Mari me disse, quando eu contei pra ela, assim que descobri tudo, que queria que as amigas só se envolvessem com caras legais e emocionalmente maduros. Uma coisa fofa, a Mari, eu poderia dizer isso todos os dias.
Eu era um fiapinho quando começou. Entendo por que começou e entendo por que acabou.
Ruim é ter que entender também por que continuou.
O que eu desejo pra mim, pra Mari, pras minhas amigas, pra todo mundo, é que a gente seja sempre emocionalmente madura. E que a gente faça escolhas emocionalmente maduras, pra não esperar que elas venham do outro lado.
...
A minha antologia do Cacaso novinha, relançada ano passado, eu não conseguia achar de jeito nenhum. Esgotada há anos, eu não frequento sebo, não compro livro usado. Relançaram, eu comprei na mesma semana. Não sabia onde estava. Embaixo da cama, caída atrás da estante, atrás da escrivaninha, em lugar nenhum. Eu não achava.
Até que eu achei e não podia buscar.
Minha escolha emocionalmente madura do mês foi segurar o choro e comprar outra.
Sina
o amor que não dá certo sempre está por
perto
Cacaso
quinta-feira, 27 de junho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
E aí o professor da academia tá lá, repetindo que eu preciso contrair meu abdome, contrair meu abdome, contrair meu abdome, mil vezes repetindo que eu preciso contrair meu abdome.
E eu no limite de dizer que MEU QUERIDO, EU NÃO TENHO UM ABDOME, EU TENHO UMA BARRIGA E BARRIGA NÃO SE CONTRAI.
Ops, tirei um peso.
Entendeu? Eu tenho bar-ri-ga.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Subi na esteira e vi que alguém tinha esquecido um par daquelas luvinhas pra malhar. Tive a ideia brilhante de pegar e deixar na recepção, pro caso do dono voltar. Quando eu peguei, elas estavam úmidas. Úmidas de suor. Úmidas do suor de um desconhecido.
Foi isso que eu ganhei por tentar ser legal: contato com o suor de um desconhecido.
Eu fui muito forte e não chorei. Faltou pouco, mas eu não chorei. Só que. Todos os meus tiques nervosos foram ativados na mesma hora e eu fiz o treino correndo numa versão bonecão do posto de mim mesma.
Agora estou aqui, testando se consigo escrever com a mão esquerda, porque a direita está condenada, vou ter que arrancar.
Pra me recuperar, eu comprei mais uma sapatilha de glitter e mesmo assim ainda não tô completamente bem e ainda não perdoei o desconhecido por suar.
domingo, 19 de maio de 2013
No sábado, no comecinho da aula, naquela hora de "como foi sua semana?" um dos meu alunos disse que tinha sido ótima, ele tinha tido um encontro e estava se apaixonando. Dezoito anos, um fofo. "Eu nunca me senti assim com ninguém."
Tinha poucos alunos na sala ainda, um deles sugeriu uma trilha sonora pro momento: Accidentally in Love, dos Counting Crows.
Um outro aluno sugeriu o Concerto para piano nº1 de Tchaikovsky. Eu não estou brincando.
Outro sugeriu uma música do Aladdin. O desenho da Disney.
Na volta do intervalo, meu aluno apaixonado voltou cantarolando Djavan.
Eu tive que dar um basta e dizer que tá todo mundo proibido de se apaixonar até a semana que vem, quando eu vou preparar uma mixtape pra eles se apaixonarem com música apropriada pra juventude.
O amor está proibido, mas só até semana que vem.
e até quinta eu aceito sugestões de músicas pra incluir na mixtape! =)
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Você acorda, abre os olhos e vê que tá se arrastando. Você acordou no meio de uma poça de tristeza. É claro que você acordou numa poça de tristeza, descuidando dos exercícios, meditando nunca e fingindo que não precisa respirar pelo diafragma. Você acordou no meio de uma poça de tristeza e a culpa é toda sua. Ainda que não fosse ou que não seja, você acordou no meio de uma poça de tristeza e vai ter que lidar com isso. Não tem ninguém que possa consertar isso pra você, nem adianta pedir.
Você se arrasta até o banheiro, toma um banho e leva quatro minutos pra vestir cada peça de roupa, parando no meio do processo pra descansar. Você decide que hoje não tem como faltar à academia e vai lá dar uma corridinha de 20 minutos pra ver se melhora. Você põe o seu short, o seu tênis, a sua camiseta de caveira e vai correr.
Você sobe na esteira, você anda cinco minutos, você corre 90 segundos. Você anda 90 segundos. Você corre 3 minutos. Você anda 3 minutos e você chora. Em cima da esteira.
Você para um pouquinho, respira um pouquinho e começa tudo de novo.
sábado, 11 de maio de 2013
Eu sinto falta de manuais de instruções.
Não sei quando eles se tornaram desnecessários a ponto de não acompanharem mais os produtos que eu compro, mas aconteceu. Eu sinto falta daqueles manuais grossos, cheios de instruções óbvias, que me ensinavam até como ligar meu aparelho novo.
Não se fazia nada sem um manual. Quando meus pais compraram um micro-ondas Sharp fora do Brasil em 1991, minha mãe mandou traduzir o manual. Era muito importante aprender como esquentar a comida no forno novo. O manual traduzido veio encadernado em arame preto e capa fumê. Nada mais é fumê e ninguém mais lê o manual.
Faz só alguns anos eu traduzi o manual de um aquário. E na mesma época me pediram o orçamento de uma tradução do manual de uma máquina de costura. Eu tive que devolver sem traduzir, o manual estava em sueco.
Eu não sabia que a bateria só duraria 30 dias se a wifi estivesse desligada. Eu não sabia que ela duraria pouquíssimos dias se a wifi estivesse ligada. Eu pensei que houvesse alguma coisa errada com o aparelho. Pesquisei no google. bateria+duracao. Eu tinha que desligar a wifi.
Era óbvio.
E foi aí que eu percebi que o aparelho não tinha vindo com um manual. Se tivesse um manual, eu teria lido. Eu saberia que era preciso desligar a wifi. Eu estaria preparada. E foi aí também que eu percebi que os últimos aparelhos eletrônicos que eu comprei não vieram com manual. Vieram com um livreto de poucas páginas, algumas fotos, talvez uma garantia em várias línguas diferentes. Eu senti falta de um manual de instruções, como tenho sentido há algum tempo. Sinto falta das instruções, das óbvias principalmente. Tudo é tão moderno, tão avançado que eu preciso que alguém me explique as coisas mais simples. Renata, liga o aparelho aqui, ó.
Eu preciso desligar a wifi se eu quiser que a bateria dure até 30 dias.
Eu preciso que alguém me diga isso, que alguém me explique pra que serve cada botão do meu novo aparelho, que alguém me diga que buraquinho dele serve pra conectar na tomada, que buraquinho dele serve pra conectar no computador e que buraquinho dele serve pra receber um cartão de memória que vai fazer com que caiba tanta coisa ali quanto eu jamais imaginei que fosse possível.
Eu preciso de uma seção com respostas para as minhas perguntas. Eu tenho muitas perguntas sobre cada novo aparelho que eu compro. A primeira delas é "por que eu comprei mais uma buginganga?" e a segunda sempre é "como fui capaz de viver sem isso até hoje?"
Eu preciso de uma seção que me diga o que fazer pra resolver cada problema que meu aparelho possa ter. Eu quero saber o que está acontecendo se uma luz verde piscar três vezes e se devo me preocupar caso uma luz azul pisque apenas uma vez.
