terça-feira, 22 de junho de 2010

Esse tempo todo dizendo que a culpa não era minha, não podia ser. Eu tava fazendo tudo certo, o mundo todo que tava errado.

Daí teve aquele sonho e eu entendi várias coisas. E depois mexi na minha carteira e a foto tava lá. A foto pro passaporte, o cabelo bagunçado, as bochechas vermelhas de sol. A foto e o guardanapo com o telefone que nem é mais dele. Passou de carteira em carteira. Depois de tanto tempo, a foto ainda tava lá.

Com quantos meninos eu saí com essa foto na carteira? Todas as vezes que eu pegava a carteira pra pagar a minha parte na conta, a foto tava lá. Quantas vezes eu culpei outra pessoa porque não ia dar certo e eu sou tão legal e a culpa não podia ser minha?

Todas as vezes a foto tava lá.

Agora a foto não está mais lá. Eu guardei naquela caixa redonda das lembranças. Não é muita coisa, é só o começo. Mas agora, depois de tanto tempo, sou eu sozinha. Não estou levando ninguém comigo. A foto não está mais lá.

16 comentários:

  1. *clap clap clap*
    Parabéns pelo post.

    ResponderExcluir
  2. Ai, tem uns posts teus que me dão uma dorzinha no coração... Nem consigo comentar, querida.

    ResponderExcluir
  3. Sempre achei que em final de relacionamento começa uma guerra não-declarada entre duas perspectivas: o que foi e o que pode vir a ser. Nenhuma das duas existe, mas a última tem a vantagem de poder vir a existir. Homem costuma ficar lá, deslumbrado com as oportunidades da vida de solteiro...
    O que é foda, o que realmente fode, é mudar de uma pra outra dentro da sua cabeça. Mas eu acredito que dá e, aliás, eu juro que dá.

    ResponderExcluir
  4. Odeio caixa de lembranças. Queimo todas.
    bjs.

    ResponderExcluir
  5. Esse post poderia ser uma canção do Weezer. Lindo de doer.

    Bj
    Rita

    ResponderExcluir
  6. Um dia, na minha vida, eu vou saber escrever como você! Parabéns, Renata.

    ResponderExcluir
  7. Espero que depois de tantos meses lendo teu blog e me identificando tanto eu tenha coragem de jogar a porcaria da foto fora. Espero, só espero.

    ResponderExcluir
  8. Chu, aos poucos, né? :)

    Garota, mas não vai fazer diferença.

    Patricia, :)

    artes, tb acho que dá.

    Fernanda, é mesmo? eu guardo tudo, não jogo nada fora...

    Rita, eu amo weezer. :)

    Vaninha, :) nunca vou esquecer aquele seu comentário. "o único que não entendeu foi um homem", hahahaha, rio só de lembrar.

    Camile, de repente não tá na sua hora de jogar a foto fora. eu levei anos, juro.

    ResponderExcluir
  9. Quando meu ex terminou comigo, eu demorei um bom tempo pra apagar tudo, inclusive mensagens no celular. O dia em que eu criei coragem e fiz isso, parecia que eu estava me livrando de um peso nas minhas costas, foi incrível.

    ResponderExcluir
  10. Como doem as caixas das lembranças. Uma espécie de parte etérea de nós, um apêndice pútrido e inseparável.

    Como doem...

    ResponderExcluir
  11. As fotos pra sairem da carteira é um custo e pra sair da caixinha de lembrança são anos e lá vai varada...E pra sair da cabeça então questão de tempo, muito tempo,rs. Bjus!Parabéns pelo blog!

    ResponderExcluir
  12. Loo, ;)

    Mônica, ah, ainda me deu uma dorzinha tirar a foto da carteira, mas não podia deixar lá. :)

    Junior, mas acho que quando estão prontas pra ir pra caixa, já doem menos... :)

    Mariana, :)

    ResponderExcluir
  13. Levei anos pra jogar as cartas fora, mais tempo ainda pra queimar o meu diario que mais parecia um diario dele. Na hora doeu horrores, parecia que eu ia morrer junto com tudo aquilo, mas hj sei que fiz a coisa certa. Nao sinto falta das cartas, das fotos, das musicas que ouvimos juntos e acredite, da pra achar um sapato confortavel e um homem decente. Só nao procure na liquidação!
    bjs

    ResponderExcluir
  14. E o homem, onde eu procuro? hahaha

    é terrível, né? não sei como a gente pode colocar tanto nossa vida nas mãos de outra pessoa a ponto de parecer que a gente vai morrer sem ela.

    ResponderExcluir