terça-feira, 10 de julho de 2012

Minha analista tem uma pasta com tudo sobre mim. É amarela, tem meu nome na capa e quase sempre já está em cima da mesa dela quando eu chego. Na pasta tem tudo o que eu disse nesses cinco anos juntas.


Então, quando eu chego lá fazendo queixa dele, do que fez, do que deixou de fazer, de como estou magoada, comendo doce de leite e ainda assim emagrecendo, ela folheia tudo sobre mim que está dentro da pasta e diz:

-Agora vamos ver as coisas que você fez e disse pra ele.

Mas que que é isso? A gente não pode só falar de como eu sou legal, fofa e mereço ser amada?

Fico triste. =(

sábado, 7 de julho de 2012

Meu pai me ouviu chorando e veio ver o que estava acontecendo. Perguntou se eu estava chorando, mesmo vendo as lágrimas e o rosto todo inchado. Achei gentil. Eu disse que sim, ele perguntou por quê. Eu disse que era a vida. Ele disse pra eu não chorar mais.


Sempre me dá pena do meu pai quando ele me vê chorar. A cara que ele faz, que dó.

diário do coração partido 3, semana 1.

domingo, 1 de julho de 2012

Me arrependo muito de ter sido tão moderna e na minha e penso em tudo o que eu não disse. Cogito mandar um e-mail agora, mas não quero soar como vítima nem reacender o contato.


De que adianta ser tão cool se depois eu vou chorar ouvindo Nuvem de Lágrimas?

diário do coração partido 3, semana 4.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Quebrei um prato no quarto e recolhi os cacos do meu jeitinho. Isso quer dizer que a qualquer momento um desses caquinhos que é certo que sobraram aqui vai entrar no meu pé, percorrer todas as minhas veias até chegar ao meu coração*. E eu vou mor-rer.


Estou tratando como uma daquelas coisas inevitáveis da vida.

Sem drama.

Tem que acontecer.



*você também tinha uma vó que falava isso quando você se recusava a estender o dedo pra ela tirar a farpa? eu tinha e minha mãe conta a história de uma amiga dela que, na adolescência, tentou se matar enfiando uma agulha no braço, esperando que ela chegasse até o coração. sem drama.

domingo, 24 de junho de 2012

Fiz uns exercícios difíceis no pilates. Sofri. Tive que parar e respirar. Parar humilhada por estar numa condição física tão ruim. Como deixei chegar a este ponto? Vamos lá, não vou desistir.


No final da aula, a professora perguntou se eu trabalhava sentada ou em pé.
-Agora, mais sentada.
-Hm, então amanhã você vai ficar com dor no bumbum.

No dia seguinte, não consegui me livrar do desespero interno. Minha bunda não doeu.

E SE NÃO ESTIVER DANDO RESULTADO?

/o\

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Aos 29, noto que ainda tenho muitas lágrimas, mas a disposição para chorar um coração partido não é mais a mesma.


Não sei se é por não ser o primeiro nem o segundo ou se é pela resignação de saber que não será o último, mas tenho chorado aos poucos. Um pouquinho por dia.

É bom porque dá pra fazer muitas coisas, sem que o coração partido atrapalhe minha rotina.
É ruim porque parece que falta alguma coisa.

diário do coração partido 3, semana 2.


(o diário tá todo fora de ordem)

domingo, 17 de junho de 2012

Já passei por alguns rompimentos, dos dois tipos que há.



Tem aqueles em que a gente não consegue respirar sem o contato. Insiste em e-mails, mensagens, lembranças, telefonemas como quem não quer nada, só pra dizer que eu vi um filme que me lembrou você, num fingimento de amizade e naturalidade que a gente insiste em encenar porque quer ser madura. Ou então sufoca o quanto pode, pede por favor, não deixa de me amar, faz vergonha. Esgota até o último bocadinho de amor. Fica ali até secar - até você secar, até não restar nada. E se engana dizendo que nunca mais vai amar. Esses são os mais dolorosos.

E tem aqueles rompimentos em que é fácil sumir. Não procurar ou ser procurada parece até natural. Sim, outra vai ocupar o seu espaço. Outro vai ocupar o espaço dele. Pra que se agarrar ao que acabou? Não tem como jogar a culpa em ninguém. Como a gente faz pouca falta. É espantoso ver como pode ser fácil esse processo de se desvencilhar de alguém a quem se é tão apegada. Esses são os mais amargos.

Que gosto ruim tem isso de ver como era frouxo o nó.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Esse tempo todo eu fiquei pensando em qual seria o meu limite.


Tanta coisa eu imaginei. Nunca pensei que seria a falta de um "eu também" quando eu dissesse que estou com saudade.

Que coisa.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

É incrível a capacidade que a gente tem de ser rejeitada tanto e de tantas maneiras diferentes.


Eu me sinto um joão-bobo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estar sentada ali, naquele consultório, e ouvir a palavra autossabotagem faz a pessoa querer sair correndo sem olhar pra trás.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Enfim Willy ponderou a ideia de que não havia nada de errado com a gentileza, mas sim algo de errado nela."


Por causa da Mari, que me deu de presente, e da Dri, que há meses fala que eu preciso ler esse livro, estou lendo. Com muito medo das próximas páginas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Melhor elogio dos últimos tempos:


-Você deixa meu banheiro tão cheiroso quando toma banho nele.

he. ;)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

No começo do dia, minha chefe nova me pediu pra organizar umas coisas numa planilha de Excel.


- Quero fazer uma pausa e dizer que sempre que uso Excel me sinto uma farsa. Só sei usar pra fazer tabelas. Não uso fórmulas e essas coisas para qual o programa foi criado. Mas construo tabelas bonitinhas, com cores diferentes e tal. Acabou a pausa. -

Daí passei o dia conferindo as atividades, abrindo arquivo por arquivo e registrando tudo na minha planilha que tinha três abas diferentes, cada uma de uma cor pastel. E na última coluna de cada, o aviso em vermelho avisando que algo estava faltando.

No final do dia, planilhas prontas, enviadas pro google docs, ops, google drive, compartilhadas, e-mail de aviso enviado, falei com a minha nova chefe:

-D., adorei o que eu fiz hoje. Adoro organizar coisas em tabelinhas. Nossa, me deu até uma onda! Fiquei high de organização.

me.deu.até.uma.onda.

Pra que ser centrada se eu posso ser inadequada?

domingo, 13 de maio de 2012

Eu queria escrever "eu tenho um senso de humor meio perturbado". Quando vi, tinha saído "eu tenho um senso de amor meio perturbado".


Corrigi e continuei escrevendo o e-mail, como se nada tivesse acontecido.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A noite que se encerra depois de ver Namorados para sempre, com Faz parte do meu show repetida à exaustão.


Que filme assustador. Sinto que regredi meses na terapia só por ter assistido.


uma oportunidade de dizer que tradutores não têm nada a ver com o título do filme em português nunca é uma oportunidade desperdiçada. não nos odeie porque a gente faz legenda. a culpa do título não é nossa!

terça-feira, 8 de maio de 2012

E tem aqueles dias em que você chega a se perguntar se "não consigo achar o pé esquerdo do meu tênis e tá chovendo" é um bom motivo pra ter a falta abonada no trabalho.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Passar a vida me desculpando.


Desculpa, não te liguei. Desculpa, não falei direito com você quando te vi por acaso na rua. Desculpa, hoje não dá. Desculpa, não tenho vontade de sair de casa. Desculpa, não tenho ânimo. Desculpa, eu como pouco mesmo. Desculpa, não quero comer o prato que você fez pra mim. Desculpa, não vai dar pra te acompanhar. Desculpa, não encosta em mim hoje. Desculpa, nada do que você fizer vai melhorar o meu dia. Desculpa se eu estraguei o seu dia. Desculpa se não estou como você esperava. Desculpa não ser a mesma pessoa de quando você me conheceu, eu tava bem naquele dia. Desculpa se eu estou triste desde os 15 anos de idade. Desculpa se eu não achei graça na piada. Desculpa se eu não gosto dessa banda que você me mostrou. Desculpa, não gostei do filme. Desculpa por não ser boa companhia. Desculpa se eu não vou fazer o que eu tinha combinado.

Sei bem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Acordei de um cochilo à tarde com um mau humor tão grande, mas tão grande, que quando vi, já tinha mandado e-mails irados com reclamações para três empresas. Uma das reclamações era sobre um problema de novembro de 2011. Novembro de 2011.