Eu não sei o que aconteceu com os manuais de instruções. Não sei por que eles desapareceram, por que foram tirados de nós. Talvez todo mundo tenha ficado mais esperto, tão esperto que não precisa mais de instruções. Todo mundo, menos eu.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Análise avaliativa dos últimos sapatos que eu comprei
-sapatilha dourada: Super macia e linda. Ter um sapato confortável e lindo ao mesmo tempo é daquelas coisas que faz com que eu sinta que venci na vida. Ela combina com tudo. Sim, ela é dourada e combina com tudo. Sim, eu disse que um sapato dourado combina com tudo. O que não combina com dourado? Essa é a pergunta que você devia estar se fazendo.
-sapatilha peep toe de glitter azul: Não, ela não combina com nada, mas ela é de glitter azul. De glitter. Azul. É um dos sapatos que mais machucaram meu pé, o que pode ser ou pode não ser pelo fato de ser um número menor do que meu pé. A loja pode ter me enviado o número errado ou eu posso ter ou posso não ter pedido um número menor sem querer. Pode ter ou pode não ter sido um ato falho do meu inconsciente que me odeia, apenas me odeia e quer me ver sofrendo, mas não vou falar disso porque estou muito distraída olhando pro meu sapato. De glitter. Azul. Continuarei usando, é claro, porque eu não espero mesmo que a vida seja fácil e band-aid tá aí pra isso.
-botinha: Sim, ela é uma botinha de motoqueira. Sim, ela é uma botinha de caubói. Sim, ela é as duas coisas e é por isso que eu a amo e nós vamos nos casar e ter pequenas botinhas de motoqueira/caubói porque tanta beleza deve ser perpetuada. Pena que nossas botinhas-filhote serão míopes como eu, provavelmente. Ai, o que eu estou dizendo? Botinhas de óculos, você consegue pensar numa coisa mais fofa? Sucesso na próxima estação.
-scarpin preto: Porque eu sou adulta, sou uma jovem profissional, tenho 30 anos, sou madura. E porque, sim, eu tenho o direito de comprar sapatos que eu não vou usar (eu não uso salto), é pra isso que eu trabalho e eu mereço ser feliz.
-sapatilha preta de spikes: Eu não quero ouvir ninguém dizendo "mas, renata, você não tinha dito que não aguentava mais tachas e spikes?" porque eu simplesmente não vou ouvir e ainda vou te dar um chute com a minha sapatilha de spikes e coitadinho de você.
Conclusão da análise avaliativa: as compras foram todas necessárias, os sapatos são lindos e parabéns pra mim.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
O Robert Pattinson, depois do término da relação com a Kristen Stewart, antes de retomar o namoro, foi ao programa do Jon Stewart e, ao ouvir do apresentador que para os jovens o fim de um relacionamento pode parecer o fim do mundo, confirmou "E é."
...
Eu tenho no meu celular muitas fotos de raposas e ursos polares que eu salvei da Internet pra mandar pra você, numa mensagem boba no meio do dia. Imagina se eu te mandasse agora todas as fotos? Uma enxurrada de fotos de ursos polares e raposinhas. Toma todas, são todas suas, acumulei pra você. Aquela coisa de mandar uma foto por vez. A certeza de que eu ainda ia te mandar algumas raposas.
Talvez você nunca tenha entendido o que eu dizia quando te mandava uma mensagem dessas, agora eu fico pensando. Eu queria dizer que estava pensando em você entre o pilates e a terapia. Que eu saí do trabalho pensando em você e que eu estava pensando em você enquanto tomava um chopp com meus amigos.
Acho tanta coisa pensar em alguém.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Eu não tenho turma de crianças este semestre - todo mundo chorando comigo agora - então aproveito pra ouvir as gracinhas quando tenho que substituir algum professor.
Os minialunos que só foram meus por uma hora estavam falando sobre a fada do dente. Todos eles, numa turma de sete, já tinham ganhado alguma recompensa por um dente que caiu.
-Eu ganhei 10 reais.
-Eu ganhei um dólar.
-Eu ganhei 50 reais.
Eu falei "Nossa, achei que era pra ganhar só uma moedinha. Esses dentes estão muito caros!"
E um deles me explicou: "É que são dentes de boa qualidade."
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Meu vô era padeiro. Mais ou menos. Meu vô foi muitomuito pobre, quando ele tinha 10 anos vendia bala no trem. Ele era de uma família que veio pro Brasil sem nada porque em Portugal não dava mais. Ele foi uma daquelas pessoas que, além de terem tido oportunidade, trabalharam muito. Minha vó contava que ele chegou a ter três empregos ao mesmo tempo e continuou trabalhando mesmo depois de se aposentar. Eu lembro do meu vô saindo pra trabalhar de manhã e voltando lá pras 15h. Ele almoçava a essa hora, depois de todo mundo. Às vezes tomava vinho de mesa português, às vezes uma cachacinha. Ele gostava de melado e de chouriço. Quando ele morreu, ele já tinha conseguido o que queria, que era que ninguém mais precisasse se preocupar com dinheiro. Pra isso, ele trabalhou muito, fazendo muitas coisas e uma dessas coisas era pão.
Meu vô morreu quando eu tinha 10 anos, então eu não me lembro bem do pão que ele fazia, mas todo mundo diz que era o pão mais gostoso do mundo e que ele tinha uma maneira especial de moldar a massa, fazia com uma mão só. Meu pai e minha tia passaram muitos anos tentando fazer o pão do meu avô, pai deles. Meu pai é um ótimo cozinheiro e faz massa de pizza em casa, mas o pão dele nunca saiu bom. Nem o da minha tia. Minha mãe fazia os recheios mais gostosos, as coberturas mais doces, mas o pão do meu pai nunca ficava bom. E não é que não ficava delicioso, ficava ruim mesmo, dava errado, às vezes nem dava pra comer. Mesmo fazendo com as receitas do meu vô, mesmo fazendo com receita de livro, mesmo fazendo com receita inventada. O pão do meu pai nunca dava certo.
Aí ele e minha mãe compraram uma máquina de pão. Durante algum tempo os pães deram certo e ficaram muito gostosos. Toda semana tinha pão fresco em casa. Meu pai fez todas as receitas do livro que veio com a máquina e mais receitas de livros e mais receitas da Internet. O pão da máquina de pão ficava muito gostoso. Mas o tempo passou e meu pai deixou a máquina pra lá, no canto, e parou de fazer pão.
Na semana passada, ele ficou com vontade de comer pão recheado e resolveu usar a máquina de novo. O pão ficou muito gostoso, não sobrou nem um pedacinho. Hoje ele quis comer mais pão e pegou a máquina de novo. Da máquina saiu um cheiro de queimado e nada aconteceu além disso. Ela parou de funcionar.
Meu pai já tinha três recheios preparados, então ele resolveu fazer o pão mesmo assim. Misturou a massa, sovou, moldou os pães e levou pra assar. Quando eles ficaram prontos, que surpresa, estavam tão gostosos que estavam mais gostosos do que os da semana passada ou de qualquer semana em que meu pai usou a máquina de pão.
Quando a minha tia chegou, todo mundo estava feliz, minha mãe foi logo dizendo "você não vai acreditar, mas seu irmão fez pão e ficou bom!"
A minha tia correu pra cozinha e, antes de sentar ou pegar um pedaço, ela perguntou pro meu pai "ficou igual ao do papai?"
