terça-feira, 30 de dezembro de 2008

here I am, trying again

Em 2008:
Eu vi Paris e Paris é linda e me pertence pra sempre. Eu comi chocolate, queijo e pão todos os dias durante meses. Sem o menor peso na consciência. Mas só na consciência. Eu engordei 8 kg em, sei lá, dois meses. E continuei cabendo em todas as minhas roupas, olha que bizarro. Eu emagreci só 5 kg e tá bom. Eu passei a tomar vinho quase todo dia. Faz bem pro coração. Eu fui muito feliz, depois muito infeliz, depois mais ou menos. Eu fui super cuidadosa com a minha pele. Todo dia. Limpar, tonificar, hidratar. Eu notei minhas primeiras rugas. Não sei dizer quando elas surgiram, mas não me lembro de estarem aqui antes desse ano. Eu chorei mais do que eu chorei em 2007. Mas pelo menos chorei pelo que vale a pena chorar. Eu fui relapsa com a terapia e depois voltei porque, né? É muita loucurinha. Não consigo sozinha. Eu não consigo sozinha. Eu ouvi o eu te amo mais lindo da minha vida inteira. Ninguém nunca mais vai me dizer um eu te amo mais lindo do que aquele. E foi por isso que eu chorei. Eu voltei a comer peixes e frutos do mar. E dei todo o meu dinheiro pros restaurantes de comida japonesa. Eu dancei Single Ladies enlouquecidamente. Eu não consegui let go. E, pra ser sincera, eu acho que foi porque eu não quis. Eu não quis let go. Eu quis hold on. E não fui a única. Eu vi a Madonna, weeeee! Eu cozinhei pouco. Eu usei batom vermelho. E batom fúcsia também, olha como eu sou moderna. Eu comprei e usei um monte de tiaras. Eu usei tranças. Eu usei muito esmalte colorido. Eu usei muitos vestidos. Eu andei muito a pé, depois andei pouco a pé. Eu fiz novos amigos.

em 2009 eu quero:
Estudar. Ter menos preguiça. Resolver. Ir mais à praia. Cozinhar mais. Comprar mais brincos e cintos. Beber pouco (vinho não conta). Me exercitar mais. Amar sem doer. Passear mais com a Hannah. Chorar menos. Sorrir mais. Dirigir mais. Gastar dinheiro. Guardar dinheiro. Ser menos You Owe Me Nothing in Return e mais Thank U. Usar mais t-shirts. Ler mais. Comprar mais livros. Comer mais frutas. Decidir. Sair mais de casa. Me importar mais. Me importar menos. Usar mais acessórios. Vencer a preguiça que me atormenta. Manter o blog. Que meu cabelo se comporte sempre. Be swept off my feet. Encontrar. Usar mais short. Ser mais paciente. Ser mais leonina, mesmo que leão não esteja no meu mapa. Perdoar. Dar mais presentes. Ir mais ao cinema. Usar mais salto. Ser menos desatenta. Comemorar meu aniversário, mesmo sem querer fazer aniversário. Ouvir. Me justificar menos. Pedir desculpas só pelo que eu fiz. Não ter preguiça de limpar, tonificar, hidratar. Todo dia. Ver mais shows. Não julgar. Usar mais tranças. Não carregar o mundo na bolsa. Não carregar o mundo nos ombros. Nadar. Ser organizada. Aprender a correr.



Can you believe
This is where
I've been

And when adversity
Comes again

I'll deal with it then


I feel a little better
I can smile at it now

I feel a little better

And even a little
Is still a little better

Que 2009 seja melhor! Mesmo que seja só um pouco melhor. Porque mesmo um pouco é um pouco melhor.

Feliz ano novo!

Acabei de adquirir um plano de previdência privada.

Me sinto velha.
...
Daí eu tava lendo sobre isso, antes de tomar a decisão. E descobri que a gente tem que calcular que, quando chegar a uma idade em que pode parar de trabalhar (quando vai ser isso? quando? quando??), a renda deve ser de 70% do salário que você tinha enquanto era pessoa que produz.

E dizem que 70% é bom, porque seus filhos já são adultos (oi? eles nasceram?), você já acabou de pagar a casa e tudo mais.

