sexta-feira, 24 de setembro de 2010

-Isso não faz o menor sentido, porque já faz mais de dois anos que nós estamos juntos.
-Vocês estão juntos?
-NÃO! NÃO! Não, eu quis dizer que já faz mais de dois anos que nós terminamos.

Respiro, me sinto idiota, me sinto ridícula, me odeio por ter dito isso em plena sessão de terapia, agradeço por ter sido lá. Blá, blá, blá.

Se tem uma coisa que eu odeio no mundo, essa coisa é ato falho.

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu tenho um problema. Eu sei, tenho vários. Mas vou falar de um só agora. Quando vou a restaurantes que têm um cardápio em outra língua, eu falo com sotaque. É tipo uma síndrome do sotaque estrangeiro aplicada a restaurantes.

É difícil, hein? Ninguém sabe o que eu sofro. Os garçons me maltratam, porque acham que eu estou debochando. Mas, se é assim que tá escrito no cardápio, eu só posso pedir um piatto di antipasto! Um piatto di antipasto, per favore! Como eu vou falar em português, se o cardápio tá em outra língua?

Passei meses na França sem falar nada de francês além de voulez-vous couché avec moi, ce soir vocabulário relacionado a comida. Eu levo isso muito a sério. Só me sinto segura em algum lugar quando sei pedir comida na língua de lá.

Mas contei o meu problema só pra falar de outra coisa. Imagina que você tem que interagir com um menino que tem um nome italiano. O nome dele não é esse, mas imagina que o nome dele é Paolo, só pra eu poder continuar a história. Imagina que você sofre da síndrome do sotaque estrangeiro com palavras isoladas. Imaginou?

Então nem preciso dizer que você tem vivido se controlando muito pra quando falar com ele não sair gritando -PAOLO GNOCCHI FETTUCCINE PROSCIUTTO!

Parece fá-cil, mas é difí-cil.


um dos maiores medos da minha vida é sofrer da síndrome do sotaque estrangeiro de verdade.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tava andando pela rua, vi um menino que era o galã da minha escola. O galã. Todo mundo era apaixonado por ele.

Olha, não tenho nada contra ele, nunca tive. Ele é mais velho que eu, nem estudamos juntos. Não tinha o que não gostar nele, porque ele nem sabia que eu existia. Não tenho o que odiar nele, e nem odeio, não é isso. É que não é ele. É a figura né? Ele era o galã da escola. O galã.

Bom, vi o galã. Nooossa, que acabado. A-ca-ba-do.

Daí fiz o que qualquer pessoa equilibrada faria. Ri. Joguei o cabelo pra um lado e pro outro, ai, tô arrasaaando.

Veio o vento e fuuuu, levantou a minha saia, bem no meio da rua.

Não importa quanto tempo passe. Tá? Mesmo que você balance o cabelo e arraaase, o vento vai fazer fuuuu e levantar sua saia bem no meio da rua.1. Minha saia era essa aqui. Não sei se dá pra ver, mas ela é rodada mesmo. Tem muito tecido. Se bate um vento, não tenho pra onde fugir.
2. A saia tava na altura do joelho, que eu tava trabalhando, né?
3. Meu quarto é uma grande bagunça mesmo. É o meu jeitinho. Se você reparou que tem sapatos embaixo da mesa, nem vou te contar que também guardo sapatos na estante de livros.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pra começar a explicar:

Tava andando de mãozinha dada.

-Você é tão feminina, Renata.

Eu entendo, eu juro que entendo que é pra ser um elogio. Eu não sou tão chata assim. Eu juro que entendo a intenção.

Mas de verdade, de verdade mesmo, eu virei e perguntei:
-Mas o que é o feminino?

O.que.é.o.fe.mi.ni.no? Juro pra você.

É por isso que eu não tenho namorado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

(Antes de começar o post eu queria explicar que minha vida não gira em torno de meninos. Eu fico meio assim-assim quando vejo tantos post falando de meninos aqui no blog. Parece que eu só penso nisso. Eu faço outras coisas além de flertar, pessoal. Só que as outras coisas que eu faço dão certo, não são material pro blog, é só isso.)

Eu nunca sei o que dizer quando as pessoas me dizem "Você não tem namorado? Mas por quê?" Porque, né? Por onde começo a explicar, meudeus? Por onde começo a listar as razões pelas quais não tenho um namorado?

E quando acham que estão elogiando e dizem "Você é tão bonita, por que você não tem namorado?" Pessoa, pensa: se você acha que a beleza não é o problema, só pode ser minha personalidade, né? Você está dizendo que eu sou insuportável, apenas isso.

(Vou fazer uma pausa aqui pra contar que um dos poucos elogios que eu ouvi do meu irmão foi "se você não fosse bonitinha, ninguém ia te aturar, renata." Sim, ele achou que isso era um elogio. Pense apenas que ele me diz coisas do tipo "com esse seu vestido você tá parecendo a Pedrita, só que mais colorida.")

Mas ouço tanto essa pergunta que mesmo correndo o risco de parecer que só penso em meninos vou explicar aqui por que eu não tenho um namorado. No final da série (não sei quando, não me pressionem!) acho que vai dar pra entender o motivo.

Como além de tudo sou ansiosa, não vou esperar o final da série pra explicar por que não tenho namorado. Se você não gosta de saber o final da história antes, pare a leitura do post por aqui.

CUIDADO! SPOILER!
Não tenho namorado porque sou insuportável mesmo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Então que não é só largar os indies e procurar um outro nicho, não é bem assim. Preciso me acostumar às novas situações.

Tô aqui, me fazendo de independente, achando que não vai ligar mais mesmo, só foi legal pra mim, acontece e tal, vamos seguir em frente, o importante é voltar pro jogo, ok, blá-blá-blá.

Daí não sei o que fazer com um menino que liga quando eu acho que não vai ligar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Outro dia eu tava indo pro trabalho, a vizinha me gritou lá do outro lado da rua.

-Oi, lindinha!
-Oi, boa tarde.
-Ai, olha ali você!
-Eu? Onde?

E ficou apontando pra cima. Quando olhei pra minha direita, tinha um caminhão de lixo estacionado. Pensei que não, isso não pode estar acontecendo. A pessoa não pode mesmo estar me chamando de lixo.

-Ali, ali em cima, no outdoor!

Pequeno momento de pânico. Eu só conseguia pensar que alguém muito ressentido por alguma coisa que eu fiz tinha colocado um outdoor me ofendendo. O que eu fiz, meudeus, o que eu fiz pra merecer isso?

Até que olhei e era uma propaganda com uma menina de óculos escuros gigantes.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Meninos que dizem "eu não queria te machucar" são tão bonitinhos.

Né?

Acho bonitinhos.

Mas o que eles sabem? Né?

Eu tenho que me segurar pra não parecer maluca e dizer que nem que você tente você consegue me machucar mais. Eu quero explicar que, olha, nem que você se esforce, querido, você consegue me machucar mais já do que me machucaram, mais do que eu já me machuquei. Nem que você queira.

Mas no final eu acabo mesmo sorrindo e deixando pra lá. Deixa você pensar que pode me machucar. Deixa eu achar você bonitinho (e inofensivo).

;)



So what do you know?
Oh, you know nothing!
But I'll still take you home

a vida é um pouco mais clichê quando eles se acham profundos ou acham que vivem num filme.

hoje acordei dramática.

Sabe nos desenhos animados quando alguém tá correndo a toda velocidade, daí outra pessoa estende o braço e a pessoa que tava correndo a toda velocidade bate no braço e cai?

Então.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

-Oi, vim renovar minha matrícula.
-Você sumiu, hein, Renata?
-Pois é. Mas agora vim renovar.
-Por que você sumiu?
-Ah, trabalho. Todo semestre meu horário muda, levo tempo pra me acostumar.
-Plano trimestral?
-É.
-Tudo certo. Já vai malhar agora?
-Não, hoje não.
-POR QUE NÃO, RENATA?
-Tô no meu intervalo, tenho que voltar pro trabalho.
-E quando você volta a malhar, hein, Renata?
-Na sexta.
-SÓ NA SEXTA? Que preguiça é essa, Renata?
-...
-Na sexta então, hein, Renata? Não vai ficar com preguiça. Espero você aqui!

Quero perdir perdão público à minha academia, por toda a decepção que eu causo.

domingo, 29 de agosto de 2010

Uma vez entrei num restaurante com um namorado e ele disse "Já percebeu o que este restaurante tem de especial?" É claro que eu não tinha percebido. Eu nem tinha percebido que ele me amava, só porque ele ainda não tinha dito.

-Não.
-Olha pra janela, tá vendo?
-Não, o que é?
-Então presta atenção nesse quadro.
-Por quê?
-Você vai saber daqui a uns 40 minutos.

Depois desse tempo ele perguntou se eu tinha notado.
-Não, não vi nada.
-Não? E o quadro?
-Não notei nada.
-Olha aquela família ali.
-Nossa, eles mudaram de mesa.
-Ah, mudaram?
-MEUDEUS! Como eles mudaram de mesa e eu nem vi?
-Renata. Eles não mudaram de mesa.
-Ué, mas eles estavam numa mesa perto da janela, agora estão perto do bar. Peraí, nós também mudamos de mesa?
-O restaurante está girando.

Sempre foi assim. Levo um tempo até perceber que as coisas estão mudando de lugar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lembra quando eu falei dos dois tipos de pessoas que existem no mundo? Eu me fazia de superior, fingia que não tinha me atingido. Depois passei pro grupo que explica o que a outra pessoa fez de errado. O grupo que dá sermão.

Agora decidi voltar pro primeiro grupo. Acho mais charmoso ser a pessoa que deixa tudo pra trás com um sorriso e uma piscadinha.

