quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Além de doce de leite, não tem nada melhor pra coração partido do que exercício físico.

Pela endorfina liberada, é claro. A gente fica naturalmente mais feliz. É uma sensação maravilhosa.

Mas também pela barriguinha que fica ótima quando a gente faz abdominais ou corre feito maluca pra tirar a raiva do coração.

O amor engorda. O pé-na-bunda tonifica.

Comprei até tênis novo.
...
Daí eu troquei o pilates pela academia e hoje eu voltei às aulas. Escolhi começar com uma aula só de abdominais. Eu amo abdominais. De verdade, sem nenhum deboche.

Bom, fui pra aula. Num determinado momento, o professor segurou meus joelhos e ficou dizendo "vem, vem até o seu limite."

Pausa aqui, deixa eu perguntar uma coisa: você já viu como pessoas que trabalham em academia são sensuais? Elas são muito sensuais, estão sempre nos seduzindo. Da hora que eu entro até a hora que eu saio, fico de bochechas vermelhas, porque não sei o que fazer com tanta sedução.

Bom, aí o professor tava lá, segurando meus joelhos e dizendo "vem, vem até o seu limite" e eu... dei uma gargalhada de sair lagriminha. Porque tenho uma mente de moleque de 13 anos.
...
Uma aluna pediu pro professor colocar naldo, ele foi e colocou White Stripes.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

1. Como eu te disse no meu aniversário, você não precisava mesmo responder meu e-mail. De ano novo. De amor. Em fevereiro. Pra dizer que tem outra. Sério, não precisava.

2.*

3. Foda-se. Fodam-se. Você, sua namorada, seus amigos, sua família, suas samambaias e todos os seus sapatos. Apenas fodam-se todos vocês.

4. Uma vez eu te contei que minha vó estava em coma. Uma semana depois, quando a gente se encontrou, você não perguntou se ela estava melhor. Minha vó tinha morrido.

5. [um cocô da Hannah dentro de uma caixa de presente]

6. Pra quem não queria ser óbvio, você não foi nada além disso.

8. Freud explica sua atração por mulheres que falam inglês tão mal. Freud explica.

9. Eu espero que você tenha sarna e se coce sem parar.

10. Sim! Estou ansiosa para não sair da sua vida e ver bem de perto toda a sua felicidade, até que ela se desgaste, você se canse ou leve um pé na bunda e daí eu estarei aqui com essa ligação desmensurada que você só conheceu uma vez na vida, comigo, em stand-by. Por que não? Essa é mesmo uma ótima ideia.

11. "It wasn't supposed to get serious between us. I can't see us getting married or nothing and you nodded your head and said you understood. Then we fucked so that we could pretend that nothing hurtful had just happened." **

12. "people so tired
mutilated
either by love or no love"
***

13. "Quem sou eu para perturbar o universo?" ****

14. Eu espero que você caia dentro de um vulcão e/ou que uma água-viva te queime.

Nenhuma dessas respostas virou realidade. Nenhuma delas saiu da minha cabeça. Algumas eu imaginei sofrendo, outras rindo. Eu já não tinha mais nada pra dizer porque faltou te dizer tanta coisa desde o início. Eu acho triste, pra mim foi tão importante e você tão grande na minha vida. Eu acho triste se o seu coração tava tão fechado e se eu desviei tanto de cada muro que você levantou. É triste. Você escolheu minimizar o que houve e o que eu sinto. Eu escolhi não ser dramática ou cruel. Eu quero soltar o rancor no universo, em qualquer lugar que não seja dentro de mim ou contra você.

Se eu fosse desequilibrada de verdade, a vida seria tão mais divertida. Mais constrangedora, é verdade, mas tão mais divertida.
...
* vi no tumblr da hunny.bunny, uma fonte inesgotável de coisas legais na Internet
** "Flaca", uma das histórias de This is How You Lose Her, Junot Díaz
*** "The Crunch", Charles Bukowski
**** Os Enamoramentos, Javier Marías (um intertexto com um verso do poema "The Love Song of J. Alfred Prufrock", "Do I dare disturb the universe?" - essa lembrança do intertexto é também um beijo pra Cíntia)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dando aula pra crianças eu aprendi muitas coisas. Uma delas é que criança também tem mau humor. Acho que eu não me lembrava bem dessa parte da minha infância, mas criança tem mau humor, sim. E tem direito de ter mau humor.

Embora eu prefira sorrisos e gracinhas, na minha aula é permitido ficar de mau humor. Um dia ou outro, todo mundo tem direito.

