Acho meninos tão bonitinhos, mas tão bonitinhos mesmo. E, cara, eu já entendi que a chata sou eu mesmo, então agora em vez de reclamar eu tento dar risadinhas.
A coisa com que eu menos me importo no mundo é celular. Não ligo, não preciso ter o melhor nem mais caro. Odeio que me liguem e odeio ligar pras pessoas. Celular não é assunto. O que eu tenho a dizer sobre meu celular? Nada. Eu não gosto nem de falar no celular, que dirá falar sobre ele.
Bom.
Mas sempre que eu tiro o celular da bolsa meninos acham que ele é um assunto.
-É 3G?
-Você tá usando wi-fi ou a sua Internet mesmo?
-Quanto tempo dura a bateria?
-É Nokia?
-É seu cachorro aí na foto? (essa me irrita profundamente, porque é só olhar pra Hannah pra ver que ela tem cara de menina. não tem como confundir com menino)
É sério? Vamos conversar sobre o meu celular? Porque, olha, se for pra conversar sobre meu celular, me deixa logo abrir o álbum de fotos pra mostrar a coisa mais interessante do aparelho: a minha coleção de fotos de empada.
Mas é isso. Antes me irritava, agora acho bonitinho e agradeço o esforço. Pelo menos não tá me chamando de exótica nem dizendo que meu vestido parece um pijama.
segunda-feira, 22 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
-Ah, Punta. Já passei férias lá. Tenho até foto num cassino, em frente a uma máquina de apostas, com uma blusa amarela de ombreiras e meu relógio-bolha no pulso. Porque meus pais, né? Sempre fazendo o que é sensato.
-Você já foi pra Punta?
-Já, algumas vezes.
-Você e seus segredos.
Ai, desculpa. Vou começar a me apresentar dizendo "Oi, meu nome é Renata, sou professora de inglês e já passei férias em Punta del Este.
...
Mas isso não é nada. Minha amiga de anos não saber que eu já tinha passado férias em Punta não é nada.
São outras coisas, sabe? De nunca contar as minhas coisas, nunca contar quando estou péssima. De quando minha voz está estranha no telefone, nunca dizer que é porque estava chorando. De chorar no ônibus, na frente de desconhecidos, mas nunca na frente de quem pode me consolar. De engolir o sapo e nunca dizer o que me magoou. São todas essas coisas que eu não entendo muito bem por quê.
There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
marcadores bobagens
quarta-feira, 17 de março de 2010
Só porque não sei se ficou claro ainda o tamanho da coisa.
Passo dias ansiosa, aflita, enchendo a paciência de todos os meus amigos. A gente se deu tão bem. Eu sou tão legal. Minha roupa era tão linda. Eu super me fingi de pessoa normal. Ninguém aguenta mais me ouvir falar disso.
Daí o telefone toca, é ele e o que eu faço? Cara, o que eu faço?
Penso "pfff, fraco."
E não atendo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Vou contar também do momento de pânico. Que só apresentei Nip/Tuck pra uma amiga, mas ela foi capaz de reparar um dia:
-Nata, ele tá de verde de novo.
-De novo?
-É. Tá sempre de verde.
-Nossa, nunca reparei. Que estranho.
...
-Renata.
-Oi.
-Ele tem olhos verdes.
-É, tem.
-Olhos verdes.
-Sei.
-OLHOS VERDES. E se ele for uma dessas pessoas que tem olhos verdes e só usa roupa verde?
-NÃÃÃÃOOOOO!!!
-Você já reparou se ele usa outra cor?
-Hmm, já vi de verde escuro, verde água, verde claro. Já vi de azul? Amarelo? Rosa? NÃO SEI!
O momento de pânico durou algumas boas horas, até o próximo encontro.
Ele tava de azul.
Uma coisa muito legal no Nip/Tuck é que flertava o tempo todo e essa é a minha parte preferida, sempre. Adoro ficar olhando, conhecer, fazer aquela cara de quem tá avaliando o outro. Contar coisas sobre mim, falar da minha família, falar sério, apresentar pros meus amigos, ligar "só pra ouvir a sua voz", essa parte eu não curto.
Ainda mais com ele, não tinha mesmo como dar certo. Eu encontrava a pessoa e perguntava "e aí, seu dia foi bom?" e ele respondia que, sim, tinha sido tranquilo, "fiz dois implantes e uma abdominoplastia" e o assunto acabava, né? Porque o que eu posso dizer depois disso? Tô aqui, fazendo legendinhas e você tá aí, ficando rico com a insegurança das pessoas.