Então, é isso. Queria avisar que de mim não sai mais nenhuma pergunta, nenhuma explicação. Eu não vou explicar o que você não entende. Eu não quero saber o que você está sentindo. Eu não vou mais falar de sentimentos. Não entendeu? Problema seu. Não vai admitir que fez besteira? Problema seu. Vai fazer com outra pessoa? Problema seu.

Eu agora vou embora toda charmosa. Olho pra trás e dou uma piscadinha e é só isso que você vai ter de mim.

É bom porque funciona com tudo, dá pra fazer até por SMS.

;)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Chegou a hora de pedir uma rodada de doce-de-leite pra galera.

;)

domingo, 22 de agosto de 2010

os problemas dos outros

M. chega ao restaurante perguntando se alguém troca 100 reais, porque o taxista não tem troco.

Poxa.

Depois, já sentado, mostra os milhões de mensagem no celular.
-Olha aqui, me mandou 83 mensagens.

Poxa.

Daí você vê, né? Como os problemas dos outros não se parecem em nada com os seus.

M. tá aí, tendo que lidar com taxistas que não têm troco pra notas de 100 e homens que não param de correr atrás dele.

Difícil.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

mais um dia na minha vida

Eu levo 15 minutos pra ir da minha casa ao trabalho. Em menos da metade desse tempo uma pessoa já tinha rido e debochado de mim. Eu passei e ouvi "lady gaga, alocka." Assim, não tenho nem o que dizer. Eu mal tinha saído de casa. Tava me achando o máximo com minha combinação de rosa com amarelo, mas nem tava com uma lagosta na cabeça nem nada.

Depois que eu saí do trabalho, um passarinho fez cocô na minha bolsa. Não sei há quantos anos isso não acontecia. O lado bom que ainda existe dentro de mim na mesma hora pensou "é sorte." Acho que sorte foi ter sido na bolsa e o fato de sempre ter lencinhos de papel comigo. (Devo isso à sorte ou à rinite que não me deixa?)

O resultado disso tudo foi que saí e só comprei roupas cinza e pretas. Isso nunca tinha acontecido antes.

No final da tarde, estava quietinha, lendo uma revistinha de fofocas enquanto esperava a Cela fazer a sobrancelha. Nós estávamos lá falando mal de homens. Eu dizia que vou seguir o conselho da Camila e largar o nicho dos indies. Ela me disse - e eu confirmo por experiência - que indies dão muito trabalho. Daí tava lá falando sobre meus planos de investir no nicho dos nerds. E aí a designer de sobrancelhas da Cela me chamou de exótica. Sério. Ela-me-chamou-de-e-xó-ti-ca. Não tô brincando.

Eu já fui chamada de exótica outras vezes. Mas nunca, nunca por uma mulher. Sempre achei que fosse coisa de homem chamar de exótica e achar que tá elogiando. Eu não sabia nem o que dizer.

Repito o óbvio: exótica não é elogio.

E foi isso.

como no outro dia, meu batom hoje também ficou aqui o dia todo. E era vermelho.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma amiga me avisa que não tem jeito, tá apaixonada e vai dar errado. Eu também. Se não estou, vou ficar. E vai dar errado.

Sabe quando você sente que vai dar errado? Mas sabe quando tá tudo tão bom (menos a sensação de que vai dar errado) que você não quer parar?

Então.

Daí ela me avisou que ia dar errado. Eu disse que comigo também. E que seria legal finalmente passar por isso com ela. Todas as vezes em que ela estava arrasada, eu não estava. Quando eu estava arrasada, ela não estava.

Já estou bolando a lista de atividades que nós faremos juntas, tentando esquecer:
-chorar
-beber
-ver filmes tristes
-ouvir músicas tristes
-comer doce-de-leite

Aceito sugestões.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"nota fundamental de esclarecimento

Porque parece estar havendo alguma espécie de confusão no meidicampo: Não é que o cara não escreve pra você porque ele está ocupado, viajando, cuidando da fazendinha feicibúnquis, doente, com muito trabalho, com os meninos no final de semana. Ele não escreve pra você porque ele não quer."

Obrigada por lembrar, Fal.

Levou um tempinho, mas eu aprendi. É verdade mesmo. Não ligou porque não quis ligar. Não enviou e-mail porque não quis enviar. Não mandou SMS porque não quis mandar.

Quanto tempo você leva pra ligar, enviar um e-mail ou SMS só pra dizer "e aí, tudo bem? nossa, tô trabalhando demais/ minha mãe tá doente/ meu cachorro morreu. assim que as coisas melhorarem eu te ligo"? Eu levo menos de cinco minutos.

Então é assim que funciona. Ele não tá a fim de você. Mesmo.

Das poucas vezes em que quis que ficasse claro e reiniciei o contato depois de um sumiço, a única coisa que ganhei foi um menino sem graça que não sabia como dizer que pra ele não ia rolar mais.

Então agora o máximo que eu faço é pedir pra uma amiga:
-Pesquisa aí rapidinho pela Internet, só pra ver se não morreu.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Amiga me conta pelo Gtalk:

-Acho que estou apaixonada por ele. Pena que aqui não tem aquela carinha de vômito do MSN.

Não foi por isso que ela falou do emoticon, mas eu aproveito pra dizer que meus transtornos são tantos e tão graves que é assim que eu sei que estou apaixonada. Sinto vontade de vomitar quando penso nele.

Desculpa, sou péssima.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Há mais de dois anos eu comprei um caderno com a intenção de voltar a escrever um diário. Há mais de dois anos eu digo pra mim mesma que não vou começar a escrever diário nenhum se for pra falar de tristeza.

Bom, tá em branco.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Hannah passou uns dias na praia com meus pais. Férias em família. Meu irmão e eu não acompanhamos mais meus pais nas viagens, é a vez da Hannuca.

Ela fez amizade com três irmãs de 10, 8 e 5 anos. Quando eu digo que a Hannah fez amizade, quero dizer que as crianças ficaram apaixonadas e a Hannah desprezou, porque é isso que ela faz. Ela despreza pessoas. Hannah não se sente responsável por tudo aquilo que cativa. Ela nem liga.

Não sei se já contei aqui, mas a Hannah não gosta de tosse e de espirros. Não sei se tem pavor de germes, não sei o que é, só sei que fica incomodada e late quando alguém tosse ou espirra. Alguém precisa estudar essa cachorra.

Daí um homem espirrou perto dela, Hannah começou a latir e minha mãe explicou para as meninas que ela estava latindo porque não gostava de espirros.

O homem espirrou de novo e de novo e uma das irmãs gritou pra ele:
-Ei, para de espirrar! Não tá vendo que a cachorra não gosta?

Então, mamãe, pra coroar a maluquice, me mandou uma foto com a mensagem "Olha nossa Hannah tomando água-de-coco na praia."

É, ela tava tomando água-de-coco, sim. De canudinho, né, mãe?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tava saindo da terapia. Saí do elevador, o porteiro do prédio olhou pra mim, deu um beijo na minha testa e disse "vai ficar tudo bem."

Agora você imagina a cara que eu tava fazendo. Não precisa nem imaginar como foi a sessão, não. Imagina só a cara que eu tava fazendo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu gosto muito de blog. Acho que não parece, porque eu passo a maior parte do meu tempo reclamando de tudo, mas eu gosto de pessoas. Adoro blog diarinho. E, como leitora de blogs, também sinto que conheço os autores. Quando conto uma história que li num blog, nunca digo "li num blog", digo que "uma pessoa me contou."

É bem assim que eu me sinto com blog. Eu conto histórias e leio histórias.

Algumas vezes na vida eu conheci pessoalmente autores de blogs que eu leio. É bem engraçado, porque a pessoa é igual e diferente do blog. É uma mistura do que foi escrito, do que é e do que eu imaginei.

A Camila é fofa, tem o maior sorriso do mundo, nós dançamos, rimos e ela me contou o segredo para encontrar um menino legal. (Não sei se vou contar pra vocês, não.)

Este ano também conheci a Cris e fiquei muito sem graça porque não queria parar de conversar com ela. Fomos tomar café, suco, comemos pastinha de berinjela e eu pensando "ai, vai achar que eu tô alugando", mas eu curti tanto nosso encontrinho que deixei a vergonhinha pra lá.
...
Isso tudo pra dizer que várias pessoas acertaram meu sapato. A primeira foi a Jussara, que acertou no Twitter. É a sapatilha dourada. Aqui ela pode ser vista combinando com a decoração de uma festa, numa pose fantástica.E, ô, o peep toe verde? Vocês acham que eu sou mais fabulosa do que sou de verdade, hein? ;)

adorei a Juliana, que achou que o tênis era meu. eu curto um all star mesmo, mas você acha que eu calço 43, Juliana?
a Mari disse que todos podiam ser meus e eu acho que sim, usaria todos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

quer brincar?

Sabe a foto dos sapatos no post falando dos meus amigos?
Você sabe qual par de sapatos é meu?

terça-feira, 20 de julho de 2010

para os meus amigos ♥

Nós estávamos todos lá, num restaurante pequenininho, incomodando os casais de terceira idade com nossos assuntos de jovens adultos sem limites. Nós estávamos lá pra comemorar a promoção de uma amiga. Ela não é só minha amiga, é tão mais do que isso, mas se eu for falar sobre ela, saio do assunto do post, que é uma coisa que eu sempre faço, mas que todo mundo sabe que não pode, né?

Então, nós estávamos comemorando a promoção de uma amiga. As garrafas de vinho rolando, as gargalhadas e as caras de incômodo dos adultos de verdade.

No final do jantar, nossa amiga promovida falou um pouco. E sempre vou me lembrar do que ela disse. "Às vezes a gente não se encaixa no mundo, mas o mundo se encaixa na gente."

