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domingo, 30 de janeiro de 2011

cadê paciência?

Sempre que um menino vem falar comigo dizendo alguma bobagem tipo "quantas pintinhas você tem? posso contar?" a única vontade que eu tenho é de dizer "circulandô! circulando, amigão, circulando."

Porque, né?

Não, eu não sei quantas pintinhas eu tenho.
Não, você não pode contar.

E muito menos encostar nelas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Que tipo de pessoa eu sou?

Vou dizer. Sou o tipo de pessoa que quando o menino pergunta "Já viu o filme tal?" responde "Não, nem posso ver. Esse tipo de filme me desconcentra."

esse.tipo.de.filme.me.des.con.cen.tra.

Tá bom? Tá bom, então?

Eu convivo comigo mesma há 27 anos e ainda me surpreendo.

Eu sou o máximo.

e esta semana não tem terapia. tá? tá bom? tá bom, então?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Como deixar o professor da academia sem graça quando ele perguntar por que faz tanto tempo que você não aparece, em uma lição:

Responda "Ah, é. Só malho quando tomo um pé na bunda."

Meninos nunca sabem o que dizer quando a gente fala que tomou um pé na bunda. E eu adoro deixar meninos sem graça.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

-Mas você não me avisou que era pra vir arrumadinha. Ai, cara, vim do trabalho e da pós, tô com qualquer roupa. Achei que era só um chopp e pizza.
-Mas não era pra vir arrumada. É só um chopp e pizza.
-Tá. Mas você e todos os seus amigos estão de terno.
-Ai, Renata, é que a gente também veio direto do trabalho, ué.
-Ah, é! Sempre esqueço que você tem um trabalho chato.

É por isso que eu não tenho namorado.

em minha defesa: não dá pra me acostumar com a ideia de que a pessoa que eu conheci* na adolescência de bermuda e guitarra agora trabalha de terno e fala sobre juros.

*é pra ler conheci na adolescência assim: achava o máximo enquanto ele nem sabia que eu existia. né? que a gente sabe bem como é.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

-Borges?
-É, como o escritor.
-Que escritor?
-o.O
-De que escritor você tá falando?
-Jorge Luis Borges, ué.
-Não conheço.

Eu entendo, eu sei que ninguém precisa ler os mesmos livros que eu. Assim, toda uma compreensão dentro de mim. Eu sei, eu entendo. Mas é mais forte do que eu. Eu tenho que falar uma bobagem. Tenho que falar uma bobagem. Não tô aguentando, vou falar.

-Você não conhece Borges? Mas você é, tipo, burro?

É por isso que eu não tenho um namorado.


(por um milagre do universo, o menino do post não ficou ofendido. ele entendeu a piada - ou não - e riu.)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Acho que nunca vou ver o número na agenda do celular e tudo bem.

Espero ligar? Ligo? Não ligo?

Daí fiquei pensando e acho que o pior pra mim não é isso. O pior é mesmo nunca saber o que vai acontecer. O pior pra mim e pra todo mundo, né? Eu sei, eu sei.

Mas é o que eu queria. Queria saber no que vai dar antes de ligar. As pessoas podiam usar crachás. "Vou ficar na sua vida por 2 meses"
"Vou sumir depois de 3 encontros"
"Vou ficar com você e com todo mundo"
"Nunca vou te apresentar aos meus amigos"

Tão mais fácil.

Eu aceitaria usar um crachá. No meu crachá você leria: "Não sei se é isso que eu quero, mas tô aqui mesmo assim."

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

-Isso não faz o menor sentido, porque já faz mais de dois anos que nós estamos juntos.
-Vocês estão juntos?
-NÃO! NÃO! Não, eu quis dizer que já faz mais de dois anos que nós terminamos.

Respiro, me sinto idiota, me sinto ridícula, me odeio por ter dito isso em plena sessão de terapia, agradeço por ter sido lá. Blá, blá, blá.

Se tem uma coisa que eu odeio no mundo, essa coisa é ato falho.

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu tenho um problema. Eu sei, tenho vários. Mas vou falar de um só agora. Quando vou a restaurantes que têm um cardápio em outra língua, eu falo com sotaque. É tipo uma síndrome do sotaque estrangeiro aplicada a restaurantes.

É difícil, hein? Ninguém sabe o que eu sofro. Os garçons me maltratam, porque acham que eu estou debochando. Mas, se é assim que tá escrito no cardápio, eu só posso pedir um piatto di antipasto! Um piatto di antipasto, per favore! Como eu vou falar em português, se o cardápio tá em outra língua?

Passei meses na França sem falar nada de francês além de voulez-vous couché avec moi, ce soir vocabulário relacionado a comida. Eu levo isso muito a sério. Só me sinto segura em algum lugar quando sei pedir comida na língua de lá.

