Minha mãe sempre teve essa coisa com ano novo. "O que você faz na noite de ano novo vai se repetir no próximo ano."
Uma vez, era ano novo e eu não queria pentear o cabelo. Minha mãe ficou repetindo essa história. "Olha, você vai ficar descabelada o ano todo. Você vai passar o ano sem conseguir desembaraçar esse cabelo!"
Eu resisti, passei o ano novo toda despenteada. Mas morrendo de medo do que ia acontecer com meu cabelo em 1994.
Minha mãe, como sempre, me apavorando.
O mais engraçado é que eu não tive medo que a calça jeans color LARANJA que eu tava usando se repetisse na minha vida durante um ano. Hoje, se me mandassem escolher entre passar um ano despenteada e um ano de calça laranja, eu escolho viver sem um pente numa boa.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
o apego
Quando eu tinha uns 3 anos, morava longe da civilização. Num lugar com chiqueiro, pés de café e vacas.
Minha mãe queria que eu me divertisse como todas as crianças de uma grande cidade como Nova Iguaçu. E em grandes cidades como Nova Iguaçu a diversão na semana santa era malhar o Judas.
Então minha mãe aproveitou que o sítio estava cheio (porque nas férias de verão e nos feriados sempre tinha gente pra ficar o dia todo na piscina) e resolveu fazer um Judas pra mim.
Como tudo feito pela minha mãe, tinha que ser perfeito. Ela vestiu o Judas com roupas minhas e transformou o boneco numa figura quase humana. Como tudo feito pela minha mãe, foi feito com (muita) antecedência. Por isso, tive uns dias pra brincar com o Judas. E o Judas foi a minha companhia durante dias. Minha única companhia, porque todos os outros estavam ocupados com a piscina e eu não sabia nadar.
No dia de malhar o Judas, minha mãe anunciou que meu pai ia pendurar o Judas numa árvore e todos bateriam nele. Eu era filha única nessa época, imagina que dor perder meu único amiguinho de aventuras.
Escondi meu amigo Judas e estraguei o Sábado de Aleluia de parentes e amigos.
Fofa desde sempre.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Quando eu nasci, minha mãe dava banho em mim com água filtrada, fervida e com álcool, numa banheira que era esterilizada antes de cada banho.
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Quando eu era bebê, tinha 5 chupetas. Uma pra boca, outra pro joelho, outra pro cotovelo, outra pras mãos, outra pros pés. Alguma coisa assim.
Eu não dormia se as 5 chupetas não estivessem presentes no berço. Isso até já ter uns 3 anos, acho.
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Na casa da minha avó, onde eu passava as minhas tardes depois da escola, eu costumava almoçar usando uns três pratos. Arroz e feijão num prato. Bife em outro. Batata frita (ou qualquer outra coisa) em outro. Eu tinha um prato especial, só meu. Ninguém podia usar meu prato, meu copo ou meus talheres. Com meu irmão também era assim.
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É como se a família tivesse se esforçado pra criar uma pessoa maluca.
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