Isso tem que entrar pra uma série chamada É por isso que eu não posso ter um namorado.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Quando me perguntaram por que pegar um avião, gastar tempo, dinheiro e energia por menos de 24 horas, não soube responder. Tentei rapidamente achar um motivo que fizesse sentido, mas não consegui.


Mais tarde, já esparramada no sofá, vendo televisão, pensei que é porque isso me faz bem feliz.

Também. Me faz bem feliz também, como outras coisas fazem. Do jeito que eu acho que tem que ser.

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Eu tava indo encontrar a Mari pra um choppinho, já tinha me atrasado comprando um presente pra minha prima, tava tudo engarrafado, então resolvi ir de táxi pra chegar um pouco mais rápido.

Estou lá, na rua cheia de carros, braço estendido, tentando pegar um táxi. Todos os táxis estavam ocupados. Todos os táxis passavam com pelo menos uma pessoa dentro, além do motorista. Uma pessoa sortuda que começaria a tomar chopp muito mais cedo do que eu.

Daí eu tava lá, balançando meu bracinho e aparece na mesma esquina onde eu estava uma mãe com um bebê no colo. Percebendo minha insignificância - ninguém pararia pra mim e não pra uma mãe com bebê no colo. e, se parasse, eu não poderia não ceder o táxi pra ela - mudei de lugar à procura de um táxi.

Daí, estou lá, pedindo ao universo que me mande um táxi, por favor, que é sexta, já trabalhei a semana toda e ainda vou trabalhar no sábado e no domingo tenho freela pra entregar. Do nada, aparece uma freira. Uma freira. Ninguém vai parar pra mim podendo parar pra uma freirinha e ganhar pontos com deus. Ninguém. Saí e fui procurar um táxi em outro lugar.

Daí tô lá, no meu pontinho da rua, braço balançando, um táxi vazio finalmente para. Um táxi! Um táxi vazio! Do nada - do nada! - surge uma velhinha.


Não tive nem tempo de cogitar ser uma pessoa terrível e entrar no táxi assim mesmo. A velhinha olhou pra mim e eu dei um pulinho pra trás.

Ela estava com uma maquiagem de Cisne Negro.


Eu nem tinha tomado o chopp com a Mari ainda, então posso jurar.

O post é mais uma dica mesmo. Ande sempre com um lápis preto na bolsa. Se estiver difícil de conseguir um táxi, faz o cisne.

domingo, 1 de abril de 2012

Uma vida inteira sendo esquecida.


Uma vida inteira esperando ser esquecida.

(às vezes até torcendo)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ainda não tá claro?


Não é medo do início. A gente tem medo é do fim.

Nós. Todos nós que andamos por aí com um coração trancadinho. É medo do fim, do fim.

De todas aquelas semanas que nós vamos passar nos arrastando pelos cantos, comendo doce-de-leite, relembrando diálogos, imprimindo e-mails e levando pra analista ler, vasculhando a vida do outro pra ver como é possível ser feliz sem a nossa presença, de todas as vezes que vamos ter certeza que vamos morrer sozinhos. É medo de engordar ou emagrecer de tristeza. Dos discos da Alanis que a gente vai ouvir sem parar.

Medo de montanha-russa e de nunca saber exatamente em que ponto a gente vai ficar de cabeça pra baixo.

Porque, né? A gente vai ficar de cabeça pra baixo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Fico olhando o cabelo, tão lindo, com uns poucos fios brancos e penso que vai ficar mais bonito ainda grisalho.


É nesse tipo de coisa que eu penso.


não é do meu cabelo que eu tô falando, hihihi.

domingo, 18 de março de 2012

Mais engraçado ainda do que quando uma desconhecida me consola enquanto choro em público, é quando ninguém ao meu redor consegue olhar pra mim.


Tô chorando em público e as pessoas ao redor estão esperando o elevador olhando pro teto, fingindo que nada está acontecendo.

Fica à vontade, pessoal. É só tristeza, não é contagioso.

(às vezes é)

terça-feira, 13 de março de 2012

Eu vou e volto do trabalho num ônibus executivo bem confortável, com iluminação fraca, bem apropriado pra descansar/dormir. E chorar. Curto muito chorar nesse ônibus, porque, indo ou voltando, geralmente a maioria dos passageiros tá dormindo, ou na Internet do celular, ou ouvindo música, ninguém presta muita atenção um no outro. Dá pra chorar com tranquilidade.


Daí outro dia tava voltando pra casa e chorando, tentando ser discreta, fungando um pouquinho aqui, secando uma lágrima ali. Na maior dignidade.

Até que a moça ao meu lado olhou pra mim, segurou na minha mão e perguntou o que estava acontecendo. Um pouco chocada, eu disse "ah, as coisas dão tão errado!"

Ela me deu um abracinho e disse "vai passar, vai passar."

Nossa, vou te contar que toda a energia que estava sendo usada pra gerar lágrimas teve que ser usada pra impedir uma crise de ansiedade. Porque só o que eu conseguia pensar era "tem uma pessoa me consolando. eu PRECISO parar de chorar AGORA."

Da próxima vez, finjo um desmaio, vai ser mais simples.

sábado, 10 de março de 2012

Eu nado muito bem. Meus pais nadam muito bem, se conheceram à beira de uma piscina. E desde pequena sempre ouvi dos dois que, caso um dia eu estivesse nadando no mar e uma onda me puxasse, não era pra lutar. Era pra ficar relaxada, deixar a onda me levar e depois voltar de onde ela tivesse me deixado.

Com a depressão é igualzinho.

domingo, 4 de março de 2012

Ele gosta de mim do jeito dele.

Eu gosto dele do meu jeito.

É mais complicado do que eu gostaria, mas é mais simples do que eu pensava.

:)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aí na hora do lanche você vai e diz pra um amigo que arruinou as chances de casar e ter três filhos com o Lindo e conta o que aconteceu e ouve:


-Ah, que isso, as pessoas se casam com idiotas o tempo todo!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bom, o trabalho novo. No trabalho novo tem um lindo. É um homem bem bonito. Eu não lido bem com gente bonita. Não sei como agir. Homem ou mulher, pessoas lindas me deixam sem graça. Fico nervosa e só falo coisas idiotas, porque só consigo pensar em perguntar "você sabe o quanto é lindo?"


Daí lá no trabalho tem o Lindo. Além de lindo, ele é simpático e está sempre sorrindo. O Lindo não ajuda, né? Bem que podia ser antipático. Todos têm 13 anos e ficam sem graça na frente do Lindo. Todo mundo torce pra ele não falar nada, porque ninguém sabe o que responder. As mentes estão cheias de "como você é lindo!"

Eu tava indo à copa pra encher minha garrafinha d'água. O Lindo estava entrando, deu um sorriso e disse "oi, tudo bem?"

Você tem uma chance só pra adivinhar o que eu fiz:
(a) Dei um sorriso, joguei o cabelo e disse "tudo ótimo, e com você?"
(b) Fiquei tensa e dei uma gargalhada louca bem na cara dele que demorou muitos segundos além do que poderia ser considerado normal pra uma gargalhada.

Dica: saí com as bochechas quentes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Das coisas que a gente demora a aprender e às vezes nunca aprende: como não confundir a carência do outro com amor.


É só carência, é só carência. É um pouquinho de solidão. É só carência.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Nunca fui tão sincera na vida quanto quando passei a ter um não-relacionamento.


Olha que engraçado.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

não estou reclamando

Tive que comprar óculos novos. Eu quase não uso óculos. Só em casa, pra ver tevê. Na maior parte do tempo uso lentes. Mas agora, com o trabalho novo, vou passar mais tempo na frente do computador e é ruim usar lentes assim. Resolvi vencer a barreira de quem usou óculos a adolescência toda e odiava, e voltar a usar mais óculos do que lente.

Daí fui comprar óculos. Eu já sabia que tipo de armação eu queria e sabia até a marca, mas mesmo assim tem toda aquela coisa de experimentar, olhar no espelho de perto, olhar no espelho de longe e tal.

Não demorei nem meia hora entre experimentar, escolher o tipo de lente, entregar a receita e pagar.

No caminho de volta pra casa, fiquei pensando que aquela havia sido a primeira vez que comprei óculos sozinha, sem ouvir a opinião de ninguém.

Tem uma coisa boa de não precisar que mais ninguém goste dos meus óculos. Meus óculos não precisam agradar a mais ninguém além de mim.