Se contar que:
1. provavelmente não terei filhos;
2. vou morar no terraço da casa dos meus pais, que assim nem geladeira eu preciso comprar. Sabe que com o aquecimento global vai ser ótimo morar num ambiente assim, super ventilado. Posso dormir na rede, vai ser maravilhoso;
3. com a herança genética que eu devo ter recebido, não mais gastarei com sapatos, porque meus pés só aceitarão calçar sapatos ortopédicos. (mas eu tento não pensar nesse assunto, senão eu choro)

então acho que essa porcentagem deve servir pra mim também, sei lá.
...
Mas o que eu queria saber, na verdade, é: se quando eu me aposentar devo ganhar 70% do meu salário, quando é que eu vou ficar rica?

domingo, 28 de dezembro de 2008

O mais engraçado nisso de odiar natal é quando alguém pergunta "por que essa cara?" e você responde "não gosto de natal", esperando que a pessoa entenda que você não é antipática, só não gosta de natal. A pessoa sempre responde "ahhh, que isso! natal é tempo de alegria, de ficar com a família. fica feliz!"

Poxa, então tá. Valeu, valeu mesmo. Tudo que eu precisava era alguém me mandando ficar feliz. Porque, você sabe, eu não estou feliz só porque ninguém tinha tido essa idéia maravilhosa antes.

Agora eu já aprendi. Quando encontrar alguém que tá triste, é só falar "fica feliz!" Nossa, resultados instantâneos.
...
saldo do natal:

-presentes embrulhados com papel usado. depois que as pessoas trocaram presentes, eu peguei os papéis e enrolei meus presentes neles. sem durex nem nada, que a elegância já tinha passado longe mesmo. ok, pelo menos os presentes eram bons.

-acho que comi tipo uns 3 kg de cereja. eu e hannah. hannah e eu. mas foi só o que eu comi. cerejas. não comi nenhuma comida natalina, de tão não a fim de natal que eu tava.

-um telefonema desastroso. não vamos falar sobre isso, por favor.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Eu tava aqui, me achando o máximo, super adulta, achando que tinha conseguido comprar presentes de natal e coisa e tal. E jurando que isso ia me dar um passe livre pra celebrar o natal como ele merece ser celebrado: dormindo.

Só que o presente do meu irmão só vai ser enviado em janeiro.

Ok. Isso é o de menos. Ele disse que não se importa.

O que acontece é que esqueci de comprar papel de presente. Es-que-ci.

Só tenho uma folha de papel de presente do Snoopy pra embrulhar todos os presentes da família.

Quem esquece de comprar papel de presente, quem?

Esqueci.

Tentativa de finalmente ter um natal que não acabe comigo: FAIL

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

-E por esse preço, você tem uma limpeza de pele profunda.

Ué, mas é claro. Só faltava me falar que por esse preço ela ia só passar um paninho úmido no meu rosto.


acho que pelo preço também tava incluído eu chegar lá e ouvir "nossa, que pele linda!"

domingo, 21 de dezembro de 2008

don't make it bad,
take a sad song and make it better
And anytime you feel the pain,
Hey, Jude, refrain,
don't carry the world upon your shoulders.
For well you know that it's a fool,
who plays it cool,
by making his world a little colder
...
So let it out and let it in

Eu não peço muita coisa na vida. Não é? O que eu peço?
Paz mundial, que meu corretivo dure, que chocolate não engorde, meus pés estejam sempre macios, que eu sempre tenha tempo pra manicure, meu salário nunca atrase e minha roupa de baixo nunca fique marcada no vestido.

E o principal: que ninguém fale comigo, me ligue ou me visite enquanto eu assisto a How I Met Your Mother.

Hoje tocou o meu telefone e antes de atender eu fiquei toda ahn? por que o meu telefone tá tocando? quem quer falar comigo num domingo?

Porque normalmente ninguém liga pro meu telefone, as pessoas me ignoram.

-Alô.
-Alô, Renata?
-É.
-Sua avó já voltou do hospital?
-Já.
-Ah, porque ela passou mal e foi pro hospital e eu tava dormindo e acordei e aí fui fazer xixi e lembrei que ela tinha passado mal e ido pro hospital, aí queria saber se ela já tava em casa.
-Tá em casa, sim.
-Ah, tá. Diz pra ela que eu liguei.

Tá. E que você lembrou dela enquanto fazia xixi?

