terça-feira, 3 de agosto de 2010

Há mais de dois anos eu comprei um caderno com a intenção de voltar a escrever um diário. Há mais de dois anos eu digo pra mim mesma que não vou começar a escrever diário nenhum se for pra falar de tristeza.

Bom, tá em branco.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Hannah passou uns dias na praia com meus pais. Férias em família. Meu irmão e eu não acompanhamos mais meus pais nas viagens, é a vez da Hannuca.

Ela fez amizade com três irmãs de 10, 8 e 5 anos. Quando eu digo que a Hannah fez amizade, quero dizer que as crianças ficaram apaixonadas e a Hannah desprezou, porque é isso que ela faz. Ela despreza pessoas. Hannah não se sente responsável por tudo aquilo que cativa. Ela nem liga.

Não sei se já contei aqui, mas a Hannah não gosta de tosse e de espirros. Não sei se tem pavor de germes, não sei o que é, só sei que fica incomodada e late quando alguém tosse ou espirra. Alguém precisa estudar essa cachorra.

Daí um homem espirrou perto dela, Hannah começou a latir e minha mãe explicou para as meninas que ela estava latindo porque não gostava de espirros.

O homem espirrou de novo e de novo e uma das irmãs gritou pra ele:
-Ei, para de espirrar! Não tá vendo que a cachorra não gosta?

Então, mamãe, pra coroar a maluquice, me mandou uma foto com a mensagem "Olha nossa Hannah tomando água-de-coco na praia."

É, ela tava tomando água-de-coco, sim. De canudinho, né, mãe?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Tava saindo da terapia. Saí do elevador, o porteiro do prédio olhou pra mim, deu um beijo na minha testa e disse "vai ficar tudo bem."

Agora você imagina a cara que eu tava fazendo. Não precisa nem imaginar como foi a sessão, não. Imagina só a cara que eu tava fazendo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu gosto muito de blog. Acho que não parece, porque eu passo a maior parte do meu tempo reclamando de tudo, mas eu gosto de pessoas. Adoro blog diarinho. E, como leitora de blogs, também sinto que conheço os autores. Quando conto uma história que li num blog, nunca digo "li num blog", digo que "uma pessoa me contou."

É bem assim que eu me sinto com blog. Eu conto histórias e leio histórias.

Algumas vezes na vida eu conheci pessoalmente autores de blogs que eu leio. É bem engraçado, porque a pessoa é igual e diferente do blog. É uma mistura do que foi escrito, do que é e do que eu imaginei.

A Camila é fofa, tem o maior sorriso do mundo, nós dançamos, rimos e ela me contou o segredo para encontrar um menino legal. (Não sei se vou contar pra vocês, não.)

Este ano também conheci a Cris e fiquei muito sem graça porque não queria parar de conversar com ela. Fomos tomar café, suco, comemos pastinha de berinjela e eu pensando "ai, vai achar que eu tô alugando", mas eu curti tanto nosso encontrinho que deixei a vergonhinha pra lá.
...
Isso tudo pra dizer que várias pessoas acertaram meu sapato. A primeira foi a Jussara, que acertou no Twitter. É a sapatilha dourada. Aqui ela pode ser vista combinando com a decoração de uma festa, numa pose fantástica.E, ô, o peep toe verde? Vocês acham que eu sou mais fabulosa do que sou de verdade, hein? ;)

adorei a Juliana, que achou que o tênis era meu. eu curto um all star mesmo, mas você acha que eu calço 43, Juliana?
a Mari disse que todos podiam ser meus e eu acho que sim, usaria todos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

quer brincar?

Sabe a foto dos sapatos no post falando dos meus amigos?
Você sabe qual par de sapatos é meu?

terça-feira, 20 de julho de 2010

para os meus amigos ♥

Nós estávamos todos lá, num restaurante pequenininho, incomodando os casais de terceira idade com nossos assuntos de jovens adultos sem limites. Nós estávamos lá pra comemorar a promoção de uma amiga. Ela não é só minha amiga, é tão mais do que isso, mas se eu for falar sobre ela, saio do assunto do post, que é uma coisa que eu sempre faço, mas que todo mundo sabe que não pode, né?

Então, nós estávamos comemorando a promoção de uma amiga. As garrafas de vinho rolando, as gargalhadas e as caras de incômodo dos adultos de verdade.