Meus planos não deram certo e vocês estavam aqui. Eu fui embora e vocês estavam aqui. Eu voltei e vocês estavam aqui. Eu perdi um grande amor e vocês estavam aqui. Eu tentei recomeçar e vocês estavam aqui. Eu trabalhei demais e vocês estavam aqui. Eu fiquei confusa e vocês estavam aqui. Eu fiquei de mau humor, fui chata, falei o que não devia, fiz drama porque tava doente e vocês estavam aqui.

Eu odeio natal, não ligo pra dia dos namorados, não comemoro páscoa. Só curto mesmo carnaval e ano novo. Não me sobram muitas celebrações.

Mas este ano eu fiquei comovida com essa coisa de dia do amigo. Eu já disse pra vocês e agora vou dizer de novo, roubando as palavras da nossa amiga promovida:

Vocês são o mundo que se encaixou em mim.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu perco coisas que eu não deveria perder.
Eu digo coisas que eu não deveria dizer.
Eu vejo coisas que eu não deveria ver.
Eu esqueço coisas que eu não deveria esquecer.
Eu faço coisas que eu não deveria fazer.
Eu como coisas que eu não deveria comer.

Eu sou um (pequeno) desastre.

Na minha academia, a entrada é autorizada pela digital. Daí pra entrar tem que colocar o dedinho no scanner, esperar ele reconhecer a digital, seu nome e foto em que você aparece medonha e descabelada porque foi tirada saindo da academia aparecerem na tela do computador e só aí você pode entrar.

Tentei uma, duas, três, quatro, milhões de vezes. O scanner não reconhecia minha digital.

Mandei aquele papo de que tenho um problema nas digitais, são super fracas, sempre tenho dificuldade nesses leitores e blá-blá-blá.

A moça da recepção falou "me dá sua mão aqui, deixa eu tentar."

Pequeno momento de pânico.

Minhas mãos estavam sujas de Chicabon.

Quantos anos eu tenho?


posso me defender dizendo que a primeira coisa que eu pretendia fazer quando entrasse na academia era lavar as mãos? e você aí, duvido que tome picolé de chocolate sem se sujar. du-vi-do.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quem tem irmão sabe como é. Você passa a vida tentando descobrir quem é o filho preferido. Quem minha mãe ama mais? E meu pai? Será que sou eu? Coitado do meu irmão! Será que é meu irmão? Por que não eu?

Ultimamente, meu irmão tem intensificado a disputa. Começou dizendo que acredita em deus. Minha mãe, você imagina, sorriso de orelha a orelha. Ela só errou com uma. Eu achei bem golpe baixo. Em 23 anos que eu conheço meu irmão, nunca soube que ele acreditava em alguma coisa além de Nintendo. Não posso competir com isso. Tive que deixar passar.

Depois ele resolveu começar a cozinhar. Aqui em casa todo mundo cozinha. Meu pai cozinha, minha mãe cozinha, eu cozinho. Hannah não cozinha porque não tem polegares opositores, mas se tivesse, cozinharia. Meu irmão só comia, mas resolveu começar a cozinhar também.

Daí você vai dizer que ele tem o direito de começar a cozinhar. Ok, ele tem. Mas cozinhar e depois limpar a cozinha? Sério, quem faz isso? Só alguém que quer muito o título de filho preferido.

Cozinhou no almoço, cozinhou no jantar. O que minha mãe disse sobre isso?
-Renata, que prato você vai fazer para conquistar nosso amor?

Choque!

Fui tomar satisfação. Quem, afinal, é o preferido? Minha mãe explicou:
-Renata, você é minha filha preferida, seu irmão é meu filho preferido.
-É? E a Hannah?
-Ah, Renata. É injusto que ela entre na competição. A Hannah é hors concours.

Hannah Mabel, cachorra,
louca por bolinhas e preferida

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não, a gente não supera a escola. Você aí que foi desprezado pelos seus coleguinhas populares pode até crescer e se dar bem na vida, mas não vai superar a escola.

Encontro meus amigos e sempre falamos sobre como nós éramos mais inteligentes, legais e engraçados do que todas aquelas pessoas que estudaram conosco e agora, além de tudo, ainda somos mais lindos e temos as roupas mais bonitas.

Então, não. A gente faz a Tieta e volta arrasando a Santana do Agreste, mas não supera.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Esse tempo todo dizendo que a culpa não era minha, não podia ser. Eu tava fazendo tudo certo, o mundo todo que tava errado.

Daí teve aquele sonho e eu entendi várias coisas. E depois mexi na minha carteira e a foto tava lá. A foto pro passaporte, o cabelo bagunçado, as bochechas vermelhas de sol. A foto e o guardanapo com o telefone que nem é mais dele. Passou de carteira em carteira. Depois de tanto tempo, a foto ainda tava lá.

Com quantos meninos eu saí com essa foto na carteira? Todas as vezes que eu pegava a carteira pra pagar a minha parte na conta, a foto tava lá. Quantas vezes eu culpei outra pessoa porque não ia dar certo e eu sou tão legal e a culpa não podia ser minha?

Todas as vezes a foto tava lá.

Agora a foto não está mais lá. Eu guardei naquela caixa redonda das lembranças. Não é muita coisa, é só o começo. Mas agora, depois de tanto tempo, sou eu sozinha. Não estou levando ninguém comigo. A foto não está mais lá.

Daí eu tava lá, explicando muito racionalmente porque tava pensando em mudar um plano que eu tinha feito. Tantos motivos eu tinha, eu estava coberta de razão. Como eu sou sensata. Ela perguntou:

-Você acha que assim ele vai se sentir atingido?

Fiquei muito nervosa.
-NÃO! ELE FEZ ISSO TANTAS VEZES COMIGO!

É pra isso que se faz análise.

sábado, 19 de junho de 2010

-Eu queria que alguém me apresentasse um homem e dissesse "toma, vai sem medo."
-Hahaha. Sonhar não custa nada. Renata, eu só queria que alguém me mostrasse um sapato e dissesse "toma, vai sem medo."

Homem e sapato. Difícil encontrar um que não machuque.

Né?

domingo, 13 de junho de 2010

Enquanto isso, a única coisa que eu consegui quando tentei fazer um chá pra minha mãe foi cortar meus próprios dedos com as folhas de capim-limão.

Pra você ver como eu sou bem preparada e lido bem com a vida, seus dramas e etc.

Minha vó morreu. E antes de morrer minha vó passou 20 dias em coma no hospital, sem nenhuma esperança de melhora. Durante esses 20 dias, minha mãe parou de funcionar. Mal se alimentava, mal dormia, não ia trabalhar.
...
Eu estava dizendo que meu pai foi o primeiro namorado da minha mãe, que eles estão juntos há 38 anos.

Aí o menino que é fofo mas eu fico na dúvida se ele sabe que é fofo ou não e me sinto culpada por nunca ter dito que acho que ele é fofo disse que eles deviam se amar muito.

Não sei direito quando aconteceu, eu sei por que, mas não sei quando. Sei que fiquei meio amarga. Fico pensando se isso tem volta, se um dia eu serei doce de novo, mas por enquanto estou amarga.

Então eu fiz uma cara de não sei não e disse que eles devem ter se acostumado um com o outro.
...
Durante os 20 dias em que minha avó esteve em coma no hospital e minha mãe não funcionou, meu pai fazia comida pra ela, levava ao hospital duas vezes ao dia pra visitar minha vó, dava remédios e falava com todas as pessoas com quem minha mãe não conseguia falar porque não estava funcionando.
...
Fiquei pensando se de repente não é isso. Se não importa mais se é amor, se estão acostumados um ao outro, se é porque um dos dois faz um pudim que ninguém sabe fazer, se é porque só ele entende suas piadas.

Pensei muito se não é isso mesmo. Se talvez no final o que conte é ter alguém que cuide de você enquanto sua mãe morre.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não sei como é pra você a experiência de estar solteira, mas eu vou contar como é pra mim. Não sei se por ter ficado tanto tempo com alguém as pessoas se acostumaram a me ver namorando. De repente é porque olham pra mim e não conseguem achar assunto, acham que o único assunto que podem puxar com uma garota é homem. Sei lá.

Só sei que todo dia me perguntam "e você, renata, tá namorando?"

Quando eu digo que não, as pessoas dobram o pescoço assim pro lado e começam a me consolar, dizendo as coisas mais malucas.

-Você vai achar alguém.
-A sua cara-metade tá por aí esperando você.
-Quando você menos esperar, você vai achar sua alma gêmea.

E, cara, que medo, hein? Imagina encontrar minha alma gêmea. Uma pessoa igual a mim, já pensou? Se eu, que vivo dentro de mim por falta de opção, mal me aguento, imagina se eu tivesse que conviver com alguém igual a mim. O que eu faria com alguém que chora no metrô? Posso dar um soco na cabeça?

E o melhor de todas:
-Se apega a Santo Antônio!

Tá.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

o que acontece quando você é filha da minha mãe

Eu adoro cozinhar, mas evito fazer massas que precisem de sova. Porque sou fraca, fisicamente fraca. Também sou emocionalmente fraca e um pouco desequilibrada, mas não é disso que eu tô falando.

Daí que nunca faço massas que eu precise sovar. Eu moro com meus pais e um irmão que é caçula, mas muito mais alto e forte do que eu. Eu poderia pedir ajuda pro meu pai ou pro meu irmão.

Mas é aí que entra a minha mãe. Quando você é filha da minha mãe, você não sabe pedir ajuda e a qualquer sinal de que você precisa que alguém faça alguma coisa por você, seu orgulho grita e chuta seu estômago. Já levou um chute no estômago do seu orgulho? Olha, dói.

