Me torturei durante uns 20 minutos com esse pensamento e levantei da cama.

Tomei milk-shake de chocolate no café da manhã.

17 comentários:

  1. nossa...que raiva! e, esse rapaz le seu blog? eu teria muita vergonha de assumir isso sabendo que ele poderia ler! voce eh corajosa...
    beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vergonha a gente tem que ter de outras coisas, não de gostar de alguém. =)

      Excluir
  2. "Eu acordei com saudade e ciúme do abraço dele, que não devia ser de mais ninguém. Se o mundo fosse um lugar menos doloroso, eu teria que abrir mão de qualquer coisa, menos dos abraços."

    Chorei, sério.

    ResponderExcluir
  3. Ah, Renata, puxa vida...

    Uma lágrima apareceu por aqui :(

    Um beijo.

    ResponderExcluir
  4. Ah, Renata, puxa vida...

    Várias lágrimas apareceram por aqui :(

    Um beijo.

    ResponderExcluir
  5. Tô na mesma vibe. Fiz um poema e comi bolo de cenoura com calda de chocolate. Sempre ajuda - ao menos acalma o ciúme da atenção dada ao outro.

    ResponderExcluir
  6. Renata, conheci seu blog ontem pelo donttouchmymoleskine. Li o post das cuecas. Não sei se foram as coisas que li ou se foi o combo as coisas que li + o filme O Lado Bom da Vida que assisti logo na sequência... Mas fui dormir com saudade de uns braços aí, demorei 40 minutos pra me desligar desse pensamento também bobo. Eu fechava os olhos e vinha aquela sensação de encostar na pele do braço. E fiquei pensando se ainda saber onde ficam todas as pintas de um corpo que você não vê mais é sinal de que a gente ainda gosta. Fiquei confusa e com ciúme dos possíveis poemas dele que virão pra moça que ele está hoje. Acabei acordando com essa música do Ney Matogrosso na cabeça http://www.youtube.com/watch?v=5VwnB6z6W1g. Paciência. Vim ver seu blog e leio isso. Que coisa mais inconsciente coletivo. De qualquer jeito, fique bem. :|

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. obrigada, adorei a música. =)

      Excluir
    2. (obrigada pelo comentário também)

      Excluir
  7. Há muito muito tempo não durmo abraçada. Mas mesmo depois da volta não consigo (e nem sei se vou) superar o fato de que houve abraços beijos desejos planos e ansiedades que não foram pra mim. Sou egoísta e exclusivista demais.

    Aí a gente posta no blog, compra tênis novo, toma milk-shake, faz tudo isso aí - fiz tudo isso também.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. abraço é uma coisa tão mais íntima, né? embora não pareça, pra mim é de uma intimidade imensa.

      Excluir
  8. http://24.media.tumblr.com/401190b5e21bf6f0f1584341caafeca7/tumblr_mjo0otVaTz1qa2txho1_500.jpg

    é tudo que tenho a dizer né.

    ResponderExcluir