sábado, 22 de novembro de 2014

Quando eu comprei plantas para a minha casa, foi aí que ela começou a ter mais cara de casa. Algumas pessoas me disseram que planta dá muito trabalho e eu devia comprar apenas cactos e suculentas, que são mais fáceis de cuidar. Eu achei engraçado. Todo mundo sabe que dá trabalho. Quando você resolve ter plantas, trabalho é uma das coisas que você quer.

Bom. Minhas plantas estavam lindas, bem lindas.




Até que a minha avenca morreu.

Fui consolada, me disseram que avencas são difíceis mesmo. Algumas pessoas me disseram para comprar outra avenca e começar de novo; outras, que eu devia escolher uma planta diferente, uma planta mais fácil.

Eu não fiz nem uma coisa nem outra. Ouvi o terceiro grupo de pessoas, que disse que às vezes as plantas morrem e voltam a viver. Como uma pessoa que todo dia pensa "esta semana eu vou pesquisar tudo sobre as plantas que tenho em casa" e nunca faz isso, eu simplesmente continuei regando a avenca como se nada tivesse acontecido. Como se ela não tivesse morrido, não tivesse me deixado.

Hoje, na hora de regar minhas plantas, notei que havia um galhinho novo na avenca. Talvez ela fique linda de novo, talvez não. O que eu queria dizer é que a comparação entre minhas plantas e meus relacionamentos certamente foi por água abaixo com esse galhinho.

Hehe.

domingo, 16 de novembro de 2014

Fui fazer minha matrícula na academia nova e a moça perguntou minha profissão. Pela primeira vez eu não respondi automaticamente. Na verdade, eu fiquei em silêncio um pouco, depois disse que trabalhava numa editora de livros didáticos.

-Não tem isso aqui.
-Tem editora? Põe editora.
-Tem editora de imagens.
-Não, não é isso não.
-...
-Olha, professora tem, né? Põe professora, então.

...

Eu tava no ônibus voltando pra casa, lendo um texto para um curso no trabalho. Quando terminei, guardei o texto na bolsa, o senhorzinho ao meu lado perguntou o que eu estava lendo.
-É pra faculdade?
-Não, é para um curso no meu trabalho.
-Ah, você já trabalha?
-Trabalho.
-E sobre o que é o texto?
-É sobre educação digital, mais ou menos isso.

Faz dois meses e meio que eu não consigo mais explicar o que eu faço, depois de passar dez anos fazendo isso com uma palavra só.

domingo, 28 de setembro de 2014

Eu não vou ao cinema. Eu não vejo filmes. Eu não vou ao cinema porque eu não vejo filmes, isso tem anos já. Eu vejo pouquíssimos filmes. Eu não tenho paciência, eu me distraio facilmente.

Eu estou namorando - e ridiculamente apaixonada - por um homem que trabalha com cinema. Que escreve roteiros. Que dirige documentários. Os documentários passam no cinema. Ele ama filmes, ele ama ir ao cinema. Às vezes eu tô já achando que vou só tomar banho e dormir e ele diz "vamos ver um filminho?" E eu sei que ver um filminho é ir ao cinema.

Então eu tenho ido ao cinema. Não é uma coisa que me ofende, só me dá preguiça, então eu vou. Chegando na bilheteria ele diz que eu posso escolher os lugares. Eu posso escolher os lugares que eu quiser. Já passamos por isso escolhendo o filme. Eu nunca tenho ideia do que eu quero assistir. Eu posso escolher o filme. Agora eu posso escolher os lugares. Eu digo que não faço ideia de como escolher lugares bons no cinema. Eu não vou ao cinema. Ele diz que não se importa.

Eu escolho os lugares.

E ele faz uma cara de pavor.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Logo de manhã eu descobri que minha mãe havia curtido fotos da filha dele no Facebook. Minha mãe. Curtiu. Fotos. Da filha dele. No Facebook. Dele. Perfil que eu nunca mostrei e que nem tenho na lista de amigos. Perfil que ela descobriu sem que eu dissesse o sobrenome.

Como eu descobri? Ele me contou.

-Mããããeee, você curtiu fotos da filha dele no Facebook. Peloamordedeus, mãe, que loucura é essa? Nem o sobrenome dele eu te disse, mãe!
-kkkkkkk Ai, filha, achei o documentário que ele dirigiu e vi a foto dele, ele tem uma carinha tão simpática e é tão bonitinho, não resisti. Aí eu vi a filha dele, é uma princesa linda. Se curti, foi sem querer. kkkkkkkk

Se curti, foi sem querer.

E eu cheguei a me perguntar por que não apresento ninguém para a minha família desde 2007.

Se não apresentei, foi sem querer. Ou pra não ter que lidar com essa situação às 9:30 de uma terça-feira.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Minha família inteira quando eu anunciei, no almoço de domingo, que queria apresentar um na-mo-ra-do a eles:

[APLAUSOS]
-EEEEEEEEEEEEE
-EEEEEEEEEEEEE
-EEEEEEEEEEEEE

E depois fizeram perguntas como:
1. Ele torce pra algum time? Qual?
2. Ele sabe cozinhar?

(sabe sim e faz panqueca pra mim de manhã. em dia de semana, antes do trabalho)

domingo, 31 de agosto de 2014

Ainda no assunto banheiros em começo de relacionamento: tenho lavado meu cabelo com o que, obviamente, é um xampu deixado pela ex.

Não é da filha, que usa xampu infantil, não é dele, que não tem cabelo - e usa xampu anticaspa.

É o xampudaex. Tá lá no banheiro, eu usei, tem um restinho só.

Daí o que aconteceu: eu gostei tanto do xampudaex, ele foi tão bom pro meu cabelo, que eu fui lá e comprei igual e agora tem xampudaex no meu banheiro também.

Espero que ele não tenha memórias ruins ligadas a perfume de blueberry.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Fico pensando o que seria de nós, o que seria de mim, sem a capacidade de pensar "desta vez vai ser diferente." Nem levantava da cama, acho. Estou exagerando. Mas, sério,
...
Li uma vez que a diferença entre um comportamento assustador e um comportamento fofo é o quanto a gente gosta da outra pessoa. Eu incluiria aí, além de assustador, ridículo/idiota. Mas isso é só pra justificar o meu coração quentinho com a cara que ele fez quando eu expliquei que, olha, o lugar pra onde eu quero ir já passou, eu só não queria largar a sua mão.
...
Nada, nada mesmo faz sentido.