Ainda falando sobre a minha beleza exótica, a Tina disse que homens devem achar exótico sombra rosa, esmalte azul, essas coisas.
E aí, né? Quando eu fui chamada de exótica, tava com uma maquiagem bem discreta, batom nude e tudo. Quando aconteceu com a minha amiga, ela tava quase sem maquiagem. Então, acho que a gente é só feia mesmo. ;)
Mas aí fiquei pensando no esmalte azul e acho que os meninos acham simplesmente feio. Nada mais nada menos do que feio. Mas o que eu noto é que eles fazem um super esforço pra se fazer de modernos e sempre comentam. Não costumam elogiar, mas comentam como se não estivessem incomodados e às vezes dizem um "gostei" bem seco. Dá pra sentir que aquele "gostei" doeu.
"Nossa, seu batom é bem forte, né?"
"Olha, esmalte verde*. Gostei."
"Hmm, você tá de sombra azul."
"Sua sapatilha é BEM azul."
Eles falam como se não se importassem, como se não fossem achar mais legal se você estivesse usando Renda e um batom discreto. Mas dá pra sentir, né? Que ali dentro tá rolando uma guerrinha. Que ele tá dizendo "quero ser moderno, mas ODEIO esse batom laranja."
Eu sei. Sei disso porque já saí com um cara que tava usando uma murse. Que é uma man-purse. Que é uma bolsa masculina. Tá? A pessoa foi me encontrar usando uma capanga com alças. Uma ca-pan-ga. E eu, aquariana, demorei horas pra perceber que aquilo era uma bolsa. Mas o que eu podia fazer, se estava de sombra dourada + lápis azul, blusa estampada de balões, cinto xadrez e saia balonê de cintura alta? Ah, e quando ele me viu eu ainda tava com o casaco enrolado no pescoço, porque meu pescoço tava com frio. Como é que eu podia perguntar por que ele tava usando uma capanga? Imagina se eu tivesse que explicar cada peça que eu tava usando. Fiquei na minha. Mas aqui dentro tava rolando uma guerrinha.
Daí não falei nada sobre a capanga, assim como nunca abri minha boca pra falar mal de calça cargo, porque eu sei, meninos heterossexuais, que a calça cargo é um item muito importante pra vocês. Embora seja horrorosa.
O que eu quero dizer é que pelo menos eu não falo "hmm, você tá de calça cargo." como se simplesmente notar isso fosse um elogio.
Não é. É uma calça cheia de bolsos onde você enfiou sua carteira, seu chaveiro e seu celular e agora os bolsos tão com um formato bizarro.
É claro que eu notei.
Todo mundo notou.
*ele disse azul, mas eu lembro bem que era verde. era o show da risqué. pergunte a qualquer mulher, ele é verde.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
Daí parei tudo, olhei bem nos olhos dele.
-Qual é o seu problema? Você tá mega bêbado? Você ouviu o que disse pra mim? Você disse que eu sou exótica. Em que mundo ser exótica é um elogio? Frutas são exóticas, animais são exóticos. Mulheres são lindas.
-Mas você é linda de um jeito diferente.
-Olha, você já falou que eu sou exótica. Não tem como voltar atrás. Não tente consertar.
Eu coleciono os piores elogios do mundo. Guardo todos numa caixinha verde.
daí aprendi que eles estão espalhados por aí. os homens que usam exótica como elogio. eles estão por aí, falando isso pra mim e pras minhas amigas. imagino agora quantas já tiveram que passar por isso. e eu só queria dizer o seguinte: se não acha linda, não fala nada. fica na sua. mas não usa exótica como elogio. porque não é. é uma palhaçada, isso sim.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Foram só duas caipirinhas. Mas eram as caipirinhas mais fortes do mundo. Aqui em Nova Iguaçu as caipirinhas costumam ser bem fortes. Mais fortes do que no Rio, muito mais fortes. Bom, tô tentando me justificar. Aí cheguei em casa de madrugada e decidi que era uma boa ideia colar todas as coisas quebradas do mundo. Bom, todas as coisas quebradas que eu achei no meu quarto, pelo menos.
Acordei coberta de cola pra isopor, que foi a única que eu achei, e com a sensação de que hmm, fiz o que não devia.
Tá lá, na pasta de mensagens enviadas do facebook:
"yuo'll alwas be my favourite person in te wolrd."
O melhor de tudo é ainda ter que trabalhar no dia seguinte.
It started out with a kiss
How did it end up like this?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Troca de e-mails pra decidir o que fazer no sábado à noite:
"eu e a Renata conhecemos essa banda, hein?"
Conhecemos? Quem conhecemos? Conhecemos quem? Mais importante: conhecemos como? Eu tava sóbria quando conheci? Onde foi isso?
Nada mais me lembro.