Eu não sei se ficou igual ao pão do pai deles, meu avô, nunca vou saber. Eu sei que o pão do meu pai ficou muito bom.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
A minha evolução na academia é tão grande ¬¬ que agora, além de eu não ir mais com roupas furadas ou manchadas, eu até passo a roupa antes de ir. Além disso, eu comprei shorts próprios para esporte e leggings novas. Antes disso, uma das minhas leggings preferidas pra usar na academia tinha sido da minha mãe, antes do meu irmão nascer. Este ano meu irmão vai fazer 27 anos. Olha, material bom dura pra sempre. He. ¬¬
Já que eu tinha comprado um tênis mesmo, então o que custa comprar leggings novas? E já que eu vou comprar leggings novas mesmo, então o que custa comprar aquelas leggings brilhantes tipo de aula de aeróbica em 1985? A vida é muito curta pra ser sóbria.
Eu comprei as leggings e hoje estou aqui, vestida com a cinza, parecendo ser feita de puro metal. Certeza que vou fazer dancinha do robô na esteira e vou levar bronca porque "não pode dancinha do robô, assim você pode cair e se machucar." Mas do que adianta estar vestida de robô se eu não posso fazer dancinha do robô? Não pode, mas eu vou fazer mesmo assim, não quero nem saber.
...
Outras coisas que comprovadamente também não são permitidas na esteira da academia, senão você leva uma bronca:
-imitar a Gisele Bündchen desfilando. Sabe um pé atrás do outro? Não pode.
-imitar a Madonna dançando Vogue. Também não pode. E não adianta você explicar que só está dançando com os braços. Não pode imitar a Madonna dançando Vogue. Não pode. Tá proibido strike a pose.
Quer dizer, afinal, o que é permitido nesse mundo saudável?
terça-feira, 2 de abril de 2013
Hoje sonhei que tinha uma foquinha. Era linda a minha foquinha, eu abraçava a foquinha, beijava, ela era super carinhosa também.
Daí acordei e lembrei que não tinha foquinha nenhuma. Eram 4:30 e eu chorei até dormir de novo porque não tinha uma foca.
No meio disso eu percebi que tava chorando às 4:30 porque não tinha uma foquinha, peguei meu celular, abri o bloco de notas e escrevi lá "estou chorando porque sonhei que tinha uma foca, mas não tenho uma foca. 2/4/2013, 4:30."
Não é uma metáfora e eu não tô falando de amor nem de dinheiro. Uma foca é uma foca é uma foca. E eu chorei mesmo porque não tinha uma.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Eu passei a confundir o seu nome com o do meu primeiro namorado. Isso começou perto do fim e foi assim que eu descobri que ia acabar, confundindo o seu nome com o do meu primeiro namorado quando falava de você, ou o seu com o dele, quando falava dele. Às vezes eu lembro de tudo e fico apavorada, sacudo a cabeça até a lembrança ir embora. Minha analista deve ter feito um trabalho muito bom com a minha autoestima nesses seis anos juntas porque eu não consigo mesmo entender por que não eu. Eu espero que ela grite com você. Que ela grite e que ela chore. Que ela grite, chore e seja ciumenta. Eu espero que ela odeie os seus amigos. Eu espero que vocês viajem juntos e ela queira fazer compras todos os dias. Eu espero que ela coma só salada ou coma hambúrguer de garfo e faca. Eu espero que ela escreva você com cê cedilha e cafezinho com acento. Eu espero que ela tenha uma lista plastificada de aniversários e o seu não esteja nela. Plastificada. Eu espero que ela nunca preste atenção no que você diz e nunca saiba pra onde você vai viajar, mesmo que ela tenha sido uma das primeiras pessoas pra quem você contou, assim que comprou a passagem. Eu espero que ela se apaixone por outro, fique com ele enquanto vê no que vai dar e, quando tiver certeza que ele gosta dela, espero que ela suma e apareça um mês depois pra te contar que ama o outro, mas que, opa!, não quer que você saia da vida dela, não, porque você é tão especial. Você é tão especial. Você é absolutamente especial. Eu espero que ela só te conte depois que você já tenha descoberto tudo de uma maneira bem dolorosa. Eu espero que ela faça isso respondendo a um e-mail seu de amor.
Eu espero que nada disso faça a menor diferença pra mim.
segunda-feira, 18 de março de 2013
No primeiro-primeiro encontro desse recomeço eu:
-bebi mais do que ele, de 1,92 m;
-contei que sou ateia;
-disse que nunca quero ter filhos;
-achei um pão de queijo de pelo menos duas semanas na minha bolsa (vou me defender que achei o pão de queijo velho enquanto procurava o chocolate que eu tinha levado pra ele);
E quando cheguei em casa tinha uma mensagem: "só diz que você quer me ver de novo amanhã."
Tem cara que é bonitinho.
além do chocolate, ele ficou com o pão de queijo.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Estou usando um aplicativo pra monitorar minhas corridas na academia. Daí baixei, vi mais ou menos como usava e subi na esteira. Escolhi que tipo de treino eu queria (treino pra pessoas lerdas) e iniciei.
Eu não uso meu celular pra escutar música, uso um mp3 player mesmo. Coloquei o fone e comecei a caminhar, aí comecei a escutar uma música vinda do meu celular. Tirei o fone pra ouvir o que era.
Eu não sabia, mas o app, quando iniciado, começa a tocar as músicas que você tem no celular. Atenção para a única música que eu tenho no celular: o parabéns da Xuxa.
Eu lá, super séria, tava até com uma blusa de tecido apropriado pra corrida e tudo, e meu celular tocando o parabéns da Xuxa pra todo mundo ouvir.
Como não amar a minha vida?
segunda-feira, 11 de março de 2013
Uma mão encostando na minha mão. Carinho mesmo, sem atração sexual, sem interesse. Só uma forma de dizer "bom dia, como vai?"
segunda-feira, 4 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Acordei sentindo ciúme do abraço. Acordei morrendo de ciúme do abraço que vem depois e que eu não quero que seja de mais ninguém. Na nossa primeira noite juntos, ele me explicou que estava com dor nas costas e que por isso não dormiria abraçado comigo. Eu achei graça, eu não queria abraçar ninguém. Ele deve ter tomado um remédio milagroso, porque depois disso me abraçou todas as noites até o fim, embora na última não tenha tirado o relógio. Igual ao meu, mas prateado. O meu relógio ficou no criado-mudo. O relógio dele ficou no pulso. Eu não estava contando o tempo. Quando ele me pediu pra acompanhá-lo até a porta, será que sabia que era a última vez? Eu não sabia.
Ele me abraçou todas as noites até o fim, ou foi abraçado por mim, quando puxava meu braço até ele atravessar o seu corpo e minha mão encontrar a dele, do lado dele da cama. Eram noites muito confortáveis, as minhas noites com ele e eu nunca acordava numa posição que não fosse dentro de um abraço, ele afogado no meu cabelo, o queixo encaixado no meu pescoço, a barba no meu ombro.
Eu acordei com saudade e ciúme do abraço dele, que não devia ser de mais ninguém. Se o mundo fosse um lugar menos doloroso, eu teria que abrir mão de qualquer coisa, menos dos abraços.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Além de doce de leite, não tem nada melhor pra coração partido do que exercício físico.
Pela endorfina liberada, é claro. A gente fica naturalmente mais feliz. É uma sensação maravilhosa.
Mas também pela barriguinha que fica ótima quando a gente faz abdominais ou corre feito maluca pra tirar a raiva do coração.
O amor engorda. O pé-na-bunda tonifica.
Comprei até tênis novo.
...
Daí eu troquei o pilates pela academia e hoje eu voltei às aulas. Escolhi começar com uma aula só de abdominais. Eu amo abdominais. De verdade, sem nenhum deboche.
Bom, fui pra aula. Num determinado momento, o professor segurou meus joelhos e ficou dizendo "vem, vem até o seu limite."