Mas também tem uma solidão de não ter ninguém pra dizer "que feio!" ou "ficou linda assim."


achei melhor avisar logo no título que não estou reclamando. este não é um post de reclamação. este é um post de reflexão. :)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Vê só que eu tava lá em Paris e a Helô também. A gente se conheceu. Isso oficialmente. Porque de verdade parecia que a gente tava se reencontrando e se conhecia desde sempre.

junto com a gente na foto, a Ali.

Nós fomos a um restaurantinho todo natureba pertinho do meu hotel, tava bem gostoso, a Rose Bakery (30 Rue Debelleyme)

isso aí dentro da sacola de papel da Helô é brownie!

Eu não tenho nem o que falar da Helô. Ela deve ser a pessoa mais simpática do mundo. Tô dizendo que deve ser porque eu não conheço todas as pessoas do mundo, e como a Helô é mega simpática, é bem capaz de ser mesmo. A mais simpática do mundo. E a mais fofa.

Quando a gente sentou na Rose Bakery e foi estudar o cardápio pra decidir o que pedir, foi como se a gente tivesse se visto pela última vez há duas semanas.

Eu também acho engraçado que as pessoas ainda achem estranho conhecer alguém pela Internet. Eu acho estranho conhecer alguém fora da Internet. Eu não sei bem o que todo mundo faz na Internet. Eu falo. Falo sozinha, falo com pessoas que eu conheço, falo com pessoas que eu não conheço, passo a conhecer pessoas e falo com elas. Falo o tempo todo. Isso é mais ou menos o que eu faço fora da Internet, onde, além de tudo, eu posso abraçar. :D

Eu tava no meio de uma aula em novembro quando minha chefe, pelo vidro da porta, disse que queria falar comigo quando eu terminasse.


Eu logo pensei que tinha feito uma coisa terrível. Passei o resto da aula tensa, tentando pensar em tudo que eu tinha feito naquela semana. O que eu podia ter feito de tão errado?

Daí a aula acabou, eu liberei os alunos, fui pra sala dos professores arrumar minhas coisas no meu armário, ainda tensa. Não conseguia pensar em mais nada. Naquela semana eu tinha entregado os relatórios de desempenho dos meus alunos. Será que algum pai estava furioso por causa das notas do filho?

Entrei na sala dela e ela me contou que tinha acabado de receber um e-mail me convidando pra fazer um trabalho na editora da escola de inglês onde eu trabalho.

Antes de ficar feliz, - o que eu fiquei, muito, depois de alguns segundos - eu fiquei aliviada por não ter feito nada errado.

É uma delícia ser eu.


eu vou continuar dando aula, mas menos. vou dar aulas e fazer outra coisa. acho que eu vou trabalhar mais. e estou tensa, bem tensa, sem saber se eu vou saber fazer o que eu vou ter que fazer.

Já estou no Brasil há uns dias. Já pulei num avião de novo pra ir ali entregar presentes e tomar café. Já voltei pra casa pra viver meu último dia de férias.

Fui e voltei inteira e ainda estou achando bem inacreditável.

Da última vez que me despedi, eu não consegui respirar. Eu fiquei sem respirar por pelo menos um ano. Não respirei durante um ano inteiro. E se eu pensar bem, acho que nem piscar eu pisquei.

Dessa vez me despedi respirando, agradecendo pela companhia, agradecendo pelo livro com dois anos de atraso, com um abraço que não me partiu em milhões de caquinhos.

Foi bom demais ir. Foi bom demais voltar. Das duas vezes.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Oi, gente, desculpa!

Não estou deletando comentários. É que estou usando a internet no celular aqui e me perco na moderação.

Estou tentando aprovar todos. Quando eu voltar pra casa, vai ficar mais fácil de achar os que eu deixei passar.

Beijo!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Que roupa você usa pra rever o amor da sua vida?

Eu usei um vestido e botas de cano alto.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Bonjour, estou em Paris!

A primeira coisa que eu fiz foi ver se a torre estava tão linda quanto eu lembrava.

Sim, tão linda quanto.


domingo, 15 de janeiro de 2012

No Portäo de Brandenburgo



näo estou viajando sozinha, entäo desta vez näo terei fotos apenas da minha cabeca.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Tö em Berlim!

Nem tá frio, hein?

;P

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma outra resolução pra 2012 e pra vida toda é fazer exatamente o contrário do que eu normalmente faria.


Sim, bem George Costanza.

Essa resolução eu já comecei a colocar em prática ano passado e tem dado certo.

Sim, bem George Costanza.

Tem sido bom pra mim fazer o contrário do que eu normalmente faria. Tá?

O contrário do que eu normalmente faria. Porque quando eu faço o que eu acho que é certo, nada dá certo.

Bem George Costanza.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Eu sei que já é dia nove de janeiro, mas ainda é janeiro e ainda posso desejar coisas pro meu ano novo. Pensei, pensei, pensei no que eu quero pra esse ano. E o que eu quero é me livrar da raiva. Você pode não perceber de cara, porque eu estou de vestido de coração e cinto de laço, mas tem muita raiva dentro de mim.

Eu sei que não vou conseguir me livrar da raiva. Então eu quero que a raiva não estrague o meu dia. Eu levei muito tempo e precisei da terapia pra entender que a raiva não me faz bem. Você pode me achar estúpida por não ter entendido isso sozinha e bem rápido. Tudo bem, pode achar, eu não vou ficar com raiva. Porque este ano a raiva não vai me afetar. Não vai estragar meu dia. Não vai me fazer chorar (já reparou como lágrima de raiva é muito quente?). Não vai me fazer perder o fôlego. Não vai me fazer brigar com ninguém. Não vai me fazer revirar os olhos e fazer cara de desprezo pra pessoas que eu nem conheço.

Nada disso vai acontecer, porque eu aprendi a respirar e eu vou respirar toda vez que sentir uma pontinha de raiva que seja. Um, dois, três. Passou.

Eu não vou deixar a raiva tomar conta de mim achando que isso vai fazer diferença. Ninguém se importa se eu estou com raiva. Não faz diferença pra pessoa que me deixou com raiva. Eu não quero estragar o dia de ninguém.

Eu não vou deixar a raiva tomar conta porque sempre que eu sentir raiva eu vou pensar e não sentir.

É uma das minhas poucas resoluções pra 2012.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tenho um emprego estável com um salário que me satisfaz. Trabalho fazendo uma coisa que eu amo e sempre quis fazer. Sou fisicamente saudável. Tenho muitos vestidos lindos. Estudei. Tenho uma cachorra fofa. Moro com meus pais porque eu quero e porque minha família é legal e minha casa é confortável. Tenho uma estante cheia de livros que eu li de verdade. Sei alguns dos meus poemas preferidos de cor. Tenho amigos queridos e presentes e uma vida social normal. Me divirto. Não preciso pedir permissão. Vou pra onde eu quero, quando eu quero, com quem eu quero. Sou quem minha mãe dizia que eu podia ser se eu quisesse. Sou quem eu escolhi ser. Gosto de quem eu sou.


Mas todo mundo sempre pergunta "e o namorado?"

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Foi um ano bom. Fico até meio tensa de escrever isso depois de tantos anos ruins. Vai que cai um raio em mim. Ou todos os fios de cabelo do lado direito da minha cabeça se partem ao meio. Não sei. Sempre penso que alguma coisa pode acontecer.

Eu não tinha um ano bom há bastante tempo. Vivia pra lá e pra cá com meus caquinhos. Acordava de manhã, catava os caquinhos e ia fazer o que tinha que fazer. Passava o dia carregando meus caquinhos e à noite chegava em casa, dava banho em cada um dos caquinhos, alimentava e colocava pijama neles. Dormia abraçada a eles. Eu de pijama xadrez, os caquinhos de pijaminha listrado.

Em 2011 eu me despedi de alguns caquinhos. Arrumei os pijamas e as meias dos caquinhos e eles foram embora carregando suas malinhas, alguns sem olhar pra trás, outros ameaçando voltar.

Alguns caquinhos ficaram aqui. Alguns ficaram porque eu pedi que ficassem, que não fossem embora agora, porque ainda preciso de caquinhos para me espetar o coração. Outros ficaram porque não queriam ir embora, gostaram daqui, onde têm pijaminhas listrados, meias quentinhas e um coração para espetar.

Depois que tantos caquinhos se mudaram, sobrou muito espaço. Sobrou tanto espaço que chegou o amor. Eu não acredito em amor, mas ele entrou no espaço que os caquinhos que foram embora deixaram. Ou já tinha entrado e eu não tinha percebido. Ele demorou para se apresentar, o amor ou o que quer que seja isso. Bom, chegou, tá aqui, tentando fazer amizade com os caquinhos que ficaram. Os caquinhos espetam o amor, desconfiados e cheios de ciúme, não querem dividir o espaço. O amor se esconde dos caquinhos, porque às vezes eles espetam pra valer e dói muito, mas não é por mal. Eles vão aprendendo a conviver, os caquinhos e o amor ou o que quer que seja isso.

