segunda-feira, 19 de maio de 2014


Já tá naquela fase de deixar tudo com a minha cara. Daí essa parte é a mais legal. Comprar vasos, almofadas, pôsteres, todas essas coisas legais. Mas dá também uma ansiedade, uma vontade de comprar tudo de uma vez.

Pra sala ainda faltam o tapete (já comprei), almofadas (já comprei algumas), uma estante, uma luminária de pé, uma luminária pendente, plantas, uma mesa de centro, um aparador, quadros. Pro escritório/quarto de hóspedes faltam o sofá-cama (já comprei), uma mesa lateral, luminária. Pro meu quarto faltam criados-mudos. Para os quartos e a sala faltam cortinas (já comprei a do meu quarto).


Meu pai que fez a estante, já tem muitos anos, ficava no meu quarto na casa deles, eu quis trazer pra cá. Ainda não arrumei, a única coisa que eu fiz foi colocar o Valter Hugo Mãe do ladinho do Saramago.


Tenho achado super difícil: comprar roupa de cama e toalha de mesa que não tenham cara de casa de mãe. Nada contra as mães, até tenho uma, mas, né? Não gosto: flores delicadas e pequenas. Gosto: estampas geométricas, estampas grandes e muito coloridas, essas coisas. Super difícil.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quando você é homem e diz que não quer namorar, que gosta da sua liberdade, quer ter tempo pra fazer suas coisas sozinho, ninguém acha que você está mentindo. Eu não sou homem, nunca fui homem, eu tô falando do que eu vejo. Ninguém, quando um homem diz que não gosta de namorar, que não quer namorar, diz que ele tá mentindo.

Quando você é mulher e diz que não quer namorar, você é, além de mentirosa, uma encalhada. Eu acho encalhada uma palavra sensacional, embora seja bem triste porque nos faz pensar em baleias que vão morrer. Ou vão quase chegar à morte para depois serem salvas. Exatamente como você, que além de encalhada é mentirosa e está só esperando alguém chegar para te salvar. Mas o fato é que ninguém te quer e só por isso você está solteira e todo mundo sabe disso, não adianta disfarçar.

Quando você é mulher e diz que não quer namorar, é claro que você está mentindo, você só pode estar mentindo porque todas as mulheres são felizes amando e querem amar.

Mesmo quando você não quer.

Quando alguém diz que não sabe viver sozinho, a gente pensa "que pena, devia aprender" e depois a gente volta pros nossos namorados e diz que todo mundo devia aprender a viver sozinho, a amar a si mesmo, se conhecer etc.

Quando alguém diz que não sabe viver num relacionamento amoroso, essa pessoa é maluca e/ou terrível e ela não tem um coração. Ou ela está esperando alguém que vai fazer isso mudar. Porque ela nunca viveu um relacionamento feliz. Mesmo que ela tenha vivido alguns. Essa pessoa, ela nunca está dizendo a verdade.

Mesmo quando você está.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Tem uma parte de mim que está feliz por você, é a parte que sabe que é o que você sempre quis, uma família. É a parte que sabe que é o que eu não quero, esse tipo de família. Eu já não queria aos 25 e nem sabia. O tanto que me doeu descobrir que não era só a distância, não era só não poder trabalhar, não era só o visto. Era eu. Tem uma parte de mim que gosta de saber que você conseguiu amar de novo. Tanto. A esse ponto. Que bom saber que você caminhou tanto. Eu ainda engatinho. Tem uma parte de mim que vê você feliz e fica feliz, que bom pra você.

Mas tem a outra parte, a que passou dois dias chorando de boca aberta quando soube. No ônibus, andando na rua, de soluçar, mandando mensagem pra contar para as minhas amigas, segurando meu coração bem apertado pra ele não se partir mais uma vez, porque eu já sabia que era nunca mais, mas agora é nunca mais mesmo. Tentando encontrar e se entender com a parte que está feliz por você.
...
Quando morreu o Gabriel García Márquez e você me mandou um e-mail dizendo que sentia muito, porque sabia o quanto ele era importante para mim. L'amour aux temps du choléra. Quando eu li aquele e-mail as duas partes se encontraram e você ensinou a elas mais uma coisa, de tantas que já tinha ensinado para tantas partes de mim. Que não é preciso esquecer o passado para superar e seguir em frente. Obrigada, mais uma vez, and may your baby boy be healthy and happy. I hope he has your curls.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Para algumas pessoas é natural essa coisa de estar com alguém, cuidar, ouvir, ligar pra perguntar como foi o dia, dividir o tempo.

Para mim não é. É um trabalho diário. Minuto a minuto.
...
Desde que eu saí de casa todas, absolutamente todas as mensagens que minha mãe me manda no whatsapp terminam com um emoticon de mamadeira.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A pior parte da minha vida de dona de casa é lavar lixeira. Que nojo.

A melhor parte da minha vida de dona de casa é passar rodo mágico com Veja no chão.
...
Desvendei o mistério da coleta de lixo! O caminhão passa todo dia, porque aqui é centro da cidade.

eu já comprei o sofá, gente! comprei junto com todas as coisas da casa, só que o sofá tem um prazo de entrega muito longo. comprei no começo de março mas o prazo pra chegar é até dia 25 de maio. não quero chamar meus amigos antes disso porque não é confortável e ninguém tem mais coluna que aguente ficar sentado no chão ;)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Sobre o meu apartamento,

o que é difícil:
-ocupar os espaços. Na casa dos meus pais, por muitos anos, mais de 20, não tinha tevê na sala. tinha uma tevê em cada quarto e ficava cada um na sua. não existia isso de ficar sentado no sofá com a família vendo novela. Na minha casa, o sofá ainda não chegou e não tem tevê. São dois quartos, um é o de dormir e o outro é um escritório/quarto de hóspedes. Na casa dos meus pais, eu tinha um cantinho de trabalho com meu computador, mas era tudo no meu quarto, num lugar só. Era o lugar onde eu mais ficava. Agora, com a casa toda pra mim, ainda é difícil ocupar todos os espaços. Eu fico lutando pra não ficar só no quarto, mas por enquanto só uso a sala para refeições, enquanto o sofá não chega e me obrigo a trabalhar no escritório.

-não fazer estoque. Quando meu vô morreu, eu lembro de caminhões de comida chegando na minha casa, outros caminhões de produtos de limpeza. Entraram na casa (presta atenção que não era uma despensa apenas) que ele mantinha como depósito de compras e viram o tanto de coisa que ele tinha lá e saíram distribuindo. Meu vô gostava de fazer estoque. Se você precisar de uma torneira, ainda tem lá, no estoque dele, de obras. Eu gosto de fazer estoque. Eu não sei comprar uma caixa de sabão em pó. Eu preciso de três. Eu preciso saber que nunca na minha vida eu vou abrir o armário e achar uma lata só de leite condensado. Eu preciso de estoque. E, embora meu apartamento não seja pequeno, eu não tenho onde guardar tanta coisa assim. Não fazer estoque é uma luta diária.

-saber quando o lixeiro passa. Eu moro num predinho antigo que não tem porteiro. Cada um coloca seu próprio lixo pra fora. Eu achei que o lixeiro aqui passasse nos mesmos dias que no bairro dos meus pais, mas parece que eu me enganei. É claro que eu posso perguntar para um vizinho ou para o síndico, mas eu nun-ca vejo ninguém no prédio e fico sem graça de tocar o interfone só pra perguntar isso, então fico prestando atenção nas outras casas da rua, pra ver quando elas colocam o lixo no portão. Até agora, não achei um padrão.

o que é fácil:
-cozinhar todo dia. Muita gente me disse que eu ia ficar com preguiça, ia comer congelados e delivery. Eu não me acostumo. Na casa dos meus pais eu já cozinhava quase todos os dias. Quando tô com preguiça, eu faço uma coisa bem rápida, uma massa com um molho fácil ou um sanduíche. Já pedi delivery aqui, mas porque estava com vontade de comer aquele prato daquele restaurante e na primeira vez foi porque não tinha gás e aí deu preguiça mesmo de pensar no que fazer só com o forninho elétrico. Também é bom notar que eu estou em Nova Iguaçu, o conceito de rapidez não chegou aos serviços de entrega daqui. Se eu estiver com fome e preguiça, é muito mais simples fazer uma massa em casa mesmo.