Pausa aqui, deixa eu perguntar uma coisa: você já viu como pessoas que trabalham em academia são sensuais? Elas são muito sensuais, estão sempre nos seduzindo. Da hora que eu entro até a hora que eu saio, fico de bochechas vermelhas, porque não sei o que fazer com tanta sedução.
Bom, aí o professor tava lá, segurando meus joelhos e dizendo "vem, vem até o seu limite" e eu... dei uma gargalhada de sair lagriminha. Porque tenho uma mente de moleque de 13 anos.
...
Uma aluna pediu pro professor colocar naldo, ele foi e colocou White Stripes.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
1. Como eu te disse no meu aniversário, você não precisava mesmo responder meu e-mail. De ano novo. De amor. Em fevereiro. Pra dizer que tem outra. Sério, não precisava.
2.
*
3. Foda-se. Fodam-se. Você, sua namorada, seus amigos, sua família, suas samambaias e todos os seus sapatos. Apenas fodam-se todos vocês.
4. Uma vez eu te contei que minha vó estava em coma. Uma semana depois, quando a gente se encontrou, você não perguntou se ela estava melhor. Minha vó tinha morrido.
5. [um cocô da Hannah dentro de uma caixa de presente]
6. Pra quem não queria ser óbvio, você não foi nada além disso.
8. Freud explica sua atração por mulheres que falam inglês tão mal. Freud explica.
9. Eu espero que você tenha sarna e se coce sem parar.
10. Sim! Estou ansiosa para não sair da sua vida e ver bem de perto toda a sua felicidade, até que ela se desgaste, você se canse ou leve um pé na bunda e daí eu estarei aqui com essa ligação desmensurada que você só conheceu uma vez na vida, comigo, em stand-by. Por que não? Essa é mesmo uma ótima ideia.
11. "It wasn't supposed to get serious between us. I can't see us getting married or nothing and you nodded your head and said you understood. Then we fucked so that we could pretend that nothing hurtful had just happened." **
12. "people so tired
mutilated
either by love or no love" ***
13. "Quem sou eu para perturbar o universo?" ****
14. Eu espero que você caia dentro de um vulcão e/ou que uma água-viva te queime.
Nenhuma dessas respostas virou realidade. Nenhuma delas saiu da minha cabeça. Algumas eu imaginei sofrendo, outras rindo. Eu já não tinha mais nada pra dizer porque faltou te dizer tanta coisa desde o início. Eu acho triste, pra mim foi tão importante e você tão grande na minha vida. Eu acho triste se o seu coração tava tão fechado e se eu desviei tanto de cada muro que você levantou. É triste. Você escolheu minimizar o que houve e o que eu sinto. Eu escolhi não ser dramática ou cruel. Eu quero soltar o rancor no universo, em qualquer lugar que não seja dentro de mim ou contra você.
Se eu fosse desequilibrada de verdade, a vida seria tão mais divertida. Mais constrangedora, é verdade, mas tão mais divertida.
...
* vi no tumblr da hunny.bunny, uma fonte inesgotável de coisas legais na Internet
** "Flaca", uma das histórias de This is How You Lose Her, Junot Díaz
*** "The Crunch", Charles Bukowski
**** Os Enamoramentos, Javier Marías (um intertexto com um verso do poema "The Love Song of J. Alfred Prufrock", "Do I dare disturb the universe?")
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Dando aula pra crianças eu aprendi muitas coisas. Uma delas é que criança também tem mau humor. Acho que eu não me lembrava bem dessa parte da minha infância, mas criança tem mau humor, sim. E tem direito de ter mau humor.
Embora eu prefira sorrisos e gracinhas, na minha aula é permitido ficar de mau humor. Um dia ou outro, todo mundo tem direito.
Daí o Lucas chegou e não tava a fim de estudar. Queria brincar no celular novo. Não pode brincar no celular durante a aula quando se tem oito anos de idade. É uma das coisas que estão fora do seu alcance. Chamei a atenção, disse que era contra as regras de sala de aula que todos nós criamos juntos na primeira semana.
O Lucas ficou emburrado, me olhando de rabo de olho.
Isso foi na semana do Halloween, dia de jogos e outras atividades relacionadas a isso. Eu tinha selecionado alguns jogos infantis de Halloween e preparado umas outras atividades. Todos os jogos estavam na Internet. A Internet não estava funcionando.
Para os alunos, é muito simples, "faz outro jogo!" Mas as coisas não são bem assim. As coisas nunca são bem assim. Fiz um trato: naquela aula a gente ia ver uma outra atividade de Halloween que eu tinha levado e não precisava de computador e uma parte da lição no livro. Na aula seguinte, o restante da lição e os jogos na Internet.
O Lucas gostou menos ainda. Fechou a cara e não quis conversa. Eu deixei ele ficar zangado.
Na aula seguinte, cheguei e já encontrei o Lucas rindo. Puxei assunto, ele estava de bom humor. Entramos na sala, ele escolheu um lugar, sentou e disse "Na aula passada eu tava muito mal humorado. Aí eu quis que desse tudo errado e por isso a Internet não funcionou!"
E naquele dia - pode ou não ter sido pelo bom humor do Lucas, a gente nunca vai saber - a Internet funcionou.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Me pergunto se dá mesmo pra terminar um relacionamento sem passar por aquela fase ESPERO QUE VOCÊ MORRA OU PELO MENOS QUE SEJA INFELIZ PRA SEMPRE. MORRA, MORRA. MORRA.
Cada um sabe como foi parar ali. Não foi um sequestro, era um relacionamento. Eu lembro a mim mesma o tempo todo. Eu cheguei aqui porque quis.
Mas confesso que fico um pouco aliviada que meus amigos sintam raiva de você. Eu, sinceramente, não consigo, nem sei se quero sentir. Mas meus amigos sentem a raiva por mim. Meus amigos, que você nunca quis conhecer, mas que sabem tudo sobre você e sobre mim. Eles sabem o seu signo, que você compra várias cuecas da mesma cor de uma vez só e passa um grande período usando só cuecas pretas, depois só cuecas brancas, depois só cuecas cinza, até que elas fiquem velhas e você compre novamente um monte de cuecas da mesma cor.
Seus amigos, a quem eu tinha que me apresentar de novo a cada vez que via - Oi, eu sou a Renata, sou professora de Inglês and I've been fucking this prick for two years, for three years, for I don't remember how long mas não há tempo o bastante pra que ele fale de mim pra vocês - não sentem raiva de mim. Os seus amigos não sentem raiva de mim.
Eu não ganhei esse privilégio, mas dei a você.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Toda vez que eu recolhia meu xampu de menina do banheiro. Homens e a mania de xampu anticaspa. Eu nunca vi caspa naquela cabeça linda em todo esse tempo. Juro que nunca vi. Xampu + condicionador no mesmo frasco? You've got to be kidding me, meu cabelo cai todo na mesma hora.
Recolhia meu xampu de menina, colocava de novo dentro da bolsa. Toda vez eu pensava por dois segundos, e se eu deixasse ele aqui, bem aqui? Será que vai estar na mesma altura quando eu voltar? Quando eu esqueci meu anel, ele estava lá me esperando, na sua mesa de trabalho, e você disse que eu podia esquecer coisas lá. Eu não sei o que você quis dizer e nunca mais esqueci nada, sou boa em arrumar malas.
