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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

not gonna crack

Eu sei que eu já falei disso.

E continuo achando que a gente não supera mesmo. Mas as coisas vão se encontrando, você vai se encontrando, acaba encontrando um lugar onde você se encaixa. Acho que todo mundo, não, a maioria das pessoas acaba encontrando um lugar. Mesmo que os outros não entendam esse lugar.

Só que você tira a pessoa da adolescência ruim, mas não tira a adolescência ruim da pessoa. Você tá por aí, tão feliz com você mesma, mas quando tocar Nirvana e você começar a bater cabeça, vai ficar na cara quem você foi.

Daí não importa que você hoje tá toda equilibrada, jogando seu cabelo pra lá e pra cá, com as perninhas cheias de hidratante iluminador. Tem aquele ponto que não pode ser tocado. Aquela coisa que você ficou tão boa em esconder. Aquela coisa que se alguém mencionar vai destruir seu dia, sua vida adulta inteira.

Aquilo que vai te fazer lembrar que as pessoas não veem só o que você quer que elas vejam.

Todo mundo tem.

(obrigada à Lívia pela dica do hidratante iluminador. minhas perninhas estão bem felizes!)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sabe quando você fica rodeando um assunto na terapia e só consegue pensar "nossa, nada a ver. não é isso que tá acontecendo"? E a terapeuta não pode dizer de uma vez que é isso que tá acontecendo porque não é assim que funciona. Então vocês ficam só rodeando o assunto. Uma pensando "nada a ver. sou perfeita." e a outra provavelmente pensando "te manca, garota. cai na real."

Daí um dia você percebe e entende. Que nos últimos anos nunca esteve com alguém sem pensar "não posso me apaixonar. isso não pode acontecer. não posso deixar. não posso me apaixonar."

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Não sei qual era a intenção da minha tia quando, discutindo minha vida amorosa, ela disse:
-Ah, Tata. O problema é a idade, né?
-Será?
-Nessa idade... Quantos anos ele tem?
-Trinta.
-Ah, é isso. O problema é essa geração.
-Mas, tia...
-Essa geração tá perdida, não tem salvação. Tudo babaca.

Ela só podia estar querendo me assustar. Me apavorar. Me fazer correr pela minha vida. Fugir para as montanhas. Porque o que eu posso fazer a respeito disso? Assim, parto para os de 20? Para os de 40? Tem solução pra isso?

Cilada, Bino.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mas também aviso logo: depois de chorar de boca aberta fazendo sonzinho, você tem que lidar com o fato de que vai ficar com cara de porquinho, toda inchada e cor-de-rosa.

Então, é isso. Ou você guarda pra você e não consegue pensar em mais nada ou chora fazendo sonzinho e fica com cara de porquinho.

Mas, assim, a vida é feita de escolhas.

Né?

Pra aqueles dias em que nada dá certo, quando você tentou de tudo, quando as pessoas não se importaram, quando você não aguenta mais, a solução pra mim é simples: chorar de boca aberta fazendo sonzinho.

Não adianta chorar fazendo sniff-sniff. Chorar com classe não resolve nada. A gente chora com classe no trabalho, no metrô, na rua, que é pra ninguém perceber, mas não resolve nada. Tem que chorar fazendo aahha, aha, ahhha.

Não cura, mas oferece alívio momentâneo dos sintomas da tristeza.
...
(a outra coisa que eu tenho que dizer é que só os deprimidinhos da MPB te entendem. nessas horas, só Vandré e Belchior.)



adoro um draminha.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

-Por que você tá de pijama e batom? E vermelho?
-Tô num dia daqueles. Preciso de algo que me deixe feliz, mãe.

Uma das coisas mais duras que eu já ouvi foi "você tem essa tendência a depressão, a vida vai ser mais difícil pra você do que pra maioria das pessoas. tem que aprender a viver com isso." Eu ouvi isso na terapia. Não era uma novidade pra mim, mas foi um soco no coração mesmo assim.

Porque eu não quero que seja difícil. Eu quero que seja fácil. Eu quero sorrir sinceramente e por nada. Eu não quero ficar sentada, sem saber o que fazer, sem força nem pra chorar, de tão exausta por sentir o que eu sinto. Eu não quero não ter o que responder quando alguém me pergunta por que eu estou triste.

Sabe? Ter que aprender a viver com isso não resolve o problema. Ter que aprender a viver com isso faz com que eu não esqueça que pra mim - e pra tantas pessoas - algumas coisas são mais difíceis. Faz com que eu me pergunte, quando choro "todo mundo estaria chorando agora se estivesse no meu lugar?"

Bom, o que eu quero dizer é que foi duro ouvir isso. Tá? Embora eu já soubesse e embora eu saiba que tanta gente sente a mesma coisa. Quando alguém confirma, dói como se a gente não soubesse.