Mas só pensei.
...
O que há com as pessoas que não se identificam ao telefone? Custa muito ligar e dizer "oi, aqui é a fulaninha"? Custa muito? Mas custa quanto?

Será que elas se acham tão marcantes assim que basta ouvir a voz delas pra outra pessoa saber quem tá falando?

sábado, 20 de dezembro de 2008

Essa semana eu me senti no meio de um episódio de Além da Imaginação.
Entrei num bar e ele estava cheio de homens heterossexuais que flertavam descontroladamente.

Parecia que eu tinha entrado num portal para outra dimensão.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Só sei que quando cheguei em casa e vi fotos das pessoas famosinhas que foram de graça ao show fiquei passada.

Dado Dolabel.la foi ao show convidado pela TAM. Achei tão terrível ver alguém indiciado por agredir duas mulheres ser convidado a assistir a um show e ainda usar a camiseta da empresa, que mandei um e-mail pra eles.

É essa a cara que a TAM quer ter?

Aí eu queria falar uma coisa. Porque tem uma coisa que eu não entendo. É fã dando presente pros ídolos. E acho que a Madonna também não entende.

Morri de rir com as pessoas jogando coisas pra ela no palco e ela falando "Stop throwing shit on my stage!" Porque, vamos combinar, muito legal (mentira, não é legal nada) você comprar uma cartolina e escrever "I love you!", mas o que é que ela vai fazer com isso?

Não é meio doentio essas pessoas que têm quartos pra guardar presente de fã? Acho meio maluquice.

Só queria contar da sensação de felicidade que tomou conta de mim ontem, quando eu entrei com a Tíntia no Maracanã. E não foi nem porque dali a umas duas horas a gente veria a Madonna.

Foi mais por ver que a gente acertou na escolha dos lugares. Ao redor, pais com filhos, casais e senhorinhas. Tudo gente boa, mas muito lenço palestino que não sei como ainda usam. O lenço palestino é a nova bota, cara. A pessoa não pode ver um pingo caindo do céu, a temperatura abaixo de 25º que já acha que pode usar bota e lenço no pescoço. Alguém nos salve.

O melhor é que ninguém ao redor tinha cara de que ia ficar histérico pedindo Holiday. Ninguém dançava, além de nós duas, é verdade. Mas, em compensação, ninguém suava e não chovia na gente.

Ok, a verdade é que se existisse um ingresso pra assistir ao show dentro de uma bolha de vidro, muitos reais eu pagaria por ele. Contato humano, não gosto.

A outra coisa é que se eu pudesse, passaria dando croques na cabeça de todo mundo que passou dias ao redor do Maracanã. Mas não posso fazer isso, porque, ao contrário deles, eu trabalho. Só peço que se um dia eu tiver filhos, nenhum deles seja do tipo que acampa em porta de show.

Minhas músicas preferidas no show foram Human Nature (mas essa é a minha preferida na vida), Heartbeat, She's not me (e amei ver as Madonnas sendo destruídas. quero destruir várias de mim também. posso?), Devil wouldn't recognize you (que eu sempre canto com um sorriso. porque I bet he wouldn't recognize you, but I DO), Ray of Light, que eu acho linda e Like a Prayer, quando as pessoas de onde eu tava finalmente cantaram junto e dançaram.

E fiquei super equilibrada na hora de You must love me. Só derramei umas lagriminhas, porque, né? what do we do for our dream to survive?

bom, valeu a pena até ouvir trance durante quase duas horas antes do show e ver as pessoas super animadinhas com uns remixes tipo de red hot. e dançando fazendo gestos de rave.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Poucas coisas me comovem tanto quanto alguém de coração partido.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

-Quantos anos você tem, Renata?
-25.
-É mesmo?
-(cara de nada)
-Poxa. Não é que você pareça mais velha...
-(cara de horror)
-...mas é que, pelo seu jeito...

AAAAAAHHHHHHHHH!!!!!!!!!

Que jeito? A pessoa quis dizer que eu sou madura? Onde está essa maturidade? Me diz, por favor, que eu tô querendo encontrar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Minha mãe fez pastéis e avisou:
-Fiz poucos. Cada um pode comer dois.

História da minha vida. Isso de "olha que delícia! mas só pode provar, hein?"