Eles têm aprendido a conviver neste ano bom, estão ansiosos para o próximo ano e o amor ganhou um pijama de caveirinhas e meias quentinhas, pra não morrer de ciúme dos caquinhos e seus pijamas listrados.


Pra você eu desejo um ano com menos caquinhos espetando o coração e mais amor.

Feliz ano novo!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Faz pouco tempo eu percebi que não tenho mais colocado estrelinhas nos e-mails dele. Não marco mais com estrelinhas os e-mails que ele me manda perguntando how are you doing ou what's new in your life. Os e-mails onde eu passei a ser Renata, sem nenhum apelido.


Fiquei transtornada com a culpa. Queria dar um abraço e pedir desculpa. Não fiz por mal. Eu, que prometi tantas coisas, abandonei as estrelinhas.

Corri os olhos pela caixa de entrada procurando os e-mails sem estrelinhas e descobri que as estrelinhas estavam em outros e-mails, mais raros, onde eu virei Rê, mesmo sem nunca ter sido Rê na minha vida.


sempre fui tata ou nata. nunca rê.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tem esse menino que se mudou pra uma casa nova. E na primeira vez que eu fui à casa nova dele, levei uma garrafa de vodca. Ele tinha acabado de sair de uma crise de gastrite. That's how I roll.

Daí há uns meses eu vi uns enfeites de natal que tinham super a ver com a profissão dele e pensei em comprar. Mas não achei no Brasil e o site que vendia os tais enfeites não enviava pra cá. Deixei pra lá.

Da última vez que eu fui à casa dele, nós estávamos voltando do almoço e ele reparou que tinha a única porta do andar sem enfeite de natal. E eu resolvi procurar um enfeite que tivesse a ver com a casa de um menino moderno solteiro e heterossexual.

Não sei se você gosta de natal ou se odeia como eu. Não sei se você já reparou. Mas não existe nada pra natal que não seja cafona. Desculpe se você gosta de natal, mas é tudo cafona. Você gosta dos enfeites porque tem boa vontade e um coração bom. Eu não tenho nem um nem outro, então posso confirmar pra você: é tudo cafona. Eu sei bem disso porque sou filha da louca do natal. Chega no natal e minha casa vira a oficina do Papai Noel. Cada porta tem um enfeite de natal. Sim, cada porta da casa. Estou falando de portas internas.

Na porta de entrada tem essa mega guirlanda, provando que natal não combina com homens modernos, solteiros e heterossexuais:



Bom, não encontrei nada que combinasse com a casa do menino. Nada que fizesse ele achar graça e dar um sorrisinho e não pensar "meudeus, essa garota tá louca. onde ela acha que eu vou pendurar uma guirlanda de ponto de cruz?" ou alguma coisa do tipo.

No meio da minha procura - eu tinha esperança de encontrar uma caveira com chifres de rena ou sei lá - eu achei umas forminhas de gelo com formato de caveirinha, comprei e mandei pra casa dele.

Sim, eu fiz isso.

Eu mandei duas formas de gelo pra ele, sem cartão ou explicação do motivo pelo qual eu estava mandando duas formas de gelo pra ele. Porque não tinha explicação, né? Não tem explicação. Eu queria comprar uma rena-caveira e comprei duas formas de gelo. Eu posso tentar, mas não vou conseguir explicar. Porque não tem explicação.

Acho que a única forma de terminar este post é lembrando o que eu faço da vida: educo pessoas.

Você já sabe a quem culpar se daqui a uns 10 anos nós tivermos toda uma geração de pessoas fluentes em Inglês (vamos torcer, né?) que não têm um namorado.

domingo, 18 de dezembro de 2011

se eu chorar

No sonho que eu tive há algumas semanas, nós nos reencontrávamos lá, como vai ser de verdade, mas a cidade tinha praia. Nós íamos comprar peixes numa barraquinha na areia e eu dizia "eu vou comprar peixe aqui todos os dias e vou te esperar em casa com o jantar pronto." Tudo que eu não fui capaz de fazer. Não sou capaz.


Nem naquele dia na praia depois que nós nos conhecemos. Nem naquele dia em que eu saí correndo de mala na mão e intoxicação alimentar pra nossa primeira viagem juntos. Nem quando eu desembarquei naquela estação gelada com minha mala de 30kg. Nem quando eu levantei os olhos do computador e vi a jaqueta de couro marrom antes de ver o rosto. Nem quando nós nos despedimos pra sempre com a porta do elevador aberta e eu prometi o que eu não pude cumprir.

Nem quando eu tinha todos os motivos do mundo eu fiquei nervosa assim.




tô (mais) dramática.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ele disse, rindo, que gosta de músicas estranhas.

Eu não disse - não sei por que não disse, acho que porque sou tonta - mas pensei.

Pensei que uma das coisas que eu mais gosto nele é o gosto musical. Mesmo que eu não conheça nem metade do que ele ouve. Eu amava chegar lá, quando a gente ainda estava se conhecendo, e ver que tava tocando uma música que eu nunca tinha ouvido na vida. E quando tava tocando alguma coisa que eu conhecia, eu queria dar um abracinho e dizer "também gosto dessa!" Mas não dizia.

A gente pode ser bem pateta às vezes. Quando eu digo a gente, estou falando de mim. Quando eu digo às vezes, estou falando do tempo todo. Sempre.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Não tem nada melhor do que ganhar um presente surpresa que é a sua cara. No caso, a minha, que é toda colorida.

:)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Você passa por um conhecido, deseja bom dia. Ele olha de volta com um sorriso estranho.

Você olha pra baixo e entende: sua camisa está desabotoada.

Adoro minha vida.

domingo, 27 de novembro de 2011

Eu trabalho num lugar onde as aulas são constantemente observadas. Alguém assiste à aula da professora e depois envia um feedback, dizendo o que foi legal e o que não foi.


No último feedback que eu recebi, um dos comentários feitos foi que eu sou muito autoconfiante.

(Foi um elogio, não uma crítica)

Daí fiquei pensando. Autoconfiante. Autoconfiante. Autoconfiante.

Bom, em algum lugar da minha vida eu tenho que ser, né? Mesmo que seja só na sala de aula.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

É ruim terminar. Acho que pra todo mundo. Pra mim tem uma coisa particularmente difícil em terminar.


Eu não me sinto confortável. Assim, no mundo. Eu não me sinto confortável. Eu nunca me senti confortável. Eu não me sentia confortável quando era criança. Quando era adolescente, me senti menos confortável ainda e quando virei adulta, além de não me sentir confortável, eu fui tentar entender por que eu não me sinto confortável, o que só fez com que eu me sentisse menos confortável ainda.

Eu não sei onde colocar as mãos e os pés e eu nunca acho que estou olhando na direção certa. Todos os meus gestos foram treinados e você pode me ver e achar que tá tudo normal, mas eu tô planejando a posição das minhas sobrancelhas na sua próxima frase ou estou mordendo as minhas bochechas só porque sim.

Algumas vezes na vida eu conheci pessoas com quem eu me sentia confortável. É uma coisa que leva muito tempo. Leva muito tempo até que eu deixe de esconder as mãos nos bolsos e consiga segurar a mão de alguém. Mais tempo ainda pra que eu não tente me livrar de um abraço. Mais tempo ainda para que eu voluntariamente apoie minha cabeça no ombro de alguém. Algumas pessoas dizem "eu te amo"; eu permito que as pessoas mexam no meu cabelo e me abracem.

E depois de tanto tempo, quando eu finalmente consigo ficar parada vendo tevê com um braço em volta de mim. Quando eu finalmente me sinto confortável com aquele calor que não é meu. Além de me despedir do sentimento, eu tenho que me despedir do corpo. Das mãos, dos ombros, dos pés que depois de tanto tempo eu permiti que tocassem os meus embaixo do lençol sem que eu tivesse um ataque de ansiedade. Não tem mais. E é só o meu corpo de novo, sem saber o que fazer com meus dedos dos pés dentro do tênis, tentando esconder que estou procurando uma posição confortável pra minha própria língua dentro da minha própria boca.