Bom, o caso é que Nip/Tuck era irresistível, porque não importa o que a gente estivesse fazendo, ele tava sempre flertando e eu ficava toda derretida.
Porque não tem como resistir a uma pessoa que pisca o tempo inteiro váriasvezesváriasvezes.
desde 1983 curtindo um tique
domingo, 14 de março de 2010
Bom, eu sei que tenho que vir aqui e escrever alguma coisa ou a Cíntia vai me bater.
Mas a única coisa que eu tenho pra dizer é que outro dia eu tava andando na rua e jogaram uma fruta em mim.
Tá?
Quase estragou minha sapatilha rosa e eu quase chorei. Mas eu tinha decidido que aquele seria um bom dia e é proibido chorar num bom dia, a menos que seja de felicidade.
Chorar de felicidade, ¬¬
domingo, 21 de fevereiro de 2010
E também o que é chamar de nip/tuck depois de tanto tempo chamando uma pessoa com quem eu passei anos de medonho?
Hein? Não foi legal? Mais legal ainda foi quando chegou ao ponto em que até amigos de amigos passaram a se referir a ele assim.
E aí quando eu contava alguma história e uma pessoa nova no meu mundo ficava perdida, tinha sempre alguém pra explicar "medonho é o ex dela."
Rancor: curto muito.
Então, se pensar bem, chamar de nip/tuck é até um elogio. Porque, assim, tô dando valor a todos esses anos que a pessoa passou estudando e tal e tal. ¬¬
-Vou falar que viajei pra cuba, ela agora só quer saber de cuba. Vou falar "trouxe uns havanas pra você."
-Cara, tava lá com o nip/tuck, né? Aí me mostrou uma caixa de charutos que ele fuma, que tinham cara de ser caríssimos. Nunca antes alguém tinha tentado usar charutos pra me seduzir.
-É a idade chegando.
-Bom.
-Agora a gente sai com pessoas que têm problemas tipo hérnia de disco e fumam charutos.
-Caraca, é verdade!
Mas a minha grande pergunta é mesmo. Meninos: quando crescem ficam mais bobos?
eu queria dizer que tô, sim, me sentindo um pouco mal por chamá-lo de nip/tuck, porque ele é uma pessoa legal (apesar de achar que charutos me impressionariam) e tal, mas eu não resisto a apelidos e esse é tãotãotão perfeito, que eu não resisto.
e, bom, certeza que eu sou a menina-laço, aquela que só anda de sapatilhas, a menina de nova iguaçu ou qualquer coisa assim.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Um dia antes de ir pra Argentina, falei para a minha mãe que não sabia se ia desbloquear o roaming internacional, porque é caro e tal.
-Nossa, Renata. Cruz-credo. Filha, eu não te criei pra isso. E se eu precisar falar com você? E se você precisar falar com a gente? Ai, vai economizar com isso?
E completou:
-Não tenho dessas coisas. Comigo, ou é calça de veludo ou bunda de fora.
E por que eu estou escrevendo sobre isso agora? Bom, porque a conta do celular finalmente chegou. E também porque eu queria colocar uma das minhas fotos favoritas de toda a viagem:Porque se minha mãe não me criou pra economizar, ela certamente me criou para fazer poses como essa.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Depois de um encontro, sempre vai ter uma amiga pra dizer "se foi legal pra você, foi legal pra ele também." Daí você acredita porque, né? a gente acredita mesmo.
O caso é: e quando pra pessoa foi legal e pra você foi péssimo? Péssimo. Péssimo. Péssimo do tipo quase chorei? Péssimo mesmo. Péssimo do tipo o que essa pessoa tá fazendo? Por que ele tá falando isso? Péssimo assim. E quando?
E quando a pessoa fica ligando, mandando mensagens e, é claro, quer saber por quê? E quando "somos pessoas diferentes, gostamos de coisas diferentes" não dá conta do recado? E quando?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
no segundo
-Você não quer voltar pra Barra comigo?
-Nem se eu quisesse eu poderia, né? Assim, eu não vim da Barra, como posso voltar pra lá? Só posso e vou voltar pra minha casa, que é de onde eu vim.
Adoro deixar meninos sem graça.
Meninos são tão meninos. Adoro muito. Eles me divertem (quase) sempre.
sábado, 30 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Eu
É uma sensação engraçada esta. Eu sou leitora de blogs, muitos, todos os dias, então acho que eu entendo. Sabe? Essa coisa de ler o blog e achar que conhece a pessoa e sabe tudo sobre ela.