Daí o Lucas chegou e não tava a fim de estudar. Queria brincar no celular novo. Não pode brincar no celular durante a aula quando se tem oito anos de idade. É uma das coisas que estão fora do seu alcance. Chamei a atenção, disse que era contra as regras de sala de aula que todos nós criamos juntos na primeira semana.

O Lucas ficou emburrado, me olhando de rabo de olho.

Isso foi na semana do Halloween, dia de jogos e outras atividades relacionadas a isso. Eu tinha selecionado alguns jogos infantis de Halloween e preparado umas outras atividades. Todos os jogos estavam na Internet. A Internet não estava funcionando.

Para os alunos, é muito simples, "faz outro jogo!" Mas as coisas não são bem assim. As coisas nunca são bem assim. Fiz um trato: naquela aula a gente ia ver uma outra atividade de Halloween que eu tinha levado e não precisava de computador e uma parte da lição no livro. Na aula seguinte, o restante da lição e os jogos na Internet.

O Lucas gostou menos ainda. Fechou a cara e não quis conversa. Eu deixei ele ficar zangado.

Na aula seguinte, cheguei e já encontrei o Lucas rindo. Puxei assunto, ele estava de bom humor. Entramos na sala, ele escolheu um lugar, sentou e disse "Na aula passada eu tava muito mal humorado. Aí eu quis que desse tudo errado e por isso a Internet não funcionou!"

E naquele dia - pode ou não ter sido pelo bom humor do Lucas, a gente nunca vai saber - a Internet funcionou.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Estou positiva, acreditando no futuro, esperando todas as coisas boas que ainda vão acontecer na vida.

E tenho um vidro de doce de leite Aviação e nenhum medo de usá-lo, caso nada mais dê certo.


meu coração partido e eu também recomendamos o doce de leite Viçosa, que tanto já nos ajudou.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Me pergunto se dá mesmo pra terminar um relacionamento sem passar por aquela fase ESPERO QUE VOCÊ MORRA OU PELO MENOS QUE SEJA INFELIZ PRA SEMPRE. MORRA, MORRA. MORRA.


Mas sigo tentando.

Cada um sabe como foi parar ali. Não foi um sequestro, era um relacionamento. Eu lembro a mim mesma o tempo todo. Eu cheguei aqui porque quis.

Mas confesso que fico um pouco aliviada que meus amigos sintam raiva de você. Eu, sinceramente, não consigo, nem sei se quero sentir. Mas meus amigos sentem a raiva por mim. Meus amigos, que você nunca quis conhecer, mas que sabem tudo sobre você e sobre mim. Eles sabem o seu signo, que você compra várias cuecas da mesma cor de uma vez só e passa um grande período usando só cuecas pretas, depois só cuecas brancas, depois só cuecas cinza, até que elas fiquem velhas e você compre novamente um monte de cuecas da mesma cor.

Seus amigos, a quem eu tinha que me apresentar de novo a cada vez que via - Oi, eu sou a Renata, sou professora de Inglês and I've been fucking this prick for two years, for three years, for I don't remember how long mas não há tempo o bastante pra que ele fale de mim pra vocês - não sentem raiva de mim. Os seus amigos não sentem raiva de mim.

Eu não ganhei esse privilégio, mas dei a você.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Toda vez que eu recolhia meu xampu de menina do banheiro. Homens e a mania de xampu anticaspa. Eu nunca vi caspa naquela cabeça linda em todo esse tempo. Juro que nunca vi. Xampu + condicionador no mesmo frasco? You've got to be kidding me, meu cabelo cai todo na mesma hora.

Recolhia meu xampu de menina, colocava de novo dentro da bolsa. Toda vez eu pensava por dois segundos, e se eu deixasse ele aqui, bem aqui? Será que vai estar na mesma altura quando eu voltar? Quando eu esqueci meu anel, ele estava lá me esperando, na sua mesa de trabalho, e você disse que eu podia esquecer coisas lá. Eu não sei o que você quis dizer e nunca mais esqueci nada, sou boa em arrumar malas.

Eu nunca deixei meu xampu no seu banheiro. Eu nunca publiquei uma foto da sua casa na Internet, pra mostrar onde eu estava. Vocês estavam ouvindo o disco que eu te dei na sua vitrola? Eu dormi em todos os filmes que você tentou me mostrar, até que você desistiu de ver filmes comigo. Seu abraço tão confortável, como eu podia não dormir? Tão melhor do que qualquer filme. Eu nunca tirei uma foto dos nossos pés. Mas eu estive lá mesmo assim, eu estava lá. Eu procurei os seus pés com os meus.