Não é só dar adeus a alguém. É dar adeus ao meu conforto.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

gosto que me enrosco

Menino que diz, enquanto nós dois andamos de mãos dadas, cheio de deboche:


-Até que você anda rápido pra uma menina.

E olha pra mim esperando o mimimi.

Não faz assim.


não pode ser normal o tanto que eu gosto de deboche. não pode ser normal.

(mas quando você conhece meus pais, tudo faz sentido. eu garanto)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

E tem outra coisa sobre essa história de mudar o nome dele no celular.


Eu troco o nome dele por "Eu sou confuso!!!" e quando o telefone toca, vejo o nome e digo "Ah, eu também sou. O que é que tem?"

E atendo.

A-ten-do.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Hoje eram sete, veja bem, sete ratinhos de brinquedo aos meus pés.


Daí eu tive que dizer "ih, gente, sabe que eu até perdi o medo? eles são de brinquedo. não tenho mais medo."

Daí eles começaram perguntar:
-Tia, você tem medo de barata? E de rato de verdade?

Ai.

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu nunca dividi nada com meu irmão além dos meus pais. Nunca dividi quarto, comida, brinquedos, computador, nada. Fomos mimados como filhos únicos. Eu sou muito chata com essa coisa de espaço. Nem vou começar a falar porque senão nunca mais paro se começar a falar dessa coisa de "dá licença, você tá muito perto de mim, tá respirando o meu ar!"


Daí esse fim de semana eu dividi um espaço com meu irmão pela primeira vez. Porque EU FUI VER OS STROKES TOCAREM em São Paulo e ele foi também e nós ficamos no mesmo quarto de hotel.

Hoje de manhã, morrendo de frio, perguntei se dava pra diminuir o ar condicionado. Ele disse que sim e colocou em 25 graus.
-Nossa, quantos graus tava antes, Rafael?
-Vinte.

Vinte graus.

Eu sou do Rio de Janeiro, quando faz 20 graus eu já olho pra cima esperando a neve cair.

Mas homem não sente calor, né?

Daí pensei que, olha, além de tudo, além de todos os problemas que eu tenho, se um dia eu quiser me casar ou qualquer coisa assim, ainda tenho que me preocupar com a incompatibilidade de temperatura que separa homens e mulheres.

Não é fácil.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A pior coisa do mundo é esperar alguém mudar.


Você diz que não tá esperando, que você sabe como as coisas são. Mas você tá esperando. Você tá. E a pessoa não está mudando, é claro que não. Porque as pessoas não mudam. Principalmente pessoas que disseram que não vão mudar. As pessoas não mudam. Você diz que sabe disso e que não tá esperando. Mas você tá mentindo. É isso que a gente faz enquanto espera alguém mudar.

Daí você pensa que se ficar encolhidinha no seu canto, bem quietinha, ele vai achar essa atitude tão legal e não-controladora, que vai mudar, só pra te fazer uma surpresa. Mas não.

Daí você pensa que tem que dar um sinal, que aí ele vai perceber que o certo é mudar, só pra te fazer feliz. Mas não.

Daí você combina as duas atitudes, uma hora ele vai mudar. Mas não. E além de tudo você parece maluca. Porque, né?

Você parece maluca porque está esperando alguém mudar ao mesmo tempo em que diz que não está esperando ninguém mudar. Porque as pessoas não mudam.

Tanto tempo de vida e você ainda cai nessa.

Bobona.

domingo, 30 de outubro de 2011

No meio da historinha que eu estava contando para meus minialunos, havia a palavra "mouse". Daí fiz todo um teatrinho sobre como eu tinha medo e não gostava de ratos.


Na aula seguinte, minialunos chegam com sorrisinho de canto de boca. Quando eu percebo, estão colocando ratinhos de brinquedo nos meus pés. Ratinhos que andam e fazem barulhinho.

Eu fiz uma cena. Falei "oh, my god! oh, my god! mice, mice! help me!" e eles morreram de rir.

Só que. Vai fazer uma brincadeira que agrade a crianças de 7 anos pra você ver. Tem que repetir até morrer de exaustão. E passei o resto da aula dizendo "oh, my god", dando pulinhos e fugindo de ratos de brinquedo.

E eu ouvi a Mari C. falar pro Lucas:
-Não, Lucas. Não pode colocar na cabeça da tia, porque tem rodinhas e vai ficar preso no cabelo dela. E se a tia ficar careca?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Este semestre fiquei com uma turma que já tinha sido minha há um ano. Na primeira aula, fiquei impressionada em ver como o inglês de uma aluna - adolescente - tinha melhorado. Ela tava mais participativa, sem medo de falar, boa gramática, bom vocabulário.


Mas, naquela confusão de primeiro dia, ela foi embora e eu não disse nada.

No segundo dia, planejei melhor. A aula acabou e eu fui até a mesa dela e disse "R., queria te dizer que fiquei muito feliz em ver você falando inglês. Como seu inglês tá bonito, parabéns."

Daí eu vi uma coisa que vejo poucas vezes. Ela abriu um sorriso enorme e disse "Poxa, obrigada. Você não sabe como eu fico feliz de ouvir isso de uma professora como você."

O inglês dela é bonito, de verdade. Ela é linda. E pra mim foi uma lição. Como receber um elogio e ainda retribuir com outro, da forma mais natural do mundo.

Vou tentar fazer isso também. :)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

como os sentimentos esdrúxulos

Eu tinha que procurar os comprovantes de que votei nas últimas eleições. Mergulhei na minha gaveta de documentos e coisas que importam. Por coisas que importam você pode entender desde canhoto de cheque até ticket usado do metrô de Paris. Coisas que importam.


Achei os comprovantes, é claro. Eu tinha certeza de que eles estariam lá. Achei meus comprovantes.

Junto com os comprovantes, achei um rascunho da última carta de amor que eu escrevi. E fiquei pensando em como um menino pode ser tão bobinho e nem perceber que aquela carta que foi parar nas mãos dele como quem não quer nada é uma carta de amor. Ou como um menino pode ser tão esperto e fingir que nem percebeu que aquela carta é uma carta de amor.

Então fiquei pensando em como eu sou tonta. A tonta sou eu. Tão tonta que só agora, tanto tempo depois, entendo e admito que escrevi uma carta de amor.


sim, era ridícula.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

-Ah, então você tá apaixonada?

-Não sei, acho que tô, né?
-Não sabe? Como não sabe?
-Não sei, mas acho que tô. Não lembro bem como é.

Daí ela me explicou alguns sintomas de paixão. Juro pra você. Eu ali, sentada na poltroninha. Ela lá, escrevendo coisas na pasta que tem tudo sobre mim e me explicando quais são os sintomas da paixão.

os.sintomas.da.paixão.

Eu mereço a vida que eu levo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Perdoei muitas coisas. Consegui entender que a dificuldade dele era a minha. Que o medo dele era o meu. Que o que ele não podia prometer a mim eu também não podia prometer a ele. Que a culpa não foi só dele. Que se ele não quis se jogar, eu também não quis, do meu jeito. Que a mágoa era da vida, do amor, que chegou tão grande num momento tão impróprio, não dele. A mágoa não é dele. É de nós dois, dois atrapalhados.


Ficou aquela dorzinha no fundo do coração sempre que eu lembro. Ficou uma amargura que eu ainda não sei bem onde colocar, mesmo depois de tanto tempo. Ficou um pé atrás com todo mundo que aparece. Ficou uma mágoa da vida, do amor, mas não dele.

Só sobrou uma mágoa dele. A única culpa que eu jogo nele é ter permitido que eu me apaixonasse por outro. Aquele espaço que ele abriu e que agora me faz pensar de olhos fechados em outro menino.

Por que você foi tão adulto e desejou que eu fosse feliz?

Isso não se faz.

sábado, 8 de outubro de 2011

uma flor roxa

Vou repetir aqui a pergunta que já fiz mais de três milhões de vezes para amigos, analista, Hannah de língua de fora e focinho molhado, estrelinhas no céu.


Por que é tão difícil? Por que eu tenho que fazer tanto esforço? Não era pra ser fácil?


eu sei, foram três perguntas e não uma. mas é disso que eu tô falando.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Funciona assim: você dá uma topada no pé da cama, o seu pé dói, você xinga. Se doer muito, você pode até chorar um pouquinho, cai uma lágrima, talvez caiam duas. Você vai andando com a dor e deixa pra lá.