Com meu irmão é assim. Perguntei pra ele se ele achava que o vestido que eu tava usando era muito curto pra eu ir trabalhar. Há um tempo eu decidi que seria uma pessoa que usa vestidos. E me tornei essa pessoa. O que eu só percebi agora é que me tornei uma pessoa que usa vestidos (um pouco) curtos. Daí tenho que usar vestido com calça jeans. Há! E você pensando que era estilo, né? Não é, não. É decência.

Enfim, perguntei pro meu irmão. E ele disse:

-Pombas! Claro que é! E parece o vestido da Chiquinha.

Você sabe de que Chiquinha ele tava falando, né? Desta aqui.

Um fofo.

domingo, 30 de novembro de 2008

Duas coisas que a minha mãe fez que ajudaram no processo de me tornar esta pessoa descompensada que eu sou hoje.

1. Nunca me colocou na escolinha de balé. Todas as minhas amigas faziam balé, usavam coque, faziam apresentação de fim de ano. Minha mãe não tinha tempo pra me levar e me buscar no balé. Daí cresci e virei essa pessoa desengonçada, sem a menor delicadeza e elegância. Derrubo tudo em que ponho a mão. Tenho certeza que se eu tivesse feito balé hoje eu seria uma dama. Pelo contrário, sou a pessoa que vai comprar picolé e consegue derrubar o picolé bem atrás do freezer da padaria. E pra quem todo mundo da padaria olha feio, porque agora alguém vai ter que arrastar o freezer pra pegar o picolé e olha só que trabalho.

2. Me deixou ver novela. Cara, é por isso que eu sou esta pessoa tão dada a fantasias românticas. Tenho certeza. Crescer vendo Gilberto Braga não pode dar em boa coisa. Tô (quase) sempre numa vibe vambora. É um custo tomar uma atitude equilibrada. A maior parte da minha vida eu passo querendo bater portas e chorar escorregando encostada à porta que eu acabei de bater. E querendo entornar taças de vinho na cara das pessoas. E jogar um copo de uísque na parede, num acesso de fúria. E quando desço uma escada, sempre penso que vou rolar escada abaixo e perder meu bebê. Apesar de nunca ter estado grávida.

sábado, 29 de novembro de 2008

Sabe aquelas pessoas que gritam "maconha!" depois do verso "é proibido fumar"? São as mesmas que gritam "é a porra do Brasil" depois de "que país é este?" e "em cima do muro embaixo da escada" depois de "fazer amor de madrugada."

Sabe essas pessoas? Quem são?

Todas têm 13 anos de idade? Por que elas saem de casa?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quando a resposta que você espera não é a resposta que você espera, é um conforto saber que tem risoto pro jantar.

domingo, 16 de novembro de 2008

I don't do crowds

Não consigo. Fico logo irritada em lugares cheios. Se alguém pisa no meu pé várias vezes porque precisa de 100 m pra dançar então, fico louca.

E se eu mudo de lugar três vezes e a pessoa continua pisando meu meu pé, eu vou levantar meu dedinho e ser insuportável.

-Olha, você é uma pessoa que usa BONÉ VIRADO PRA TRÁS. Já me custa respirar o mesmo ar que você. Então, faça o favor de NÃO ENCOSTAR EM MIM!

A crise só passou quando meu irmão me falou:
-Ó, se ele vier te bater, quem vai ter que brigar sou EU. Então fica na sua e troca de lugar. É, outra vez. Troca de lugar.
...
Quando eu fui mal atendida pela atendente do serviço de táxis e mandei ela vender laranjas já que estava tão irritada em fazer o próprio trabalho, ele ligou pra lá, aturou a grosseria, e arrumou um táxi.

E ainda disse:
-Você tá vendo como eu consigo tudo que eu quero?
...
Libriano, claro.
...
E ainda me ensinou a segurar uma latinha e um copinho de plástico cheio de cerveja com uma mão só! A pessoa estudou História, né? Habilidades de boteco ele adquiriu todas.
...
Eu sempre soube que meu irmão é alto. Mas ontem eu fui a um show com ele e acho que nunca tinha passado tanto tempo em pé ao lado dele.

Ele é alto mesmo! Eu tenho que olhar pra cima pra falar com ele!
...
De camisa pólo listrada e barba, ele é quase um loser mano.