Eu nunca deixei meu xampu no seu banheiro. Eu nunca publiquei uma foto da sua casa na Internet, pra mostrar onde eu estava. Vocês estavam ouvindo o disco que eu te dei na sua vitrola? Eu dormi em todos os filmes que você tentou me mostrar, até que você desistiu de ver filmes comigo. Seu abraço tão confortável, como eu podia não dormir? Tão melhor do que qualquer filme. Eu nunca tirei uma foto dos nossos pés. Mas eu estive lá mesmo assim, eu estava lá. Eu procurei os seus pés com os meus.
Talvez fosse o que você queria. Você queria que eu desenhasse um coração com meu batom no seu espelho? Era só escolher a sua cor preferida. Talvez fosse o que a gente precisava pra sair daquele lugar de onde a gente não conseguia sair. O nosso platô do amor.
Mas eu nunca quis te invadir. Boba eu, o amor é pura invasão.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
No fundo, é bom que doa, porque quando dói quer dizer que significou alguma coisa, muita coisa. Um mundo de coisas que não existem mais, mas existiram, estiveram ali, foram importantes, fizeram sentido, deram sentido.
E não é só o que a gente quer, que signifique algo? Quem quer mais do que isso? E quem quer menos? Quem quer que seja nada, vazio, sem importância?
Eu quero significado, mesmo que não seja do jeito comum e mesmo que doa depois.
quero a paz, a liberdade, o amor
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
lonerism
Eu comprei, sim, um presente pra você. Entrei na loja, fui direto num que eu achei que você fosse gostar, com seu hipsterismo não-assumido. Uma coisa que você já tinha elogiado, como da outra vez. O dono da loja, um Hugh Grant em Um lugar chamado Notting Hill mais velho embalou bem direitinho pra que não quebrasse no avião.
Depois pensei que podia ter deixado o Hugh Grant mais velho me ajudar. Tinha tantos vinis legais na loja. Eu podia ter pedido uma coisa nova, francesa, desconhecida. Trouxe australianos de Perth, num ataque sutil do meu subconsciente contra você. Eu só percebi já no Brasil.
Eu nunca fui a menina das suas fotos e quando eu penso na definição de stolen hours, eu penso em nós dois, nada muito além disso. Você foi aquele pra quem eu compro vinis mesmo sem saber o que eu estou fazendo e pra quem eu decido não mandar mais presente nenhum.
...
"That's the most we can hope for. Nothing thrown, nothing said that we might remember for years. You watch me while you put a brush through your hair. Each strand that breaks is as long as my arm. You don't want to let go, but don't want to be hurt, eitheir. It's not a great place to be but what can I tell you?"
(de "Flaca", uma das histórias de This is how you lose her, de Junot Díaz. a que mais partiu meu coração)
...
Eu demorei um mês pra chorar de verdade.
This is how you lose her ainda não tem tradução pro português. mas eu recomendo muito a leitura. em inglês ou quando sair a tradução. o livro é muito bom.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Não importa quantos anos você tenha, sempre que você der seu telefone pra alguém e o contato acabar aí, você vai se pegar pensando se não deu o número errado.
Se for e-mail, além de pensar que você deu o endereço errado, você vai se pegar checando a caixa de spam.
este é um post dedicado à C. em Paris :*
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Eu agora tenho 30 anos. Eu nunca me imaginei com 30 anos. Quando eu digo isso, quase sempre ouço "cruzes!" em resposta, porque as pessoas costumam achar que eu estou dizendo que achava que ia morrer antes dos 30. Eu só tô dizendo que nunca consegui me imaginar com essa idade. Eu nunca imaginei onde queria estar aos 30 anos e cheguei aqui tão rápido que o caminho pareceu curto demais.
Eu sei dizer que aos 30 anos eu estou feliz, embora eu sempre olhe de rabo de olho quando uso a palavra felicidade, sempre pronta pra explicar que, veja bem, não estou morando num filme.
Sei dizer que estou satisfeita com tudo o que tenho e tranquila com tudo o que não tenho, mas isso não torna a data mais doce porque, veja bem, eu também estava satisfeita com tudo o que tinha e tranquila com tudo o que não tinha aos 29. E aos 28 também, mais ou menos. E além disso, o número 30 parece tão duro.
Aos 23, 25, 28 ou 30 eu continuo levando tombos em público e chegando no trabalho com batom no dente. A minha saia continua levantando com o vento e eu continuo passando tempo demais na Internet. Eu continuo comendo empadas em horas impróprias e trapaceando na contagem de exercícios no pilates.
Aos 30 anos, eu sou mais ou menos quem eu era há dez anos ou cinco, talvez a diferença seja só que eu gosto de ser essa pessoa e não quero ser mais ninguém além de mim. Estar confortável dentro de mim e onde eu estou é o melhor que eu podia ter.
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Tive um aniversário lindo, com amigos, e-mails lindos, presentes e bolo de chocolate. Não foi nada mal fazer 30 anos, nada mal mesmo.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Amsterdã
Eu tenho a sorte de ter amigos que dão dicas ótimas, tipo "olha os prédios tortos", "come um croquete de máquina" e "vai no café tal, tem uma sopa ótima", coisas desse tipo.
Em Amsterdã, eu amei os canais, andar pelas ruas me perdendo e me achando depois. O Museu Van Gogh tava em obras, mas uma grande parte das telas estava em outro museu e foi bem emocionante, é um dos meus artistas preferidos. Eu gostei da Heineken Experience, mais até do que achava que ia gostar. Isso pode ter a ver com o fato de pessoas me darem as cervejas grátis que a gente ganha quando compra o ingresso. No final do passeio, tem um bar onde você pode tomar as cervejas. Não sei se foi porque eu estava sozinha e ficaram com pena de mim, mas duas pessoas me deram cerveja grátis. Bom, não tem como não gostar. Eu adorei o Solo, na rua do meu hotel. O risoto de abóbora com cogumelos, uau, uau. O cheeseburger do Café Wildschut, o club sandwich. O clima é super legal. Visitar a casa de Anne Frank foi bem emocionante. Amei o museu Stedelijk, amei. Mas essas são coisas que estão em todos os guias. Amei que tem wifi grátis em qualquer lugar. Viajando sozinha, eu dou muito valor a wifi. Hehe, eu dou valor a wifi sempre, deixa eu ser sincera. Todo mundo falava inglês, a maioria falava muito bem.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Na rua do meu hotel tem uma loja de vinis. Eu vi hoje. Quis na mesma hora comprar um pra você. Interromper meus planos pra tarde, desviar do meu caminho, entrar na loja e escolher um disco pra você. Antes de almoçar, antes de ver o Dalí no Pompidou. Voltar no tempo, te dar um presente.
Mas eu não saberia o que escolher. Eu não entendo nada.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
No chat com a minha mãe:
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A cama do hotel é ótima. O edredom, os travesseiros, tudo. A cama é bem macia, daquelas que me daria dor nas costas se eu dormisse nela todos os dias, mas é exatamente onde eu quero cair depois de passar um dia andando por aí.
Não tenho a intenção de acordar muito cedo porque às 8 ainda está meio escuro. Então fico enrolando, com muita preguiça de levantar da cama, que é toda tão macia. Mas aí penso que tudo bem. Não vim pra passar dois dias, não vim de excursão. Tenho tempo de ver tudo. Vim sozinha e estou de férias, descansando de um ano inteiro de trabalho. Começo a trabalhar dois dias depois de voltar de viagem. Tudo bem descansar agora.
Não tenho muita programação. Hoje quero ir à casa de Anne Frank. Nem sei quantas vezes eu li o diário dela dos meus 13 aos 20 anos, várias. Talvez tenha sido o primeiro livro que eu comprei sozinha numa livraria, não me lembro. De lá vou andar um pouco, pegar o tram, ir parar em outro lugar, andar mais um pouco. Até cansar e voltar pro hotel pra descansar antes do jantar.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Estou em Amsterdã.