Eu dou uma topada no pé da cama, o meu pé dói, eu xingo. Um pouco porque doeu, um pouco porque eu sou desbocada mesmo. Eu choro um pouquinho. Eu decido que tá doendo muito e tenho que chorar mais um pouquinho. Eu derramo muitas lágrimas. Eu decido que ainda está doendo, então eu preciso chorar mais. Não para de doer. Eu me acho uma idiota. Como eu não vi o pé da cama? Eu choro um pouco pela dor - ainda tá doendo - e um pouco por ser idiota. Eu decido que sou muito idiota, talvez a pessoa mais idiota do mundo. O pé da cama sempre esteve ali, por que eu não desviei? Ainda tá doendo, não para de doer e além disso eu sou uma idiota. Sou mais idiota ainda porque não consigo esquecer. Já passou, foi há tanto tempo. Por que eu ainda tô pensando nisso? Eu tento andar com a dor. Dói mais ainda. Como eu sou idiota, nunca vai parar de doer. Como eu permiti que isso acontecesse? Bastava desviar do pé da cama. Eu fui idiota e dei uma topada e agora não consigo nem andar.

Daí eu choro porque bati o pé, porque sou idiota, porque não consigo esquecer, porque eu não consigo andar direito e por que mesmo, hein?

Já são tantos motivos que era melhor nem ter dedos pra não sentir a dor da topada e - nossa mãe! - acabo o dia chorando porque tenho dedos.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tá tudo errado. Tudo errado. De dar vontade de passar o dia de boca aberta, perguntando "por quê?"


Daí o Anthony Kiedis tira a camiseta no final do show.

E não importa mais que esteja tudo errado. Não importa mais aquele corte de cabelo ridículo e aquele bigodinho inexplicável.

O Anthony Kiedis tirou a camiseta. Mesmo que tenha sido só na última música.

Posso considerar um sinal de que tudo vai dar certo?


a adolescente dentro de mim parou de dançar uma música legal e ficou olhando pra tevê sem som, assistindo ao show lá onde eu tava, copo de vodca na mão. tudo vai dar certo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

das pequenas obsessões

Estou convencida de que o verdureiro cobra mais caro de mim. Tenho passado a maior parte do meu tempo pensando nisso e pensando na armadilha que vou montar pra pegá-lo no flagra.


Pra você ver como minha vida anda animada.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

-Blá-blá-blá, blá-blá-blá, blá-blá-blá.

-Blá-blá-blá, não pense nisso, pensa em mim, que sou muito mais legal.
-Ah, nem precisa dizer, penso sempre.

Só na minha cabeça, né? Só na minha cabeça. De verdade mesmo eu fiz qualquer piada idiota.

É por isso que eu não tenho namorado, a série interminável.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

como pude

Quando finalmente acabou e você treme de pavor só de pensar em quando ainda não tinha acabado.


Ai.

Pavorpavorpavor.

Sabe como é, né?

Pavor.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Depois de muito tempo. Muito tempo. A coragem de descer do meu pedestalzinho e dizer "eu gosto de você."


Sem querer nada em troca. Sem querer dizer nada além disso.

O peso tirado das costas por não querer dizer nada além disso.

:)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dor no corpo, moleza, cansaço, tontura, vontade de passar o dia na cama, olhos pequenos e vermelhos, taquicardia.


Parece gripe, mas é só tristeza.

...

Eu sempre me pergunto quanto tempo será que as pessoas levam pra perceber que quando perguntam "você tá bem?" e eu respondo "mais ou menos. tô passando mal." eu tô falando mesmo é de tristeza.

Será que elas percebem?

...

Daqueles dias em que quero retribuir qualquer gesto mínimo de carinho com um mega abraço e um muitoobrigada.vocênemsabecomoajudou. Mas não consigo, exigiria muito esforço.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fui correndo abrir o e-mail pra encaminhar a mensagem que eu tinha acabado de receber.

Não.

Espera.

Já chega.

Joguei pro universo.

Nada de analisar e-mails, SMSs e afins.

Joguei pro universo.

Do outro jeito tava muito complicado e consumindo muito tempo da minha vida que eu podia muito bem dedicar a passar meu rímel com mais atenção, por exemplo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Na análise:
-Mas então, Renata, o que você tá dizendo é que as pessoas têm que correr atrás de você e cair aos seus pés sem que você faça qualquer esforço pra que isso aconteça?

Ahn...


Deixa eu parar um pouquinho pra pensar.

Bom.

Hm.

Bem, não adianta negar. É isso que eu acho mesmo.


pior do que ouvir é concordar?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Na aula anterior, o Vinícius, oito anos, avisou que na próxima aula era aniversário dele. O Matheus, oito anos, prometeu que ia dar um tobogã de presente. Eu logo disse:


-Olha, um tobogã é muito grande. Matheus, como você vai trazer um tobogã pra cá? Não vai dar.

No dia do aniversário do Vinícius, ele não tinha esquecido a promessa e chegou logo pedindo o tobogã. O Matheus disse que não tinha levado.

-Vinícius, lembra que eu falei que um tobogã é muito grande? Então, o Matheus não tem um caminhão, não deu pra trazer seu tobogã.

Vinícius, que tava fazendo nove anos e ainda acredita que a vida tem que ser justa e que se você for legal vai ganhar coisas legais como um tobogã em troca, não se conformava:

-Mas só porque ele não tem um caminhão eu vou ficar sem meu tobogã? Como eu fico, Renata?

Vini, você fica sem seu tobogã, I'm so sorry. I have news for you: a vida não é justa e quando a gente é legal, a única coisa garantida que recebe em troca é ficar rodeado por outras pessoas legais, como o Matheus, que bem que queria dar um tobogã de presente. E isso já é muita coisa.

Mas tobogã de verdade e garantido não tem, não.


não fiz todo esse discurso pro Vinícius, né? que, coitado, era aniversário dele e ele não merecia. tudo ficou resolvido quando eu dei um papel pro Matheus e falei pra ele desenhar um tobogã bem bonito pro Vinícius. Ele desenhou um tobogã ocupando todo o espaço, dobrou e entregou pro amigo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Eu tenho duas respostas básicas pra quando me perguntam "E aí, como estão as coisas com os meninos?"


-Péssimas.
-Uh, quem se importa?

Sempre positiva. Sempre pra cima. Sempre alto astral.


o título do post poderia ser reclamando de barriga cheia, eu sei. eu sei.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

E aqueles dias em que não quero fazer nada a não ser ficar sentadinha, abraçada aos meus joelhos, sentindo pena de mim mesma e chorando em intervalos regulares.


Que dó. Que dó.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Eu tenho astigmatismo e não gosto de usar óculos. Se você não tem astigmatismo nem se importa em usar óculos, essa informação não significa nada. Se você é como eu, sentiu a dorzinha no coração que deve sentir sempre que compra lentes.


Lentes de contato para astigmatismo devem ser tóricas. Eu não tenho ideia do que sejam lentes tóricas. Só sei que elas têm um pontinho que as outras não têm e que elas custam o dobro do preço.

O dobro do preço.

Daí um dia desses eu bebi demais e no dia seguinte tinha que arrumar a mala pra viajar e só aí percebi que tinha perdido uma lente. Perdi uma lente.

Perdi uma lente tórica.

E foi aí que eu tomei uma decisão importante: lentes de contato agora só descartáveis. Se eu beber demais e perder de novo, o prejuízo é menor.

Também me disseram que eu poderia simplesmente parar de beber, mas não consegui confirmar se é possível.

-Como você está?

-Estou menos atormentada.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Menino que chama a garçonete pra avisar que cobraram um refrigerante a menos na conta.


A atração, que - deixa eu ser sincera aqui - já era enorme, foi multiplicada por mil.

Sou bem desse tipo.

não fui eu que tomei refrigerante. não sou desse tipo. ;)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Minialuno me chama, pedindo:

-Tia, me ensina uma coisa?

Meu coração se enche do mais puro amor. É claro que eu ensino, querido. Eu nasci para ensinar. Nunca quis fazer outra coisa na vida além de ensinar. O que você quer aprender?

-Como faz o "s" daqui?

E aponta pra palavra "page".

-Como assim, Lucas? Nessa palavra não tem "s".

Erro número um: esperar que as coisas façam sentido. Se o mundo, que é o mundo há bilhões de anos, não faz sentido, não é um minialuno de sete anos que vai fazer.

-Tia, assim, me ensina a fazer o "s".
-Faz um "s", ué.

Pequeno momento de pânico. Essa criança não é alfabetizada? Me deram uma criança não alfabetizada? O que eu faço? Socorro, socorro. O que ele tava achando que eram todas essas letras? Desenhos? Por que só agora, depois de cinco aulas, ele vem revelar que não sabe escrever?