Talvez fosse o que você queria. Você queria que eu desenhasse um coração com meu batom no seu espelho? Era só escolher a sua cor preferida. Talvez fosse o que a gente precisava pra sair daquele lugar de onde a gente não conseguia sair. O nosso platô do amor.

Mas eu nunca quis te invadir. Boba eu, o amor é pura invasão.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

No fundo, é bom que doa, porque quando dói quer dizer que significou alguma coisa, muita coisa. Um mundo de coisas que não existem mais, mas existiram, estiveram ali, foram importantes, fizeram sentido, deram sentido.

E não é só o que a gente quer, que signifique algo? Quem quer mais do que isso? E quem quer menos? Quem quer que seja nada, vazio, sem importância?

Eu quero significado, mesmo que não seja do jeito comum e mesmo que doa depois.


quero a paz, a liberdade, o amor

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

lonerism

Eu comprei, sim, um presente pra você. Entrei na loja, fui direto num que eu achei que você fosse gostar, com seu hipsterismo não-assumido. Uma coisa que você já tinha elogiado, como da outra vez. O dono da loja, um Hugh Grant em Um lugar chamado Notting Hill mais velho embalou bem direitinho pra que não quebrasse no avião.

Depois pensei que podia ter deixado o Hugh Grant mais velho me ajudar. Tinha tantos vinis legais na loja. Eu podia ter pedido uma coisa nova, francesa, desconhecida. Trouxe australianos de Perth, num ataque sutil do meu subconsciente contra você. Eu só percebi já no Brasil.

Eu nunca fui a menina das suas fotos e quando eu penso na definição de stolen hours, eu penso em nós dois, nada muito além disso. Você foi aquele pra quem eu compro vinis mesmo sem saber o que eu estou fazendo e pra quem eu decido não mandar mais presente nenhum.
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"That's the most we can hope for. Nothing thrown, nothing said that we might remember for years. You watch me while you put a brush through your hair. Each strand that breaks is as long as my arm. You don't want to let go, but don't want to be hurt, eitheir. It's not a great place to be but what can I tell you?"

(de "Flaca", uma das histórias de This is how you lose her, de Junot Díaz. a que mais partiu meu coração)
...
Eu demorei um mês pra chorar de verdade.



This is how you lose her ainda não tem tradução pro português. mas eu recomendo muito a leitura. em inglês ou quando sair a tradução. o livro é muito bom.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Não importa quantos anos você tenha, sempre que você der seu telefone pra alguém e o contato acabar aí, você vai se pegar pensando se não deu o número errado.

Se for e-mail, além de pensar que você deu o endereço errado, você vai se pegar checando a caixa de spam.

este é um post dedicado à C. em Paris :*

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Eu agora tenho 30 anos. Eu nunca me imaginei com 30 anos. Quando eu digo isso, quase sempre ouço "cruzes!" em resposta, porque as pessoas costumam achar que eu estou dizendo que achava que ia morrer antes dos 30. Eu só tô dizendo que nunca consegui me imaginar com essa idade. Eu nunca imaginei onde queria estar aos 30 anos e cheguei aqui tão rápido que o caminho pareceu curto demais.

Eu sei dizer que aos 30 anos eu estou feliz, embora eu sempre olhe de rabo de olho quando uso a palavra felicidade, sempre pronta pra explicar que, veja bem, não estou morando num filme.

Sei dizer que estou satisfeita com tudo o que tenho e tranquila com tudo o que não tenho, mas isso não torna a data mais doce porque, veja bem, eu também estava satisfeita com tudo o que tinha e tranquila com tudo o que não tinha aos 29. E aos 28 também, mais ou menos. E além disso, o número 30 parece tão duro.

Aos 23, 25, 28 ou 30 eu continuo levando tombos em público e chegando no trabalho com batom no dente. A minha saia continua levantando com o vento e eu continuo passando tempo demais na Internet. Eu continuo comendo empadas em horas impróprias e trapaceando na contagem de exercícios no pilates.

Aos 30 anos, eu sou mais ou menos quem eu era há dez anos ou cinco, talvez a diferença seja só que eu gosto de ser essa pessoa e não quero ser mais ninguém além de mim. Estar confortável dentro de mim e onde eu estou é o melhor que eu podia ter.
...
Tive um aniversário lindo, com amigos, e-mails lindos, presentes e bolo de chocolate. Não foi nada mal fazer 30 anos, nada mal mesmo.