-odeio petit gateau. Odeio com todas as minhas forças. Odeio petit gateau de todos os sabores. Não como, não como, não como.
-traduzo filmes e séries para DVD e nunca assisti a nenhuma tradução minha. Normalmente eu não assisto a DVDs com a legenda em português. E também assisto tantas vezes, enquanto traduzo, pra conferir se tá tudo certinho, que enjoo e não quero ver aquilo nunca mais.
-digito apenas com meus dois dedos indicadores. Digito assim desde que tinha uns oito anos e ganhei uma máquina de escrever de presente de dia das crianças. Eu digito rápido. Ninguém acredita quando eu digo que digito só com os indicadores. Eu também acho ridículo, mas já entendi que nunca vou aprender a digitar direito.
-sempre quis ser professora. Não me lembro de querer ser outra coisa. Já tentei viver só de traduções e, apesar de pagar melhor, senti muita saudade da sala de aula. Além disso, trabalhar em casa não tem tanta graça. Eu preciso de uma desculpa pra usar todas as minhas roupas.
-tive aniversários temáticos até os 12 anos. De temas comuns, tipo personagens da Disney até temas que só faziam sentido pra mim e pra minha mãe, tipo flores cor-de-rosa e natureza (o bolo foi uma borboleta). Eu já tive um bolo em forma de pandeiro, um em forma de boca, um em forma de bruxa, um que tinha a cabeça do Pato Donald. A cabeça acendia. Bizarro. Meu irmão já teve bolo de pipa, de tambor, de tartaruga ninja (era o Rafael, claro), do Batman.
sábado, 23 de janeiro de 2010
As pessoas me dizem coisas muito fofas. Mas também me dizem umas medonhas. Tipo "eu morro de medo de morrer sozinha. você tem medo de morrer sozinha?"
Cara, como assim medo de morrer sozinha? Eu não tenho nem 30 anos. Tá perguntando se eu tenho medo de morrer, tipo, atropelada semana que vem enquanto estiver atravessando a rua sozinha? Ou quer saber se eu sofro pensando que daqui a 50 anos não vou ter ninguém ao meu redor, nem amigos, nem marido, nem filhos, nem meu irmão? É isso?
Porque, se for, acho bom parar de maluquice.
Ah, lembrei também de uma coisa que sempre acontece. Meninos sempre me fazem uma pergunta muito estranha.
-Eu sou professora.
-Mas você ganha bem, né?
Cara, por que tá perguntando? Como é que isso pode ser da sua conta?
Não sei se acontece com todo mundo ou se tem alguma coisa em mim que inspira a pergunta. Só sei que ela sempre é feita. E eu fico sempre com aquela cara de q? O que eu posso dizer? Como eu posso responder essa pergunta? Qual é a resposta certa? Ganho bem, ganho mal, não ligo pra dinheiro, sou tonta e nem sei quanto eu ganho?
Eu só queria saber: por que eles perguntam isso? Será que eu tenho cara de quem não vai rachar a conta? Justo eu, que quero sempre pagar a conta toda só pra provar que eu pooooosso e não preciso de ninguéeeem.
Às vezes sinto um incômodo tão grande quando me fazem essa pergunta, que respondo "acho que mais do que você, hein?" que é pra todo mundo ficar incomodado igual.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
boy, don't try to front
Todo mundo junto agora:
I know you
Gotta clue, what you're doing?
You can play brand new to all the other chicks out here
But I know what you are, what you are, baby
Quando as pessoas me perguntam:
-E aí, tudo bem? Como você tá?
Por alguns segundos eu penso em contar a verdade, dizer que as coisas estão melhorando, mas ainda não tá tudo bem. Que alguns dias eu já consigo ficar feliz da manhã à noite, que tantas vezes agora meu sorriso é de verdade.
Mas é só por alguns segundos. De verdade mesmo eu respondo:
-Tudo ótimo. E você?
marcadores todo dia
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Eu sei que tô devendo um post de ano novo. Mas ando meio lenta, sem saber o que dizer sobre o ano que acabou, que foi estranho.
E isso eu tinha que vir aqui contar.
Que é pra vocês verem que eu não tô exagerando.
O último. Olha só o perfil dele no Orkut (rá, não vou mostrar de verdade), ele está na seguinte comunidade: A beleza exótica é a mais bela.
Tá bom?
Eu juro que é verdade.
não sei se ficou claro, mas esse não é o mesmo que me chamou de exótica. tá bom?
marcadores drama