E aí, você, que é filha da minha mãe, pensa "não, enquanto eu não conseguir sovar a massa sozinha, eu não mereço comer isso." e segue em frente riscando o pão caseiro da sua vida.


(eu tô mais ou menos falando de pão)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Eu me lembro exatamente de quando meu coração se partiu pela primeira vez. E de como ele se partiu tantas outras vezes depois disso, em pedaços tão pequenos e irregulares que eu achei que nunca conseguiria colar.

Desde aquele dia eu venho andando por aí carregando meu coração partido. Eu aprendi a conviver com ele. Aprendi que mesmo se eu quisesse passar o dia na cama sentindo pena de mim mesma, eu não podia. Então, eu levantava, escolhia minha roupa, tomava banho, ia trabalhar enquanto dizia pro meu coração partido "espera aí. daqui a pouco a gente volta pra casa e pode sofrer mais um pouquinho." E aprendi a esconder meu coração partido, a guardar os pedacinhos juntos, só pra mim.

Eu me acostumei ao meu coração partido. Por onde eu passava, eu pensava "será que as pessoas sabem que estão falando com alguém de coração partido?" ou "quantas dessas pessoas aqui nesta pista de dança também estão com o coração partido?" Eu me acostumei a pensar que ele ainda estava cicatrizando e precisava de tempo. Achei que não podia dar meu coração partido para ninguém, porque é feio dar uma coisa que não está perfeita, esperando que alguém conserte pra mim.

Mas aí eu comecei a desconfiar que ele não está mais partido. Que ele já cicatrizou e cicatrizou desse jeito aí, desconfiado, fechado, estranho.

Mas cicatrizou. Acho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eu tava correndinho na esteira, o flerte da esteira entrou, foi pra uma esteira da fileira da frente e levou o maior tombo do mundo inteiro. Levou um super tombo e nem tinha subido na esteira ainda! Tropeçou nos próprios pés, sei lá.

Olha, cheguei a ficar emocionada.

Acho que foi a prova final de que nós somos almas gêmeas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ah, lembrei de contar do SdS.

Bom, ele é mega carioca. (Peraí, deixa eu explicar que eu não sou carioca, eu sou iguaçuana. Pra pessoas de outras partes do Brasil, deve parecer que eu tenho sotaque de carioca, mas não tenho, é só parecido)

Eu amo muito ouvir homens mega cariocas falando. Os meninos sempre acham que eu tô debochando quando eu digo "uau, que sotaque lindo você tem. fala 'mermão' aí pra eu ouvir", mas é sério, eu curto mesmo.

Daí minhas ligações pro SdS são sempre assim:
-E aí, beleza?
-Beleza.
-E aíííí?
-E aíííí?
-Beleeeeeza, gatinha?
-Beleza.

E ao mesmo tempo em que eu fico pensando "vamos logo ao que interessa", também penso "ahhh, corre lá, pega sua prancha, deixa eu ver você surfar, vai ser maneiro, vai ser bonzão."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eu liguei pro celular da minha mãe outro dia. Toda hora eu ligo pro celular da minha mãe, mas eu quero falar desse dia em particular.

-Alô.
-Alô?
-Alô.
-Pai???
-É.
-É você, pai?
-Sim.
-Hm. Só tô ligando pra saber se posso trancar a porta quando eu chegar. Posso?
-Pode.

Nem fechei o celular e liguei pro telefone de casa.

-Mãe?
-Eu.
-Tá tudo bem, mãe?
-Tá, por quê?
-Liguei pro seu celular e meu pai atendeu. Mas ele tava com uma voz muito estranha. Achei que podia não ser ele, sei lá.
-Não, era seu pai mesmo.
-Poxa, então fala pra ele parar de falar com essa voz de pessoa do mal, que eu levei um susto.

Aí hoje liguei pro celular do meu pai. Isso é bem raro, eu quase nunca ligo pro celular dele.
-Alô.
-Pai?
-Sim.
-Ai, pai! Que voz é essa? Tá fazendo aquela voz de pessoa do mal de novo!
-Mas é a minha voz.
-Você fica medooonho no telefone. Faz alguma coisa!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bom. Ontem encontrei o flerte da esteira. Eu tava indo embora, ele tava chegando, de camiseta laranja, e disse "oi, tudo certinho?"

Oi, tudo certinho?

Olha só, acho muito que isso tá escrito nas estrelas. Como ele saberia que uma das minhas músicas preferidas dos Loser é Onze dias? Hein, hein, como ele saberia?

Eu espero que vocês comecem a se preparar, depois não quero ver ninguém tendo que se endividar com carnê das casas bahia pra dar fogão e geladeira de presente pra gente*.

Um cara que cumprimenta alguém com "tudo certinho?" é tudo que eu sempre quis na vida. Juro, não tô exagerando.


*tô brincando, claro. amigos queridos, vocês não tem obrigação de me dar nada (que não seja h. stern home). um beijo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sonhei.

Que estava na Bahia com uma sócia e o cabelo dela pegava fogo. O cabelo e a cortina do quarto do hotel. Eu apagava jogando água com uma canequinha.

Eu voltava pra casa de ônibus, não sei por quê. E de repente era tipo uma excursão da escola. Eu ia ficar com um cara e de repente um outro dizia pra ele pedir referências minhas a um ex. Imagina. Meu pior ex. O tal ex tava no banco da frente, levantava olhando pra trás e mostrava as cicatrizes nos pulsos. E eu pensava, ah, deixa de show, se eu não cortei os pulsos não é você que tem o direito de cortar.

E o cara com quem eu ia ficar falava "não, ela é muito alta..."


deixa de show é uma coisa que minha mãe diz muito.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

as a mule

Tá muito claro que não vai passar. Não vai passar aqui e não vai passar lá. Eu já entendi.

Bom, eu sou professora, né? Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é explicar coisas. Eu me acho o máximo quando explico e a pessoa entende. Posso explicar milhares de vezes. É uma paixão mesmo.

Mas até pra mim é cansativo. É tão cansativo. Eu fico cansada só de pensar em explicar de novo. Mais uma vez. Tudo de novo.

Você me liga quando não consegue dormir.
Você me liga só pra ouvir minha voz.
Você grava vídeos pra mim.
Você me liga quando está escalando montanhas.
Você me liga do meio do deserto.
Você me liga de um barco no mediterrâneo.
Você me liga enquanto atravessa os Estados Unidos de carro.
Você me liga porque sua primeira sobrinha nasceu.
Você me liga de um trem bala.
Você me liga porque ganhou uma promoção.
Você me liga porque desistiu da promoção e vai tentar outro emprego.
Você me liga porque conseguiu a vaga.
Você me liga nas suas férias pra aprender violão flamenco.

Se depois de tudo isso, você não entendeu, não há nada que eu possa fazer.

Não importa quantas vezes eu explique, você não vai entender mesmo.
...
See, I know what we've got to do
You let go, and I'll let go too

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Atenção, atenção! Vim contar que houve um grande avanço com o flerte da esteira. Nós nos encontramos na rua, sem roupas de academia e nos cumprimentamos.

Ok, ok, ele tava do outro lado da rua, então o cumprimento foi só um aceno com a cabeça, mas acho que foi um grande avanço e já comecei a escrever meu depoimento pra Marie Claire:

"Eu, leitora: encontrei meu amor entre as esteiras da academia"

domingo, 11 de abril de 2010

Eu sei que já faz mais de três meses, mas nunca é tarde pra contar. Eu passei o reveillon com alguns amigos. Uma das minhas amigas ia passar a virada em outro lugar, mas no meio da tarde chegou na nossa festa.

Todo mundo ficou muito feliz, vamos passar o reveillon juntos, ai, que legal. Até que ela diz:

-Eu tinha outra festa pra ir, mas o que eu ia fazer numa festa onde só tinha modelo e gente rica?

Nada melhor do que começar o ano ouvindo isso.

¬¬

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Lembra quando eu tinha acabado de sair de uma relação super longa* e não sabia flertar?
Eu falei sobre isso aqui, aqui e aqui.

Acontece que o tempo passou e agora, não apenas sei flertar, como fiquei viciada e flerto o tempo todo. Até domino a técnica do flerte múltiplo, mas isso fica pra outro dia.

Bom, daí que eu flerto em qualquer lugar e isso inclui a academia, claro. O flerte principal é o que eu encontro na sala das esteiras e bicicletas. Ele é o principal, mas é um flerte super rápido porque acontece só na hora que eu entro na sala. Entro e já vou logo pra uma das esteiras do fundo, porque eu sou muito desengonçada e corro de um jeito ridículo. Ele tá sempre numa esteira na primeira fileira, porque ele corre bonitinho.

Outro dia eu pensei "ah, qual o problema?" e decidi subir na esteira ao lado dele. Mas aí, né? Subi, apertei o botão pra ligar a esteira. Apertei o botão. Apertei o botão. Apertei. Finalmente vi o cartaz bem grande na minha frente: EM MANUTENÇÃO e me recolhi a uma das esteiras lá do fundo.

O flerte não foi prejudicado. Acho até que foi uma coisa boa, porque assim já fica claro de uma vez que eu sou tonta.

*olha como eu estou fina e sem rancor.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

good luck

Isso de ficar checando e-mail pelo celular enquanto estou na rua é a pior idéia do mundo. Porque recebo aquele e-mail. Né? Aquele e-mail que me destrói. E não posso me enrolar em posição fetal e chorar de boca aberta (minha maneira preferida de chorar). Tenho que continuar onde estou, tenho que ir pra onde eu tenho que ir, tenho que fazer o que eu tenho que fazer. Tenho que passar horas com o choro engasgado.