-ficar sozinha. Eu amo. Mas amo. Mas amo muito. Adoro ter companhia. Ainda não recebi amigos aqui (não tem sofá!), mas na casa dos meus pais eu recebia, fazia jantares, festas, sempre gostei. Quero sempre receber amigos na minha casa também, não me entenda errado. Mas eu amo ficar sozinha. Amo não ouvir nenhum barulho que não seja o meu (e o do trem, que eu moro em frente à linha férrea). Só escuto barulho dos vizinhos quando vou à cozinha e mesmo assim é de longe. Eu amo ficar sozinha e estou me sentindo muito feliz tendo tanto espaço e silêncio só pra mim.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

e se fosse um par de crocs?

Eu tava aqui em casa ouvi um PLEC e logo depois vem o Sk8erBoy: "Meu boné caiu lá embaixo."

-Oi?
-Meu boné. Ele caiu lá embaixo, caiu pela janela.
-Como??
-Caiu. Você acredita?
-Não.
-Como a gente pega?
-Não sei. A gente não pega. Não tenho a chave do portão que dá pra lá.
-Pede pro síndico?
-Sk8erBoy, vamos fazer o seguinte? Eu te dou um boné, outro boné. Tá?
-Não!! Aquele boné é único! Você não tá entendendo. Ele foi feito pra mim. Um antigo patrocinador fez pra mim. Não existe outro no mundo. Foi feito pra mim.
...
No dia seguinte olhei pela janela e o boné não estava mais lá. Lá fui eu tocar o interfone do síndico e perguntar se "o senhor viu um boné preto lá na parte de trás do prédio? meu namorado de 32 anos deixou cair eu não sei como." Depois de ouvir "eu já peguei e até tava pensando que era de vocês mesmo." eu fui embora pra minha consulta com o ortopedista.
...
À noite, eu estava conversando com amigos e nós ficamos discutindo se era necessário usar a palavra "namorado" nesse contexto. Acho que ficou meio decidido que pra nós usar namorado/marido/noivo/pessoa com quem eu saio às vezes era desnecessário e um pouco cafona. Essa explicação: desnecessária. A gente prefere só usar o nome da pessoa. Eu me defendo (de mim mesma, não dos meus amigos), dizendo que ali, falando com o interfone, não dava pra simplesmente dizer "o Sk8erBoy deixou o boné cair pela janela", porque o síndico não sabe o nome dele. Se fosse uma conversa cara a cara, seria mais fácil, ele logo entenderia quem é o Sk8erBoy da história ou não se importaria.
-Mas você poderia ter dito que o boné era seu.

Um amigo contraargumentou. Eu podia ter dito que o boné era meu. E eu podia mesmo, né? Eu podia ter simplesmente dito que o boné que caiu pela janela era meu, que eu deixei o boné cair pela janela, será que o senhor pode pegar pra mim, por favor?

É verdade, eu podia ter dito que era meu. Mas aí são as escolhas da vida, né? Naquele momento, eu precisava escolher entre dizer que eu tenho um namorado e dizer que eu uso boné (e deixo ele cair da janela).

Eu preferi o namorado.


lembrei desta entrevista da glória maria. glória, os perfis de casal no facebook não mostram, mas somos muitos, dá aqui a mãozinha. S2

terça-feira, 8 de abril de 2014

Em duas semanas várias coisas deram errado. Embora eu estivesse muito feliz com a casa e com tantas coisas, eu levei uns tropeções até o meu joelho sair do lugar e eu chegar em casa numa segunda-feira depois de trabalhar o dia inteiro, pra trabalhar mais um pouco e o computador não ligar.

E meu joelho dói e não dobra e depois não estica e dói e pesa 30kg e eu não aguento mais andar me arrastando e eu chego a estar torcendo pro médico fazer logo uma punção e eu só quero que passe e o Windows não inicia.

O departamento de TI&Sk8, também conhecido como aquele cara do Tinder que foi me encontrar com uma camiseta furada com estampa do dedo do meio e logo no carnaval perguntou "e aí, a gente vai passar junto ou você quer debandar?", bom, esse. O departamento de TI&Sk8 veio e em 15 minutos resolveu o problema, prometendo que no fim de semana ia consertar o computador de um jeito que ele ainda duraria muito tempo.

E eu chorando. Porque tá tudo dando errado. Tudo que dava certo agora dá errado e tudo que dava errado dá certo.
-Do que é que você tá falando, Renata?
-Eu nunca tive nenhum problema com meu computador, meu corpo sempre funcionou. E minha vida amorosa não dava muito certo, né? E aí você apareceu.
-E aí todo o resto começou a dar errado?
-É, mais ou menos isso.
-O seu joelho saiu do lugar. Pelo menos agora eu tô aqui pra colocar gelo nele pra você.

O.o --->; minha cara na maior parte do tempo. esperando a pegadinha.

e ainda tomei um antiinflamatório diferente e acordei conseguindo dobrar o joelho!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

-Como foi na terapia?
-...Como foi...?
-É, foi boa?
-Ah, foi.
...
-Você falou de mim? Na terapia, você falou de mim?
-Falei.

=)

E quando eu cheguei, já tinha gás (e banho quente).

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Eu estou me esquecendo dele. Não da existência dele nem do rosto, mas estou me esquecendo dele. Me lembro da voz e de coisas que ele disse, e da risada. Mas não consigo mais imaginar coisas que ele diria ou do que ele daria gargalhada. Isso é esquecer alguém.

Eu não vou nunca saber explicar o que a gente teve e do que eu tive que fugir, sair correndo, porque nunca ia conseguir terminar de outro jeito. Se eu nunca soube explicar o que era, já nem consigo nos imaginar juntos. Eu não lembro direito o que a gente fazia juntos. Assistia tv? O que a gente conversava durante o jantar? Eu não me lembro, por mais que me esforce. Mas eu não me esforço muito. Isso é esquecer alguém.

A tela está na sala da minha casa nova. A tela que ele me deu, que eu escolhi. Na sala da minha casa nova, eu levei pra lá depois de um longo castigo em que ela ficou virada para a parede no meu quarto na casa dos meus pais. Levei para a minha casa nova e coloquei na sala, em cima do móvel amarelo, ao lado do pôster de zebra. Isso é esquecer alguém.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Das coisas mais difíceis num relacionamento, não vou entrar no mérito daqueles bloqueios profundos, deixa pra minha analista, das coisas mais difíceis:

-Dividir meu tempo. Eu estou tão acostumada a ter meu tempo só pra mim, ele está sempre tão preenchido, eu sou tão boa em não me deixar ficar à toa. E de repente preciso dividir o meu tempo, eu quero dividir o meu tempo, mas dá um trabalhinho. Agora gostaria de ler em silêncio, mas vou assistir a esse filme. Porque eu quero, mas mesmo assim, não é fácil.

-Usar batom de cor forte. Tantos batons vermelhos, vinho, rosa, coral que eu tenho. De tantos tons diferentes, eu gosto tanto deles. Mas não dá, né? E eu quero usar batom.

É aquilo, estou tentando. Todo mundo está, sempre.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Eu nunca fui boa em esportes. Na escola, era sempre a última a ser escolhida, muitas vezes sobrava. Já adulta, quando fui diagnosticada com depressão, minha analista disse que eu ainda sofreria com isso em outras fases da vida. Pelo meu histórico familiar, aquela não era uma depressão pontual. Eu podia passar a vida tomando remédio, mas ela achava que não, que com terapia, alimentação correta e exercício físico eu poderia controlar.

O exercício físico me ajudou em muitos corações partidos, em muitas depressões sem motivo. Eu aprendi a gostar do exercício e a me orgulhar de ter um corpo saudável, que funcionava. Mesmo não sendo atleta, eu subia ladeiras, pulava, corria, meu corpo me obedecia.

A festa de 60 anos do meu pai tava no final, eu me despedi da Hannah e voltei pra me despedir de novo. Não sei direito como aconteceu, mas eu me desequilibrei e virei o pé num degrau de 10 cm. Quando eu caí, senti e vi o meu joelho saindo do lugar.

Eu não pensei na dor. Eu não pensei na dor até chegar no hospital. Eu caí porque não sentia mais minha perna, as pessoas vieram correndo e eu disse "meu joelho saiu do lugar, eu preciso ir pro hospital." Enquanto eu caía, eu não pensava na dor, eu pensava "estraguei o meu joelho."

E esse pensamento, de estragar o meu joelho, de não ter mais um corpo saudável, o medo de pensar que poderia acontecer outras vezes depois dessa, esse pensamento, estraguei meu joelho, me deu um peso tão grande no coração que eu nem pensei na dor.

Eu mesma coloquei o meu joelho de volta no lugar, ainda em casa. Desci os três andares do terraço e entrei no carro sozinha, pra me levarem ao hospital. Pedi pra minha mãe buscar um analgésico e minha bolsa. Abri minha carteira, peguei minha carteirinha do plano de saúde e minha identidade. Eu não pensei na dor. Eu só senti dor quando cheguei no hospital e avisei que não ia conseguir sair do carro andando. Eu só senti dor de verdade na sala de medicação, porque eu nunca tinha estado numa emergência e eu nunca tinha tomado medicamento na veia. Meu corpo sempre funcionou.