Fiquei esperando o ônibus em frente ao aeroporto de Schiphol e o frio estava bem tranquilo. Não precisei fechar meu casaco, colocar luvas, chapéu e nem amarrar meu cachecol. Fiquei alguns minutos esperando o ônibus porque não consegui entrar no primeiro que passou, eu sou meio tonta. Estava achando o frio ótimo. Quando percebi, meus dedos estavam vermelhos e em formato de garras. He.
Quando cheguei ao centro de Amsterdã fui pegar um táxi para o meu hotel e só aí senti o frio. Acho que frio assim eu só senti quando fui esquiar. Todo o corpo está coberto e protegido, mas o rosto...
A primeira coisa que eu comi foi sopa. Quando entrei no restaurante, não conseguia pensar em mais nada, só sopa. Depois eu comi hambúrguer também. He.
...
Quando eu entrei no avião e a comissária disse "Welcome", eu respondi "Gracias". Depois, eu no ônibus com a minha mala, só conseguia falar "Pardon" para as pessoas. Meu cérebro enlouqueceu.
Estou tentando pensar que deve existir um mecanismo no meu cérebro dizendo a ele que estou num lugar onde falam uma língua que eu não sei falar, então ele corre e procura línguas que eu não sei falar mas nas quais sei ser educada. Eu estou tentando a aprender a ser educada em holandês, mas, veja bem,
lembrei que quando fui atropelada por uma bicicleta em santiago, assim que eu vi que não tinha me machucado, comecei a falar em inglês, dizendo que estava bem, que não tinha problema. por que eu não falei em português eu também não sei. meu cérebro enlouquece.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Eu já tive bolos de aniversário em formato de:
-cabeça da Margarida, namorada do Pato Donald - 1 ano
-carrossel - 2 anos
-pessoas se divertindo num parquinho - 3 anos
-bruxa numa vassoura - 4 anos
-pandeiro - 5 anos
-beijo da Xuxa - 6 anos
-borboleta - 7 anos
-flores cor-de-rosa - 9 anos
-bandeira dos Estados Unidos (vou me justificar! a gente tinha acabado de voltar da disney e quando chegou em casa, minha tia tinha enfeitado o prédio inteiro de azul, vermelho e branco, da porta da rua à porta do apartamento. por que ela não enfeitou de verde e amarelo é uma coisa que eu nunca entenderei. bom, o caso é que meu aniversário era uns dias depois e minha mãe quis aproveitar a decoração. acho que ela tava cansada de aniversário temático. foi meu último, o de 12 anos)
Há anos eu não como bolo de aniversário. Não posso ver glacê na minha frente.
faltam três bolos na lista, não consigo lembrar. meu irmão já teve bolo do batman (claro!), de pipa, de tambor (parece que instrumentos de percussão eram dos favoritos da minha mãe), tartaruga ninja, cara de palhaço. nenhum de nós nunca teve bolo surpresa.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Quando eu tinha seis anos, dancei na escola a música Uma barata chamada Kafka dos Inimigos do Rei. Eu dancei vestida de barata, um vestidinho marrom. Meu par, o J., dançou de macacão azul, no papel de dedetizador.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Mando um e-mail maluco. Chega a resposta.
Clico em "marcar como lida" pelo celular, sem nem abrir a mensagem pra não ver o tamanho do estrago, mas na verdade queria clicar em "fingir que nada aconteceu".
não adiantou muito. dá pra ler o começo da mensagem e a resposta tinha só uma linha. fucking fuck.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Sonhei que estava numa perfumaria com a Cíntia. Eu gastava 250 reais lá. Daí a Cíntia saía pra tomar sorvete enquanto eu ia fazer sexo com um cara que estudou comigo na escola. Eu não falo nada com ele além de "oi, tudo bem?" há pelo menos 15 anos, embora eu fale sempre com a mãe dele quando passo por ela na rua e pergunto se ela quer ajuda pra carregar as compras e ela me pergunta se estou solteira. Sempre respondo que sim, ela às vezes me diz que o filho também.
A Cíntia não voltava nunca mais, demorou muito e quando finalmente chegou, disse que a sorveteria estava fechada, que tinha ido jantar e assistir ao novo filme do Ang Lee (aquele que é inspirado num livro plagiado do Moacyr Scliar).
Eu perdia o ônibus e tinha que pegar o metrô, onde eu fazia uma sopa de ervilha.
...
Sonhei que eu tinha herdado uma fortuna e uma mansão. Eu estava na minha mansão, cuidando da minha riqueza, mas eu não era eu, eu era um homem bem parecido com o Ricky Gervais. Eu tava de robe verde.
De repente, eu chamava alguém pra falar sobre a situação dos meus empregados. Eu dizia, em inglês: "Acabei de descobrir que a gente só dá salada pras pessoas comerem. Salada de penas!"
domingo, 30 de dezembro de 2012
Eu comprei um leitor digital (o meu é o Kobo da Livraria Cultura que rima com fofura!) já pensando em usar pra livros muito grossos, ruins de carregar na bolsa, e livros que tivessem que ser encomendados e demorariam a chegar até mim.
Não pretendia parar de comprar livros físicos.
Daí comprei um leitor digital e, por mais que seja uma experiência muito legal, ficou claro pra mim, mesmo com pouco uso, que eu nuncanuncanunca serei capaz de parar de comprar livros físicos.
Mais do que cheiro de livro, como as pessoas gostam de dizer - pra mim, depois de um tempo, livro só tem cheiro de rinite - o gostoso é o peso do livro, folhear páginas e fazer uma das coisas que eu mais gosto na vida: folhear correndo o livro até chegar à ultima página e passar os olhos por ela, tentando ler o final.
É um momento que dura só alguns segundos, eu nunca me permito ler o final de verdade. Tenho só alguns segundos pra dar uma olhadinha e ler o que conseguir do final, pra voltar ao começo e passar todo o livro tentando encaixar as pecinhas.
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Obrigada a todo mundo que me ajudou a escolher! Já tenho dois livros no meu kobinho. (acho que nunca disse, mas tenho uma coisa de só comprar um livro ou dois por vez, pra me organizar e controlar a ansiedade. normalmente, livro novo na minha casa só o que estou lendo no momento ou o que espera pra ser lido depois dele) Estou adorando ler nele, é muito leve, é como ler a página de um livro mesmo e já saí com ele na bolsa e tudo =)
Não tem muita diferença dele pro Kindle. No final, minha escolha foi mezzo política/ mezzo afetiva. Foi mais uma escolha entre livrarias do que entre aparelhos.
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O primeiro ebook que eu comprei pro kobinho foi On Beauty/Sobre a Beleza da Zadie Smith. Ele custou R$21,69, comprei no próprio site da Livraria Cultura e paguei por transferência online (e a possibilidade desse tipo de pagamento era um ponto a mais do Kobo pra mim) Também dá pra comprar livros pelo próprio kobinho na livraria da Kobo, usando wifi e cartão de crédito, mas a Livraria Cultura tem um acervo melhor.
O livro físico nem seria tão mais barato, ele teria custado R$28,60, mas teria demorado 8 semanas + prazo do frete pra chegar até a minha casa.