À noite eu choro, anotei na agenda.

domingo, 4 de abril de 2010

cinco minutos com a minha mãe

-Você tá triste? Tá feliz? Fez bolo? Que delícia. Seu cabelo tá tão bonito. Macio. Foi ao salão? O que você fez? Diz pra mamãe. Meu cabelo tá péssimo. Que máscara? Quanto tempo deixa no cabelo? Olha essa pele. Que pele linda. Uma pele de pêssego. Parece pele de bebê. Olha, Pé, passa a mão nessa pele. Vai fazer sanduíche pra mamãe? Como você faz aquela pastinha? Não vai contar? É segredo? Vai ficar em casa hoje? Vai sair amanhã? E a Marceluska? A Gisele tá bem? E a Cíntia? Vocês terminam a pós este ano, né? E depois? Você vai fazer mestrado? Tem que fazer, filha. Tem que estudar, né? Vai fazer a festa de 30 anos? Tem que começar a pagar 1 ano antes, hein? É, daqui a 2 anos tem que começar a pagar. Mamãe te ajuda, mas não muito. Eu não sou a melhor mãe do mundo? Sabe que nem se me oferecessem 100 mil eu vendia a Hannah? E olha que tô sempre precisando de dinheiro. Vamos ao restaurante novo? Vou lá com seu pai, daí vejo se tem alguma coisa pra você. Que esmalte é esse? Azul? Ai, Renata.

Todos os assuntos do mundo de uma vez só.

terça-feira, 30 de março de 2010

Hoje eu tava vestida mais ou menos assim:
A blusa não era essa e a calça não era essa. Não dá pra ver o sapato, mas também não era esse. Bom, mas o colete e o cinto eram esses e foi o cinto que fez meu aluno de 7 anos me perguntar:
-Tia, você é magra ou gorda?

Eu não sei bem que cara eu fiz, só sei que ele sentiu que tinha que explicar a pergunta:
-Tia, você colocou esse cinto pra fingir que é magra ou porque é magra e sua roupa é grande demais pra você?

Tem como não amar uma minipessoa que faz essa pergunta?
...
Lembro de uma aula prática que eu tive que dar sobre o tópico "hábitos que devemos ter antes de dormir." Era pra uma turma de crianças de 7 anos também. Daí desenhei um ursinho fazendo várias coisas: colocando o pijama, escovando os dentes e tal. O nome do ursinho era Zeca, eu criei uma história e inseri os tais hábitos dela. Ia contando e colando as cenas do Zeca no quadro, alguma coisa assim.

Aí bem no meio da aula uma menininha levantou a mão:
-Tia, me diz uma coisa. Se nós, que somos humanos, temos ursinhos de pelúcia, então os ursinhos têm humanos de pelúcia?

eu <3 perguntas de criança

domingo, 28 de março de 2010

Só minha mãe e eu na cozinha.

-Linda da mamãeeee. Muito bonitaaa! Ai, que lindaaaa!

A Hannah vem correndo lá da sala, toda-toda.

-Olha, mãe. Ela acha que você tá falando com ela.
-E você acha que eu tô falando com você!

Ai, que delícia fazer avaliação na academia, né?

No mesmo dia você tem que:
1. admitir que só consegue fazer 3 abdominais completas,
2. ser medida de todas as maneiras possíveis,
3. ter a sua gordura calculada e ouvir "nossa! você é magrinha mas tem muita gordura, né?"

Delícia, delícia, delícia.

quinta-feira, 25 de março de 2010

minha coleção de empadas

É uma pena que as fotos não sejam boas, mas eu garanto que só empada gostosa entra na minha coleção.


De chocolate com massa de chocolate da Empada Carioca, de palmito e a rainha: empada gigante de siri do Belmonte. Por falar nisso, saudade de você, empada gigante!

é só uma parte da coleção :)

Tava indo pra pós, quando a Cíntia me ligou pra avisar que não tinha luz na Uerj.

Comprei empadas pra trazer. Vim andando pra casa. Liguei pra Patrícia pra avisar que não teria aula, o que não ajudou muito, porque ela tinha acabado de chegar na Uerj quando eu liguei. Cheguei em casa. Tomei banho. Esfoliei meu rosto. Notei que meu esmalte estava muito fosco. Passei um extra brilho. Até que me toquei. Caraca, eu tinha uma coisa marcada pra hoje!

E aí lógico que não ia me arrumar e sair de casa porque, vamos combinar uma coisa, nada dá certo. As coisas podem dar errado qualquer dia, não precisa ser hoje, que eu já tô de pijama xadrez.

-Oi. Sabe o que é? É que hoje não vou ter aula na pós. Vamos deixar pra outro dia?
-Ah, tá. Aí você não vem pro Rio?
-Ah, vou não.
-Vamos marcar outro dia, então.
-Tá, eu te ligo.

Daí é bom, né? Porque estamos juntinhos em pelo menos uma coisa, estamos competindo pra ver quem se importa menos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Eu sei que coloquei isso no twitter, mas acho os e-mails da minha mãe tão deliciosos, que tenho que colocar aqui também:


"ruth fbo to me
8:53 AM



Oi Filha! vc é muito metida, mas moderna e chic tbém,

te amo

bjs.


sua mãe preferida."


E durante os meses que eu passei na França, minha mãe me mandava e-mails diários. Só que o título de todos os e-mails era SAUDADE! ou sua variante MUITA SAUDADE! Não importava se o e-mail era pra perguntar se eu precisava de dinheiro, contar da Hannah ou mandar a receita dela de moqueca. O assunto era sempre SAUDADE!

Os melhores e-mails do mundo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Acho meninos tão bonitinhos, mas tão bonitinhos mesmo. E, cara, eu já entendi que a chata sou eu mesmo, então agora em vez de reclamar eu tento dar risadinhas.

A coisa com que eu menos me importo no mundo é celular. Não ligo, não preciso ter o melhor nem mais caro. Odeio que me liguem e odeio ligar pras pessoas. Celular não é assunto. O que eu tenho a dizer sobre meu celular? Nada. Eu não gosto nem de falar no celular, que dirá falar sobre ele.

Bom.

Mas sempre que eu tiro o celular da bolsa meninos acham que ele é um assunto.

-É 3G?
-Você tá usando wi-fi ou a sua Internet mesmo?
-Quanto tempo dura a bateria?
-É Nokia?
-É seu cachorro aí na foto? (essa me irrita profundamente, porque é só olhar pra Hannah pra ver que ela tem cara de menina. não tem como confundir com menino)

É sério? Vamos conversar sobre o meu celular? Porque, olha, se for pra conversar sobre meu celular, me deixa logo abrir o álbum de fotos pra mostrar a coisa mais interessante do aparelho: a minha coleção de fotos de empada.

Mas é isso. Antes me irritava, agora acho bonitinho e agradeço o esforço. Pelo menos não tá me chamando de exótica nem dizendo que meu vestido parece um pijama.

sexta-feira, 19 de março de 2010

-Ah, Punta. Já passei férias lá. Tenho até foto num cassino, em frente a uma máquina de apostas, com uma blusa amarela de ombreiras e meu relógio-bolha no pulso. Porque meus pais, né? Sempre fazendo o que é sensato.
-Você já foi pra Punta?
-Já, algumas vezes.
-Você e seus segredos.

Ai, desculpa. Vou começar a me apresentar dizendo "Oi, meu nome é Renata, sou professora de inglês e já passei férias em Punta del Este.
...
Mas isso não é nada. Minha amiga de anos não saber que eu já tinha passado férias em Punta não é nada.

São outras coisas, sabe? De nunca contar as minhas coisas, nunca contar quando estou péssima. De quando minha voz está estranha no telefone, nunca dizer que é porque estava chorando. De chorar no ônibus, na frente de desconhecidos, mas nunca na frente de quem pode me consolar. De engolir o sapo e nunca dizer o que me magoou. São todas essas coisas que eu não entendo muito bem por quê.

There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Só porque não sei se ficou claro ainda o tamanho da coisa.

Passo dias ansiosa, aflita, enchendo a paciência de todos os meus amigos. A gente se deu tão bem. Eu sou tão legal. Minha roupa era tão linda. Eu super me fingi de pessoa normal. Ninguém aguenta mais me ouvir falar disso.

Daí o telefone toca, é ele e o que eu faço? Cara, o que eu faço?

Penso "pfff, fraco."

E não atendo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vou contar também do momento de pânico. Que só apresentei Nip/Tuck pra uma amiga, mas ela foi capaz de reparar um dia:
-Nata, ele tá de verde de novo.
-De novo?
-É. Tá sempre de verde.
-Nossa, nunca reparei. Que estranho.
...
-Renata.
-Oi.
-Ele tem olhos verdes.
-É, tem.
-Olhos verdes.
-Sei.
-OLHOS VERDES. E se ele for uma dessas pessoas que tem olhos verdes e só usa roupa verde?
-NÃÃÃÃOOOOO!!!
-Você já reparou se ele usa outra cor?
-Hmm, já vi de verde escuro, verde água, verde claro. Já vi de azul? Amarelo? Rosa? NÃO SEI!

O momento de pânico durou algumas boas horas, até o próximo encontro.

Ele tava de azul.

Uma coisa muito legal no Nip/Tuck é que flertava o tempo todo e essa é a minha parte preferida, sempre. Adoro ficar olhando, conhecer, fazer aquela cara de quem tá avaliando o outro. Contar coisas sobre mim, falar da minha família, falar sério, apresentar pros meus amigos, ligar "só pra ouvir a sua voz", essa parte eu não curto.