Eu perguntei ao médico da emergência se eu ia poder correr de novo, se eu podia pular numa cama elástica. Ele disse "espera pelo menos uma semana." Mesmo que eu quisesse esperar menos, meu joelho dói pra dobrar, dói pra esticar, parece que ele tá tentando se reacostumar ao lugar dele. Mesmo se eu quisesse esperar menos, não foi isso que eu perguntei. Eu queria saber se meu corpo vai voltar a ser perfeito, a garantia de que isso nunca mais vai acontecer, de que eu posso confiar que estou pisando certo, posso confiar que meu joelho vai ficar no lugar. Eu preciso consultar um outro ortopedista, ele me diz.

Sim, foi a pior dor que eu já senti na vida. Quando saiu do lugar, quando eu botei no lugar. Foi a pior dor da minha vida. Mas não chegou nem perto de ser tão ruim quanto foi perder a confiança que eu tinha no meu corpo, que levei tanto tempo pra conseguir.

terça-feira, 25 de março de 2014

Assim que a minha Internet foi transferida, eu vim pra casa nova. Não tinha gás ainda, então não tinha banho quente. Que o Rio de Janeiro me desculpe, mas eu torci muito pro calor continuar aqui e não ir embora até que viessem instalar o gás.

Fiquei tão feliz de ir à companhia de energia elétrica colocar meu nome na conta. Ficar feliz de ter conta pra pagar, qual é a necessidade disso? Deito pra dormir e só acordo no dia seguinte um pouco antes do despertador tocar, mesmo morando em frente à linha do trem, que começa a rodar o quê, às 4:30?

oi, muito prazer, eu sou a ágata da islândia
na primeira noite eu fiz sanduíche, na segunda eu pedi comida porque eu ainda não tinha gás e tinha preguiça.

 já no domingo teve almoço, mesmo sem fogão, só com o forno elétrico.
 e no fim de semana teve visita ;)

Eu tava saindo pra ir à terapia, ele saindo pra ir embora, chegaram os técnicos pra ligar o gás. Você pode ficar com eles? Eu volto em 1h. Não sei como eu pedi, como nem me passou pela cabeça ligar pra minha analista e avisar que eu chegaria atrasada, nem chegaria, não sei como foi tão natural pedir. Eu na terapia recebendo mensagem "Seu aquecedor não tá funcionando, acho que é a pilha, tô indo comprar pilhas novas." E quando eu voltei, tinha banho quente e fogão funcionando.

Faz menos de uma semana que eu estou morando sozinha e minha mãe já me deu mais comida do que em 31 anos morando com ela.

a primeira música que tocou foi the wagon, do dinosaur jr, que era o que tava tocando no meu fone de ouvido quando eu entrei com as minhas malas.

terça-feira, 18 de março de 2014

this is happening

E eu achei que seria mais fácil, é claro. Que precisaria só arrumar minhas malas de roupas, sapatos e livros e sair. É o que eu tô fazendo, separando o que eu vou levar, o que vou doar, o que não sai daqui. Mas aí eu olho pro banheiro, lembro do primeiro tombo que eu levei aqui, eu tinha oito anos e minha mãe achou que seria uma boa ideia encerar o banheiro. Tudo o que eu já comi e foi feito no balcão da cozinha. A estante que meu pai fez pra mim eu vou levar. Meu saca-rolhas, meu travesseiro.

Eu moro aqui há 23 anos e só me lembro daqui quando eu penso em casa, mesmo lembrando que já morei em outros lugares. Na minha memória, minha casa sempre foi aqui. Eu brincava aqui quando ela estava sendo construída e a gente nem chamava de casa, mas de obra. O meu quarto era meu quarto mesmo quando ele tinha tijolo aparente, chão de cimento e não tinha janela. Ele nunca foi nada além de meu.

Então eu achei que seria só arrumar minhas roupas e sapatos em malas, meus livros em caixas e sair. Mas não é bem assim. Tem também a parte em que eu arrumo e espero que a minha casa vire a minha casa.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Estava em dúvida entre dois cinzas para a sala. Eles eram tão parecidos na amostra, que eu não conseguia mesmo escolher um.

Os nomes eram Cinza nobre e Ágata da Islândia.

Acho que não preciso dizer qual eu acabei escolhendo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Fui hoje buscar as chaves da casinha. Já comprei tudo, assim que estiver tudo lá eu me mudo. Comprei tudo de uma vez, passei quase o ano passado inteiro economizando para isso. Para me mudar sem dívidas, bem tranquila.

Minha casa nova é um apartamento num prédio antigo, sem elevador (mas eu moro logo no 2º andar, como aqui com meus pais), com apenas sete apartamentos. O meu quarto vai ser azul, a minha sala vai ser cinza. Já comprei as tintas também. Até tábua de passar e varal eu já comprei. Coisas de cozinha fui comprando ao longo do ano passado. Pratos, copos, luva de forno, travessas, já tenho tudo.

Espero que chegue tudo logo, porque eu quero logo aquele silêncio todo só pra mim.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

-Quem vai morar no apartamento, você?
-Sim.
-Vai casar?
-Não.
-Você vai morar sozinha lá?
-Sim.
-Aimeudeus, e a sua mãe?

Funcionária da imobiliária pra mim, uma mulher de 31 anos.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Dois dias depois de voltar pra cidade dele (que é perto, eu sei que tenho um problema com isso, mas desta vez é perto, eu juro), ele mandou uma mensagem "não sei se deu tempo pra você, mas pra mim já deu." "tempo de quê?" "tô com saudade!!"

Tá indo mais rápido do que eu esperava ou queria, mas não quero fazer uma parada. Sem tempo de pensar, um mergulho.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Controlando uma vontade muito grande de perguntar "você nunca sofreu? por que você tá com esse coração tão aberto? você não tem medo do que pode acontecer?"

E, principalmente, "me ensina?"

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

De presente, se eu pudesse, pediria um dia com você, um dia e uma noite. Um dia em que nada tivesse acontecido, um dia inteiro em que a gente não tivesse machucado um ao outro. Um dia ouvindo você rir até perder o fôlego, só mais uma vez. Eu sinto falta da sua risada e de você me abraçando.

Um dia só em que nada tivesse acontecido. Ou um dia só em que eu pudesse ser burra e fingir que não entendi que não dá, que chega, uma última vez, só mais uma vez.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Comprei um livro usado pela primeira vez na vida. Sempre acho que vou abrir um livro usado e ali entre as páginas vai estar um vírus mortal causador da morte do último leitor ou uma barata morta, mas superei e comprei esse livro usado, que nem parece usado.


Talvez ele nunca tenha sido lido, só esquecido em alguma prateleira - por isso está amarelado, encontrado e vendido para que ninguém ficasse no prejuízo. Só a lateral das páginas está um pouco amarelada, não há nenhuma parte sublinhada ou anotação e acho que por isso eu não acredito que ele tenha sido lido. Porque eu rabisco todos os meus livros ou quase todos. Se ele não foi lido, ainda assim é um livro usado?

Então eu comprei esse livro usado porque não achava mais dele novo, estava esgotado.

Comecei a ler o meu livro usado e me vi cheia de pudores de rabiscá-lo. Pensei que ele tinha sido guardado até aqui, por que eu merecia escrever nele? Depois de mim, ele ficaria imprestável.

Até que eu não resisti.

"O amor é fodido. Hei de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.

É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.

Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."

(O amor é fodido, de Miguel Esteves Cardoso)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Eu tô fazendo esse post só sobre o passeio de barco do Galego na Praia da Pipa, RN, porque assim fica mais fácil pra quem pesquisar por ele e porque eu amei mesmo.


O passeio dura o dia todo. Ele sai da praia do centro, depois vai até a praia dos golfinhos pra gente nadar e ver os golfinhos. Não tinha golfinho na praia dos golfinhos, então fomos pra próxima praia, a do Madeiro, e eles estavam lá. Nesse ponto o barco para e a gente desce pra nadar.

Depois o passeio segue, para na Lagoa Guaraíbas, que é uma parte bem mansinha do mar. Ali tem muitos bancos de areia, então a gente desce pra tomar banho nas piscininhas que se formam. Mas eram piscininhas mesmo, rasas demais pra nadar.

Daí o barco faz mais uma parada num lugar onde tem um pequeno restaurante (o Galego avisa que não é pra comer, porque o almoço vai ser ótimo - e ele não mente, é ótimo mesmo) e uma subida para olhar a vista. Eu não subi, fiquei sentadinha, he.