Vou chegar lá e alguém da banda vai cuspir em mim?
Pequeno momento de pânico.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Há três tipos de pessoa. Tô falando de Maracanã, tá?
Tem a Aline, que te puxa pelo braço e quando você vê já tá a 300 metros da briga.
Tem Marcela, que você vê de longe (porque em 3 segundos Aline já te puxou pra bem longe da briga), bom, tem Marcela que você vê de longe se enfiando na briga pra apartar. E dizendo a frase "eu faço boxe!"
E eu, né? Que tenho um medo muito grande de perder o meu lugar. Não sei de onde vem isso, não sei mesmo. E já tenho tantas maluquices pra tratar na terapia que, desculpa, não vou ficar investigando por que tenho medo de perder meu lugar. Não mesmo. Só sei que o mundo pode cair que eu permaneço onde estou, pensando "eu é que não vou sair, que vem um esperto e toma meu lugar."
Então, se ninguém me puxar, vou ficar ali até me darem um soco bem forte.
Eu durmo de pijama todos os dias. Eu sei, eu sei, que coisa de velha. Mas adoro pijamas e quando era criança minha mãe nunca me deixava dormir de qualquer jeito, com uma camiseta velha. Eu tinha que dormir de pijama. Me acostumei e adoro. Vestir um pijama faz parte da minha preparação pra dormir. Daí bem antes de tomar banho e dormir, eu já planejo o pijama que vou usar.
Então imagina o desespero quando eu abro a gaveta de pijamas e justo aquele que devia ser usado hoje não está lá. Só a calça está lá. Cadê a blusa?
Pânico. Por que lavar as partes do pijama separadamente? As partes têm que ser usadas juntas.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Tem uma cigarra me irritando muito. Tá lá do outro lado da rua. Eu atravessei o quarto todo, desesperada, achando que estava aqui dentro. Mas tá do outro lado da rua.
A cigarra me irrita, me irrita, me irrita. Quase me enlouquece.
Mas aí eu lembro que ela só quer achar alguém, acasalar e morrer em paz.
Como todos nós.
domingo, 13 de dezembro de 2009
-Claro que não! Mal vou aguentar andar! Imagina dançar, nunca!
-Mas, então, por quê?
-Ficou lindo com o vestido que eu escolhi.
...
Sabe o que eu adoro? Mulheres que dizem "ahh, mas com essa plataforma embutida, é como se você estivesse descalça." Olha, não sei qual é o problema delas, mas com certeza nunca andaram descalças na vida. Ou a única vez em que andaram descalças foi sobre brasa ou cacos de vidro, sei lá.
...
De repente é isso mesmo. Eu me odeio e estou tentando me punir por alguma coisa. Vou trabalhar isso na terapia, tá?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Uma das minhas resoluções de ano novo é não me relacionar mais com homens que não curtem futebol.
Eu aqui, coração apertado, querendo morrer, num sofrimento só e o cara naquela onda "se ganhar, ganhou. se perder, perdeu."
Não dá.
Quero camisa do time no armário, gritos enlouquecidos, muitos palavrões no maracanã.
marcadores meninos
domingo, 6 de dezembro de 2009
Vou ensinar uma grande lição para vocês, meninos: um não é apenas um não.
E um não é melhor do que o silêncio.
Um não liberta também. Machuca nosso orgulho, fere nossa autoestima mesmo. A gente pensa por um momento "por que não quer? eu sou tão legal." Mas isso passa.
O silêncio não diz nada. O silêncio nos faz tirar nossas próprias conclusões. O silêncio faz a gente achar que é tão nada que não vale nem um não.
Um não é ruim, mas é bom.
Digam não. Expliquem. Verbalizem. Sejam legais.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Estudar com a melhor amiga é tão bom. Chego atrasada, tem um professor substituindo nossa professora e ela logo escreve no livro dela pra me avisar: "odeio ele"
-Por quê?
-Porque a primeira coisa que ele falou quando começou a discutir a peça é que a personagem tal tava bem comida.
-O.o
Imagina se eu não soubesse disso? Eu até teria gostado da aula. Ainda bem que ela logo me avisou. Não posso gostar de quem diz isso. É pessoal.
Eu até quero sair de casa e ser mais adulta. Mas aí alguém pega meu all star branco que eu deixei na área de serviço pra lavar quando tivesse tempo e paciência e lava, sem eu pedir nem nada.
E como mágica eu tenho um all star branco limpinho de novo e posso continuar brincando de ser adolescente.
Assim, é como se meus pais estivessem dizendo "fica! fica! fica!"
Não é?
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
XX adicionou você como amigo no Facebook. Precisamos confirmar se você conhece X para que sejam amigos no Facebook.
Claro que conheço! Conheço e é um grande babaca. Escreve aí, Facebook: ba-ba-ca.