No final do jantar, nossa amiga promovida falou um pouco. E sempre vou me lembrar do que ela disse. "Às vezes a gente não se encaixa no mundo, mas o mundo se encaixa na gente."

Meus planos não deram certo e vocês estavam aqui. Eu fui embora e vocês estavam aqui. Eu voltei e vocês estavam aqui. Eu perdi um grande amor e vocês estavam aqui. Eu tentei recomeçar e vocês estavam aqui. Eu trabalhei demais e vocês estavam aqui. Eu fiquei confusa e vocês estavam aqui. Eu fiquei de mau humor, fui chata, falei o que não devia, fiz drama porque tava doente e vocês estavam aqui.

Eu odeio natal, não ligo pra dia dos namorados, não comemoro páscoa. Só curto mesmo carnaval e ano novo. Não me sobram muitas celebrações.

Mas este ano eu fiquei comovida com essa coisa de dia do amigo. Eu já disse pra vocês e agora vou dizer de novo, roubando as palavras da nossa amiga promovida:

Vocês são o mundo que se encaixou em mim.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu perco coisas que eu não deveria perder.
Eu digo coisas que eu não deveria dizer.
Eu vejo coisas que eu não deveria ver.
Eu esqueço coisas que eu não deveria esquecer.
Eu faço coisas que eu não deveria fazer.
Eu como coisas que eu não deveria comer.

Eu sou um (pequeno) desastre.

Na minha academia, a entrada é autorizada pela digital. Daí pra entrar tem que colocar o dedinho no scanner, esperar ele reconhecer a digital, seu nome e foto em que você aparece medonha e descabelada porque foi tirada saindo da academia aparecerem na tela do computador e só aí você pode entrar.

Tentei uma, duas, três, quatro, milhões de vezes. O scanner não reconhecia minha digital.

Mandei aquele papo de que tenho um problema nas digitais, são super fracas, sempre tenho dificuldade nesses leitores e blá-blá-blá.

A moça da recepção falou "me dá sua mão aqui, deixa eu tentar."

Pequeno momento de pânico.

Minhas mãos estavam sujas de Chicabon.

Quantos anos eu tenho?


posso me defender dizendo que a primeira coisa que eu pretendia fazer quando entrasse na academia era lavar as mãos? e você aí, duvido que tome picolé de chocolate sem se sujar. du-vi-do.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quem tem irmão sabe como é. Você passa a vida tentando descobrir quem é o filho preferido. Quem minha mãe ama mais? E meu pai? Será que sou eu? Coitado do meu irmão! Será que é meu irmão? Por que não eu?

Ultimamente, meu irmão tem intensificado a disputa. Começou dizendo que acredita em deus. Minha mãe, você imagina, sorriso de orelha a orelha. Ela só errou com uma. Eu achei bem golpe baixo. Em 23 anos que eu conheço meu irmão, nunca soube que ele acreditava em alguma coisa além de Nintendo. Não posso competir com isso. Tive que deixar passar.

Depois ele resolveu começar a cozinhar. Aqui em casa todo mundo cozinha. Meu pai cozinha, minha mãe cozinha, eu cozinho. Hannah não cozinha porque não tem polegares opositores, mas se tivesse, cozinharia. Meu irmão só comia, mas resolveu começar a cozinhar também.

Daí você vai dizer que ele tem o direito de começar a cozinhar. Ok, ele tem. Mas cozinhar e depois limpar a cozinha? Sério, quem faz isso? Só alguém que quer muito o título de filho preferido.

Cozinhou no almoço, cozinhou no jantar. O que minha mãe disse sobre isso?
-Renata, que prato você vai fazer para conquistar nosso amor?

Choque!

Fui tomar satisfação. Quem, afinal, é o preferido? Minha mãe explicou:
-Renata, você é minha filha preferida, seu irmão é meu filho preferido.
-É? E a Hannah?
-Ah, Renata. É injusto que ela entre na competição. A Hannah é hors concours.

Hannah Mabel, cachorra,
louca por bolinhas e preferida

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não, a gente não supera a escola. Você aí que foi desprezado pelos seus coleguinhas populares pode até crescer e se dar bem na vida, mas não vai superar a escola.

Encontro meus amigos e sempre falamos sobre como nós éramos mais inteligentes, legais e engraçados do que todas aquelas pessoas que estudaram conosco e agora, além de tudo, ainda somos mais lindos e temos as roupas mais bonitas.