Quando a gente volta pro barco, o almoço está pronto. Começa com ostras fresquinhas e depois mexilhões (e mais ostras chegando) com um molho delicioso. Depois chegam os espetinhos de camarão com uma salada muito gostosa (e as ostras não acabam nunca nem os mexilhões) e depois vem o peixe com abacaxi. Quando você já está de joelhos chorando porque tem apenas um estômago, chega a banana assada.





E tudo isso com caipirinha à vontade de limão, maracujá ou abacaxi.

O Galego e a tripulação são simpáticos e engraçados, o passeio vale cada centavo (quando eu fui, custava 150 reais)

Se você tá indo pra Pipa, aqui tem o telefone e e-mail.

cuidado se você enjoa no mar. o barco balança muito e muita gente enjoou, mas só no início do passeio, até chegar na lagoa.

Um post com mil fotos da minha viagem à Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte. Eu tentei remover algumas fotos, mas não consegui. =) Pipa é bom demais!

Foi uma viagem diferente porque eu fui com a Mari, minha amiga que eu conheci aqui pelo blog e nunca mais saiu da minha vida, e ela foi mais ativa do que eu no planejamento. Sugeriu o lugar, sugeriu a pousada e quando eu vi, tava na Pipa.
 Bobó de camarão no Bistrô da Pipa, na rua principal. R$45 reais para duas pessoas =)) e é delicioso!
 É lindo, ainda não terminei, estou amando.
 Gostei muito.
 O atum do bar de tapas.
 Wok de camarão com vegetais do Pipa Beach Club
 A caipirinha custa 7 reais, em alguns lugares 6. Eu repito: sete reais uma caipirinha. Eles são puristas lá no Nordeste: caipirinha só de limão. De outras frutas você tem que chamar de caipifruta. Daí toda vez que você pede "uma caipirinha de cajá, por favor", eles fazem questão de corrigir "caipirinha de limão. você quer uma caipifruta." Mas, olha só, eu não tô reclamando, porque o Nordeste é o melhor lugar do Brasil.
 Ostras fresquinhas no passeio de barco do Galego.
 Eu tomando um coco dentro de uma cesta na Ponta do Pirambu.
 Olha eles aí: os golfinhos. No minuto que eles apareceram eu nadei de volta pro barco que eu tava com o pressentimento que um golfinho ia me morder.
 Caipirinha à vontade no passeio de barco do Galego.
 Caipiri-opa-capifruta à beira da piscina na Ponta do Pirambu, um day use muito bonito.
Uma pena que acabou =)

Minhas coisas preferidas: 
Passeio Gastronômico do Galego. Na Pipa você vai achar muitos passeios de barco que te levam pra ver os golfinhos e duram 1:30, mas eu recomendo que você gaste um pouquinho mais (ok, ok, bem mais, hehe, mas vale a pena!) e vá no passeio do Galego. Ele dura o dia todo, você almoça a comida deliciosa do Galego e tem caipirinha à vontade. Eu disse à vontade, ok? O Galego e a tripulação dele são bacanas e simpáticos. (vou fazer um post só sobre esse passeio)

Tapas. É um bar de tapas com comida incrível. Nós comemos o atum, que é o prato principal da casa e estava maravilhoso.

Pipa Beach Club. É um bar pé na areia na praia do centro com caipirinhas deliciosas e comida gostosa. Nós fomos muito lá, porque era pertinho da nossa pousada e porque o wifi é ótimo. No final da tarde tem sempre alguém tocando.

Bistrô de Pipa. Nós comemos o bobó de camarão, que tava tão bom que a gente voltou outro dia e repetiu. Barato e delicioso.

Ponta do Pirambu. É um day use muito bonito. Pra descansar um pouco da praia =) Tem piscina, restaurante, massagem, um lugar só com redes. Reserva antes. A nossa pousada fez a reserva pra gente.

Minha praia preferida foi a dos golfinhos, depois a do Madeiro. Felizmente nenhum golfinho encostou em mim.

Pipa é linda, eu amei.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Eu tava saindo de uma livraria onde eu não comprei nada, porque livrarias me deixam nervosa e na verdade eu entrei pra procurar uma embalagem de presente para embrulhar um livro que eu comprei na Internet.

Eu tava saindo de uma livraria quando eu vi duas mulheres abraçadas. Elas não estavam abraçadas exatamente, uma colocou o braço no ombro da outra e perguntou o que ele tinha dito. Ela respondeu, a que estava sendo abraçada mas não de verdade, que tinha chegado e logo dito o que ela tinha para dizer. A que estava abraçando mas não de verdade disse que ela devia ter esperado ele falar. Ela devia ter perguntado o que ele tinha a dizer. Ainda sendo abraçada, a da direita disse que não, que não fazia mais diferença. Eu que chamei ele pra conversar, eu que tinha o que dizer. Eu disse e acabou.

Eu passei por elas, porque ando mais rápido do que a maioria das pessoas. Meu pai tem 1,86m, eu tenho 1,67m, é uma vida inteira tentando acompanhar os passos dele e eu não estou falando por metáforas. Eu consigo desde criança e por isso ando mais rápido do que a maioria das pessoas. Eu passei por elas, não pude evitar. Não olhei pra trás, mas fiquei pensando que ali, a alguns passos de mim, estava a coragem que eu sempre quis ter.

Eu disse e acabou.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Não tenho um post de retrospectiva porque o blog inteiro é uma retrospectiva - e essa é a parte mais legal de ter blog e o motivo por que eu ainda tenho um, mas tenho desejos para 2014.

Eu adoro anos novos e desejo que o nosso ano novo seja cheio de sorrisos, nossos e para nós.

"Para onde eu vou, vai-me o coração também, que ainda não arranjei modo de o largar pelo chão." (de O filho de mil homens, do Valter Hugo Mãe)

Então, vamos com cuidado, que a gente tá carregando um coração, mas sem medo.

Feliz ano novo!

domingo, 22 de dezembro de 2013

"amor é um cavalo com a perna
quebrada
tentando se levantar
enquanto 45 000 pessoas
observam"

Um dia um eu estava no trabalho, me arrumando pra um encontro na hora do almoço. Olhei pro espelho e pensei que ninguém desiste. De verdade, a gente continua tentando.

Preparando surpresas, mandando mensagens ao longo do dia. Segurando o choro porque nada é como a gente imaginou, como a gente queria. Ou tudo é, mas a gente não quer mais. Eu posso querer outra coisa?

"amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado"

E você senta e conversa sobre livros, sobre cinema, sobre cachorrinhos. Sobre futebol. Sobre comida. Sobre como você não consegue mais virar uma noite sem ficar dois dias arrasada. Sobre seu pai, sua mãe, sua família ou pelo menos o que você pode revelar sem que pareça uma maluca desajustada com um monte de problemas pra resolver.

"amor é o jeito que nós fervemos
como a lagosta"

Você se defende, se protege, discute com os amigos, faz uma lista de prós e contras. Por que não?, você se pergunta, quando no fundo quer saber por que sim, por que ainda.

"amor é o que se arrasta
pelo chão"

Enquanto você engole a seco, sente um nó na garganta, uma pontada no estômago, torcendo para que a próxima sensação seja de frio na barriga.

"those ears those
arms those
elbows those eyes
looking, the fondness and
the wanting I have been
held I have been 
held"


versos do poema "uma definição", última estrofe de "um poema de amor". os dois de charles bukowski, tradução de fernando koproski.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Falando com a Nath sobre como os relacionamentos ficam mais fáceis à medida que a gente envelhece. Não quero dizer "envelhece", mas é isso.

Minha aposta é que na juventude - não quero dizer juventude, mas é isso - a gente tem mais tempo livre, muito tempo livre. Muito tempo pra pensar. Muito tempo pra drama.

Embora, às vezes, eu ainda precise dizer a mim mesma, nãopossoobcecar, nãopossoobcecar, nãopossoobcecar. Às vezes.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Uma vez eu saí com um cara e ele disse que arte era conteúdo sobre forma e não o contrário e eu soube naquele momento que nunca poderia me apaixonar por ele.

É difícil pensar no momento exato em que você pensa "não é isso, não é assim" e decide não levar a história adiante.

Foi alguma coisa que eu disse? Foi a roupa que eu estava usando? Foram meus amigos, meu esmalte, porque eu fiz uma piada sobre o celular dele? Foi porque eu disse que não quero ter filhos, porque não acredito em deus, porque moro longe? Foi porque eu não aceitei que ele pagasse a conta?