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É muitomuito legal ter um dicionário ali pertinho pra tirar uma dúvida sobre o significado de alguma palavra. Eu não lia em inglês usando um dicionário há muitos anos, porque é pouco prático, mas poder consultar um só encostando na tela torna tudo muito mais fácil. Estou adorando e já aprendi palavras novas. Tenho certeza que isso também vai acontecer quando eu ler algo em português nele, mas com menos frequência, espero. =)
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Sublinhar um livro de papel é TÃO mais gostoso! Amei isso de poder fazer uma página de notas e grifos e ver todos de uma vez. Mas sublinhar no papel nem se compara a marcar alguma coisa num leitor digital. Sim, eu sublinho meus livros. Eu escrevo nas margens. Eu até converso com eles, escrevendo "haha" ou "ugh!", colocando carinhas tristes e felizes nas páginas. Se um dia meus livros forem parar nas mãos de outras pessoas, eu quero estar dentro deles.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
A pessoa me liga pra oferecer uma coisa que até me interessa. Pede que eu diga a senha do serviço na Internet e meu CPF. Eu não gosto da ideia e também nem sei que senha é essa. Senha de quatro números pra usar na Internet? Isso não existe, ela só pode estar inventando. Nunca ouvi falar disso. E de repente, poxa, devo estar perdendo várias coisas legais sem essa senha de quatro números. =( Espera, deixa eu me concentrar.
-Olham, desculpa, não vou dizer isso por telefone. Não estou tão interessada assim.
-Então a senhora pode me dizer a data de vencimento da conta e seu aniversário.
-Não, eu também não quero dizer isso, desculpa.
-E se a senhora me disser seu endereço?
-Ah, meu endereço também não quero dizer. Olha, vamos deixar pra lá. Realmente nem é uma coisa que me interesse tanto assim.
-Então, eu digo seu endereço e a senhora diz se está certo.
-Não, porque aí nem faz sentido. Como você vai saber que eu sou eu? Se outra pessoa atendesse você daria meu endereço pra ela!! Sério, desculpa, eu já nem sei mais o que foi oferecido. Eu não lembro. Vamos nos despedir sem confirmar nada, é muito esforço pra uma coisa que nem me interessa tanto assim.
Muito esforço por uma coisa que nem me interessa tanto assim. História da minha vida.
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Só pra lembrar minha analista naquela consulta em que ela disse "então, o que você quer é que as pessoas se ajoelhem aos seus pés?" e eu respondi que sim, era mais ou menos isso mesmo, hehe.
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"Tudo que precisa ser conquistado dá problema depois." (Barba ensopada de sangue, Daniel Galera)
sábado, 22 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Eu fiz uma página pro blog no Facebook, não sei se vocês viram. =)
Tantos Clichês (o endereço é /tantocliche porque no plural já estava sendo usado. he. mas o nome original do blog era tanto clichê, então ok)
A ideia era colocar lá coisas que eu acho curtinhas demais pra colocar aqui. Tipo fotos de girafinhas bebês, essas coisas. E colocar lá links com as atualizações do blog.
Mas hoje vou fazer o contrário, quero trazer pra cá uma coisa que perguntei lá, sobre leitores de livros digitais.
Você já tem um leitor digital? Qual é, como escolheu? Acho que chegou minha hora de ser e-leitora. Me ajuda a escolher o meu?
=)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Conciliar carreira e filhos.
Fios brancos que aparecem antes dos trinta.
Ter que escolher entre ter um compromisso ou ficar livre.
Escolher entre comprar uma casa ou largar tudo e viajar ao redor do mundo.
Tsc.
O verdadeiro drama da mulher dos anos 2010 é se machucar com as tachinhas do sapato enquanto anda.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Eu acho bonitinho ver um casal de velhinhos de mãos dadas. OK, até acho.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
"Tu é apegado a essa distância. Tu tem toda uma coisa autossuficiente, superior. Um ar de leão sentado no trono. E ao mesmo tempo tu é tão doce. Tu não faz sentido."
(de Barba Ensopada de Sangue, do Daniel Galera. Livro bom demais)
Quando você fez o sinal de rock on com seus dedos tão perto da minha mão. Eu quis mais do que tudo fazer a mesma coisa e juntar a minha mão com a sua. Love on.
Mas eu sou tão boba.
Que não fiz nada além de dar um risinho.
Mas eu quis.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Na aula dos minialunos de 8 anos: socorro uma que caiu da cadeira, enquanto lido com uma contando que falou "piranha" três vezes na frente do espelho, mas a loira do banheiro não apareceu.
Ao mesmo tempo, recolho a coleção de revistinhas do Club Penguin que começou a circular pela sala, digo que vai ficar tudo bem pra minialuna que de repente descobriu que só consegue virar a cabeça pro lado direito e desminto o boato de que a Hello Kitty não tem boca porque fez um pacto com o diabo.
Apenas uma hora depois, estou cansada pelo resto do dia.
domingo, 25 de novembro de 2012
Eu tinha um namorado de quem eu precisava me separar. Eu amava muito esse namorado, mas precisava me separar dele. A gente já tinha se separado, mas precisava se separar. Aquela coisa.
Daí, ele me dava uns livros. Naquela fase em que a gente já tinha se separado, mas precisava se separar. Eu também mandava livros pra ele. Livros que diziam muita coisa. L'Amour aux temps du cholera.
Ele me dava livros, os livros preferidos dele, livros que ele achava que tinham a ver comigo. E eu não li nenhum. Eu não li nenhum dos livros que ele me deu naquela fase em que a gente já tinha se separado, mas precisava se separar. Comecei todos eles e nunca consegui terminar. Eles seguem na minha estante, o marcador de páginas da livraria Cultura me mostrando onde eu parei.
Nenhum deles eu li e muitos deles eu nem entendi por que tinha recebido. Alguns eu só entendi quando ele me explicou e me mandou abrir na página 289 pra ver o que ele tinha escrito pra mim em caneta vermelha. O coração desenhado. Eu nunca cheguei até a página 289 de nenhum dos livros que ele me deu naquela fase em que a gente já tinha se separado mas precisava se separar.
Bom, aí tinha essa pessoa que não era meu namorado porque não queria ser mas de quem eu precisava me separar porque eu achava que queria ter um namorado.
Eu tinha que me despedir dele. Então eu me despedi e dei um livro cujo primeiro capítulo se chamava O amor é sexualmente transmissível. Foi a primeira vez que eu disse que amava aquele cara que na época não era meu namorado porque não queria.
A segunda vez que eu disse que amava esse cara que continua não sendo meu namorado também veio por escrito, mais de um ano depois, num cartão, com uma letra tão tremida que me envergonho só de lembrar. Tantos exercícios de caligrafia eu fiz.
e poucas coisas criam uma ligação tão forte entre mim e outra pessoa quanto gostar de um livro que eu recebi porque alguém tinha adorado e queria que eu lesse. é um encontro.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
chope pré-feriado
Tropecei, bati meu joelho esquerdo num degrau enquanto subia a escada.
Fui beber água, a bandejinha do purificador de água estava solta, minha caneca de ovelhinha caiu e se quebrou em mil caquinhos.
Peguei jornal, uma vassoura, catei os caquinhos, embrulhei no jornal e joguei no lixo.
Chorei sentada no chão da cozinha (não sei bem por quê). Um pouquinho.
Horas depois, lembrei que, à 1 da manhã, em algum momento entre catar os cacos e chorar sentada no chão da cozinha (não sei bem por quê), vim ao quarto, peguei papel, caneta e durex e pendurei uma plaquinha no purificador de água onde se lia INTERDITADO!