Ainda mais com ele, não tinha mesmo como dar certo. Eu encontrava a pessoa e perguntava "e aí, seu dia foi bom?" e ele respondia que, sim, tinha sido tranquilo, "fiz dois implantes e uma abdominoplastia" e o assunto acabava, né? Porque o que eu posso dizer depois disso? Tô aqui, fazendo legendinhas e você tá aí, ficando rico com a insegurança das pessoas.

Bom, o caso é que Nip/Tuck era irresistível, porque não importa o que a gente estivesse fazendo, ele tava sempre flertando e eu ficava toda derretida.

Porque não tem como resistir a uma pessoa que pisca o tempo inteiro váriasvezesváriasvezes.

desde 1983 curtindo um tique

domingo, 14 de março de 2010

Bom, eu sei que tenho que vir aqui e escrever alguma coisa ou a Cíntia vai me bater.

Mas a única coisa que eu tenho pra dizer é que outro dia eu tava andando na rua e jogaram uma fruta em mim.

Tá?

Quase estragou minha sapatilha rosa e eu quase chorei. Mas eu tinha decidido que aquele seria um bom dia e é proibido chorar num bom dia, a menos que seja de felicidade.

Chorar de felicidade, ¬¬

domingo, 21 de fevereiro de 2010

E também o que é chamar de nip/tuck depois de tanto tempo chamando uma pessoa com quem eu passei anos de medonho?

Hein? Não foi legal? Mais legal ainda foi quando chegou ao ponto em que até amigos de amigos passaram a se referir a ele assim.

E aí quando eu contava alguma história e uma pessoa nova no meu mundo ficava perdida, tinha sempre alguém pra explicar "medonho é o ex dela."

Rancor: curto muito.

Então, se pensar bem, chamar de nip/tuck é até um elogio. Porque, assim, tô dando valor a todos esses anos que a pessoa passou estudando e tal e tal. ¬¬

-Vou falar que viajei pra cuba, ela agora só quer saber de cuba. Vou falar "trouxe uns havanas pra você."
-
Cara, tava lá com o nip/tuck, né? Aí me mostrou uma caixa de charutos que ele fuma, que tinham cara de ser caríssimos. Nunca antes alguém tinha tentado usar charutos pra me seduzir.
-
É a idade chegando.
-Bom.
-Agora a gente sai com pessoas que têm problemas tipo hérnia de disco e fumam charutos.

-Caraca, é verdade!


Mas a minha grande pergunta é mesmo. Meninos: quando crescem ficam mais bobos?

eu queria dizer que tô, sim, me sentindo um pouco mal por chamá-lo de nip/tuck, porque ele é uma pessoa legal (apesar de achar que charutos me impressionariam) e tal, mas eu não resisto a apelidos e esse é tãotãotão perfeito, que eu não resisto.

e, bom, certeza que eu sou a menina-laço, aquela que só anda de sapatilhas, a menina de nova iguaçu ou qualquer coisa assim.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um dia antes de ir pra Argentina, falei para a minha mãe que não sabia se ia desbloquear o roaming internacional, porque é caro e tal.

-Nossa, Renata. Cruz-credo. Filha, eu não te criei pra isso. E se eu precisar falar com você? E se você precisar falar com a gente? Ai, vai economizar com isso?

E completou:

-Não tenho dessas coisas. Comigo, ou é calça de veludo ou bunda de fora.

E por que eu estou escrevendo sobre isso agora? Bom, porque a conta do celular finalmente chegou. E também porque eu queria colocar uma das minhas fotos favoritas de toda a viagem:

Porque se minha mãe não me criou pra economizar, ela certamente me criou para fazer poses como essa.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Depois de um encontro, sempre vai ter uma amiga pra dizer "se foi legal pra você, foi legal pra ele também." Daí você acredita porque, né? a gente acredita mesmo.

O caso é: e quando pra pessoa foi legal e pra você foi péssimo? Péssimo. Péssimo. Péssimo do tipo quase chorei? Péssimo mesmo. Péssimo do tipo o que essa pessoa tá fazendo? Por que ele tá falando isso? Péssimo assim. E quando?

E quando a pessoa fica ligando, mandando mensagens e, é claro, quer saber por quê? E quando "somos pessoas diferentes, gostamos de coisas diferentes" não dá conta do recado? E quando?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O ano só começa depois do carnaval.

Peraí!

:*

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

no segundo

-Você não quer voltar pra Barra comigo?
-Nem se eu quisesse eu poderia, né? Assim, eu não vim da Barra, como posso voltar pra lá? Só posso e vou voltar pra minha casa, que é de onde eu vim.

Adoro deixar meninos sem graça.

Meninos são tão meninos. Adoro muito. Eles me divertem (quase) sempre.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Convido a pessoa pro meu aniversário, ela pergunta:
-O que vai ter lá?
-Sacanagem! Não! Não! Vai ter um almoço, um almoço!

Se tem uma coisa que eu não acho legal no mundo é ato falho.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

-Mãe, tô muito abalada. O carnaval tá chegando e eu ainda não tenho fantasia.
-Para de show, Renata. No carnaval todo mundo sai pelado.

Todo mundo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Eu

É uma sensação engraçada esta. Eu sou leitora de blogs, muitos, todos os dias, então acho que eu entendo. Sabe? Essa coisa de ler o blog e achar que conhece a pessoa e sabe tudo sobre ela.

-odeio petit gateau. Odeio com todas as minhas forças. Odeio petit gateau de todos os sabores. Não como, não como, não como.

-traduzo filmes e séries para DVD e nunca assisti a nenhuma tradução minha. Normalmente eu não assisto a DVDs com a legenda em português. E também assisto tantas vezes, enquanto traduzo, pra conferir se tá tudo certinho, que enjoo e não quero ver aquilo nunca mais.

-digito apenas com meus dois dedos indicadores. Digito assim desde que tinha uns oito anos e ganhei uma máquina de escrever de presente de dia das crianças. Eu digito rápido. Ninguém acredita quando eu digo que digito só com os indicadores. Eu também acho ridículo, mas já entendi que nunca vou aprender a digitar direito.

-sempre quis ser professora. Não me lembro de querer ser outra coisa. Já tentei viver só de traduções e, apesar de pagar melhor, senti muita saudade da sala de aula. Além disso, trabalhar em casa não tem tanta graça. Eu preciso de uma desculpa pra usar todas as minhas roupas.

-tive aniversários temáticos até os 12 anos. De temas comuns, tipo personagens da Disney até temas que só faziam sentido pra mim e pra minha mãe, tipo flores cor-de-rosa e natureza (o bolo foi uma borboleta). Eu já tive um bolo em forma de pandeiro, um em forma de boca, um em forma de bruxa, um que tinha a cabeça do Pato Donald. A cabeça acendia. Bizarro. Meu irmão já teve bolo de pipa, de tambor, de tartaruga ninja (era o Rafael, claro), do Batman.

sábado, 23 de janeiro de 2010

As pessoas me dizem coisas muito fofas. Mas também me dizem umas medonhas. Tipo "eu morro de medo de morrer sozinha. você tem medo de morrer sozinha?"

Cara, como assim medo de morrer sozinha? Eu não tenho nem 30 anos. Tá perguntando se eu tenho medo de morrer, tipo, atropelada semana que vem enquanto estiver atravessando a rua sozinha? Ou quer saber se eu sofro pensando que daqui a 50 anos não vou ter ninguém ao meu redor, nem amigos, nem marido, nem filhos, nem meu irmão? É isso?

Porque, se for, acho bom parar de maluquice.

Ah, lembrei também de uma coisa que sempre acontece. Meninos sempre me fazem uma pergunta muito estranha.

-Eu sou professora.
-Mas você ganha bem, né?

Cara, por que tá perguntando? Como é que isso pode ser da sua conta?

Não sei se acontece com todo mundo ou se tem alguma coisa em mim que inspira a pergunta. Só sei que ela sempre é feita. E eu fico sempre com aquela cara de q? O que eu posso dizer? Como eu posso responder essa pergunta? Qual é a resposta certa? Ganho bem, ganho mal, não ligo pra dinheiro, sou tonta e nem sei quanto eu ganho?

Eu só queria saber: por que eles perguntam isso? Será que eu tenho cara de quem não vai rachar a conta? Justo eu, que quero sempre pagar a conta toda só pra provar que eu pooooosso e não preciso de ninguéeeem.

Às vezes sinto um incômodo tão grande quando me fazem essa pergunta, que respondo "acho que mais do que você, hein?" que é pra todo mundo ficar incomodado igual.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

boy, don't try to front

-Então, ele me mandou um e-mail, né? Mostrando as fotos e tal. Aí, mandou pra mim e pra um milhão de pessoas. Cara, dei uma olhada na lista, SÓ mulher!
-Só mandou pra mulher?
-Sim! Era uma lista enorme e dava pra contar os homens nos dedos. Sério, a lista era composta por milhões de mulheres! Foi quando eu finalmente entendi.
-Womanizer, woman-womanizer, you're a womanizer.

Eu não preciso dizer mais nada. Ela tira de dentro da minha cabeça a música que eu estava cantando desde que recebi o e-mail.

Todo mundo junto agora:

I know you
Gotta clue, what you're doing?
You can play brand new to all the other chicks out here
But I know what you are, what you are, baby

Quando as pessoas me perguntam:
-E aí, tudo bem? Como você tá?

Por alguns segundos eu penso em contar a verdade, dizer que as coisas estão melhorando, mas ainda não tá tudo bem. Que alguns dias eu já consigo ficar feliz da manhã à noite, que tantas vezes agora meu sorriso é de verdade.

Mas é só por alguns segundos. De verdade mesmo eu respondo:
-Tudo ótimo. E você?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Eu sei que tô devendo um post de ano novo. Mas ando meio lenta, sem saber o que dizer sobre o ano que acabou, que foi estranho.

E isso eu tinha que vir aqui contar.