Foi porque ele tinha planos diferentes, porque estava numa fase diferente da vida. Foi porque ele pareceu confuso, porque os amigos pareceram idiotas. Porque ele não conseguia entender que o que define arte é a forma. Foi porque eu vi uma foto dele com um abadá, porque o pai dele tinha um barco e eu achei que ele era rico demais pra mim. Foi porque ele era jovem demais, porque ele não tinha um emprego e eu não conseguia superar que os pais estavam pagando aquela metade da conta.

Foi porque ele não morava nem aqui nem ali, mas por aí e não sabia dizer pra onde ia nem quando voltava. Porque ele me disse que não se entendia, quando, depois de tanto tempo e tanto esforço, eu entendo uma grande parte de mim.

E foi porque eu sei que tudo o que vai pode voltar e tudo o que acaba pode recomeçar num outro momento, quando fizer sentido, se fizer.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

outro dia tive o seguinte diálogo com o meu pai:

-tenho duas notícias. você quer a má ou a boa primeiro?
-ai, pai, nem sei. acho que quero a má.
-não tem má notícia!
-então conta as duas boas.
-meu eletrocardiograma está ótimo.
-ah, que bom. e a outra?
-e o meu cardiologista disse "é isso aí, bola pra frente. vamos comer muito torresminho, costelinha e picanha."

quer dizer, a má notícia é boa e uma das boas notícias ele inventou.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Eu tenho um problema nas digitais, que são muito fraquinhas. Daí, toda vez que quero entrar na academia, que libera a entrada por um leitor de digitais, são várias tentativas até que o computador me libere. Vai se formando uma fila, eu tenho que deixar as pessoas passarem e tal.

Enquanto isso, as recepcionistas ficam lá conversando. Quando eu tô quase chorando ou pedindo pra alguém "deixa eu passar juntinho com você?", elas resolvem me ajudar. Com isso, percebi duas coisas:

1. tô pagando a mensalidade de bobeira, porque elas só chegam e liberam a entrada com a digital delas, sem nem saber se eu estou matriculada de verdade. Calculo que poderia comprar mais 1 1/2 par de sapatos todo mês com esse valor.

2. eu achei que era incompetência elas não perguntarem meu nome ou o número da minha matrícula e me deixarem entrar direto, até que prestei atenção na foto que aparece quando a entrada é liberada: elas têm fotos lindas. Hoje eu vi uma foto que era tipo capa da revista Nova, cabelos ao vento.


Se minha foto fosse assim, eu, que tenho uma foto na ficha da academia tirada após o término de um relacionamento longo, quando eu tava arrasada, abaixo do peso e despenteada, se eu tivesse uma foto daquelas, passava a tarde na porta da academia me oferecendo pra liberar a roleta com a minha digital, só pra minha cara linda aparecer pra todo mundo ver.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Todo ano há anos uso o mesmo cartão de crédito para comprar minha passagem da viagem de férias. Este ano, a operadora do cartão resolveu achar isso estranho e eu tive que ligar pra me explicar.

Fiquei tentando imaginar o que eles estavam achando estranho. Sim, credicard, eu vou ficar aqui no Brasil. Você já viu quanto tá o euro? Sim, eu amo praia, não sei de onde vocês tiraram a ideia de que eu não gosto. Tenho fotos bronzeada, posso mostrar pra vocês.

Daí liguei e tive que confirmar minhas últimas compras. Eu não uso muito o cartão de crédito, então minhas últimas compras eram:
-a passagem das férias
-um app na google play pra fazer colagens
-um pacote de fundos para usar no app

E eu me vi tendo que dizer "sim, paguei dois reais por fundos para fazer colagens nesse app de celular. eu paguei por isso sim."

Me deixa, gente, que eu que sei da minha vida e vou comprar quantos coraçõezinhos e estrelinhas eu quiser pra fazer colagens. Me deixa.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

-Eu quero remover essa tatuagem aqui com laser.
-Ah, por quê? Eu gosto dessas tatuagens.
-Não, só essa aqui, olha. É uma tatuagem de delator. Olha, uma flecha no dedo. Se eu for preso, vai parecer que eu sou um dedo-duro.
-Mas, espera. Isso existe? Delatores têm tatuagem de flecha no dedo indicador?
-Não sei. Mas, olha, parece que eu estou apontando.
[aponta de verdade]
-Se eu for preso e virem essa tatuagem, eu vou me dar muito mal na prisão.

E isso, meus queridos, é o que você ganha ao se apaixonar por um aquariano.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ontem vim no ônibus sentada ao lado de uma pessoa que, com fone de ouvido, cantarolava uma música que tinha o verso "me perdoa, me perdoa, me perdoa" repetido à exaustão (minha, não dela). Eu não sei a quem ela pedia perdão, mas, se era pra mim, eu não dei, não.

Depois, achou uma boa ideia tirar o fone e escutar o jogo do flamengo com narração do garotinho José Carlos Araújo. Afinal, por que não?

Só não vou dar a ela o título de minha arqui-inimiga #2 porque peguei o ônibus num horário diferente do meu horário normal e acho que nossos destinos nunca mais vão se cruzar, amém.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

date #1

Quando ele voltou pra sala eu já tinha aberto as duas cervejas, a minha e a dele. Ele disse "obrigado, eu ia abrir pra você."

Depois que trouxe a segunda cerveja, ele abriu as garrafinhas com o antebraço e disse "não tô tentando ser machão. é mais fácil assim."

Eu não tinha dito nada.

Muitos minutos depois eu vi uma marca vermelha no antebraço, ele viu que eu vi e disse "parece uma marca de mordida, mas é da cerveja. lembra?"

Parecia mesmo uma marca de mordida. Eu já tinha esquecido a cerveja. Eu disse "parece mesmo uma mordida. mas eu não ia dizer nada, ia ser discreta. eu não sou ciumenta."

Ele chegou bem perto de mim. E.


eu menti, é claro. quando disse que não sou ciumenta. mas ele ainda não sabe.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Quando ele tava planejando nosso dia na praia e disse que queria que o dia tivesse 25h pra me conhecer mais, minhas mãos ficaram cheias de suor na mesma hora.

De tão quente que ficou o meu coração.
...
Eu fiquei tão atrapalhada, talvez até apavorada, que não soube direito o que dizer. Eu queria dizer pra ele voltar logo, que eu tava com muita saudade dele, da barba, de cada uma das tatuagens e dos olhos que ficam pequenininhos quando ele sorri.

Eu queria dizer voltalogovoltalogovoltalogo e acabei não dizendo nada que fizesse muito sentido ou diferença.

Mas ele voltou. Logo. Seis dias mais cedo.

E mesmo assim demorou tanto.

you're gonna make me lonesome when you go 1

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

-Estou com todos os ingredientes prontos pra fazer caldo verde.
-E o que falta pra fazer, pai?
-Você não disse se quer.
-Então basta eu dizer que quero e você faz caldo verde?
-Não.
-Então o que é preciso pra você fazer caldo verde?
-Eu ter vontade.

Dentro da cabeça do meu pai, só imagina como deve ser lá dentro.

domingo, 6 de outubro de 2013

À descoberta se seguiu o meu choque, completamente desnecessário, já que eu sabia e você sabia que eu já sabia de tudo. Eu soube de tudo tantas vezes e de tantas maneiras diferentes que o choque foi apenas parte do meu espetáculo, o filme de que todas as pessoas da minha geração acham que participam. Com o choque veio sua exclusão de todas as minhas redes de amigos na Internet e, sentindo que isso não fosse suficiente, o bloqueio do seu perfil para que você não pudesse me ver e eu não pudesse te ver. Nós deixamos de existir um para o outro há algumas horas ou alguns minutos, não lembro bem, e talvez você nem saiba. Isso eu não preciso avisar, não preciso ligar e dizer que não existimos mais um para o outro, se é que já existimos em algum momento desses três anos que você esteve na minha vida sem estar e eu na sua, menos ainda. Você vai perceber que já não existimos um para o outro, se é que já não percebeu. Talvez este seja o momento do café no seu trabalho, você se levante para tomar um café e quando volte abra o Facebook. Talvez você fique curioso e queira ver se eu publiquei uma indireta em forma de vídeo de música para você. Me ame, por favor, pelo menos um pouco. Percorrendo toda a sua tela, você não verá meu nome. Não verá um poema que eu tenha publicado para te convencer de que sou inteligente e sensível, ou uma música, para te convencer de que temos o mesmo gosto musical e por isso devemos ficar juntos, mais juntos do que jamais estivemos. Não verá uma foto de um grafite num muro, um grafite de coração ou um grafite irônico dizendo que não ligo para o amor, para que você se convença de que sou uma mulher moderna e independente e nunca te darei uma dor de cabeça ou um aborrecimento com crises de carência ou ciúme e por isso você deve escolher a mim. Você não me verá nessa tela, então talvez você decida entrar no meu perfil e é neste momento que você perceberá que eu não existo mais. Talvez você ainda não saiba que eu não existo mais só para você ou talvez você se dê conta disso na mesma hora que vê que eu não existo mais. Talvez você só perceba daqui a uns dias, quem sabe semanas. Eu nunca saberei, porque nunca mais falarei com você, estou muito decidida. Nós não existimos mais um para o outro e por isso eu nunca saberei como você descobriu que eu não existia mais, porque eu nunca mais falarei com você, nunca mais.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Outro dia eu tava voltando do pilates, parei na padaria pra tirar dinheiro no caixa 24h pra pagar o almoço que eu tinha pedido pelo telefone no caminho pra casa e na saída tentei passar por uma parede de vidro.

