segunda-feira, 5 de setembro de 2016

É química e eu sei que é química. Existe uma explicação científica para o amor. Eu sei, mesmo tendo tirado 0,28 no vestibular há 16 anos, mesmo tendo tirado essa nota usando regra de três, sem ter usado qualquer fórmula ou qualquer coisa que faça sentido dentro da química. Eu sei, é oxitocina. É endorfina. É dopamina. Eu sei que o amor é explicado por um fluxo de substâncias químicas num corpo.

A ciência explica que o amor é o resultado de um processo de condicionamento do cérebro. O vício em cocaína também. Essa sensação de que você esteve aqui o tempo todo e de que você nunca vai embora. É química. Eu sei e você sabe.

Todos os poemas de amor: química. Todas as músicas: química. Aquele som que você faz quando acorda: química. Eu levantando da cama porque você levantou quando na verdade eu queria continuar dormindo: química. Você lendo jornal do meu lado no domingo: química. Minhas bochechas queimando: química. Eu contando minutos: química. Você passando manteiga no meu pão de manhã: química. Você colocando um disco pra tocar: química.

Mas pensa na coincidência.


Que eu exista e você exista ao mesmo tempo no mundo. Que você tenha passado por mim ou eu por você, a gente não sabe bem. Que você tenha uma foto de perfil olhando para cima no Mosteiro dos Jerónimos igual a minha. Que você tenha me feito rir no mesmo dia que eu te fiz rir.

É química. Mas pensa.

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