Que é pra vocês verem que eu não tô exagerando.

O último. Olha só o perfil dele no Orkut (rá, não vou mostrar de verdade), ele está na seguinte comunidade: A beleza exótica é a mais bela.

Tá bom?

Eu juro que é verdade.


não sei se ficou claro, mas esse não é o mesmo que me chamou de exótica. tá bom?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ainda falando sobre a minha beleza exótica, a Tina disse que homens devem achar exótico sombra rosa, esmalte azul, essas coisas.

E aí, né? Quando eu fui chamada de exótica, tava com uma maquiagem bem discreta, batom nude e tudo. Quando aconteceu com a minha amiga, ela tava quase sem maquiagem. Então, acho que a gente é só feia mesmo. ;)

Mas aí fiquei pensando no esmalte azul e acho que os meninos acham simplesmente feio. Nada mais nada menos do que feio. Mas o que eu noto é que eles fazem um super esforço pra se fazer de modernos e sempre comentam. Não costumam elogiar, mas comentam como se não estivessem incomodados e às vezes dizem um "gostei" bem seco. Dá pra sentir que aquele "gostei" doeu.

"Nossa, seu batom é bem forte, né?"
"Olha, esmalte verde*. Gostei."
"Hmm, você tá de sombra azul."
"Sua sapatilha é BEM azul."

Eles falam como se não se importassem, como se não fossem achar mais legal se você estivesse usando Renda e um batom discreto. Mas dá pra sentir, né? Que ali dentro tá rolando uma guerrinha. Que ele tá dizendo "quero ser moderno, mas ODEIO esse batom laranja."

Eu sei. Sei disso porque já saí com um cara que tava usando uma murse. Que é uma man-purse. Que é uma bolsa masculina. Tá? A pessoa foi me encontrar usando uma capanga com alças. Uma ca-pan-ga. E eu, aquariana, demorei horas pra perceber que aquilo era uma bolsa. Mas o que eu podia fazer, se estava de sombra dourada + lápis azul, blusa estampada de balões, cinto xadrez e saia balonê de cintura alta? Ah, e quando ele me viu eu ainda tava com o casaco enrolado no pescoço, porque meu pescoço tava com frio. Como é que eu podia perguntar por que ele tava usando uma capanga? Imagina se eu tivesse que explicar cada peça que eu tava usando. Fiquei na minha. Mas aqui dentro tava rolando uma guerrinha.

Daí não falei nada sobre a capanga, assim como nunca abri minha boca pra falar mal de calça cargo, porque eu sei, meninos heterossexuais, que a calça cargo é um item muito importante pra vocês. Embora seja horrorosa.

O que eu quero dizer é que pelo menos eu não falo "hmm, você tá de calça cargo." como se simplesmente notar isso fosse um elogio.

Não é. É uma calça cheia de bolsos onde você enfiou sua carteira, seu chaveiro e seu celular e agora os bolsos tão com um formato bizarro.

É claro que eu notei.

Todo mundo notou.


*ele disse azul, mas eu lembro bem que era verde. era o show da risqué. pergunte a qualquer mulher, ele é verde.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Daí parei tudo, olhei bem nos olhos dele.

-Qual é o seu problema? Você tá mega bêbado? Você ouviu o que disse pra mim? Você disse que eu sou exótica. Em que mundo ser exótica é um elogio? Frutas são exóticas, animais são exóticos. Mulheres são lindas.
-Mas você é linda de um jeito diferente.
-Olha, você já falou que eu sou exótica. Não tem como voltar atrás. Não tente consertar.

Eu coleciono os piores elogios do mundo. Guardo todos numa caixinha verde.


daí aprendi que eles estão espalhados por aí. os homens que usam exótica como elogio. eles estão por aí, falando isso pra mim e pras minhas amigas. imagino agora quantas já tiveram que passar por isso. e eu só queria dizer o seguinte: se não acha linda, não fala nada. fica na sua. mas não usa exótica como elogio. porque não é. é uma palhaçada, isso sim.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Foram só duas caipirinhas. Mas eram as caipirinhas mais fortes do mundo. Aqui em Nova Iguaçu as caipirinhas costumam ser bem fortes. Mais fortes do que no Rio, muito mais fortes. Bom, tô tentando me justificar. Aí cheguei em casa de madrugada e decidi que era uma boa ideia colar todas as coisas quebradas do mundo. Bom, todas as coisas quebradas que eu achei no meu quarto, pelo menos.

Acordei coberta de cola pra isopor, que foi a única que eu achei, e com a sensação de que hmm, fiz o que não devia.

Tá lá, na pasta de mensagens enviadas do facebook:

"yuo'll alwas be my favourite person in te wolrd."

O melhor de tudo é ainda ter que trabalhar no dia seguinte.

It started out with a kiss
How did it end up like this?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Troca de e-mails pra decidir o que fazer no sábado à noite:

"eu e a Renata conhecemos essa banda, hein?"

Conhecemos? Quem conhecemos? Conhecemos quem? Mais importante: conhecemos como? Eu tava sóbria quando conheci? Onde foi isso?

Nada mais me lembro.

Vou chegar lá e alguém da banda vai cuspir em mim?

Pequeno momento de pânico.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Há três tipos de pessoa. Tô falando de Maracanã, tá?

Tem a Aline, que te puxa pelo braço e quando você vê já tá a 300 metros da briga.

Tem Marcela, que você vê de longe (porque em 3 segundos Aline já te puxou pra bem longe da briga), bom, tem Marcela que você vê de longe se enfiando na briga pra apartar. E dizendo a frase "eu faço boxe!"

E eu, né? Que tenho um medo muito grande de perder o meu lugar. Não sei de onde vem isso, não sei mesmo. E já tenho tantas maluquices pra tratar na terapia que, desculpa, não vou ficar investigando por que tenho medo de perder meu lugar. Não mesmo. Só sei que o mundo pode cair que eu permaneço onde estou, pensando "eu é que não vou sair, que vem um esperto e toma meu lugar."

Então, se ninguém me puxar, vou ficar ali até me darem um soco bem forte.

Eu durmo de pijama todos os dias. Eu sei, eu sei, que coisa de velha. Mas adoro pijamas e quando era criança minha mãe nunca me deixava dormir de qualquer jeito, com uma camiseta velha. Eu tinha que dormir de pijama. Me acostumei e adoro. Vestir um pijama faz parte da minha preparação pra dormir. Daí bem antes de tomar banho e dormir, eu já planejo o pijama que vou usar.

Então imagina o desespero quando eu abro a gaveta de pijamas e justo aquele que devia ser usado hoje não está lá. Só a calça está lá. Cadê a blusa?

Pânico. Por que lavar as partes do pijama separadamente? As partes têm que ser usadas juntas.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tem uma cigarra me irritando muito. Tá lá do outro lado da rua. Eu atravessei o quarto todo, desesperada, achando que estava aqui dentro. Mas tá do outro lado da rua.

A cigarra me irrita, me irrita, me irrita. Quase me enlouquece.

Mas aí eu lembro que ela só quer achar alguém, acasalar e morrer em paz.

Como todos nós.

domingo, 13 de dezembro de 2009

em uma palavra: DOR

-Mas você vai aguentar dançar?
-Claro que não! Mal vou aguentar andar! Imagina dançar, nunca!
-Mas, então, por quê?
-Ficou lindo com o vestido que eu escolhi.
...
Sabe o que eu adoro? Mulheres que dizem "ahh, mas com essa plataforma embutida, é como se você estivesse descalça." Olha, não sei qual é o problema delas, mas com certeza nunca andaram descalças na vida. Ou a única vez em que andaram descalças foi sobre brasa ou cacos de vidro, sei lá.
...
De repente é isso mesmo. Eu me odeio e estou tentando me punir por alguma coisa. Vou trabalhar isso na terapia, tá?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma das minhas resoluções de ano novo é não me relacionar mais com homens que não curtem futebol.

Eu aqui, coração apertado, querendo morrer, num sofrimento só e o cara naquela onda "se ganhar, ganhou. se perder, perdeu."

Não dá.

Quero camisa do time no armário, gritos enlouquecidos, muitos palavrões no maracanã.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Vou ensinar uma grande lição para vocês, meninos: um não é apenas um não.

E um não é melhor do que o silêncio.

Um não liberta também. Machuca nosso orgulho, fere nossa autoestima mesmo. A gente pensa por um momento "por que não quer? eu sou tão legal." Mas isso passa.

O silêncio não diz nada. O silêncio nos faz tirar nossas próprias conclusões. O silêncio faz a gente achar que é tão nada que não vale nem um não.

Um não é ruim, mas é bom.

Digam não. Expliquem. Verbalizem. Sejam legais.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Estudar com a melhor amiga é tão bom. Chego atrasada, tem um professor substituindo nossa professora e ela logo escreve no livro dela pra me avisar: "odeio ele"

-Por quê?
-Porque a primeira coisa que ele falou quando começou a discutir a peça é que a personagem tal tava bem comida.
-O.o

Imagina se eu não soubesse disso? Eu até teria gostado da aula. Ainda bem que ela logo me avisou. Não posso gostar de quem diz isso. É pessoal.

Eu até quero sair de casa e ser mais adulta. Mas aí alguém pega meu all star branco que eu deixei na área de serviço pra lavar quando tivesse tempo e paciência e lava, sem eu pedir nem nada.

E como mágica eu tenho um all star branco limpinho de novo e posso continuar brincando de ser adolescente.

Assim, é como se meus pais estivessem dizendo "fica! fica! fica!"

Não é?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

XX adicionou você como amigo no Facebook. Precisamos confirmar se você conhece X para que sejam amigos no Facebook.