Mas contei o meu problema só pra falar de outra coisa. Imagina que você tem que interagir com um menino que tem um nome italiano. O nome dele não é esse, mas imagina que o nome dele é Paolo, só pra eu poder continuar a história. Imagina que você sofre da síndrome do sotaque estrangeiro com palavras isoladas. Imaginou?

Então nem preciso dizer que você tem vivido se controlando muito pra quando falar com ele não sair gritando -PAOLO GNOCCHI FETTUCCINE PROSCIUTTO!

Parece fá-cil, mas é difí-cil.


um dos maiores medos da minha vida é sofrer da síndrome do sotaque estrangeiro de verdade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pra começar a explicar:

Tava andando de mãozinha dada.

-Você é tão feminina, Renata.

Eu entendo, eu juro que entendo que é pra ser um elogio. Eu não sou tão chata assim. Eu juro que entendo a intenção.

Mas de verdade, de verdade mesmo, eu virei e perguntei:
-Mas o que é o feminino?

O.que.é.o.fe.mi.ni.no? Juro pra você.

É por isso que eu não tenho namorado.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Então que não é só largar os indies e procurar um outro nicho, não é bem assim. Preciso me acostumar às novas situações.

Tô aqui, me fazendo de independente, achando que não vai ligar mais mesmo, só foi legal pra mim, acontece e tal, vamos seguir em frente, o importante é voltar pro jogo, ok, blá-blá-blá.

Daí não sei o que fazer com um menino que liga quando eu acho que não vai ligar.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Meninos que dizem "eu não queria te machucar" são tão bonitinhos.

Né?

Acho bonitinhos.

Mas o que eles sabem? Né?

Eu tenho que me segurar pra não parecer maluca e dizer que nem que você tente você consegue me machucar mais. Eu quero explicar que, olha, nem que você se esforce, querido, você consegue me machucar mais já do que me machucaram, mais do que eu já me machuquei. Nem que você queira.

Mas no final eu acabo mesmo sorrindo e deixando pra lá. Deixa você pensar que pode me machucar. Deixa eu achar você bonitinho (e inofensivo).

;)



So what do you know?
Oh, you know nothing!
But I'll still take you home

a vida é um pouco mais clichê quando eles se acham profundos ou acham que vivem num filme.

hoje acordei dramática.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Chegou a hora de pedir uma rodada de doce-de-leite pra galera.

;)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma amiga me avisa que não tem jeito, tá apaixonada e vai dar errado. Eu também. Se não estou, vou ficar. E vai dar errado.

Sabe quando você sente que vai dar errado? Mas sabe quando tá tudo tão bom (menos a sensação de que vai dar errado) que você não quer parar?

Então.

Daí ela me avisou que ia dar errado. Eu disse que comigo também. E que seria legal finalmente passar por isso com ela. Todas as vezes em que ela estava arrasada, eu não estava. Quando eu estava arrasada, ela não estava.

Já estou bolando a lista de atividades que nós faremos juntas, tentando esquecer:
-chorar
-beber
-ver filmes tristes
-ouvir músicas tristes
-comer doce-de-leite

Aceito sugestões.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"nota fundamental de esclarecimento

Porque parece estar havendo alguma espécie de confusão no meidicampo: Não é que o cara não escreve pra você porque ele está ocupado, viajando, cuidando da fazendinha feicibúnquis, doente, com muito trabalho, com os meninos no final de semana. Ele não escreve pra você porque ele não quer."

Obrigada por lembrar, Fal.

Levou um tempinho, mas eu aprendi. É verdade mesmo. Não ligou porque não quis ligar. Não enviou e-mail porque não quis enviar. Não mandou SMS porque não quis mandar.

Quanto tempo você leva pra ligar, enviar um e-mail ou SMS só pra dizer "e aí, tudo bem? nossa, tô trabalhando demais/ minha mãe tá doente/ meu cachorro morreu. assim que as coisas melhorarem eu te ligo"? Eu levo menos de cinco minutos.

Então é assim que funciona. Ele não tá a fim de você. Mesmo.

Das poucas vezes em que quis que ficasse claro e reiniciei o contato depois de um sumiço, a única coisa que ganhei foi um menino sem graça que não sabia como dizer que pra ele não ia rolar mais.

Então agora o máximo que eu faço é pedir pra uma amiga:
-Pesquisa aí rapidinho pela Internet, só pra ver se não morreu.

sábado, 19 de junho de 2010

-Eu queria que alguém me apresentasse um homem e dissesse "toma, vai sem medo."
-Hahaha. Sonhar não custa nada. Renata, eu só queria que alguém me mostrasse um sapato e dissesse "toma, vai sem medo."

Homem e sapato. Difícil encontrar um que não machuque.

Né?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ah, lembrei de contar do SdS.