(eu não quebrei o vidro nem nada)


Eu não vi que era uma parede de vidro, é claro, ou eu não teria tentado passar por ela. Enquanto eu batia com a cabeça na parede de vidro, alguém gritou "aí tem um vidro!", mas já era tarde demais.

Desde esse dia, toda vez que eu entro na padaria e as pessoas ficam se olhando, apreensivas. Hoje eu tava saindo, tinha uma pessoa no meu caminho, fiz uma manobrinha pra desviar e acabei indo em direção à parede de vidro, mas era só uma manobrinha mesmo, eu juro, e alguém gritou "cuidado que aí fica o vidro!"

Cara, as pessoas não podem confiar em mim, que eu não vou mais bater com a cara no vidro? Eu prometo? Será que é possível? Apenas um voto de confiança.

domingo, 29 de setembro de 2013

Cheguei enquanto ele tava trabalhando, aí ele disse "você tem um mp3 player aí? põe ali na caixinha pra gente ouvir enquanto eu termino. o que você tem de rock?"

Respondi que ah, várias coisas. Você tem alguma preferência?
-Não, deixa aí pra eu ver o que você ouve.

Tava no modo aleatório. Podia ter tocado Sepultura. Podia ter tocado todos os discos dos anos 1970 dos Stones. Podia ter tocado o Revolver. Podia ter tocado Pavement, Sonic Youth. Podia ter tocado LCD Soundsystem. Podia ter tocado White Stripes.

A segunda música que tocou foi Madonna.

Holiday.
...
Pelo menos eu tinha levado cerveja. :/

terça-feira, 24 de setembro de 2013

De manhã discordei veementemente da minha analista que sugeriu que eu talvez não queira amar, ser amada etc.

De tarde recebi uma mensagem tão fofa* que (quase) chorei e encerrei a conversa porque não sabia como agir.

De noite eu escrevi "coração" quando queria escrever "coragem". E ouvi uma música da Miley Cyrus.


*eu sei que não devia usar a palavra fofa pra falar de um homem ou de qualquer coisa que não seja a hello kitty. mas é meio que mais forte do que eu.

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu pensei em te ligar e dizer alguma coisa, mas nós nunca fomos assim. Eu nem sei o que eu diria depois de alô e você com certeza não saberia o que responder quando eu te perguntasse se era verdade. É claro que era verdade, se eu vi as fotos. A sua mesa de cabeceira, o copo d’água sempre lá. O livro que eu te dei estava lá? Eu não consegui ver pela foto. Ele estava lá? Os livros que eu te dei, você leu? As dedicatórias que eu escrevi, você entendeu? Eles estavam na sua mesa de cabeceira enquanto ela estava lá, tirando fotos dela? Meus livros estavam lá? Seus livros. Você leu os livros que eu te dei? Sua vitrola, ela também tirou uma foto da sua vitrola. Esperta ela, boba eu, que nunca tirei uma foto de nada. Tão legal aquele Mickey na sua mesa e eu nunca tirei uma foto. Sua lâmpada think e eu nunca tirei uma foto. Sua estante, eu nunca tirei uma foto. E sua vitrola. Ela tirou uma foto da sua vitrola. O disco que tocava não era o que eu te dei no seu aniversário do ano retrasado, mas eu me pergunto mesmo assim, será que você tocou esse disco para ela? Um disco nota 10 na Pitchfork. Um disco que veio da Alemanha. Eu sinto vontade de jogar uma coisa pesada em você, só de pensar que ela pode ter escutado o disco que eu te dei, um disco nota 10 na Pitchfork, um disco que veio da Alemanha. Mas eu não quero levantar de onde estou sentada para pegar uma coisa pesada e você nem está aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Aquele momento em que você deixa o cara em casa, se despede, entra no táxi de novo e abre a boca pra dizer:
-Gaaah, eu estou apaixonada!

Daí você olha pro lado e vê que a janela está aberta. O vidro abaixado. E ele ali, na calçada. E você com a boca aberta, pronta pra dizer em voz alta.

Aquele momento em que você fala bem baixinho pro Junior, que estava dirigindo:
-Cara, vamos sair rápido daqui pra eu poder dizer uma coisa.

Aquele momento em que você diz.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O gatinho manda o link de uma banda de death metal e pergunta "curtiu o som?"

Ahan, claro. Muito legal. Não é bem o que eu ouço, mas eu curti [emoticon de piscadinha]

Eu tenho trinta anos.

Melhor death metal do que mandar uma música do Belle and Sebastian, me lembra a Cíntia. Imagina se ele fosse fofo. Não, eu não quero nem imaginar.

Eu digo que ele falou pra gente sair com os amigos dele e que eu tenho a impressão que os amigos são meio malucos. Cíntia diz "you should be fine, then."

Mas assim o blog muda de nome para Cíntia disse, eu sei.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Uma vez um namorado resolveu terminar comigo no meio da madrugada. Os dois prontos pra dormir. Eu tava pronta pra dormir, com certeza. Pronta pra levar um pé na bunda eu garanto que não estava.

Daí ele terminou comigo no meio da madrugada. E chorouchorouchorou. E eu choreichoreichorei.

Eu quis ser legal. Abracei, falei "que isso, garotão. a gente pode ser amigo. imagina, a gente já viveu tanta coisa. vai ficar tudo bem, eu não tô zangada."

Depois de duas horas que passei consolando a pessoa que chorava de soluçar, eu também chorando, ele disse "deixa pra lá, eu estava errado. te amo, não quero terminar. vamos dormir."

Terminamos dois anos depois, por e-mail.


Faz tanto tempo, já contei essa história tantas vezes que já não sei mais qual é a história.

Às vezes a gente só entende o presente quando ele já é passado. Às vezes a gente nunca entende, porque a história muda sem que a gente perceba.

domingo, 25 de agosto de 2013

No dia seguinte:
-Você tava sensualizando com o fulano?
-Tava, claro.
-E com o beltrano?
-Não, tava só sendo simpática.

Trinta anos e ainda tenho que explicar onde está a mira.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Entrei no restaurante já quase passando da hora do almoço. Daí sentei e veio o garçom. Eu vi a mão dele meio levantada, segurei, apertei e disse "oi, tudo bem?"

Foi aí que eu senti o paninho que ele tinha na mão.

Ele não queria nada além de limpar a mesa.

domingo, 18 de agosto de 2013

Pessoas obsessivas nunca deveriam se apaixonar.

Se o mundo fosse justo, nós seríamos incapazes de.




esse vídeo é mais um oferecimento do tumblr da hunnybunny.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Eu trabalho longe de casa. Para ir ao trabalho, pego dois ônibus porque, por mais que pareça inacreditável, é a opção mais confortável pra mim. Um dos ônibus que eu pego é do tipo executivo, então eu vou dormindo e volto lendo na minha poltroninha reclinada.

Quando você entra num ônibus de manhã cedo o que você faz? Silêncio, é claro. Se não faz, é o que você deveria fazer.

Daí que eu pego o ônibus sempre no mesmo horário com as mesmas pessoas. Tenho uma lista mental de passageiros que merecem estar no ônibus e passageiros que mereciam ir correndo atrás dele, porque não sabem se comportar.

Por exemplo, todos sabem que o braço entre os bancos é apenas um braço divisor, ele não deve ser usado para apoiar nenhuma parte do seu corpo. Quem não sabe merece ir correndo atrás do ônibus.

Há umas semanas surgiu uma passageira que rapidamente se transformou na minha arqui-inimiga. Na primeira vez que nós nos vimos, nós duas estávamos na fila, ela comendo um cachorro-quente na minha frente e conversando com a pessoa atrás de mim.
-Eu estou fazendo uma dieta que a minha nutricionista passou e ela funciona assim: eu como tudo o que eu quiser até ficar satisfeita e jogo fora o que sobrar.