-Tiaaa, me ensina a fazer o "s" dessa palaaaavra.
-Lucas, "page" não tem "s".
-Aqui, tia, aqui, me ensina!
-Lucas, você está apontando pra uma palavra que não tem "s". Me explica o que você quer.

Erro número dois: continuar procurando o sentido. Por que eu não simplesmente saio assoviando e pensando em pandinhas lindos, como se o assunto estivesse resolvido? Por que não? Por que eu não consigo?

-Eu quero fazer o "s".
-Tá. Você não sabe escrever?
-Tiaaa, me ensina o "s" em inglês aqui nessa palavra.
-Lucas, eu já falei que essa palavra não tem "s". Essa palavra tem "p", "a", "g" e "e". Não tem "s".
-Tia, mas essa palavra tá em inglês. Por favor, me ensina o "s" em inglês.
-O "s" em inglês?
-É, tia. Como é que eu escrevo a letra "s" em inglês?

de.onde.surgiu.essa.dú.vi.da?

-Lucas, o "s" é igual em português e inglês. Pode fazer igual. Você sabe fazer o "s" em português? Então, em inglês é igual.
-Uau! Sério, tia? É igual mesmo?

E ele fez o "s" mais bonitinho do mundo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

É sempre estranho falar com quem eu mais amei na vida e só desejar feliz aniversário. Não dizer "I love you", "I miss you", "Que saudade!"


Sempre estranho, mas cada vez mais normal. :)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Eu gosto de reclamar. Caso isso ainda não esteja claro, mas acho que está: eu gosto de reclamar e eu reclamo de tudo. I'm only happy when it rains. Quando as coisas dão certo eu me sinto desconfortável, eu não sei o que fazer, eu quero fugir, correr bem rápido até não estar mais aqui.


Eu gosto de reclamar. De verdade. Eu reclamo desde criança. É um talento, é um dom. Mais do que qualquer outra coisa que eu sei fazer. Das coisas que eu aprendi e das coisas que eu nasci sabendo, reclamar é a minha favorita e a que eu faço melhor.

Em reclamar eu sou campeã.

Só que. Chega aquele momento em que eu quero reclamar porque não tenho uma coisa. Quero que o mundo exploda. Que vida injusta. Tenho tudo, só não tenho aquela coisinha que eu quero tanto. Nunca quis tanto uma coisa em toda a minha vida. Eu mereço isso. Eu quero ser feliz. Eu, eu, eu.

E parou. Chega, chega, chega.

Respira 1, 2, 3. Deixa o drama de lado.

De repente é hora de parar de achar que só pode ser de um jeito, que só tem uma fórmula pra isso. De repente é hora de parar de querer que seja do meu jeito.

Vou parar de fazer o Morrisey,

e tentar fazer o Mick.


Vai que dá certo, né?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Por mais que você tenha aceitado que não dá e tenha entendido que não tem como. Porque você entendeu. Tá? A questão não é essa. Você tá indo pra frente com os dois pés, em passinhos pequenos, mas um atrás do outro.


Tá? De verdade.

Mas, olha, não dá. Seu melhor ex-namorado publica fotos segurando um dos bebês mais lindos do mundo.

Vida, tá de sacanagem?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E tem aqueles dias em que no meio do dia, eu sento pra almoçar e me sinto tão cansada que não consigo nem pensar em cortar minha salada.


Não acredito que vou ter que cortar essa salada. Depois vou ter que mastigar tudo isso e engolir e depois vou ter que pagar a conta e levantar e depois vou ter que escovar os dentes. E vou ter que abrir minha necessaire e retocar minha maquiagem. Talvez eu até tenha que arrumar meu cabelo. Tenho que abrir a porta da minha sala, ligar todos os aparelhos. Vou ter que fechar a porta, ir até a sala dos professores, esperar a hora da aula. Vou ter que dar aula. Ter intervalo. Vou ter que lanchar. Vou ter que dar mais aula. Vou ter que acabar de trabalhar, pegar um ônibus. Meudeus, vou ter que achar minha chave na bolsa, abrir a porta e trancar a porta. Vou ter que subir dois lances de escada, abrir e trancar mais uma porta. Tenho que tirar minhas lentes de contato, tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo, colocar meu pijama.

E aqui-agora tenho que cortar minha salada. Não acredito que tenho que cortar minha salada.

E ainda tenho meio dia inteiro pra viver.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

não esperou, :P

Eu estava embrulhando um presente na mesa comum da sala dos professores, no meu horário de almoço.


-Pra quem é esse presente?
-É pra um menino. hihihi.
-O que é?
-Um disco de vinil. Vou encontrar com ele hoje, mas o aniversário é só daqui a uns dias. Será que ele aguenta esperar até lá pra abrir?

E lá do outro lado da sala alguém grita:
-Ai, Renata, mas outro leonino? Você não tem limites?


Ahn... não? ¬¬

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Passo o dia todo de mau humor, tudo me irrita, odeio o mundo, odeio a vida, odeio essa caneta que eu estou segurando. Até que eu olho pra baixo e percebo a causa. É ele, o sapato. O sapato, esse maldito, tá muito apertado, tá machucando meu pé em três pontos diferentes. Não sei como estou aguentando ficar em pé. Que dor, que dor.


Na última aula do dia, faltando menos de uma hora pra ir pra casa, lá estou eu, em pé ouvindo os alunos falarem. Olho para os meus pés. Como é fofinha essa sapatilha. Adoro esse laço. Poxa, quase não uso, fica parada lá no armário. Ah, ela machuca, mas nem tanto assim.

Machuca, mas nem tanto assim.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não adianta. Posso reclamar, espernear, fazer pirraça. Não adianta, não tem jeito. Não posso fazer nada além de chegar lá com o rabinho entre as pernas, na humildade e dizer de uma vez:


-Lembra aquilo que eu disse que não ia acontecer? Lembra que eu falei "pode escrever o que eu tô dizendo. quando eu voltar aqui na próxima sessão você vai ver que eu tava certa"? Então, eu estava errada. Aconteceu o contrário do que eu disse que ia acontecer. E eu adorei.

A grande pergunta é: você prefere ser feliz ou estar certa?

domingo, 31 de julho de 2011

É ótimo viajar sozinha - eu gosto de ficar sozinha. Também é ótimo viajar acompanhada. É ótimo viajar - eu gosto de viajar.

As únicas coisas chatas de viajar sozinha são:
1. Em quase todas as suas fotos você vai sair com aquelas bochechas gigantes porque tirou fotos de si mesma da distância do seu braço. Se você vai viajar sozinha, abre mão de sair linda nas fotos. Abre mão. Aceita suas caras na foto. Aceita.

no Centro Gabriela Mistral

2. Sempre vai ter alguém que vai reparar que você tá sozinha. E vai perguntar. Daí quando você confirmar, a pessoa vai dobrar a cabeça assim pro lado, fazer uma carinha de pena e perguntar "Por quê?" E você não tem muita saída. Diz logo a verdade. Diz que você é uma pessoa horrível, não tem amigos e ninguém que se importe minimamente com você a ponto de pegar um avião junto com você e dividir um quarto e essa coisa toda. Diz a verdade. Diz que você é insuportável e ninguém aguenta ficar perto de você por tanto tempo. Depois disso, não há mais perguntas chatas. Só sorrisos constrangidos. Mas antes os deles do que os seus.

no Parque de Las Esculturas

desde que a Camila me incentivou, eu nunca mais deixei de viajar porque não tinha companhia. se meus amigos não têm férias junto comigo, não têm dinheiro ou não querem ir pra onde eu quero ir, nada mais é desculpa. eu vou sozinha. e ainda faço cara de badass e tiro muitas fotos fazendo rock on.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Nao sei acentuar neste teclado.

Jah corri da policia.

Jah fui atropelada por uma bicicleta.

Jah encantei garcons.

Jah comi muito bem.

Jah bebi muito vinho. E pisco sour. E cervezas.

Jah andei a cidade quase toda a pe.

Jah amei muito esse friozinho seco que faz aqui.

Jah me apaixonei muitomuitomuito por Santiago.

domingo, 24 de julho de 2011

Sobre essa minha, hum, tendência, a curtir meninos que estão longe de mim, minha analista fez a seguinte pergunta:

-E aí, vai voltar das férias com um chileno?

Eu queria dizer que não. Mas, he, quem sabe, né?

Então, vou ali e já volto.


eu aluguei um apartamento com wifi, mas tô levando só o celular e é ruim escrever naquele tecladinho, né? então acho que esta semana não tem post e talvez eu demore pra aprovar comentários.

