terça-feira, 21 de maio de 2013

Subi na esteira e vi que alguém tinha esquecido um par daquelas luvinhas pra malhar. Tive a ideia brilhante de pegar e deixar na recepção, pro caso do dono voltar. Quando eu peguei, elas estavam úmidas. Úmidas de suor. Úmidas do suor de um desconhecido.

Foi isso que eu ganhei por tentar ser legal: contato com o suor de um desconhecido.

Eu fui muito forte e não chorei. Faltou pouco, mas eu não chorei. Só que. Todos os meus tiques nervosos foram ativados na mesma hora e eu fiz o treino correndo numa versão bonecão do posto de mim mesma.

Agora estou aqui, testando se consigo escrever com a mão esquerda, porque a direita está condenada, vou ter que arrancar.

Pra me recuperar, eu comprei mais uma sapatilha de glitter e mesmo assim ainda não tô completamente bem e ainda não perdoei o desconhecido por suar.

domingo, 19 de maio de 2013

No sábado, no comecinho da aula, naquela hora de "como foi sua semana?" um dos meu alunos disse que tinha sido ótima, ele tinha tido um encontro e estava se apaixonando. Dezoito anos, um fofo. "Eu nunca me senti assim com ninguém."

Tinha poucos alunos na sala ainda, um deles sugeriu uma trilha sonora pro momento: Accidentally in Love, dos Counting Crows.
Um outro aluno sugeriu o Concerto para piano nº1 de Tchaikovsky. Eu não estou brincando.
Outro sugeriu uma música do Aladdin. O desenho da Disney.

Na volta do intervalo, meu aluno apaixonado voltou cantarolando Djavan.

Eu tive que dar um basta e dizer que tá todo mundo proibido de se apaixonar até a semana que vem, quando eu vou preparar uma mixtape pra eles se apaixonarem com música apropriada pra juventude.

O amor está proibido, mas só até semana que vem.

e até quinta eu aceito sugestões de músicas pra incluir na mixtape! =)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Você acorda, abre os olhos e vê que tá se arrastando. Você acordou no meio de uma poça de tristeza. É claro que você acordou numa poça de tristeza, descuidando dos exercícios, meditando nunca e fingindo que não precisa respirar pelo diafragma. Você acordou no meio de uma poça de tristeza e a culpa é toda sua. Ainda que não fosse ou que não seja, você acordou no meio de uma poça de tristeza e vai ter que lidar com isso. Não tem ninguém que possa consertar isso pra você, nem adianta pedir.

Você se arrasta até o banheiro, toma um banho e leva quatro minutos pra vestir cada peça de roupa, parando no meio do processo pra descansar. Você decide que hoje não tem como faltar à academia e vai lá dar uma corridinha de 20 minutos pra ver se melhora. Você põe o seu short, o seu tênis, a sua camiseta de caveira e vai correr.

Você sobe na esteira, você anda cinco minutos, você corre 90 segundos. Você anda 90 segundos. Você corre 3 minutos. Você anda 3 minutos e você chora. Em cima da esteira.

Você para um pouquinho, respira um pouquinho e começa tudo de novo.

sábado, 11 de maio de 2013

Eu sinto falta de manuais de instruções.

Não sei quando eles se tornaram desnecessários a ponto de não acompanharem mais os produtos que eu compro, mas aconteceu. Eu sinto falta daqueles manuais grossos, cheios de instruções óbvias, que me ensinavam até como ligar meu aparelho novo.

Não se fazia nada sem um manual. Quando meus pais compraram um micro-ondas Sharp fora do Brasil em 1991, minha mãe mandou traduzir o manual. Era muito importante aprender como esquentar a comida no forno novo. O manual traduzido veio encadernado em arame preto e capa fumê. Nada mais é fumê e ninguém mais lê o manual.

Faz só alguns anos eu traduzi o manual de um aquário. E na mesma época me pediram o orçamento de uma tradução do manual de uma máquina de costura. Eu tive que devolver sem traduzir, o manual estava em sueco.

Eu não sabia que a bateria só duraria 30 dias se a wifi estivesse desligada. Eu não sabia que ela duraria pouquíssimos dias se a wifi estivesse ligada. Eu pensei que houvesse alguma coisa errada com o aparelho. Pesquisei no google. bateria+duracao. Eu tinha que desligar a wifi.

Era óbvio.

E foi aí que eu percebi que o aparelho não tinha vindo com um manual. Se tivesse um manual, eu teria lido. Eu saberia que era preciso desligar a wifi. Eu estaria preparada. E foi aí também que eu percebi que os últimos aparelhos eletrônicos que eu comprei não vieram com manual. Vieram com um livreto de poucas páginas, algumas fotos, talvez uma garantia em várias línguas diferentes. Eu senti falta de um manual de instruções, como tenho sentido há algum tempo. Sinto falta das instruções, das óbvias principalmente. Tudo é tão moderno, tão avançado que eu preciso que alguém me explique as coisas mais simples. Renata, liga o aparelho aqui, ó.

