segunda-feira, 4 de abril de 2016

Quando você passa manteiga na torrada pra mim, alguma coisa dentro de mim derrete. Você abre a gaveta do criado-mudo e tira de lá meu anel, pergunta se eu não dei falta. Eu sabia onde estava. E quando me vê saindo do banheiro com meu xampu e meu condicionador você pergunta por que eu não deixo os dois no seu banheiro. E eles ficam lá, do lado do seu xampu anticaspa do qual eu tentava escapar.

Quando você abre a porta e eu ouço Chico Buarque e você me puxa e a gente dança de porta aberta ainda. Quando eu digo que vou te visitar no mês que você vai passar trabalhando em São Paulo você não se assusta. Você não acha cedo. Você não desconversa. Em vez disso, você pergunta que fim de semana eu vou. Se eu comprei a passagem. Quando eu vou comprar a passagem. Que horas eu chego em Congonhas. Você faz uma lista de restaurantes pra eu escolher onde nós vamos almoçar, onde nós vamos jantar, porque bastou dizer uma vez que eu adoro comida para você não esquecer mais.

Você vai me resgatar rindo enquanto eu fico paralisada com o dinheiro na mão, com medo de pagar, naquele lugar aonde você me levou pra tomar a saideira no domingo, porque eu tenho medo do dono do bar. A gente ri do que eu disse, a gente ri do que você disse. A gente entra rindo no táxi e sai rindo do táxi.

Você pergunta se eu estou feliz. Você diz que consegue ver o meu sorriso no escuro.


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