E tem menino que estraga vários posts ressentidos com o mundo e com a vida e com o universo que estavam engatilhados aqui.


Mas que droga, nem amarga eu posso ser em paz.

;)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

nada

Eu mordi a língua. Todo mundo morde a língua às vezes, eu sei. Mas, olha só, eu dei uma mordida tão forte na minha língua que não sei como não arranquei um pedaço. Foi a mordida na língua mais forte de toda a história das mordidas na língua.


No dia seguinte, eu não consegui comer quando acordei. Me obriguei a tomar uma caneca de café, porque precisava ficar acordada. Como tudo na minha vida, eu esperei que passasse naturalmente. Eu não coloquei nenhum remédio. Só esperei passar. No meio do dia, tomei um suco. À noite, tomei outro suco e comi uma tigelinha de polenta. Depois tomei outro suco. E essa foi a minha alimentação durante o dia. Porque eu mordi a língua e por causa disso eu senti dor e fome.

E a mordida na minha língua continuou doendo mais do que tudo e me lembrando durante um dia inteiro o quanto eu sou idiota. Porque eu mordi a minha língua. E eu mordi tão forte que não sei como não arranquei um pedaço e eu não conseguia comer e eu escolhi não fazer nada.

Eu esqueci que algumas dores não passam. Como tudo na minha vida, era preciso fazer alguma coisa. A dor não ia passar sozinha. É claro que, como tudo na minha vida, eu esperei tempo demais pra resolver a situação. E quando cheguei em casa, já na madrugada do dia seguinte, não tinha remédio pra mordida na língua e não tinha farmácia aberta.

A sugestão que eu recebi foi aplicar bicarbonato de sódio. Eu era muito ruim em Química na escola, mas acho que nenhuma estupidez justifica eu só me tocar que bicarbonato de sódio era um sal quando eu coloquei na minha língua machucada.

O bicarbonato de sódio fez o papel dele e ardeu como um sal. E caíram duas lagriminhas. Uma por causa da dor. Outra por causa da minha estupidez.

No dia seguinte, só consegui comprar um remédio depois que saí do trabalho, quando parecia que eu estava sentindo dor desde que nasci. Eu já nem sabia viver sem aquela dor.

Uma amiga que já mordeu a língua a ponto de sangrar definiu isso como "muita inabilidade para viver."

Se eu não sei nem coordenar meus dentes e língua, o que é que eu sei?


minha mãe é que diz: "minha filha, como você é capaz de fazer isso com você mesma?" não sei, mãe. eu juro que não sei.

terça-feira, 19 de julho de 2011

-Você me faz suar. Calor não me faz suar. Um rottweiler rosnando me faz suar. Um carro buzinando pra mim porque eu atravessei a rua na hora errada e ele quase me atropelou me faz suar. Perder o equilíbrio e quase cair me faz suar. Me atrapalhar e mandar uma DM por engano pra minha timeline me faz suar. Um morcego voando baixo quase batendo na minha cabeça me faz suar. Você me faz suar.


Pode entrar pra série Elogios que eu gostaria de fazer mas gerariam mal entendidos.

Então fico na minha.

sempre pode ser pior.

domingo, 17 de julho de 2011

como sempre

Entro no táxi, já jogando a cabeça pra trás no banco, com aquela cara de quem vai pensando até chegar aonde tem que chegar.


E no rádio a Whitney Houston começa a perguntar para onde vão os corações partidos.

Whitney, querida, todos eu não sei. Só sei que o meu eu tô levando comigo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

na teoria é fácil

-Você é bonita.

-Ahahaha, você tinha que ter me visto na adolescência.

Não.

Não, Renata, ele não tinha que ter te visto na adolescência. Para de fazer piada de autodepreciação. Não é atraente. Nem engraçado é. Para. Just stop it. Não dá certo. Não faz isso.

Sorri e aceita o elogio, Renata. Sorri e aceita o elogio.

Diz obrigada. Dá outro sorriso.

É assim que se faz.

Aprendeu?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"E aí, Renatinha, tá solteira?"


Primeiro: hahahahahahahahahahahaha. Dois minutos rindo sem parar e mostrando a mensagem na tela do meu celular para todos os amigos à mesa. Vejam isso. Vejam isso. É com isso que eu tenho que lidar.

Segundo: que bom seria se todos fossem tão diretos assim, né?

E aí, Renatinha, tá a fim de perder seu tempo?
E aí, Renatinha, tá a fim de ficar de coração partido?
E aí, Renatinha, tá a fim de fazer papel de boba?
E aí, Renatinha, tá a fim de ficar esperando eu ligar assim que voltar daquela viagem a trabalho?
E aí, Renatinha, tá a fim de nunca conhecer meus amigos?

Hm. Pensando bem, não seria bom, né?

Ainda prefiro surpresas. He.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Final de domingo, tô lá esperando o embarque e - opa, o que tá acontecendo comigo? - começo a chorar lendo um texto da Martha Medeiros no celular. Sim. Isso mesmo. Pois é. Pois é. Eu me vi, num domingo à noite, chorando com um texto da Martha Medeiros.


Foi quando, no meio de toda a minha dor e do meu sofrimento, eu consegui entender o que estava acontecendo.

Ah, é você, TPM. Pode entrar, sinta-se em casa.


corri, comprei e comi um chocolatinho e tudo ficou bem de novo.

Você chega em casa no domingo à noite depois de um fim de semana fora. Vem puxando sua malinha vermelha linda que a empresa aérea quebrou porque não manuseia as coisas com o mesmo amor e carinho que você.


Daí você sobe os dois lances de escada carregando sua malinha e finalmente chega em casa.
-Filha, tem pastel pra você.
-Ai, mãe, que delícia. Amo pastel. Pastel é a coisa que eu mais amo no mundo todo! Que bom, que bom!

Seu pai interrompe seu momento de pura felicidade pra dizer:
-Ihh, não tem pastel, não. Não sobrou.

:´(

Opa, opa, opa.


Vocês estão todos loucos.

Não é pra ficar em casa remoendo mágoas, gente. É pra sair e conhecer pessoas. Mesmo que a gente não queira. Mesmo que a gente odeie pessoas. Mesmo que a gente tenha a certeza de que pessoas só causam problema.

Nada de ficar em casa.

Vamos otimizar o tempo. Vamos remoer mágoas no ônibus, indo pro trabalho. Vamos aproveitar o engarrafamento pra sentir pena de nós mesmos. Em vez de ouvir a bronca do chefe, vamos pensar que nada vai mudar.

Mas no sábado à noite, no domingo à tarde, sei lá, o tempo que você tem livre, nada de ficar remoendo tristezinha. Vamos conhecer pessoas, sim. Mesmo que seja só pra ter motivo pra reclamar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E na terapia a pergunta:

-Você está saindo pra conhecer gente?

Não. Não estou saindo pra conhecer gente. Odeio conhecer gente. Odeio gente. Gente só me traz problema.

Estou ficando em casa remoendo mágoas, sentindo que nada vai mudar e nada vai dar certo. Estou ficando em casa longe de toda gente.

Ok, ok, ok.

Já entendi.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Chego em casa num dia comum, era uma quarta-feira. Na quarta todo mundo trabalha, na quinta também. Ninguém tem folga no meio da semana. Daí chego em casa numa quarta-feira, num dia comum, entro na cozinha e tem, veja bem, não estou brincando:

-empadão de camarão
-quentão
-cocada
-pé-de-moleque

Tudo feito em casa, não tenha dúvidas disso.

No dia seguinte tinha festa junina no trabalho da minha mãe e ela não queria, veja bem, não estou brincando, que comprassem comida pronta. Tinha que ser tu-do feito em ca-sa.
...
Minha mãe é daquelas que diz "Não entendo quem compra nhoque pronto. É tão mais gostoso feito em casa! Não en-ten-do."
...
Na cozinha, desenhada pelo meu pai, tem um balcão enorme feito especialmente pra fazer comida. Quanta massa foi sovada ali eu nem sei dizer.
...
Uma vez uma pessoa veio aqui em casa num dia de festa - meus pais fazem todos os pratos em casa - e disse "Que bonitinho, um do ladinho do outro, parecem que estão numa fábrica. Olha só, cada um tem uma função." E eles passam o dia inteiro cozinhando.
...
Quando eu era criança, meu grande sonho era comer lasanha e pizza congeladas. Eu me achava muito jeca porque aqui a gente só comia comida caseira.