Eu preciso desligar a wifi se eu quiser que a bateria dure até 30 dias.

Eu preciso que alguém me diga isso, que alguém me explique pra que serve cada botão do meu novo aparelho, que alguém me diga que buraquinho dele serve pra conectar na tomada, que buraquinho dele serve pra conectar no computador e que buraquinho dele serve pra receber um cartão de memória que vai fazer com que caiba tanta coisa ali quanto eu jamais imaginei que fosse possível.

Eu preciso de uma seção com respostas para as minhas perguntas. Eu tenho muitas perguntas sobre cada novo aparelho que eu compro. A primeira delas é "por que eu comprei mais uma buginganga?" e a segunda sempre é "como fui capaz de viver sem isso até hoje?"

Eu preciso de uma seção que me diga o que fazer pra resolver cada problema que meu aparelho possa ter. Eu quero saber o que está acontecendo se uma luz verde piscar três vezes e se devo me preocupar caso uma luz azul pisque apenas uma vez.

Eu não sei o que aconteceu com os manuais de instruções. Não sei por que eles desapareceram, por que foram tirados de nós. Talvez todo mundo tenha ficado mais esperto, tão esperto que não precisa mais de instruções. Todo mundo, menos eu.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Acho que nunca alguém teve um objetivo são simples e ambições tão humildes nessa academia.

-Qual é o seu objetivo, Renata?
-Só quero que, quando eu sentar, minha coxa não fique esparramada na cadeira.

É só isso que eu quero, mas parece que mesmo isso é pedir muito.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Análise avaliativa dos últimos sapatos que eu comprei

-sapatilha dourada: Super macia e linda. Ter um sapato confortável e lindo ao mesmo tempo é daquelas coisas que faz com que eu sinta que venci na vida. Ela combina com tudo. Sim, ela é dourada e combina com tudo. Sim, eu disse que um sapato dourado combina com tudo. O que não combina com dourado? Essa é a pergunta que você devia estar se fazendo.

-sapatilha peep toe de glitter azul: Não, ela não combina com nada, mas ela é de glitter azul. De glitter. Azul. É um dos sapatos que mais machucaram meu pé, o que pode ser ou pode não ser pelo fato de ser um número menor do que meu pé. A loja pode ter me enviado o número errado ou eu posso ter ou posso não ter pedido um número menor sem querer. Pode ter ou pode não ter sido um ato falho do meu inconsciente que me odeia, apenas me odeia e quer me ver sofrendo, mas não vou falar disso porque estou muito distraída olhando pro meu sapato. De glitter. Azul. Continuarei usando, é claro, porque eu não espero mesmo que a vida seja fácil e band-aid tá aí pra isso.

-botinha: Sim, ela é uma botinha de motoqueira. Sim, ela é uma botinha de caubói. Sim, ela é as duas coisas e é por isso que eu a amo e nós vamos nos casar e ter pequenas botinhas de motoqueira/caubói porque tanta beleza deve ser perpetuada. Pena que nossas botinhas-filhote serão míopes como eu, provavelmente. Ai, o que eu estou dizendo? Botinhas de óculos, você consegue pensar numa coisa mais fofa? Sucesso na próxima estação.

-scarpin preto: Porque eu sou adulta, sou uma jovem profissional, tenho 30 anos, sou madura. E porque, sim, eu tenho o direito de comprar sapatos que eu não vou usar (eu não uso salto), é pra isso que eu trabalho e eu mereço ser feliz.

-sapatilha preta de spikes: Eu não quero ouvir ninguém dizendo "mas, renata, você não tinha dito que não aguentava mais tachas e spikes?" porque eu simplesmente não vou ouvir e ainda vou te dar um chute com a minha sapatilha de spikes e coitadinho de você.

Conclusão da análise avaliativa: as compras foram todas necessárias, os sapatos são lindos e parabéns pra mim.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Robert Pattinson, depois do término da relação com a Kristen Stewart, antes de retomar o namoro, foi ao programa do Jon Stewart e, ao ouvir do apresentador que para os jovens o fim de um relacionamento pode parecer o fim do mundo, confirmou "E é."


É mesmo. É o fim de um mundo. E olha que eu nem estou mais na categoria jovem adulta, sou só adulta mesmo.
...
Eu tenho no meu celular muitas fotos de raposas e ursos polares que eu salvei da Internet pra mandar pra você, numa mensagem boba no meio do dia. Imagina se eu te mandasse agora todas as fotos? Uma enxurrada de fotos de ursos polares e raposinhas. Toma todas, são todas suas, acumulei pra você. Aquela coisa de mandar uma foto por vez. A certeza de que eu ainda ia te mandar algumas raposas.

Talvez você nunca tenha entendido o que eu dizia quando te mandava uma mensagem dessas, agora eu fico pensando. Eu queria dizer que estava pensando em você entre o pilates e a terapia. Que eu saí do trabalho pensando em você e que eu estava pensando em você enquanto tomava um chopp com meus amigos.

Acho tanta coisa pensar em alguém.