¬¬
Sério, você faz uma das maiores palhaçadas que eu já vi na minha vida. E depois fica se fazendo de legal só porque pediu desculpa. Aliás, um dos piores pedidos de desculpa que eu já recebi. Sério que você quer ser meu amigo no Facebook?
E aí, Facebook, tem como responder com um "ARE YOU FUCKING KIDDING ME?"
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Eu só pareço boba, mas eu sou até bem esperta.
Eu sei que quando alguém faz uma cara de espanto e diz "Nossa! Tá toda arrumada" não é um elogio e nem um comentário inocente. O que a pessoa quer dizer mesmo é que eu sou fútil e me importo com coisas superficiais.
Eu tô acostumada. O que eu não entendo é como o fato de eu estar usando uma roupa bonita pode incomodar. Comprei com o meu dinheiro. Gastei o meu tempo pensando em como eu ia combinar aquela peça. Me senti feliz com o resultado e saí de casa. O que, na minha roupa, que só tem a ver comigo e ninguém mais, pode incomodar?
É como se eu tivesse que me justificar. Olha, tô usando essa roupa aqui, mas eu não me importo só com isso. Eu também leio, tenho amigos, sou legal, dou dinheiro pra ajudar cachorrinhos. Olha só, eu até estudo.
Sério, a roupa é minha. É importante pra mim. Como deve ser importante pra você juntar dinheiro pra comprar uma casa. Ou ter filhos. Ou ter um celular caro que faz mil coisas que meu celular simples não faz. Ou usar sapatos feios, sei lá o que dá sentido à sua vida.
mas o melhor de tudo é que se eu quisesse ser sincera e dizer "olha, sou fútil mesmo, roupas são importantes pra mim mesmo e mesmo assim sou mais inteligente do que você" eu poderia. então, me deixa quieta com meus vestidos de laço e para de se fazer de cult.
O cara me diz assim:
-Eu faço a minha empregada lavar todas as minhas camisetas a mão. Não pode botar na máquina de lavar, que estraga.
E eu penso:
-Economiza o papinho, porque você acabou de ganhar to-do o meu desprezo.
Mas de verdade mesmo eu digo:
-Que frescura, hein?
Dou um sorrisinho e vou embora.
marcadores falta de noção, meninos
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
o que me ofende
Alguém diz que me acha parecida com uma menina.
Cara, não é porque eu acho a menina feia, não é porque eu acho a menina chata.
Mas você viu que a menina só usa bege? Como é que alguém me confunde com uma pessoa que só usa bege? Eu sou uma cartela pantone disfarçada de professora de inglês. Pra quê? Pra ser confundida com alguém que só usa bege, cinza e preto?
Não dá.
Me ofende.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
um dia na minha vida
Saio de casa me achando a pessoa mais legal do mundo com meu batom fúcsia e minha camiseta de caveira.
No caminho de casa pro trabalho um homem me diz "Nossa, você tá ridícula!" Não sei se ele está falando do batom, da camiseta, da armação neon dos meus óculos escuros ou de mim como um todo. Só levantei meu dedo do meio, chocada demais pra perguntar o motivo da agressão, mas experiente demais em maluquice pra passar por isso sem reagir.
Conferindo meus e-mails, drama. Não contente em levar um fora, eu gosto de passar do fundo do poço e levar dois foras da mesma pessoa. Então, tá.
Indo pra pós, sentada no corredor do ônibus, um homem pede pra sentar na janela. Agradece 1 milhão de vezes. Obrigadoobrigadoobrigadoobrigado. Quando começou a conversar com as roupas que estava vestindo, entendi que tava bêbado.
E aí rolou, né? Choro num espaço público. Choro, lágrimas, pequenos soluços.
Que delícia.
mas meu batom fúcsia ficou aqui o dia todo. é preciso resistir.
Por causa de tudo pelo que eu passei, porque eu fui criada pra ser independente, não precisar de ninguém, me bastar, ser melhor do que todo mundo, é uma dor quase física me apegar a alguém. Sempre é uma escolha e é sempre tão difícil.
É como se eu estivesse abrindo mão de ser eu.
Eu normalmente luto contra isso. Quero ser mais aberta, mais fácil, mais dócil. Não quero que o amor seja um campo de batalha (<3) pra mim. Não quero ter que me preocupar com quem está por cima e quem está por baixo.
Normalmente eu luto contra isso.
Mas, às vezes, só às vezes, eu quero agradecer a mim mesma por ser assim.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A gente se encontrou por acaso duas vezes na mesma semana.
-Olha, que assim eu penso que você tá me seguindo.
Pânico. Será que ele acha mesmo?
E não consigo ser legal, engraçadinha nem simpática. Passo o resto do tempo fingindo que não tô prestando atenção pra ninguém achar que eu sou maluca e sigo pessoas pela rua.