Nossa, arqui-inimiga, a sua nutricionista deve ser tão esperta quanto você.

Na segunda vez que nós nos vimos, ela sentou em cima de uma outra passageira. Quando a pessoa reclamou, minha arqui-inimiga disse num tom debochado "ai, desculpa!" e passou o resto da viagem falando sozinha, "nossa, brigar por causa de lugar, era só o que faltava." Ela havia sentado em cima da pessoa.

Foi aí que ela virou minha arqui-inimiga. Bem aí. Um pouco depois que a mãe dela desligou o telefone na cara dela enquanto ela contava essa história do jeito dela. Sim, arqui-inimiga, eu sei que a sua mãe desligou na sua cara, porque você estava falando muito alto e eu ouvi toda a conversa.

Hoje eu peguei ônibus com ela sentada bem atrás de mim. A primeira coisa que ela faz quando o ônibus sai é ligar para alguém. Eu não sei que tipo de pessoa tem o que dizer durante uma hora às 8h, só sei que é um tipo que eu quero bem longe de mim.

Ela estava já na segunda ligação falando as mesmas loucuras que já tinha falado na primeira ligação do dia:
-Aí eu cheguei pra minha chefe e perguntei se tinha alguma coisa pra fazer. Ela disse "isso é uma afirmação ou uma pergunta?" e quando ela disse afirmação, ela queria dizer intimação. Ela tá muito noia, perdeu o controle.

E foi quando aconteceu um momento lindo de união e as pessoas começaram a fazer SSSHHHIIIIUUU. SSHHIIUU. SHHHIIUUU.

Minha arqui-inimiga (agora de todos nós) desligou o celular e conseguimos dormir na segunda metade do caminho.

Só de lembrar eu fico emocionada.

domingo, 11 de agosto de 2013

Aqueles eventos que reúnem um monte de gente que estudou com você e você sai de casa preparada pra passar algumas horas respondendo "e o namorado?" e ver as pessoas agindo como se você não tivesse um emprego e uma vida. Todas as roupas que você experimentou te fizeram parecer infeliz e fracassada. Você não podia ter tentado um vestido? Todo mundo de vestido não parece mais feliz? [não, nem sempre, mas ok] E mesmo assim você escolheu ir de parka.

Um suspiro e vamos.

Mas lá (quase) todo mundo tem assunto. Então a gente fala sobre os nossos empregos. Tem um bebê também e a gente brinca com ele sem que uma diga pra outra "tá treinando?" A gente fala sobre nossos planos de casa nova, sobre comprar uma casa sozinha ou alugar. Sobre financiamento. A gente fala sobre o carro que uma de nós negociou, comprou e pagou sozinha. Menos cinco mil do preço final e tapetes de brinde. A gente pede o currículo uma da outra, porque abriu uma vaga no meu departamento. Cada vez mais parecidas com as nossas mães, de uma maneira estranha. A gente fala sobre nossos fios brancos, o que você tá fazendo pra esconder? E todo mundo tá arrancando por enquanto mesmo, apesar do medo de ficar careca ou de arrancar um e nascerem dois. A gente fala sobre como nosso metabolismo está mudando e a gente pode sentir isso e de como nenhuma de nós pode viver sem uma atividade física. A gente compartilha ali mesmo pelo celular nossa planilha de planejamento financeiro. Pra onde vocês vão nas próximas férias?

Às vezes um abraço não precisa ser um abraço de verdade. Um abraço no meio de um mundo cheio de "mas você sabe que óvulo envelhece, né?" As tias desesperadas. As casadas consoladoras. As grávidas incentivadoras. "Você vai achar alguém." A mãe que não fala disso porque acha que você é do contra e a melhor maneira de fazer com que você tenha filhos é fingindo que a sua decisão de não ter é a sua decisão de não ter e ela acha ok você decidir nunca ter filhos, então ela não fala disso, porque se ela mostrar que acha que você deve ter filhos aí é que você nunca vai querer mesmo e ela nunca terá netos. A mãe, eu poderia ter parado aí. Um mundo de gente esperando, te consolando, torcendo. Ninguém pergunta o que você quer.

E de repente ali, um abraço.

Eu tenho essa mania de escrever mil posts de uma vez e ir publicando aos poucos. Muitos posts só são publicados quando não é nem mais o que eu sinto porque assim eles não vão doer com nenhum comentário. =)

O problema é que o blog sempre acaba chegando numa fase em que ainda estou falando sobre uma coisa que já passou, ao mesmo tempo em que escrevo posts sobre as coisas que estão acontecendo, mas não sei quando serão publicados.

=)

Enfim, nem sempre fica claro, mas o blog às vezes chega a ter um atraso de meses.

um beijo,

:*

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Eu já sabia.

Eu soube quando você bloqueou sua página para comentários.
Eu soube pela sua escolha de restaurantes. E pelo lugar onde você sentava neles.
Eu soube quando você disse que tinha que trabalhar.
Eu soube quando você disse que tinha um almoço em família.
Eu soube quando você disse que ia andar de bicicleta com seus amigos. Haha.
Eu soube quando ouvi a sua voz no meu aniversário. Foi a primeira vez que você acertou o dia. Constrangimento tem voz? Culpa tem voz? Pena tem voz?
Eu soube quando vi as fotos. Eu vi as fotos. Você me deixou ver as fotos.

Eu soube tantas vezes e de tantas formas que acho inacreditável que você tenha pensado que precisava me contar.

domingo, 4 de agosto de 2013

Primeiro a caixa da padaria me devolveu uma moeda que eu entreguei pra pagar o pão. Eu estava comprando dois tipos de pão, entreguei o dinheiro trocadinho, muito orgulhosa de mim mesma por ter dinheiro trocado. Aí a caixa da padaria devolveu a minha moeda.


Eu não entendi nada, entreguei a moeda de volta. Ela me devolveu. Entreguei de volta. Me devolveu, entreguei de volta. Eu quase chorando. Não é possível, 50 centavos, o que eu estou fazendo de errado? Até que ela fez uma cara muito feia e disse "essa moeda não é do Brasil." Daí eu olhei pra moeda e vi que tava tentando usar 50 centavos de euro pra pagar meus dois tipos de pão. Como a moeda foi parar na minha carteira, nem ideia.

Da padaria eu fui ao supermercado e na seção de temperos vi uma coisa que dizia "canja em pó", pensei que não fazia muito sentido. Canja em pó nem existe, não pode ser isso. E então reli e estava escrito "GANJA em pó", fiquei olhando pros lados, tipo, pode isso? Se eu comprar, a polícia vai me prender? Será um disfarce? Mas aí eu li de novo e vi que era "canela em pó". Canela em pó.

Hoje eu vou dormir torcendo pra acordar mais esperta amanhã.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A pessoa furou a fila. Não me incomodei e nem ia falar nada. Sexta-feira à noite. Às vezes as pessoas precisam de pequenas vitórias. Ser a primeira a entrar no ônibus. Deixar a pessoa que fura fila se achar muito malandra. Cada uma de nós com sua pequena vitória numa semana que termina. Eu ia ficar na minha.

Até que ela me chamou de "senhora". Eu estava lendo um livro, caiu um papel de dentro dele no chão. Ela tocou em mim e disse "senhora, caiu uma coisa sua."

Eu não agradeci, mas dei um sorriso.

-Olha, o final da fila não é aqui. Você não pode ficar aqui, não.

"Aproveita e vai lá ver se no fim da fila tem alguma senhora, porque aqui na frente só tem jovem." Mentira, isso eu não disse. Eu só voltei pro meu livro.

Ficamos as duas com nossas batalhas perdidas, então, e não falamos mais disso.

sábado, 27 de julho de 2013

Dez minutos para acabar o dia que eu passei inteiro pensando em você.

E eu espero o relógio como se no próximo dia eu fosse parar de pensar. Como se no dia seguinte nada que eu comer fosse me lembrar você, nada que eu beber, nada que eu falar, nada que eu ouvir. Se o frio me lembra você, a tortinha de cogumelos me lembra você, o shiraz me lembra você, meu casaco novo me lembra você, minhas camisetas de banda me lembram você. Se os poemas que eu leio me lembram você. Se todas as músicas que eu ouço me lembram você, os filmes que eu vejo me lembram você, todos os cigarros me lembram você. Se meus óculos me lembram você, minhas roupas me lembram você, meu cabelo me lembra você, meu perfume, seu perfume. Se tudo me lembra você, basta que mude o dia para nada mais me lembrar você.