Claro que conheço! Conheço e é um grande babaca. Escreve aí, Facebook: ba-ba-ca.

¬¬

Sério, você faz uma das maiores palhaçadas que eu já vi na minha vida. E depois fica se fazendo de legal só porque pediu desculpa. Aliás, um dos piores pedidos de desculpa que eu já recebi. Sério que você quer ser meu amigo no Facebook?

E aí, Facebook, tem como responder com um "ARE YOU FUCKING KIDDING ME?"

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Eu só pareço boba, mas eu sou até bem esperta.

Eu sei que quando alguém faz uma cara de espanto e diz "Nossa! Tá toda arrumada" não é um elogio e nem um comentário inocente. O que a pessoa quer dizer mesmo é que eu sou fútil e me importo com coisas superficiais.

Eu tô acostumada. O que eu não entendo é como o fato de eu estar usando uma roupa bonita pode incomodar. Comprei com o meu dinheiro. Gastei o meu tempo pensando em como eu ia combinar aquela peça. Me senti feliz com o resultado e saí de casa. O que, na minha roupa, que só tem a ver comigo e ninguém mais, pode incomodar?

É como se eu tivesse que me justificar. Olha, tô usando essa roupa aqui, mas eu não me importo só com isso. Eu também leio, tenho amigos, sou legal, dou dinheiro pra ajudar cachorrinhos. Olha só, eu até estudo.

Sério, a roupa é minha. É importante pra mim. Como deve ser importante pra você juntar dinheiro pra comprar uma casa. Ou ter filhos. Ou ter um celular caro que faz mil coisas que meu celular simples não faz. Ou usar sapatos feios, sei lá o que dá sentido à sua vida.


mas o melhor de tudo é que se eu quisesse ser sincera e dizer "olha, sou fútil mesmo, roupas são importantes pra mim mesmo e mesmo assim sou mais inteligente do que você" eu poderia. então, me deixa quieta com meus vestidos de laço e para de se fazer de cult.

O cara me diz assim:
-Eu faço a minha empregada lavar todas as minhas camisetas a mão. Não pode botar na máquina de lavar, que estraga.

E eu penso:
-Economiza o papinho, porque você acabou de ganhar to-do o meu desprezo.

Mas de verdade mesmo eu digo:
-Que frescura, hein?

Dou um sorrisinho e vou embora.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

o que me ofende

Alguém diz que me acha parecida com uma menina.

Cara, não é porque eu acho a menina feia, não é porque eu acho a menina chata.

Mas você viu que a menina só usa bege? Como é que alguém me confunde com uma pessoa que só usa bege? Eu sou uma cartela pantone disfarçada de professora de inglês. Pra quê? Pra ser confundida com alguém que só usa bege, cinza e preto?

Não dá.

Me ofende.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

um dia na minha vida

Saio de casa me achando a pessoa mais legal do mundo com meu batom fúcsia e minha camiseta de caveira.

No caminho de casa pro trabalho um homem me diz "Nossa, você tá ridícula!" Não sei se ele está falando do batom, da camiseta, da armação neon dos meus óculos escuros ou de mim como um todo. Só levantei meu dedo do meio, chocada demais pra perguntar o motivo da agressão, mas experiente demais em maluquice pra passar por isso sem reagir.

Conferindo meus e-mails, drama. Não contente em levar um fora, eu gosto de passar do fundo do poço e levar dois foras da mesma pessoa. Então, tá.

Indo pra pós, sentada no corredor do ônibus, um homem pede pra sentar na janela. Agradece 1 milhão de vezes. Obrigadoobrigadoobrigadoobrigado. Quando começou a conversar com as roupas que estava vestindo, entendi que tava bêbado.

E aí rolou, né? Choro num espaço público. Choro, lágrimas, pequenos soluços.

Que delícia.


mas meu batom fúcsia ficou aqui o dia todo. é preciso resistir.

Por causa de tudo pelo que eu passei, porque eu fui criada pra ser independente, não precisar de ninguém, me bastar, ser melhor do que todo mundo, é uma dor quase física me apegar a alguém. Sempre é uma escolha e é sempre tão difícil.

É como se eu estivesse abrindo mão de ser eu.

Eu normalmente luto contra isso. Quero ser mais aberta, mais fácil, mais dócil. Não quero que o amor seja um campo de batalha (<3) pra mim. Não quero ter que me preocupar com quem está por cima e quem está por baixo.

Normalmente eu luto contra isso.

Mas, às vezes, só às vezes, eu quero agradecer a mim mesma por ser assim.

-Ah, aí foi isso. Ele era legal, mas não deu certo.
-Ih, você é boba.
-Por quê?
-Nem pediu pra ele te apresentar um amigo?
-Oi?
-Ah, tinha que ter falado assim "então, super normal, não deu certo. mas você não tem um amigo assim tipo você não?"

Minha amiga, senhoras e senhores. Minha amiga.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A gente se encontrou por acaso duas vezes na mesma semana.

-Olha, que assim eu penso que você tá me seguindo.

Pânico. Será que ele acha mesmo?

E não consigo ser legal, engraçadinha nem simpática. Passo o resto do tempo fingindo que não tô prestando atenção pra ninguém achar que eu sou maluca e sigo pessoas pela rua.

Minha mãe vai reclamar da minha antipatia a vida inteira. Ela passa todo o tempo livre dela perguntando qual é o meu problema. Por que eu sou tão chata? Por que sou tão implicante? Tão insatisfeita?

Eu poderia passar o meu tempo livre todo explicando meu problema, meus vários problemas. Se minha mãe não fosse leonina e conseguisse ouvir o que as pessoas dizem.

Mas o caso é que meninos sempre dizem que eu sou ultra simpática. É uma coisa que eu já ouvi algumas várias vezes na minha vida.

E sempre acho engraçadinho e bonitinho, porque, se liga, eu não sou legal, eu tô te dando mole.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Eu vou falar um palavrão agora. Eu sou muito boca-suja, falo palavrão o tempo todo, mas no blog e no twitter evito porque quero fazer a fina. ;)

Só que não dá, vou falar, porque só um palavrão vai conseguir representar a intensidade. Tá?

Eu sou implicante pra caralho. Muitomuitomuito implicante.

-Sabe aquela hora em que eu comecei a falar do jogo do Floo, que eu quase tinha chorado com o gol do Alan e como meu time é lindo e tal?
-Sei.
-Foi porque fulaninha tava se fazendo de cult, falando mal de futebol, dizendo que não faz sentido, que não entende quem vai ao estádio, que o torcedor não ganha nada quando o time ganha.
-Poxa, podia ter me avisado, pra eu entrar na onda.

Implicante pra caralho. E minhas amigas também.

Eu tava no restaurante esperando duas amigas. Tomando um chopp e lendo o cardápio. Entrou um vendedor de flores. Ele tava com a camisa do Floo, então ganhou minha simpatia imediata. Quis comprar pra mim e pra minhas amigas. Depois de um dia inteiro trabalhando e estudando alguém tem que ser legal com a gente.

-Quanto é?
-Dez reais. Mas pra você que tá sozinha eu faço por 5.

Ah, sim, e a peninha que você sentiu de mim vem de brinde?

Não comprei, claro. Sozinha está a sua avó.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Só consigo me lembrar da minha amiga M. Um ano saindo com o cara. Um-ano. E quando foram a um restaurante japonês e ela pediu palitinhos com elástico, ele não se conteve:

-Ahá! Finalmente achei uma coisa!

Um ano procurando uma fraqueza.

Eu tô aqui. Sou quase nada. Tô aqui, falando o óbvio, nunca digo coisas geniais. Tô aqui dando aula de inglês, explicando a diferença entre past simple e present perfect como se isso realmente importasse. Tô aqui tentando ser adulta sem muito sucesso. Tomando decisões sem ter a menor idéia do que eu tô fazendo. Cara, quem leva a sério alguém que usa óculos escuros de armação cor-de-rosa neon? Eu saio por aí com broches em forma de pavão. Com vestidos estampados com guarda-chuvas.

Enfim, tô aqui, sou eu. Não sou brilhante, não sou deslumbrante de linda.

Então só queria entender por que* homens têm tanto medo de mim. Queria entender por que depois de mim eles sempre escolhem alguém que nem sabe escrever direito?


por favor, só comentários falando sobre o quanto eu sou legal, linda e inteligente e como sou a rainha da acentuação e nunca erro na crase. tsá? ;)

*e olha como eu arraso nas regras dos porquês.

domingo, 8 de novembro de 2009

-Meudeus, mas eu não posso comer esse molho mesmo. Manteiga derretida, vou ficar enjoada o resto do dia.
-Não é só manteiga. Tem azeite também.

Ahh, que bom. Assim tá bem leve, então.

¬¬

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Existem coisas que dentro da minha cabeça fazem muito sentido, mas quando eu conto pra alguém vejo que aquilo só faz sentido pra mim.

Uma dessas coisas é a roupa de conflito. Há alguns anos eu comecei a notar que tinha uma sensação ruim quando via mulheres em filmes de ação. Porque elas nunca estão vestidas com uma roupa adequada. Lembra a Jamie Lee Curtis de vestidinho lutando contra terroristas em True Lies? Me incomoda muito.

De vestido não dá pra dar chutes, você não está protegida. Como vou dar um chute em alguém se na minha mente está gravada a voz da minha mãe dizendo "renata, olha os modos, você está de vestido." De salto alto não dá pra correr e se defender.

Daí depois percebi que eu aplicava isso na minha vida. Sempre que saio de casa penso se vou pra algum lugar onde possa me envolver num conflito. Se a resposta é sim, vou de calça, sapato baixo, uma blusa que permita que eu me movimente e salve minha vida. Se não, posso ir de vestido ou saia.