E vou te dizer que tem dias em que meu cabelo tá tão revoltado, naqueles dias em que nadanadanada dá jeito nele, vou te dizer que nesses dias prefiro ouvir isso mil vezes a ter que lidar com meu cabelo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Estou sempre terminando relacionamentos. Não sei como isso aconteceu. Mas eu só termino relacionamentos. Eu não inicio relacionamentos. Só termino.

Eu me pergunto como é possível terminar uma coisa que nem começou. Não sei como é possível, só sei que é assim. É isso que eu faço. Eu termino relacionamentos que nunca começaram.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Porque, né? Às vezes parece que eu sou legal. Mas eu não sou, não. Mesmo.

Eu sou bem insuportável. E digo mais: sou o pior tipo de insuportável, porque sou insuportável na intimidade.

Eu escondo a loucurinha muito bem. Me faço de fofa como ninguém. Mas de verdade-verdade eu choro porque pedi café-da-manhã no quarto e mandaram o chocolate quente num recipiente que não combina com chocolate quente.

E também choro numa praia linda porque está ventando. Porque.está.ventando.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Por mais que eu queira seguir em frente, me dói muito esquecer. O seu último aniversário eu quase esqueci. Era dia de análise, entrei no consultório e logo no início da sessão ela me perguntou de você, se eu tinha te ligado, porque era seu aniversário. E eu chorei porque tinha esquecido. Eu esqueci o seu aniversário. Você é meu leonino preferido, o mais querido, o mais amável, parece até um leãozinho de verdade. Saí correndo pra te mandar um e-mail dizendo que ia passar o dia fora de casa, por isso não tinha ligado, e te ligava no dia seguinte. Eu menti pra você. Eu ia passar mesmo o dia fora de casa, mas se eu tivesse lembrado que era seu aniversário, teria te ligado assim que acordei, às 10h aí. Mas eu esqueci.

Eu sei que tá certo, eu sei que tudo bem. Nós conversamos tanto sobre isso, sobre como era hora, como já tinha passado da hora. Nós falamos tanto disso. Eu entendo, eu concordo, eu aceito. Mas poucas coisas me fizeram sentir mais culpa quanto esquecer o seu aniversário.

Fico me perguntando o que mais eu vou esquecer. Será que vou esquecer da surpresa que você fez no meu aniversário? Será que vou esquecer a primeira frase que você me disse? De todos os jantares que você fez pra mim? Será que vou esquecer que você me deu a última mordida do seu doce preferido porque o doce que eu pedi não era tão gostoso quanto o seu? Será que vou me esquecer de como você era chato e reclamava da minha forma de jogar tênis? Acho que disso eu queria esquecer, você era chato mesmo. Será que vou esquecer do que você escreveu sobre mim no seu diário? Será que vou esquecer que você tinha um pijama igual ao meu? O que eu vou esquecer?

Tantas coisas eu já esqueci que eu me pergunto o que você já esqueceu.

domingo, 26 de setembro de 2010

Quando eu estou deprimida, eu me sinto um robozinho. Meus gestos diminuem e são todos calculados, pra que eu faça o menor esforço possível, porque até virar a cabeça faz meu coração doer. Quando eu estou deprimida, eu tento pensar em coisas boas, mas só consigo pensar em coisas boas que já acabaram. Às vezes, quando eu estou deprimida, eu me forço a sair de casa pra fazer outra coisa além de ir trabalhar. Saio com meus amigos, vou fazer compras, vou ao cinema, saio pra dançar. Às vezes não. Aí só fico em casa, na cama, passo o dia de pijama e só levanto pra comer doce-de-leite. Quando eu estou deprimida, eu não quero comer nada além de doce-de-leite e torradas. Quando eu estou deprimida, eu não sinto meu corpo e é como se minha cabeça estivesse flutuando. Quando eu estou deprimida, eu não quero conversar, mas eu gostaria de chorar no colo de alguém, sem ter que falar. Quando eu estou deprimida, eu me forço a levantar e ir pra academia dar uma corridinha. Quando eu estou deprimida, eu tento seguir o plano, tomar minhas vitaminas, fazer meus exercícios, respirar do jeito certo. Quando eu estou deprimida, eu acho que a culpa é minha, que o mundo todo está feliz e tem uma coisa doendo em mim porque eu sou incompetente de alguma forma e estou fazendo alguma coisa errada. Ou tudo errado. Quando eu estou deprimida, eu tento lembrar que as coisas são assim mesmo e eu faço o que posso. Quando eu estou deprimida, eu faço o que posso e quando não estou também. Quando eu estou deprimida, eu sinto que vou derreter e deixar de existir a qualquer momento. Enquanto eu estou deprimida, eu deixo de existir.

Quando eu estou deprimida, eu tento me lembrar que vai passar.

Quando eu estou deprimida, eu quero ficar bem encolhida, à espera de um dia bom, que eu sei que vai chegar a qualquer momento.



o que importa mesmo é que em novembro eu vou ver Phoenix e cantar todas as músicas e fazer dancinhas e tudo vai dar certo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

-Isso não faz o menor sentido, porque já faz mais de dois anos que nós estamos juntos.
-Vocês estão juntos?
-NÃO! NÃO! Não, eu quis dizer que já faz mais de dois anos que nós terminamos.