Então, não. A gente faz a Tieta e volta arrasando a Santana do Agreste, mas não supera.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Esse tempo todo dizendo que a culpa não era minha, não podia ser. Eu tava fazendo tudo certo, o mundo todo que tava errado.

Daí teve aquele sonho e eu entendi várias coisas. E depois mexi na minha carteira e a foto tava lá. A foto pro passaporte, o cabelo bagunçado, as bochechas vermelhas de sol. A foto e o guardanapo com o telefone que nem é mais dele. Passou de carteira em carteira. Depois de tanto tempo, a foto ainda tava lá.

Com quantos meninos eu saí com essa foto na carteira? Todas as vezes que eu pegava a carteira pra pagar a minha parte na conta, a foto tava lá. Quantas vezes eu culpei outra pessoa porque não ia dar certo e eu sou tão legal e a culpa não podia ser minha?

Todas as vezes a foto tava lá.

Agora a foto não está mais lá. Eu guardei naquela caixa redonda das lembranças. Não é muita coisa, é só o começo. Mas agora, depois de tanto tempo, sou eu sozinha. Não estou levando ninguém comigo. A foto não está mais lá.

Daí eu tava lá, explicando muito racionalmente porque tava pensando em mudar um plano que eu tinha feito. Tantos motivos eu tinha, eu estava coberta de razão. Como eu sou sensata. Ela perguntou:

-Você acha que assim ele vai se sentir atingido?

Fiquei muito nervosa.
-NÃO! ELE FEZ ISSO TANTAS VEZES COMIGO!

É pra isso que se faz análise.

sábado, 19 de junho de 2010

-Eu queria que alguém me apresentasse um homem e dissesse "toma, vai sem medo."
-Hahaha. Sonhar não custa nada. Renata, eu só queria que alguém me mostrasse um sapato e dissesse "toma, vai sem medo."

Homem e sapato. Difícil encontrar um que não machuque.

Né?

domingo, 13 de junho de 2010

Enquanto isso, a única coisa que eu consegui quando tentei fazer um chá pra minha mãe foi cortar meus próprios dedos com as folhas de capim-limão.

Pra você ver como eu sou bem preparada e lido bem com a vida, seus dramas e etc.

Minha vó morreu. E antes de morrer minha vó passou 20 dias em coma no hospital, sem nenhuma esperança de melhora. Durante esses 20 dias, minha mãe parou de funcionar. Mal se alimentava, mal dormia, não ia trabalhar.
...
Eu estava dizendo que meu pai foi o primeiro namorado da minha mãe, que eles estão juntos há 38 anos.

Aí o menino que é fofo mas eu fico na dúvida se ele sabe que é fofo ou não e me sinto culpada por nunca ter dito que acho que ele é fofo disse que eles deviam se amar muito.

Não sei direito quando aconteceu, eu sei por que, mas não sei quando. Sei que fiquei meio amarga. Fico pensando se isso tem volta, se um dia eu serei doce de novo, mas por enquanto estou amarga.

Então eu fiz uma cara de não sei não e disse que eles devem ter se acostumado um com o outro.
...
Durante os 20 dias em que minha avó esteve em coma no hospital e minha mãe não funcionou, meu pai fazia comida pra ela, levava ao hospital duas vezes ao dia pra visitar minha vó, dava remédios e falava com todas as pessoas com quem minha mãe não conseguia falar porque não estava funcionando.
...
Fiquei pensando se de repente não é isso. Se não importa mais se é amor, se estão acostumados um ao outro, se é porque um dos dois faz um pudim que ninguém sabe fazer, se é porque só ele entende suas piadas.

Pensei muito se não é isso mesmo. Se talvez no final o que conte é ter alguém que cuide de você enquanto sua mãe morre.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Não sei como é pra você a experiência de estar solteira, mas eu vou contar como é pra mim. Não sei se por ter ficado tanto tempo com alguém as pessoas se acostumaram a me ver namorando. De repente é porque olham pra mim e não conseguem achar assunto, acham que o único assunto que podem puxar com uma garota é homem. Sei lá.

Só sei que todo dia me perguntam "e você, renata, tá namorando?"

Quando eu digo que não, as pessoas dobram o pescoço assim pro lado e começam a me consolar, dizendo as coisas mais malucas.