No dia seguinte, a primeira coisa que eu fiz (bem antes de lembrar que tinha interditado o purificador de água), foi comprar uma caneca de pinguins.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
É porque eu não me escondo nos bolsos pra não ter que dar a mão. É porque abraçar é a coisa mais fácil do mundo. É porque eu quero tirar o xampu da testa pra não cair nos olhos. É porque eu quero dizer as coisas mais lindas e não quero dizer nada ruim, feio ou cruel. É porque eu não quero que o tempo passe. É porque eu não quero ter que acordar, pra não largar do abraço. É porque não me importa o nome que se dê, o que seja isso.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Minha mãe é jovem e usa computador pra trabalhar. Em casa só usa quando meu irmão e eu viajamos, pra manter contato através de e-mails diários que alternam entre dois títulos. SAUDADE e MUITA SAUDADE. Quando eu passei uns meses na França, até o e-mail no qual ela mandou a receita dela de moqueca veio com o título SAUDADE.
Desde maio minha mãe tem um smartphone. Eu fiz uma conta pra ela no Facebook e desde esse dia, a qualquer momento, quando você olha pra ela, ela tá lá, celular na mão esquerda, mão direita deslizando na tela. Quando está em casa, ela vai escrevendo e mandando recados no Facebook e narrando pro meu pai tudo o que está fazendo e o que estão dizendo pra ela. (meu pai não tem um smartphone, mas tem um celularzinho com câmera que ele usa pra tirar fotos das flores dele no terraço e mandar pra gente por mensagem. ele é coautor de grande parte das mensagens que minha mãe manda)
Sei que minha mãe tá amando a Internet no celular de um jeito que eu nunca ia imaginar. Outro dia ela comemorou quando aprendeu a fazer coraçãozinho usando o < e o 3. E outro dia a wifi caiu e ela me mandou um whatsapp "A Internet está fora do ar? [emoticon de carinha chorando] [coração partido] [cocô] [bomba]"
Ela agora também responde e-mail muito mais rápido, no celular.
Hoje eu esqueci meu celular em casa. Depois do momento DESESPERO! COMO SE VIVE SEM UM CELULAR? NÃO VOU CONSEGUIR!, cheguei no trabalho e mandei um e-mail pra minha mãe avisando que estava sem o celular, que qualquer coisa me mandasse e-mail.
Ela me respondeu em uma hora, com um e-mail sem texto no corpo e com o título "OK, filha, agora que eu vi. estava no mercado, comprei iogurte grego pra você, bjs."
Respondi o e-mail dela.
Ela me mandou um novo e-mail cujo título era "Escrevi só no assunto, hahaha" e no corpo estava escrito "Deu pra entender?"
Eu respondi que sim, que tinha respondido naquele e-mail mesmo.
Ela mandou um terceiro e-mail. O título era "Iogurte grego" e no e-mail dizia "hahaha, seu pai levou uma colher pro mercado pra provar o iogurte, como manda a propaganda.
é brincadeira, não levou! eu não deixei!"
Se fofura tem limite, minha mãe não conhece.
domingo, 30 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Aquela sensação que eu conheço tão bem e você conhece tão bem e todo mundo. Todo mundo conhece tão bem. Aquela sensação, que todo mundo conhece tão bem, de que tá terminando.
A gente tá no final, mas não vai causar o fim. A gente tá no final, mas escolheu esperar acabar. A gente tá no final, não tem muito como salvar. A gente tá no final e tá vendo isso, um pouquinho a cada dia, com sorrisos sem graça e dezenas de hehehes. E se a gente só se comunicasse por emoticons? Será que ia demorar mais?
Aquela sensação de que a gente sabe que não adianta ficar parada e quietinha aqui. O final já nos achou.
Aquela sensação de quem já passou por isso, de quem sabe que vai doer, de quem sabe que vai passar.
Demorou, mas aquela sensação chegou. De novo.
A sensação - nova, agora - de que a queda vai ser de pé. Desta vez.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
"O Crisóstomo queria ser suave no caminho, queria não parecer maluco."
O que é mais ou menos o que quase todo mundo quer da vida. Não parecer maluco. Só.
essa frase é de um livro lindo que eu li na semana passada. O filho de mil homens, do Valter Hugo Mãe. que livro lindo. queria poder distribuir esse livro, dar um pra cada pessoa que eu amo. se for ler no ônibus, cuidado, perigo de chorar em público.
domingo, 16 de setembro de 2012
Foram três os diálogos ouvidos no ônibus no dia 15 de setembro de 2012.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 26 de agosto de 2012
Uma vida inteira ouvindo "ah, não se preocupe, a vida vai melhorar!" e tendo que explicar "cara, a vida não tá ruim."
domingo, 19 de agosto de 2012
Cada vez mais fios brancos. Comecei a arrancar quando os primeiros apareceram, porque não mereço, além de tudo, o trabalho de pintar o cabelo. Ainda.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Eu fiz uma coisa que achei que nunca faria na vida: fui a um encontro de pessoas da minha turma na escola.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Há uns anos uns homens inventaram na Internet uma coisa chamada Lingerie Day. Da primeira vez, achei que fosse só uma brincadeira machista. Eles pediam que mulheres colocassem em seus avatares fotos de si mesmas usando lingerie.
We think their acceptance is how we win
They're happy we're climbing over each other
To beg the club of boys to let us in
domingo, 22 de julho de 2012
A última prova do semestre sempre é oral, para todos os alunos. Para a turma de minialunos que eu tinha este semestre, era a primeira prova oral deles.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Foi o pedido de desculpas mais mixuruca de toda a história dos pedidos de desculpa. Mas foi um pedido de desculpas. E eu posso ter dito o que eu tinha pra dizer de cabeça baixa, mas eu disse.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Tenho um plano pro fim de semana. Vou fazer uma coisa que há muitos anos não faço. É a primeira vez que eu faço isso com essa pessoa. Estou um pouco nervosa, não sei direito como fazer. Não sei se anuncio ou se faço de uma vez. Ensaiei um pouco sozinha como vou fazer, mas acho que na hora, com a outra pessoa no meio, vai ser diferente.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Minha analista tem uma pasta com tudo sobre mim. É amarela, tem meu nome na capa e quase sempre já está em cima da mesa dela quando eu chego. Na pasta tem tudo o que eu disse nesses cinco anos juntas.
sábado, 7 de julho de 2012
Meu pai me ouviu chorando e veio ver o que estava acontecendo. Perguntou se eu estava chorando, mesmo vendo as lágrimas e o rosto todo inchado. Achei gentil. Eu disse que sim, ele perguntou por quê. Eu disse que era a vida. Ele disse pra eu não chorar mais.
domingo, 1 de julho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Quebrei um prato no quarto e recolhi os cacos do meu jeitinho. Isso quer dizer que a qualquer momento um desses caquinhos que é certo que sobraram aqui vai entrar no meu pé, percorrer todas as minhas veias até chegar ao meu coração*. E eu vou mor-rer.
domingo, 24 de junho de 2012
Fiz uns exercícios difíceis no pilates. Sofri. Tive que parar e respirar. Parar humilhada por estar numa condição física tão ruim. Como deixei chegar a este ponto? Vamos lá, não vou desistir.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Aos 29, noto que ainda tenho muitas lágrimas, mas a disposição para chorar um coração partido não é mais a mesma.
domingo, 17 de junho de 2012
Já passei por alguns rompimentos, dos dois tipos que há.
Tem aqueles em que a gente não consegue respirar sem o contato. Insiste em e-mails, mensagens, lembranças, telefonemas como quem não quer nada, só pra dizer que eu vi um filme que me lembrou você, num fingimento de amizade e naturalidade que a gente insiste em encenar porque quer ser madura. Ou então sufoca o quanto pode, pede por favor, não deixa de me amar, faz vergonha. Esgota até o último bocadinho de amor. Fica ali até secar - até você secar, até não restar nada. E se engana dizendo que nunca mais vai amar. Esses são os mais dolorosos.