Bom, ele é mega carioca. (Peraí, deixa eu explicar que eu não sou carioca, eu sou iguaçuana. Pra pessoas de outras partes do Brasil, deve parecer que eu tenho sotaque de carioca, mas não tenho, é só parecido)

Eu amo muito ouvir homens mega cariocas falando. Os meninos sempre acham que eu tô debochando quando eu digo "uau, que sotaque lindo você tem. fala 'mermão' aí pra eu ouvir", mas é sério, eu curto mesmo.

Daí minhas ligações pro SdS são sempre assim:
-E aí, beleza?
-Beleza.
-E aíííí?
-E aíííí?
-Beleeeeeza, gatinha?
-Beleza.

E ao mesmo tempo em que eu fico pensando "vamos logo ao que interessa", também penso "ahhh, corre lá, pega sua prancha, deixa eu ver você surfar, vai ser maneiro, vai ser bonzão."

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bom. Ontem encontrei o flerte da esteira. Eu tava indo embora, ele tava chegando, de camiseta laranja, e disse "oi, tudo certinho?"

Oi, tudo certinho?

Olha só, acho muito que isso tá escrito nas estrelas. Como ele saberia que uma das minhas músicas preferidas dos Loser é Onze dias? Hein, hein, como ele saberia?

Eu espero que vocês comecem a se preparar, depois não quero ver ninguém tendo que se endividar com carnê das casas bahia pra dar fogão e geladeira de presente pra gente*.

Um cara que cumprimenta alguém com "tudo certinho?" é tudo que eu sempre quis na vida. Juro, não tô exagerando.


*tô brincando, claro. amigos queridos, vocês não tem obrigação de me dar nada (que não seja h. stern home). um beijo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Acho meninos tão bonitinhos, mas tão bonitinhos mesmo. E, cara, eu já entendi que a chata sou eu mesmo, então agora em vez de reclamar eu tento dar risadinhas.

A coisa com que eu menos me importo no mundo é celular. Não ligo, não preciso ter o melhor nem mais caro. Odeio que me liguem e odeio ligar pras pessoas. Celular não é assunto. O que eu tenho a dizer sobre meu celular? Nada. Eu não gosto nem de falar no celular, que dirá falar sobre ele.

Bom.

Mas sempre que eu tiro o celular da bolsa meninos acham que ele é um assunto.

-É 3G?
-Você tá usando wi-fi ou a sua Internet mesmo?
-Quanto tempo dura a bateria?
-É Nokia?
-É seu cachorro aí na foto? (essa me irrita profundamente, porque é só olhar pra Hannah pra ver que ela tem cara de menina. não tem como confundir com menino)

É sério? Vamos conversar sobre o meu celular? Porque, olha, se for pra conversar sobre meu celular, me deixa logo abrir o álbum de fotos pra mostrar a coisa mais interessante do aparelho: a minha coleção de fotos de empada.

Mas é isso. Antes me irritava, agora acho bonitinho e agradeço o esforço. Pelo menos não tá me chamando de exótica nem dizendo que meu vestido parece um pijama.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vou contar também do momento de pânico. Que só apresentei Nip/Tuck pra uma amiga, mas ela foi capaz de reparar um dia:
-Nata, ele tá de verde de novo.
-De novo?
-É. Tá sempre de verde.
-Nossa, nunca reparei. Que estranho.
...
-Renata.
-Oi.
-Ele tem olhos verdes.
-É, tem.
-Olhos verdes.
-Sei.
-OLHOS VERDES. E se ele for uma dessas pessoas que tem olhos verdes e só usa roupa verde?
-NÃÃÃÃOOOOO!!!
-Você já reparou se ele usa outra cor?
-Hmm, já vi de verde escuro, verde água, verde claro. Já vi de azul? Amarelo? Rosa? NÃO SEI!

O momento de pânico durou algumas boas horas, até o próximo encontro.

Ele tava de azul.

Uma coisa muito legal no Nip/Tuck é que flertava o tempo todo e essa é a minha parte preferida, sempre. Adoro ficar olhando, conhecer, fazer aquela cara de quem tá avaliando o outro. Contar coisas sobre mim, falar da minha família, falar sério, apresentar pros meus amigos, ligar "só pra ouvir a sua voz", essa parte eu não curto.

Ainda mais com ele, não tinha mesmo como dar certo. Eu encontrava a pessoa e perguntava "e aí, seu dia foi bom?" e ele respondia que, sim, tinha sido tranquilo, "fiz dois implantes e uma abdominoplastia" e o assunto acabava, né? Porque o que eu posso dizer depois disso? Tô aqui, fazendo legendinhas e você tá aí, ficando rico com a insegurança das pessoas.

Bom, o caso é que Nip/Tuck era irresistível, porque não importa o que a gente estivesse fazendo, ele tava sempre flertando e eu ficava toda derretida.

Porque não tem como resistir a uma pessoa que pisca o tempo inteiro váriasvezesváriasvezes.

desde 1983 curtindo um tique