-Você vai achar alguém.
-A sua cara-metade tá por aí esperando você.
-Quando você menos esperar, você vai achar sua alma gêmea.

E, cara, que medo, hein? Imagina encontrar minha alma gêmea. Uma pessoa igual a mim, já pensou? Se eu, que vivo dentro de mim por falta de opção, mal me aguento, imagina se eu tivesse que conviver com alguém igual a mim. O que eu faria com alguém que chora no metrô? Posso dar um soco na cabeça?

E o melhor de todas:
-Se apega a Santo Antônio!

Tá.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

o que acontece quando você é filha da minha mãe

Eu adoro cozinhar, mas evito fazer massas que precisem de sova. Porque sou fraca, fisicamente fraca. Também sou emocionalmente fraca e um pouco desequilibrada, mas não é disso que eu tô falando.

Daí que nunca faço massas que eu precise sovar. Eu moro com meus pais e um irmão que é caçula, mas muito mais alto e forte do que eu. Eu poderia pedir ajuda pro meu pai ou pro meu irmão.

Mas é aí que entra a minha mãe. Quando você é filha da minha mãe, você não sabe pedir ajuda e a qualquer sinal de que você precisa que alguém faça alguma coisa por você, seu orgulho grita e chuta seu estômago. Já levou um chute no estômago do seu orgulho? Olha, dói.

E aí, você, que é filha da minha mãe, pensa "não, enquanto eu não conseguir sovar a massa sozinha, eu não mereço comer isso." e segue em frente riscando o pão caseiro da sua vida.


(eu tô mais ou menos falando de pão)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Eu me lembro exatamente de quando meu coração se partiu pela primeira vez. E de como ele se partiu tantas outras vezes depois disso, em pedaços tão pequenos e irregulares que eu achei que nunca conseguiria colar.

Desde aquele dia eu venho andando por aí carregando meu coração partido. Eu aprendi a conviver com ele. Aprendi que mesmo se eu quisesse passar o dia na cama sentindo pena de mim mesma, eu não podia. Então, eu levantava, escolhia minha roupa, tomava banho, ia trabalhar enquanto dizia pro meu coração partido "espera aí. daqui a pouco a gente volta pra casa e pode sofrer mais um pouquinho." E aprendi a esconder meu coração partido, a guardar os pedacinhos juntos, só pra mim.

Eu me acostumei ao meu coração partido. Por onde eu passava, eu pensava "será que as pessoas sabem que estão falando com alguém de coração partido?" ou "quantas dessas pessoas aqui nesta pista de dança também estão com o coração partido?" Eu me acostumei a pensar que ele ainda estava cicatrizando e precisava de tempo. Achei que não podia dar meu coração partido para ninguém, porque é feio dar uma coisa que não está perfeita, esperando que alguém conserte pra mim.

Mas aí eu comecei a desconfiar que ele não está mais partido. Que ele já cicatrizou e cicatrizou desse jeito aí, desconfiado, fechado, estranho.

Mas cicatrizou. Acho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eu tava correndinho na esteira, o flerte da esteira entrou, foi pra uma esteira da fileira da frente e levou o maior tombo do mundo inteiro. Levou um super tombo e nem tinha subido na esteira ainda! Tropeçou nos próprios pés, sei lá.

Olha, cheguei a ficar emocionada.

Acho que foi a prova final de que nós somos almas gêmeas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ah, lembrei de contar do SdS.

Bom, ele é mega carioca. (Peraí, deixa eu explicar que eu não sou carioca, eu sou iguaçuana. Pra pessoas de outras partes do Brasil, deve parecer que eu tenho sotaque de carioca, mas não tenho, é só parecido)

Eu amo muito ouvir homens mega cariocas falando. Os meninos sempre acham que eu tô debochando quando eu digo "uau, que sotaque lindo você tem. fala 'mermão' aí pra eu ouvir", mas é sério, eu curto mesmo.

Daí minhas ligações pro SdS são sempre assim:
-E aí, beleza?
-Beleza.
-E aíííí?
-E aíííí?
-Beleeeeeza, gatinha?
-Beleza.

E ao mesmo tempo em que eu fico pensando "vamos logo ao que interessa", também penso "ahhh, corre lá, pega sua prancha, deixa eu ver você surfar, vai ser maneiro, vai ser bonzão."