Respiro, me sinto idiota, me sinto ridícula, me odeio por ter dito isso em plena sessão de terapia, agradeço por ter sido lá. Blá, blá, blá.

Se tem uma coisa que eu odeio no mundo, essa coisa é ato falho.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sabe nos desenhos animados quando alguém tá correndo a toda velocidade, daí outra pessoa estende o braço e a pessoa que tava correndo a toda velocidade bate no braço e cai?

Então.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lembra quando eu falei dos dois tipos de pessoas que existem no mundo? Eu me fazia de superior, fingia que não tinha me atingido. Depois passei pro grupo que explica o que a outra pessoa fez de errado. O grupo que dá sermão.

Agora decidi voltar pro primeiro grupo. Acho mais charmoso ser a pessoa que deixa tudo pra trás com um sorriso e uma piscadinha.

Então, é isso. Queria avisar que de mim não sai mais nenhuma pergunta, nenhuma explicação. Eu não vou explicar o que você não entende. Eu não quero saber o que você está sentindo. Eu não vou mais falar de sentimentos. Não entendeu? Problema seu. Não vai admitir que fez besteira? Problema seu. Vai fazer com outra pessoa? Problema seu.

Eu agora vou embora toda charmosa. Olho pra trás e dou uma piscadinha e é só isso que você vai ter de mim.

É bom porque funciona com tudo, dá pra fazer até por SMS.

;)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Chegou a hora de pedir uma rodada de doce-de-leite pra galera.

;)

domingo, 22 de agosto de 2010

os problemas dos outros

M. chega ao restaurante perguntando se alguém troca 100 reais, porque o taxista não tem troco.

Poxa.

Depois, já sentado, mostra os milhões de mensagem no celular.
-Olha aqui, me mandou 83 mensagens.

Poxa.

Daí você vê, né? Como os problemas dos outros não se parecem em nada com os seus.

M. tá aí, tendo que lidar com taxistas que não têm troco pra notas de 100 e homens que não param de correr atrás dele.

Difícil.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

mais um dia na minha vida

Eu levo 15 minutos pra ir da minha casa ao trabalho. Em menos da metade desse tempo uma pessoa já tinha rido e debochado de mim. Eu passei e ouvi "lady gaga, alocka." Assim, não tenho nem o que dizer. Eu mal tinha saído de casa. Tava me achando o máximo com minha combinação de rosa com amarelo, mas nem tava com uma lagosta na cabeça nem nada.

Depois que eu saí do trabalho, um passarinho fez cocô na minha bolsa. Não sei há quantos anos isso não acontecia. O lado bom que ainda existe dentro de mim na mesma hora pensou "é sorte." Acho que sorte foi ter sido na bolsa e o fato de sempre ter lencinhos de papel comigo. (Devo isso à sorte ou à rinite que não me deixa?)

O resultado disso tudo foi que saí e só comprei roupas cinza e pretas. Isso nunca tinha acontecido antes.

No final da tarde, estava quietinha, lendo uma revistinha de fofocas enquanto esperava a Cela fazer a sobrancelha. Nós estávamos lá falando mal de homens. Eu dizia que vou seguir o conselho da Camila e largar o nicho dos indies. Ela me disse - e eu confirmo por experiência - que indies dão muito trabalho. Daí tava lá falando sobre meus planos de investir no nicho dos nerds. E aí a designer de sobrancelhas da Cela me chamou de exótica. Sério. Ela-me-chamou-de-e-xó-ti-ca. Não tô brincando.

Eu já fui chamada de exótica outras vezes. Mas nunca, nunca por uma mulher. Sempre achei que fosse coisa de homem chamar de exótica e achar que tá elogiando. Eu não sabia nem o que dizer.

Repito o óbvio: exótica não é elogio.

E foi isso.

como no outro dia, meu batom hoje também ficou aqui o dia todo. E era vermelho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Amiga me conta pelo Gtalk:

-Acho que estou apaixonada por ele. Pena que aqui não tem aquela carinha de vômito do MSN.

Não foi por isso que ela falou do emoticon, mas eu aproveito pra dizer que meus transtornos são tantos e tão graves que é assim que eu sei que estou apaixonada. Sinto vontade de vomitar quando penso nele.

Desculpa, sou péssima.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Há mais de dois anos eu comprei um caderno com a intenção de voltar a escrever um diário. Há mais de dois anos eu digo pra mim mesma que não vou começar a escrever diário nenhum se for pra falar de tristeza.

Bom, tá em branco.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tava saindo da terapia. Saí do elevador, o porteiro do prédio olhou pra mim, deu um beijo na minha testa e disse "vai ficar tudo bem."

Agora você imagina a cara que eu tava fazendo. Não precisa nem imaginar como foi a sessão, não. Imagina só a cara que eu tava fazendo.