Um minuto para acabar o dia que eu passei inteiro pensando em você.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Chegou o creme antirrugas que eu comprei e -

eu comprei porque eu já tenho algumas rugas. Eu não sei bem quando elas surgiram e elas não me incomodam tanto assim, mas tava numa super promoção e eu comprei. Bom, eu fiz 30 anos. Não vou ficar repetindo isso porque parece que eu não tenho assunto e talvez as rugas nem estejam aqui pelos 30 anos que eu acabei de fazer. Bom, já tem quase seis meses que eu fiz 30 anos, mas você entendeu. E vai saber se as rugas não chegaram aqui por todos os segundos e minutos que viraram horas que eu passei em frente ao microondas esperando o brigadeiro ficar pronto. Sim, eu faço brigadeiro no microondas, mas eu não estou falando de brigadeiro.

- o caso é que eu comprei o creme antirrugas com um ótimo desconto, talvez de 70%, não lembro bem e quando ele chegou em casa estava embrulhado num papel verde com letras brancas que formavam a palavra FELICIDADES mil vezes, um milhão de vezes.

Um creme antirrugas FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES FELICIDADES.

Eu não sei se foi brincadeira ou se estavam mesmo me desejando felicidade com o meu novo creme antirrugas - pelo menos não desejaram boa sorte, mas eu não posso me preocupar com isso agora porque estou tentando não franzir a testa.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu não gosto de coca-cola. Gosto menos da ideia de coca-cola do que da coca-cola. A coca-cola eu  até bebo, às vezes. Mas eu nuncanuncanunca na vida teria uma peça de roupa da coca-cola. Ou qualquer objeto que me lembrasse coca-cola. Eu não gosto da ideia da coca-cola. É mais ou menos isso.

Mas eu bebo coca-cola às vezes e é sempre muito bom. Não bebo todo dia, então quando eu bebo é sempre muito bom. É uma surpresa na boca, mil coisas acontecendo ao mesmo tempo. Tem o sabor, o gelado, o gás e a garrafinha que é tão bonitinha.

Eu acho que se bebesse coca-cola todo dia ia enjoar, não ia achar a menor graça. A coca-cola ia ser doce demais, eu mal sentiria o gás. Acho que pra mim seria uma coisa bem tanto faz.

Às vezes eu fico me perguntando se foi isso, se eu fui a sua coca-cola. Ou se você foi a minha.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eu tava indo pro trabalho, sentada no ônibus de frente pra uma vidraça, lendo meu livro. Levantei os olhos e me vi com 30 anos.

Eu tinha um encontro marcado pra depois do trabalho e estava usando roupas novas, compradas no dia anterior, que não eram roupas minimamente atraentes para um encontro, eram só roupas de ir trabalhar. Fora que quando eu acordei, não tinha luz, então eu saí de casa torcendo pra que a calça tivesse vindo mais ou menos passada da loja e o casaco novo disfarçasse o amassado da minha blusa com estampa de flamingos.

Era assim que eu estava quando olhei o meu reflexo e me vi com 30 anos.

Eu sei que eu tenho 30 anos. Mas eu me olhei e me vi com 30 anos.

domingo, 7 de julho de 2013

de castigo

Minha analista perguntou o que eu fiz com a tela que ele me deu. Eu respondi que ela estava de castigo.
-O que você fez com a tela?

Queimei. Joguei no lixo. Mandei de volta. Desenhei um pênis com as bolinhas e tudo.

-Eu tirei ela de cima da cômoda onde ela ficava.
-E onde está a tela agora?

Na rua. Enterrei. Joguei num rio. Martelei. Anunciei no Mercado Livre.

-No meu armário, virada pra parede. A tela está de castigo.

Usei de banheirinho da Hannah. Dancei frevo em cima. Pisoteei. Vendi por 260 reais.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Publiquei finalmente a mixtape para os meus alunos adolescentes apaixonados.




She turns and says "are you alright?"
I said "I must be fine cause my heart's still beating"

...
Foi incrível ver, enquanto eu tava escolhendo as músicas, o tanto de música de dor de cotovelo que eu amo e quanto gosto pouco de músicas felizinhas.

É aquela velha dúvida: a gente ouve muita música triste porque sofre ou sofre porque ouve muita música triste? A música pop é responsável por todos esses corações partidos?

(a velha dúvida não é minha, é de Alta Fidelidade, o livro, o filme: "What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?")

uma pequena defesa do "não é você, sou eu"

Não é você, sou eu.

Eu acho gentil. Não quero ouvir que sou chata, que uso roupas estranhas. Não quero ouvir que é porque eu engordei ou porque agora quando eu sorrio umas linhas aparecem. Não quero saber se é porque eu sou teimosa ou se é porque eu nunca uso esmalte clarinho. Não quero ouvir que é porque eu não soube me comprometer. Ou porque me comprometi demais. Não quero saber se você me acha meio burra. Ou se é porque eu sou inteligente demais pra você.

Acho gentil. Sou eu, não é você. Eu não quero mais. Eu quero outra coisa.

Eu já vou sofrer, já vou chorar. Não preciso ouvir que o problema fui eu só por ser eu. Se eu não fiz nada errado, se eu não fiz nada que tenha te magoado, se o problema é que você não gosta mais de mim, se o problema é que eu fui eu, então o problema não sou eu, é você que quer outra coisa. Obrigada por dizer isso.

A terapia me ensinou que muito pouco do que acontece dentro de nós tem a ver com o outro, a maior parte tem a ver com como a gente vê e sente as coisas e pessoas.

Tantas vezes eu disse que não é você, sou eu. E tantas vezes eu fui sincera. Eu não quis mais, eu quis outra coisa. Porque você quis me apresentar seus amigos, sim. Porque você não entendia arte da maneira como eu entendo, sim. Porque você era chato quando falava do seu trabalho chato, sim. Porque você queria conhecer minha família, sim. Nada disso está errado em você. Tudo isso sou eu, não é você.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Uma coisa que me acontece muito, sempre que eu falo do livro que eu estou lendo, é alguém me dizer que quer ler, mas não sabe que livro escolher. E aí me pede uma dica de livro.

Eu entendo muito essa ansiedade pra escolher livros, porque, olha, se eu for contar o que eu faço pra escolher um livro novo tem gente que vai achar uma grande maluquice - e que eu tenho muito tempo livre. Basta dizer que envolve infinitas abas abertas no meu chrome e que eu (quase) não compro livros em livraria de tijolo (só online), porque não consigo ver todas as opções.

Uma coisa que eu faço e que me ajuda a domar a ansiedade é só comprar um livro por vez. Escolho o que quero ler, compro, escolho outro enquanto estou lendo um, compro. Quando acabar, o outro já está me esperando (eu fico nervosa se acabar um livro e não tiver outro pra ler. quando acho que vou terminar um no ônibus voltando pra casa, já levo outro na bolsa), mas só um. Ir escolhendo de um em um me deixa mais tranquila. Existem muitos livros no mundo, isso me deixa ansiosa. Que na minha casa existam poucos não lidos me acalma.

Eu mantenho uma lista de livros que me interessam. Encontro em posts de amigos no Facebook ou no Twitter e no Goodreads. Assim fica mais fácil, quando preciso escolher um livro, começo pela minha lista, não do zero. E, se não tenho livros não lidos em casa, posso comprar um que não estava na lista sem sentir que estou atrasada na leitura, deixando de ler o que eu já comprei.

Mesmo assim, estou num momento um pouco descontrolado. Porque ganhei de presente ou me empolguei e comprei, acabei com vários livros não lidos em casa.

Garota exemplar, Gillian Flynn (a Mari me deu)
What we talk about when we talk about love, Raymond Carver (o Bruno me emprestou)
Os amores difíceis, Ítalo Calvino
Lavoura arcaica, Radun Nassar (pra ler com amigos)
Ensaios de amor, Alain de Botton (a Nath me deu)
O amor acaba: crônicas líricas e existenciais, Paulo Mendes Campos
Ithaca Road, Paulo Scott
Livre, Cheryl Strayed (a Flávia me deu)
o remorso de baltazar serapião, valter hugo mãe (o Júnior me deu)
O filho da mãe, Bernardo Carvalho (o Guilherme me deu)

E aí fico ansiosa, não sei direito por onde começar. Ando dizendo pra mim mesma o que eu sempre digo pra quem me diz que não sabe que livro escolher pra ler: é só um livro.

Escolhe um, escolhe qualquer um. Escolher o livro errado é melhor do que não escolher livro nenhum.

É só um livro.

quero só dizer que gosto de ganhar livros e a confusão causada na minha fila pra ler nunca é mais importante do que ganhar livros dos meus amigos.